setembro 21, 2026

M 29, a Torre de Resfriamento no Cisne: guia completo de observação

Imagem de referência (DSS2) de M29 — objeto ainda não capturado no observatório

Imagem de referência (DSS2). Este objeto ainda não foi capturado no Observatório.

Crédito: Digitized Sky Survey 2 (DSS2) — STScI/NASA. Palomar Observatory / Caltech (POSS-II). Créditos

M 29 é o Messier mais difícil de identificar no Cisne. É um aglomerado pequeno, de brilho modesto, mergulhado num campo riquíssimo da Via Láctea, e por isso as estrelas do aglomerado se misturam às do fundo. O nome popular de "Torre de Resfriamento" vem do amador britânico Jeff Bondono, que viu duas fileiras curvas de estrelas como as laterais côncavas de uma torre de usina (Bakich); Monks descreve o mesmo padrão como um par de correntes em forma de arco, quase espelhadas. A +38,5° de declinação, é alvo de verão do hemisfério norte e baixo, ao norte, no céu do Rio de Janeiro.

Texto em revisão. Guia no novo formato; fontes no final.

Imagem de referência (DSS2) de M29 — objeto ainda não capturado no observatório
Digitized Sky Survey 2 (DSS2) — STScI/NASA. Palomar Observatory / Caltech (POSS-II). Imagem de referência: este objeto ainda não foi fotografado no Observatório. Créditos

Ficha técnica e designações

Visão geral: o que é um aglomerado aberto

Aglomerados abertos são grupos de estrelas nascidos da mesma nuvem. M 29 tem cerca de 24 estrelas fáceis de contar (Bakich); o Kambič e o Monks convergem em torno de 50 estrelas na região, das quais só uma fração é de fato membro do aglomerado. Ele está, segundo o Kambič, num braço vizinho da Galáxia e seria bem mais brilhante se não fosse a poeira interna: Bakich e Monks concordam que ela enfraquece as estrelas em pelo menos 3 magnitudes, o suficiente para transformar um aglomerado rico num grupo discreto.

Números. O SIMBAD, com paralaxe de 0,553 milissegundo de arco, dá cerca de 5.900 anos-luz; o Kambič diz cerca de 4.000, e o Monks é ainda mais cauteloso: relata que a distância "comumente aceita" é de cerca de 4.000 anos-luz, mas que alguns astrônomos a colocam em até 7.200. A incerteza tem uma causa clara: como não se sabe exatamente quanto brilho a poeira consome, é difícil separar "fraco porque está longe" de "fraco porque a luz é bloqueada". A magnitude aparente fica em torno de 6,6 (SIMBAD; Bakich), com o Kambič trazendo 7,1. O tamanho aparente vai de 6′ a 7′ nos livros e chega a 12,7′ no SIMBAD, provavelmente por incluir estrelas de borda mais dispersas. Também é NGC 6913.

O aglomerado que poderia ter sido famoso. É a mesma lição de M 39: sem a poeira do Cisne bloqueando a luz, M 29 seria um dos aglomerados mais chamativos de Messier. Monks nota que, apesar da aparência modesta, o grupo é "na verdade bastante brilhante e rico" — a Via Láctea densa do Cisne é a razão dele parecer pobre.

Estruturas notáveis

  • As fileiras curvas. Duas linhas de estrelas que lembram uma torre de resfriamento (Bakich); Monks as descreve como pares de correntes em arco, quase como imagens espelhadas uma da outra.
  • As sete estrelas de magnitude 9. As mais brilhantes, separadas em binóculo (Kambič).
  • NGC 6910. Um aglomerado de cerca de 100 estrelas, com as mais brilhantes na magnitude 10, ligeiramente acima de Sadr; só aparece em condições excelentes (Kambič).

Como localizar

O ponto de partida é Sadr (Gamma do Cisne), a estrela central da constelação, no cruzamento das "asas" com o "pescoço" da ave. M 29 fica cerca de 1,8° ao sul de Sadr (Bakich); o Kambič a coloca no mesmo campo de binóculo que a estrela, o que torna Sadr o guia mais confiável — mais até do que o próprio aglomerado, fraco e disperso. Aponte o binóculo para Sadr e desloque o campo um pouco para o sul: o grupo de estrelas de magnitude 8 e 9 aparece como uma pequena concentração sobre o fundo já denso da Via Láctea.

Para quem tem telescópio com buscador, vale centrar em Sadr e depois mover cerca de 2° na direção sul-sudeste; em baixa ampliação, as duas fileiras curvas de estrelas ajudam a confirmar a identificação, já que o entorno tem muitas estrelas de brilho parecido. NGC 6910, um pouco ao norte de Sadr, serve de referência adicional em noites de transparência excelente.

Do Rio, olhe para o norte, com o norte para baixo: Sadr fica no mesmo campo, e a orientação do Cisne parece invertida em relação aos mapas do hemisfério norte.

Carta de localização de M29: as estrelas-guia nomeadas, setas tracejadas com a distância em graus até o alvo, escala em graus e indicação de norte e leste.
Carta de localização (star-hopping), no mesmo estilo das cartas de constelação: norte e leste indicados no canto. Anéis laranja: estrelas-guia; setas tracejadas: o caminho até o alvo, com a distância em graus; anel verde: o alvo (e, com a designação, outros objetos do campo); a barra mostra a escala. As linhas são as oficiais das constelações (d3-celestial), os limites são os da IAU e as estrelas vêm do catálogo HYG.

Quando e como observar

Do hemisfério norte. Com declinação de +38,5°, a altura máxima é de cerca de 88° a 40° N e de cerca de 78° a 50° N — praticamente no zênite. É um alvo de verão e início do outono, ao anoitecer, na mesma época em que Sadr e o Triângulo de Verão dominam o céu alto.

E do Rio de Janeiro?

A altura máxima é de cerca de 29° (90 − |−23° − 38,5°|), de meados de julho a setembro. Sendo pequeno e fraco, é um objeto difícil de reconhecer entre as estrelas do fundo, e a atmosfera do horizonte norte piora isso. Localize antes Sadr e as estrelas do Cisne, e use um mapa: em céu de cidade (Bortle 7), a chance real está mais em confirmar a posição com binóculo do que em "reconhecer" o aglomerado de improviso.

Altura de M29 ao longo do anoAltura à meia-noite astronômica e altura máxima da noite, a cada 5 dias. O objeto não passa de 30° à meia-noite em nenhuma época do ano.0°30°60°90°JANFEVMARABRMAIJUNJULAGOSETOUTNOVDEZhoje
Altura ao longo do ano, a cada 5 dias: linha contínua = altura no meio da noite astronômica (Sol abaixo de −18°); tracejada = maior altura durante a noite escura; faixa verde = melhor época; linhas pontilhadas em 30° e 45°. A linha vertical marca hoje. Neste local o objeto não passa de 30° de altura no meio da noite em nenhuma época do ano.

Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).

2026-10-13 · 19:20 – 04:10

Esta noite no céu

Melhores alvos da noite

Este objeto não passa de 30° de altura nesta noite (máximo: 28°). Não é um bom alvo hoje.

Melhor horário
19:20 · 28° N
Horas acima de 45°
0,0 h
Lua
Lua crescente · 12 %
Nota da noite
0 / 100
Posição no céu
0
Brilho
91 mag 6,6
Enquadramento
32 ocupa 8 % do campo

Notas para SkyWatcher Explorer 200P + ZWO ASI294MC Pro (campo de 66′ × 45′).

Trajetória de M29 pelo céu nesta noiteCéu visto de baixo, zênite no centro e horizonte na borda. O objeto fica acima do horizonte entre 18:20 e 23:20 durante a noite; o ponto mais alto é às 19:20, com 28°. A tabela ao lado traz os mesmos valores.15°30°45°60°75°NNELSESSOONO19:0020:0021:0022:0023:00
Caminho do objeto pelo céu nesta noite, do fim do crepúsculo civil ao amanhecer. Centro = zênite, borda = horizonte; visto olhando para cima (leste à esquerda, oeste à direita). Marcadores a cada 30 minutos.
  • Crepúsculo civil (Sol até −12°)
  • Crepúsculo náutico (−12° a −18°)
  • Noite astronômica (Sol abaixo de −18°)
  • Altura abaixo de 20°
  • Altura abaixo de 30°
  • Hora cheia e meia hora
  • Ponto mais alto
Valores hora a hora (tabela)
Altura e direção do objeto a cada 30 minutos
Hora Altura Direção Da Lua
19:30 28° N 351° 92°
20:00 26° NNW 344° 92°
20:30 24° NNW 338° 91°
21:00 21° NNW 333° 91°
21:30 18° NNW 328° 91°
22:00 14° NW 323° 91°
22:30 9° NW 319° 91°
23:00 5° NW 316° 91°
23:30 0° — 91°
00:00 -6° — 90°
00:30 -11° — 90°
01:00 -17° — 90°
01:30 -22° — 90°
02:00 -28° — 90°
02:30 -34° — 90°
03:00 -40° — 90°
03:30 -46° — 89°
04:00 -51° — 89°
Altura de M29 ao longo da noiteAltura em graus a cada 30 minutos. O ponto mais alto é às 19:20, com 28°. A tabela abaixo traz os mesmos valores.0°30°60°90°202122230001020304abaixo do horizonte
Altura em graus ao longo da noite escura (linhas em 30° e 45°). A Lua aparece tracejada.

Cálculo de baixa precisão (cerca de 0,3°), no fuso horário do local. Serve para planejar, não para apontar telescópios.

Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).

O que ver

Instrumento O que esperar
A olho nu Não.
Binóculo Cerca de uma dúzia de estrelas, sete delas de magnitude 9 (Kambič). Kambič o descreve como "definitivamente não muito atraente".
Telescópio pequeno (75 a 100 mm) Funciona melhor com abertura pequena (Bakich): o autor usou uma máscara de 75 mm sobre um telescópio de 300 mm para identificá-lo. Monks confirma que é um alvo fácil em telescópios de qualquer porte, mas o padrão de duas fileiras só aparece bem em baixa ampliação.
Telescópio maior Mais estrelas, mas o aglomerado se dilui no fundo. Com 200 mm, cerca de 100 estrelas mais brilhantes que a magnitude 14 (Bakich).

O que muda com a abertura. Ao contrário da maioria dos aglomerados, mais abertura nem sempre ajuda em M 29: como o campo em volta é tão rico, um espelho grande revela tantas estrelas de fundo que o padrão das "fileiras" da torre de resfriamento se perde. É por isso que Bakich recomenda reduzir a abertura, e Monks sugere ficar com ampliações baixas mesmo em telescópios maiores.

M 29 x M 39 x M 34. Comparado a M 39, que é grande, esparso e feito para binóculo, M 29 é pequeno, denso na aparência e mais fácil em telescópio do que a olho nu ou binóculo. M 34, em Perseu (cerca de 35′, Bakich), fica no meio do caminho: grande o bastante para binóculo, mas com estrelas mais concentradas. Comparar os três no mesmo binóculo, numa noite, mostra como o tamanho aparente e o fundo estelar mudam completamente a experiência de observar aglomerados abertos.

Expectativa honesta: M 29 é um teste de paciência. O melhor conselho vem do Bakich: menos abertura pode ajudar.

O entorno: Sadr e a Via Láctea do Cisne

Sadr marca o centro da Via Láctea vista pelo Cisne, e é cercada por nebulosidade de emissão catalogada como IC 1318, conhecida por fotógrafos como "a nebulosa Butterfly" ou simplesmente "nebulosidade de Gamma Cygni". Ela não tem magnitude nem tamanho conferidos aqui e não é o foco deste guia, mas é útil saber que ela está lá: segundo a bibliografia de astrofotografia consultada, IC 1318 é um alvo de campo largo que costuma exigir mosaicos de vários quadros para ser fotografada por inteiro, ao contrário de M 29, que cabe folgado em qualquer enquadramento.

Além de Sadr e NGC 6910, o Cisne concentra outros alvos de referência: Deneb, no vértice norte do Triângulo de Verão, e Albireo, a dupla dourada e azul na outra ponta da constelação. Entre os guias já publicados no site, a Nebulosa da América do Norte (NGC 7000) fica perto de Deneb, e a Nebulosa do Véu (NGC 6992), remanescente de supernova, ocupa outro trecho da mesma asa. As planetárias M 57 (Anel), em Lira, e M 27 (Dumbbell), em Raposa, ficam a poucos graus dali. Uma sessão de binóculo que passe por Sadr, M 29, NGC 6910 e siga até Albireo cobre boa parte do melhor trecho de Via Láctea do céu de verão do norte.

Astrofotografia: estratégia de captura

Os livros usados não trazem verbete de astrofotografia específico para M 29. Como referência geral, um campo de 1° a 2° enquadra M 29 com Sadr e a vizinha NGC 6910; um campo mais largo ainda, de 3° a 4°, capta também a nebulosidade difusa de IC 1318 ao redor de Sadr, embora essa nebulosa exija exposições mais longas e, normalmente, filtro de banda estreita — algo fora do escopo de M 29 em si. Aqui, a altura de menos de 30° exige RGB ou câmera colorida com exposições curtas.

Tipo de quadro Quantidade Exposição Finalidade
Light 40 a 60 20 a 40 s Cor das estrelas
Dark 20 igual aos Lights Calibração
Flat 30 automática Vinheta
Bias 50 mais curta possível Ruído de leitura

Ponto de partida, não vem dos livros.

Smart telescopes e campo de visão

Um smart telescope cobre M 29 e Sadr no mesmo quadro; para incluir NGC 6910 também, prefira um modelo com campo maior que 1°. Escolha o modelo no mapa.

0°

Carrega o mapa do CDS (Estrasburgo) e imagens DSS2 direto do servidor deles; nada é carregado antes do clique.

Considerações finais

M 29 é o oposto de M 37: pequeno, discreto e difícil. O vizinho M 39, a poucos graus dali, é seu contraponto: grande, esparso e feito para binóculo, enquanto M 29 recompensa quem reduz a abertura e tem paciência. Veja o céu de verão no hemisfério norte.

Referências

  • BAKICH, Michael E. 1,001 Celestial Wonders to See Before You Die: The Best Sky Objects for Star Gazers. New York: Springer, 2010. Objeto nº 633 (M 29).
  • KAMBIČ, Bojan. Viewing the Constellations with Binoculars: 250+ Wonderful Sky Objects to See and Explore. New York: Springer, 2010. Cisne, M 29 e NGC 6910, p. 275-277.
  • MONKS, Neale. Go-To Telescopes Under Suburban Skies. London: Springer, 2010. NGC 6913 (M 29), p. 146-147.
  • SIMBAD Astronomical Database. CDS. Consulta a M 29, em 21 set. 2026.
  • HYG Database (v4.1), CC BY-SA 4.0; mapa Aladin Lite e imagem DSS2 do CDS.