setembro 21, 2026
NGC 6992 (Caldwell 33), NGC 6960 (Caldwell 34) e a Nebulosa do Véu: guia completo de observação e astrofotografia

Imagem de referência (DSS2). Este objeto ainda não foi capturado no Observatório.
Crédito: Digitized Sky Survey 2 (DSS2) — STScI/NASA. Palomar Observatory / Caltech (POSS-II). Créditos
Há cerca de mil séculos, uma estrela muito maior que o Sol acabou seu combustível e explodiu. A onda de choque dessa supernova ainda avança pelo espaço, empurrando e aquecendo o gás à sua frente, e o que vemos hoje, no Cisne, é essa frente de gás desenhada em fios curvos, luminosos, quase sobrenaturais. A Nebulosa do Véu é uma das melhores ilustrações do que uma supernova deixa para trás e um dos objetos mais recompensadores para quem tem um filtro de nebulosa. Este guia usa o ponto de vista do hemisfério norte, onde o Véu passa perto do zênite; para nós, no Rio de Janeiro, ele é baixo e de contraste difícil, e há uma seção só para isso.
Texto em revisão. Este guia segue o novo formato de guia de objeto. As fontes e as divergências estão no final e nas pendências.

Ficha técnica e designações
Visão geral: o que é um remanescente de supernova
Quando uma estrela muito massiva termina sua vida, ela explode e lança a maior parte do seu material no espaço, formando um envoltório que brilha por milhares de anos (Ridpath). O gás varrido pela onda de choque emite luz em linhas estreitas, sobretudo do oxigênio duplamente ionizado (OIII, em 496 e 501 nm) e do hidrogênio. É por isso que os filtros de banda estreita mudaram a observação visual desses objetos: o UHC deixa passar o OIII e o hidrogênio beta, e o OIII puro, só o oxigênio, e ambos escurecem o fundo e deixam o filamento visível (Mobberley). Stewart Moore, citado por Mobberley, prefere o UHC no Véu, mas em céu poluído o OIII costuma ganhar.
O Véu em números. É um conjunto de arcos que, juntos, formam um círculo quase incompleto de quase 3° de diâmetro (Mobberley; Bakich); Monks descreve uma elipse de 230′ × 160′. O brilho total é de magnitude 7 a 8 (catálogo do site e Mobberley), espalhado por uma região muito extensa. A distância é de cerca de 1.500 anos-luz na medida do Hubble de 1999 (Mobberley), e 2.500 anos-luz em Monks. A idade da explosão é o dado mais incerto: 5.000 a 8.000 anos (Mobberley), cerca de 10.000 (Monks), mais de 15.000 (Bakich) e 30.000 (Coe). O SIMBAD não traz paralaxe para os arcos, e por isso este guia diz "de 5 mil a mais de 20 mil anos" e "1.500 a 2.500 anos-luz". Numa distância dessas, o conjunto tem cerca de 70 a 100 anos-luz de diâmetro (Mobberley; Monks), e é cinco vezes mais perto do que a Nebulosa do Caranguejo (Mobberley). Se a explosão ocorreu há poucos milhares de anos, ela pode ter brilhado com magnitude −9 para os nossos ancestrais (Mobberley), sem registro histórico (Bakich).
Três nomes, um objeto. O Véu é chamado também de Laço do Cisne, Rede e Vassoura da Bruxa (Bakich; Mobberley). O arco leste, formado por NGC 6992 e NGC 6995, é o Caldwell 33 e é conhecido como Rede. O arco oeste, NGC 6960, é o Caldwell 34 e é o "Filamentar" (a Vassoura da Bruxa). Um terceiro fragmento, o Triângulo de Pickering (NGC 6979), foi descoberto por Williamina Fleming em 1904 (Bakich) e é muito difícil (Monks).
Estruturas notáveis
- O arco leste, NGC 6992 e 6995. O arco mais brilhante e mais largo; NGC 6992 tem a forma de uma foice e caberia folgado num refrator de 4 polegadas, com cerca de 12 estrelas em seu interior (Coe). A NGC 6995 é a extremidade sul, um pouco separada.
- O arco oeste, NGC 6960. Um filamento fino e comprido que passa atrás da estrela 52 Cygni (magnitude 4, a cerca de 200 anos-luz, uma estrela de primeiro plano sem relação com o Véu, segundo Mobberley). A luz da estrela dificulta a observação da região; a extremidade norte tem maior brilho superficial que a sul, que se bifurca (Coe).
- O arco incompleto a sudeste. A borda sul do anel é mais fraca e incompleta (Mobberley).
- Filamentos curvos. Com filtro e ocular de baixo aumento, o interior dos arcos se resolve em fios e ondulações (Coe; Bakich).
Como localizar
O Véu fica no sul do Cisne, perto da estrela Gienah (épsilon Cygni). Mobberley o coloca cerca de 3¼° ao sul dela. O caminho mais fácil parte de 52 Cygni, visível a olho nu: NGC 6960 passa por ela, e o arco leste, NGC 6992 e 6995, fica cerca de 2,7° a nordeste (Bakich). Com binóculo de campo largo, a região da NGC 6992 aparece como um arco difuso; o restante exige filtro.

Quando e como observar
Para quem observa do hemisfério norte, o Véu é um objeto do fim do verão e do outono: de julho a outubro (Mobberley), com a melhor altura por volta de agosto, quando o Cisne está no meio do céu no início da noite. O objeto tem declinação de cerca de +31° e culmina a cerca de 81° de altura a 40° N e de 72° a 50° N (90° − |Dec − latitude|, cálculo próprio). Ou seja, quase no zênite, o que é excelente para um objeto de contraste baixo. Monks obteve suas melhores vistas em Bortle 3 a 4 com um refrator de 76 mm, ocular de 35 mm e OIII; em Bortle 6, mesmo 200 mm mostravam só as partes brilhantes.
A dica de Monks vale em qualquer céu: mover o filtro para dentro e para fora do caminho óptico, entre o olho e a ocular, faz o Véu "piscar". Os gráficos abaixo mostram o objeto para o local do site, o Rio de Janeiro; compare-os com a conta acima.
Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).
2026-10-12 · 19:20 – 04:10
Esta noite no céu
- Melhor horário
- 19:20 · 35° N
- Horas acima de 45°
- 0,0 h
- Lua
- Lua crescente · 6 %
- Nota da noite
- 51 / 100
- Posição no céu
- 34
- Brilho
- 85 mag 7,0
- Enquadramento
- 68 ocupa 133 % do campo
Notas para SkyWatcher Explorer 200P + ZWO ASI294MC Pro (campo de 66′ × 45′).
- Crepúsculo civil (Sol até −12°)
- Crepúsculo náutico (−12° a −18°)
- Noite astronômica (Sol abaixo de −18°)
- Altura abaixo de 20°
- Altura abaixo de 30°
- Altura abaixo de 45°
- Hora cheia e meia hora
- Ponto mais alto
Valores hora a hora (tabela)
| Hora | Altura | Direção | Da Lua |
|---|---|---|---|
| 19:30 | 35° | N 359° | 103° |
| 20:00 | 35° | N 351° | 103° |
| 20:30 | 33° | NNW 343° | 102° |
| 21:00 | 31° | NNW 336° | 102° |
| 21:30 | 28° | NNW 330° | 102° |
| 22:00 | 24° | NW 324° | 102° |
| 22:30 | 19° | NW 319° | 102° |
| 23:00 | 15° | NW 315° | 102° |
| 23:30 | 10° | NW 311° | 101° |
| 00:00 | 4° | NW 307° | 101° |
| 00:30 | -1° | — | 101° |
| 01:00 | -7° | — | 101° |
| 01:30 | -13° | — | 101° |
| 02:00 | -19° | — | 100° |
| 02:30 | -26° | — | 100° |
| 03:00 | -32° | — | 100° |
| 03:30 | -38° | — | 100° |
| 04:00 | -45° | — | 100° |
Cálculo de baixa precisão (cerca de 0,3°), no fuso horário do local. Serve para planejar, não para apontar telescópios.
Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).
E do Rio de Janeiro?
O Véu não é impossível, mas é um alvo no limite. A altura máxima no Rio (lat −23°) é 90° − |−23° − 31,7°| = cerca de 35° para o arco leste, e cerca de 36° para o arco oeste (Dec +30,7°), sempre ao norte e apenas na passagem pelo meridiano, e só de julho a outubro. Em Bortle 7, com a cúpula de luz da cidade sobre o horizonte norte, o Véu praticamente desaparece, mesmo com filtro OIII: os arcos são tênues e sem ponto de referência. As melhores chances são um binóculo de 50 mm ou mais com filtro, num local escuro e sem obstáculos ao norte, ou uma foto de campo largo com filtro dual-band. É a fotografia, não o olho, que mais compensa o esforço. Como o objeto está ao norte, a orientação é invertida: olhando para o norte, o norte celeste fica para baixo e o leste, à direita, e o arco leste (NGC 6992) fica à direita do arco oeste.
O que ver
| Instrumento | O que esperar |
|---|---|
| A olho nu | Não é visível; o arco brilhante de NGC 6992 é a melhor chance com filtro na mão, em céu muito escuro. |
| Binóculo (8×42 a 15×70) | Em boa noite, sem filtro, um arco fraco, sobretudo da NGC 6992 (Coe). Com OIII, Tonkin disse que o Véu parecia ter "encolhido a Via Láctea". |
| Telescópio de 100 mm | Um refrator de 4 polegadas com ocular de 22 mm e UHC mostra o arco leste inteiro, em forma de foice, com cerca de 12 estrelas; o arco oeste é mais difícil por causa de 52 Cygni (Coe). |
| Telescópio de 250 mm ou mais | Filtro de nebulosa e menor aumento possível; a cerca de 100 aumentos, o arco vira filamentos (Bakich). Coe cita um telescópio de 11″ com ocular de 27 mm e UHC, mostrando filamentos curvos. Nenhum dos arcos cabe inteiro em telescópios grandes, e o ideal é fazer uma varredura lenta com o motor desligado. |
Expectativa honesta: o Véu depende do céu e do filtro mais do que qualquer outra nebulosa desse tipo. Com um bom filtro e um céu de campo, ele é dos objetos mais bonitos que existem; da cidade, é sobretudo uma promessa.
Astrofotografia: estratégia de captura
Enquadramento
O conjunto tem quase 3° de diâmetro e exige um campo largo (uma teleobjetiva de 200 a 300 mm ou um refrator curto). Para um arco isolado, uma focal de 500 a 800 mm mostra bem os filamentos: um sensor de 23 mm × 15 mm com 600 mm dá cerca de 2,2° × 1,4° (cálculo próprio), suficiente para o arco leste inteiro.
Desafios do alvo
- Sinal em bandas estreitas. O brilho está no OIII e no H-alfa; o filtro dual-band ou a captura em H-alfa/OIII (paleta SHO ou HOO) é o ponto de partida, e Mobberley recomenda H-alfa longo em CCD.
- Estrelas do primeiro plano. 52 Cygni e as estrelas do campo denso da Via Láctea exigem cuidado com halos e reflexos.
- Cores. O azul-esverdeado do OIII e o vermelho do H-alfa pedem tratamento separado, e a redução de estrelas ajuda a mostrar os filamentos.
Equipamento e filtros
Câmera monocromática resfriada com filtros de banda estreita é o melhor caminho; câmeras coloridas com filtro dual-band funcionam bem. Fotografar perto do meridiano diminui a atmosfera e os gradientes.
Exemplo de sessão (ponto de partida)
| Tipo de quadro | Quantidade | Exposição | Finalidade |
|---|---|---|---|
| Light (dual-band ou H-alfa/OIII) | 60 a 100 | 180 a 300 s | Filamentos; o tempo total é o que conta |
| Dark | 30 | igual aos Lights | Ruído térmico |
| Flat | 30 | automática | Vinheta e poeira |
| Bias ou dark-flat | 50 | mais curta possível | Ruído de leitura |
Ponto de partida, não vem dos livros.
Smart telescopes e campo de visão
Um smart telescope como o Seestar S50 (cerca de 1,3° × 0,7°) não cobre o Véu inteiro, mas enquadra bem um arco; o filtro dual-band ajuda, e o objeto é um bom alvo para mosaicos. Escolha seu modelo no mapa abaixo para ver o retângulo do campo sobre o objeto.
Carrega o mapa do CDS (Estrasburgo) e imagens DSS2 direto do servidor deles; nada é carregado antes do clique.
Considerações finais
O Véu é a prova de que um filtro pode valer mais do que uma abertura maior. Para quem mora no hemisfério norte, é um objeto de verão e de outono; para nós, uma aventura de céu escuro e de câmera. Para continuar, veja o guia do céu de verão no hemisfério norte, a vizinha Nebulosa da América do Norte, a Nebulosa do Caranguejo (M 1), outro remanescente de supernova, e a Dumbbell (M 27).
Referências
- BAKICH, Michael E. 1,001 Celestial Wonders to See Before You Die: The Best Sky Objects for Star Gazers. New York: Springer, 2010. Objeto nº 648 (NGC 6960/6992/6995).
- COE, Steven R. Nebulae and How to Observe Them. London: Springer, 2007. Véu, p. 107-108.
- MOBBERLEY, Martin. The Caldwell Objects and How to Observe Them. New York: Springer, 2009. Caldwell 33 e 34, p. 78-81.
- MONKS, Neale. Go-To Telescopes Under Suburban Skies. London: Springer, 2010. Véu, p. 134-135.
- RIDPATH, Ian. Astronomia (Guia Ilustrado Zahar). 4. ed. Rio de Janeiro: Zahar. Remanescentes de supernova (página a conferir).
- TONKIN, Stephen. Binocular Astronomy. Springer (Patrick Moore's Practical Astronomy Series). Véu do Cisne com filtro OIII (ano, local e página a conferir).
- SIMBAD Astronomical Database. Centre de Données astronomiques de Strasbourg (CDS). Consulta a NGC 6960, 6992 e 6995, em 21 set. 2026.
- HYG Database (v4.1), David Nash / Astronexus, licença CC BY-SA 4.0, para a carta de localização; mapa Aladin Lite e imagem DSS2 do Centre de Données astronomiques de Strasbourg.