setembro 22, 2026
Ursa Maior, a Grande Ursa: guia do Carro, de Mizar e Alcor e das galáxias do norte

Se existe uma figura que resume "o céu do hemisfério norte" para a maior parte do mundo, é a Ursa Maior. Sete estrelas moderadamente brilhantes desenham um carro, uma concha ou uma panela — dependendo de quem descreve — e esse desenho, sozinho, já ensinou gerações inteiras a achar o norte, a estrela Polar e um punhado de galáxias. Do Brasil a história muda: a Ursa Maior é grande, espalhada e fica baixa (ou nem aparece) para quem mora no Sul e no Sudeste. Mas para quem vive no Norte e em boa parte do Nordeste, ela sobe baixa no horizonte norte em certas épocas do ano, e vale a pena aprender a reconhecê-la. Neste guia você vai achar as sete estrelas do Carro, fazer o teste de vista clássico de Mizar e Alcor, conhecer as estrelas menos famosas que completam a figura da ursa e descobrir por que algumas das suas galáxias mais famosas — M 81 e M 82 — simplesmente não nascem no Rio de Janeiro, em São Paulo ou em Porto Alegre.
Uma ursa enorme entre o Dragão e o Leão
A Ursa Maior (Ursa Major, abreviatura UMa) é a terceira maior constelação do céu, com cerca de 1.280 graus quadrados, atrás apenas de Hidra e Virgem (Philip's Astronomy Encyclopedia, verbete Ursa Major, p. 424). Fica no céu do norte, entre o Dragão e o Leão, e faz fronteira também com o Leão Menor, o Lince, os Cães de Caça e o Boieiro — todas essas vizinhas aparecem na carta abaixo. Culturas do hemisfério norte, de gregos a povos nativos da América do Norte, viram ali uma ursa desde tempos muito antigos (Philip's, p. 424).
O que salta aos olhos, porém, não é a ursa inteira, mas um pedaço dela: o asterismo mais reconhecível do céu do hemisfério norte, formado por sete estrelas de brilho parecido — chamado de Grande Carro (Big Dipper/Plough) nos Estados Unidos e na Inglaterra, e de Grande Concha, Arado ou Panela em outras tradições, inclusive na nossa (Vieira, Identificação do Céu, p. 29; Ridpath, Astronomia, p. 158-159). Só o Carro já rende um roteiro e tanto: a estrela mais brilhante, Alioth, e a dupla Mizar e Alcor, no meio do cabo, são pontos de partida clássicos para a observação a olho nu. Fora do Carro, a Ursa Maior guarda ainda um dos conjuntos de galáxias mais fotografados do céu — M 81, M 82, M 101, M 108 e M 109 — e a Nebulosa da Coruja (M 97), uma planetária discreta encaixada perto de Merak.
Boa parte dessas estrelas e galáxias tem declinação muito alta, entre +40° e quase +70°, o que faz da Ursa Maior uma constelação essencialmente do hemisfério norte. Do Brasil, ela é visível — pelo menos em parte — até por volta de 16° de latitude sul, aproximadamente a linha de Brasília (Ridpath, p. 158). Mais ao sul, o Carro já aparece baixo demais ou simplesmente não nasce.
Quando e como achar
Melhor época. O centro da carta, na região do Carro, culmina (fica no ponto mais alto no meridiano) por volta das 21 horas locais no final de abril, o que faz da Ursa Maior uma constelação de outono e início de inverno para o hemisfério sul (ao contrário do hemisfério norte, onde ela é vista como constelação de primavera). Na prática, dá para observá-la baixa no horizonte norte de fevereiro a junho, com o pico de altura entre março e maio.
Para onde olhar. Olhando para o norte, o Carro aparece de cabeça para baixo em relação ao desenho que os observadores do hemisfério norte descrevem, com o cabo (Alkaid, Mizar, Alioth) do lado leste (à direita, na carta) e a concha (Megrez, Phecda, Merak, Dubhe) do lado oeste.
| Cidade | Alkaid (cabo) | Alioth/Mizar (meio) | Dubhe (concha, apontadora) |
|---|---|---|---|
| Boa Vista (RR) | 44° | 37° | 31° |
| Manaus (AM) | 38° | 31° | 25° |
| Recife (PE) | 33° | 27° | 20° |
| Brasília (DF) | 25° | 19° | 13° |
| Rio de Janeiro (RJ) | 18° | 11° | 5° |
| São Paulo (SP) | 17° | 11° | 5° |
| Porto Alegre (RS) | 11° | 5° | não sobe* |
Altura máxima acima do horizonte, calculada por nós a partir das declinações do Philip's Astronomy Encyclopedia e da latitude de cada cidade; valores arredondados. Dubhe (declinação +61,75°) fica a apenas cerca de 2° do horizonte em Porto Alegre — na prática, não chega a se destacar da neblina e dos obstáculos do horizonte, embora a conta dê um valor levemente positivo em latitudes um pouco mais ao norte da cidade.
Repare que, mesmo em Boa Vista, a cidade mais ao norte do Brasil, nenhuma estrela do Carro passa de 45° de altura: a Ursa Maior nunca fica alta no céu brasileiro, e no Sul do país ela é, na prática, inobservável a olho nu.

Passo a passo.
- Vire-se para o norte, em uma noite sem Lua entre fevereiro e junho, e procure sete estrelas de brilho parecido (magnitude 1,8 a 3,3) formando um desenho de carro ou concha, baixo no horizonte.
- As duas estrelas da ponta da "concha" mais distante do cabo são Dubhe e Merak, os "apontadores": no hemisfério norte, uma linha reta de Merak a Dubhe, estendida cerca de cinco vezes, leva à estrela Polar. Do Brasil, a Polar está sempre abaixo do horizonte, mas o alinhamento continua útil para reconhecer o padrão.
- No meio do cabo do Carro, procure Mizar; a olho nu, em céu razoavelmente escuro, ela aparece acompanhada por Alcor, uma estrela mais fraca a pouca distância — o teste de vista mais clássico do céu (veja a seção seguinte).
- Do outro lado da concha, mais afastadas e mais fracas, ficam as estrelas que desenham as patas dianteiras (Talitha e Tania Borealis/Australis) e o focinho (Muscida) da ursa — um desafio maior, que pede céu escuro e ausência de poluição luminosa.
As estrelas da Ursa Maior
| Estrela | Posição | Brilho visual (mag.) | Tipo espectral | Distância aproximada |
|---|---|---|---|---|
| Alioth (épsilon) | cabo, junto à concha | 1,76 | A0 | cerca de 81 anos-luz |
| Dubhe (alfa) | concha, apontadora | 1,81 | F7 (gigante) | cerca de 124 anos-luz |
| Alkaid (eta) | ponta do cabo | 1,85 | B3 | cerca de 101 anos-luz |
| Mizar (zeta) | meio do cabo | 2,23 | A2 (múltipla) | cerca de 78 anos-luz |
| Merak (beta) | concha, apontadora | 2,34 | A1 | cerca de 79 anos-luz |
| Phecda (gama) | concha | 2,41 | A0 | cerca de 84 anos-luz |
| Megrez (delta) | concha, junto ao cabo | 3,32 | A3 | cerca de 81 anos-luz |
| Alcor (80 UMa) | ao lado de Mizar | 3,99 | A5 | — |
| Muscida (ômicron) | focinho da ursa | 3,35 | G4 (gigante) | cerca de 184 anos-luz |
| Talitha (iota) | pata dianteira | 3,12 | A7 | cerca de 48 anos-luz |
| Tania Borealis (lambda) | pata dianteira | 3,45 | A2 | cerca de 134 anos-luz |
| Tania Australis (mi) | pata dianteira | 3,06 | M0 (gigante) | cerca de 249 anos-luz |
| Alula Borealis (ni) | pata traseira | 3,49 | K3 (gigante) | cerca de 421 anos-luz |
| Alkaphrah (kapa) | cabeça | 3,57 | — | — |
| Taiyangshou (qui) | cabeça/pescoço | 3,69 | — | — |
Brilhos, tipos espectrais e distâncias do Philip's Astronomy Encyclopedia (verbete "Ursa Major", p. 424); onde a fonte não trazia um dado, a célula ficou em branco. As distâncias são anteriores ao satélite Gaia; conferir no SIMBAD antes de publicar (ver pendências).
O Carro. As sete estrelas do Carro têm um destino curioso, contado pelo Philip's: cinco delas — Merak, Phecda, Megrez, Alioth e Mizar — se movem juntas pela Galáxia, com velocidade e direção parecidas, formando o chamado Aglomerado Móvel da Ursa Maior, a cerca de 75 a 80 anos-luz de distância (Philip's, verbete "Ursa Major" e "Ursa Major Moving Cluster", p. 424; Ridpath, p. 159). Dubhe e Alkaid, as duas estrelas das pontas, não pertencem a esse grupo e se movem em outra direção. É por isso que, daqui a algumas centenas de milhares de anos, a forma familiar do Carro vai se deformar: as pontas vão se afastar enquanto o miolo permanece coeso (Philip's, "Ursa Major Moving Cluster", p. 424).
Alioth, a mais brilhante da constelação, fica bem no ponto em que o cabo encontra a concha. Dubhe, a "apontadora" mais afastada do Carro, é uma gigante alaranjada; ela e Merak formam a dupla que os observadores do hemisfério norte usam há séculos para achar a Polar.
Mizar e Alcor, no meio do cabo, são a dupla mais famosa do céu para observação a olho nu. A separação entre as duas, de cerca de 12 minutos de arco, é grande o bastante para qualquer pessoa com boa visão separá-las sem instrumento algum — um teste de acuidade visual usado desde a Antiguidade (Bakich, objeto nº 331). Um telescópio pequeno revela que a própria Mizar é dupla, com um companheiro de magnitude 4,0 separado por cerca de 14 segundos de arco: foi a primeira estrela dupla identificada ao telescópio, descoberta pelo italiano Giovanni Battista Riccioli em Bolonha, em 1650 (Bakich, objeto nº 331). Hoje sabemos que Mizar é, na verdade, um sistema de pelo menos quatro estrelas, e Alcor tem uma companheira própria — mas nada disso aparece em um telescópio amador comum. Curiosamente, o nome "Mizar" só foi cunhado depois: originalmente essa estrela também era chamada de "Merak", o mesmo nome da apontadora da concha, até o estudioso Joseph Justus Scaliger trocar o nome para evitar confusão (Bakich, objeto nº 331).
Muscida, Talitha, Tania Borealis, Tania Australis, Alula Borealis, Alkaphrah e Taiyangshou são as estrelas mais fracas que completam o desenho da ursa: o focinho, as patas dianteiras e traseiras e a cabeça. Muitos desses nomes vêm do árabe: Talitha significa "a terceira" (de uma sequência de saltos do felino/ursa na tradição árabe), e Tania Borealis e Tania Australis, "a segunda parte da pata" — norte e sul (Mourão, Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, verbetes de estrelas do "T", p. 771-773). São estrelas mais difíceis de observar do Brasil, porque ficam ainda mais baixas que o Carro nas latitudes tropicais e subtropicais (compare as alturas na tabela da seção anterior).
Galáxias e uma nebulosa planetária: os objetos de céu profundo da Ursa Maior
A Ursa Maior é um dos "celeiros" de galáxias do céu, porque olhamos, a partir dela, para fora do disco da Via Láctea, na direção do polo galáctico norte — não há poeira da nossa própria Galáxia atrapalhando a vista. O catálogo do site lista mais de 40 galáxias dentro dos limites da constelação; este guia trata das mais citadas nos livros de observação e das que aparecem na carta.
M 81, a Galáxia de Bode
A galáxia espiral M 81 — Galáxia de Bode é uma das mais brilhantes do céu, de magnitude 6,9, e fica a cerca de 12 milhões de anos-luz (Bakich, objeto nº 125; Kier, p. 96). Foi descoberta pelo astrônomo alemão Johann Elert Bode em 31 de dezembro de 1774, junto com a vizinha M 82; o francês Pierre François André Méchain redescobriu as duas de forma independente em 1779 e as reportou a Messier (Bakich, objeto nº 125). Em telescópios de 20 cm já mostra os braços espirais enrolados ao redor do núcleo; M 81 é a galáxia mais brilhante de um grupo de cerca de uma dúzia de galáxias, o Grupo de M 81, que inclui também M 82, NGC 2403 e NGC 3077 (Bakich, objeto nº 125).
M 82, a Galáxia do Charuto
A cerca de 37 minutos de arco ao sul de M 81 (a menos de um grau, cabendo no mesmo campo de um binóculo) fica M 82 — Galáxia do Charuto, de magnitude 8,4 (Bakich, objeto nº 126). A forma alongada, quatro vezes mais comprida que larga, lembra um charuto em telescópios pequenos, e uma faixa escura corta a parte leste da galáxia. M 82 é o exemplo clássico de galáxia com surto de formação estelar (starburst): um encontro próximo com M 81 perturbou o gás da galáxia e disparou a formação de estrelas em seu núcleo. As fontes divergem bastante sobre quando isso aconteceu — de cerca de 20 milhões de anos (Kier, p. 96) a algo entre 300 milhões (Ridpath, p. 159) e 500-600 milhões de anos atrás (Bakich, objeto nº 126) — um intervalo grande demais para tratar como resolvido aqui.
Atenção à visibilidade. M 81 e M 82 ficam a uma declinação de cerca de +69°, ainda mais ao norte do que as estrelas do Carro. Pela tabela de alturas, elas só nascem em Boa Vista (até cerca de 24° de altura), Manaus (até 18°) e Recife (até 13°); em Brasília chegam a apenas uns 5° acima do horizonte, e no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Porto Alegre elas simplesmente não sobem. É um bom exemplo de como a latitude, mais do que o brilho do objeto, decide o que dá para ver no céu.
M 97, a Nebulosa da Coruja
A nebulosa planetária M 97 — Nebulosa da Coruja fica cerca de 2,3° a sudeste de Merak (Bakich, objeto nº 186), com magnitude 9,9 e baixo brilho superficial — um dos objetos mais fracos do catálogo de Messier. Foi descoberta por Pierre Méchain em 16 de fevereiro de 1781, mas o apelido "Coruja" só surgiu décadas depois, dado por William Parsons, o terceiro conde de Rosse, que em 1848 descreveu duas regiões escuras no disco, como os "olhos" de uma coruja (Bakich, objeto nº 186). Ver os dois "olhos" de fato exige céu escuro, telescópio de bom diâmetro e um filtro OIII; a estrela central, de magnitude 16, é um alvo só para instrumentos grandes (Bakich, objeto nº 186).
M 101, a Galáxia do Cata-vento
Formando um triângulo aproximadamente equilátero com as duas estrelas da ponta do cabo do Carro (Mizar e Alkaid), está M 101 — Galáxia do Cata-vento, de magnitude 7,9 (Bakich, objeto nº 351). É uma espiral vista de frente, com braços bem definidos — do tipo que os astrônomos chamam de "grand design", presente em só cerca de 10% das espirais (Bakich, objeto nº 351). O problema é o baixo brilho superficial: cobrindo uma área maior que a Lua cheia, sua luz se espalha tanto que só telescópios de 30 cm ou mais fazem justiça aos seus detalhes; binóculos e telescópios pequenos mostram apenas uma mancha tênue, e é fácil se decepcionar com ela em céu urbano (Bakich, objeto nº 351; Kambič, p. 473-478).
M 108 e M 109, duas galáxias menos famosas do Carro
Perto de Phecda e Merak, no interior do desenho do Carro, ficam duas galáxias mais fracas e menos conhecidas do público: M 108 (NGC 3556), uma espiral vista quase de perfil, de magnitude 9,9 a 10,1, e M 109 (NGC 3992), uma espiral barrada de magnitude 9,6 a 9,9, a menos de um grau de Phecda (Machholz, p. 122-127; Kier, p. 82-86). As duas exigem céu mais escuro do que M 81 e M 82 e costumam ficar de fora dos roteiros de iniciante, mas fazem parte da lista clássica de "galáxias do Carro" ao lado das mais famosas.
M 40, o "objeto" que era só uma dupla de estrelas
Nem tudo no catálogo de Messier é uma nebulosa ou uma galáxia: M 40, perto de Megrez, é uma simples dupla de estrelas de magnitude 8, sem nenhuma nebulosidade associada. A história por trás do "erro" de Messier — ele estava atrás de uma nebulosa reportada por outro astrônomo e catalogou as duas estrelas mais próximas que encontrou — está contada no guia dedicado ao objeto.
Mitologia: Calisto, a ninfa que virou ursa
A explicação mitológica mais contada para a Ursa Maior é a de Calisto, companheira da caçadora Ártemis (ou Diana). Na versão que Vieira resume, Júpiter se apaixonou por Calisto; Juno, com ciúmes, transformou-a em ursa; o filho dela, Arcas, quase a caçou sem saber quem ela era, e para evitar a tragédia os dois foram colocados no céu como Ursa Maior e Ursa Menor. Juno, ainda ressentida, pediu às divindades do mar que as duas ursas nunca "descansassem" nas águas do oceano — e é essa a explicação mítica, segundo Vieira, para o fato de a Ursa Maior nunca se pôr nas latitudes da Grécia: ela é circumpolar lá, mas não aqui (Vieira, Identificação do Céu, p. 29). O Philip's registra ainda uma segunda versão do mito, na qual as estrelas representam Adrasteia, a ninfa cretense que criou o pequeno Zeus e foi colocada no céu, ao lado da irmã, em gratidão — a mesma história que explica a Ursa Menor (Philip's, verbete "Ursa Major", p. 424).
Do Brasil, a relação com o mito se inverte: aqui a Ursa Maior nunca fica muito alta, e no Sul do país ela nem chega a nascer — o oposto exato do "nunca se põe" que valia para quem observava da Grécia antiga.
Roteiro de observação
| Instrumento | O que ver |
|---|---|
| A olho nu | O desenho do Carro baixo no horizonte norte (melhor de Boa Vista a Recife), o par Mizar e Alcor como teste de vista. |
| Binóculo (10×50) | Mizar e Alcor bem separados, M 81 e M 82 no mesmo campo (só do Norte e do Nordeste do Brasil), a cor alaranjada de Dubhe. |
| Telescópio pequeno (70 a 100 mm) | A companheira telescópica de Mizar, M 81 com o núcleo brilhante, M 82 com sua forma alongada, M 97 como uma mancha redonda tênue. |
| Telescópio de 200 mm ou mais | Os braços espirais de M 81, a faixa escura de M 82, os "olhos" da Coruja (M 97) com filtro OIII, os braços de M 101 em céu bem escuro, M 108 e M 109. |
| Astrofotografia | M 81 e M 82 no mesmo campo (um clássico), M 101 em exposição longa para revelar os braços, M 97 com filtro H-alfa. |
Dicas de campo:
- Escolha um horário e uma estação em que o Carro esteja o mais alto possível (fevereiro a junho, olhando para o norte) e um horizonte norte limpo, sem prédios ou morros.
- Comece por Mizar e Alcor: é o teste mais simples e mais gratificante a olho nu.
- Se você mora no Norte ou no Nordeste, tente M 81 e M 82 em uma noite sem Lua, bem cedo na noite, quando a constelação estiver mais alta; no Sudeste e no Sul, esses dois alvos ficam fora de alcance, e vale a pena redirecionar o binóculo para as galáxias do céu do sul, como Centaurus A e o Grupo do Escultor.
- Para quem já tem um telescópio de 20 cm ou mais, um roteiro clássico é sair de Mizar, passar por Alcor, seguir até M 101 (formando o triângulo com Alkaid) e, do outro lado do Carro, visitar M 97 perto de Merak.
Referências
- BAKICH, Michael E. 1,001 Celestial Wonders to See Before You Die. New York: Springer, 2010. Objeto nº 125 (M 81, p. 55), nº 126 (M 82, p. 56), nº 186 (M 97, p. 83) e nº 331 (Mizar e Alcor, p. 151-152), nº 351 (M 101, p. 163).
- KAMBIČ, Bojan. Viewing the Constellations with Binoculars: 250+ Wonderful Sky Objects to See and Explore. New York: Springer, 2010. Galáxias da Ursa Maior (M 81, M 82, M 101, NGC 2841), p. 473-478.
- KIER, Ruben. The 100 Best Targets for Astrophotography. New York: Springer, 2009. M 81, M 82 e NGC 2403, p. 82-86.
- MACHHOLZ, Don. The Observing Guide to the Messier Marathon: A Handbook and Atlas. New York: Springer. Ursa Maior, Cães de Caça e Dragão (M 81, M 82, M 97, M 108, M 109), p. 122-127.
- MOORE, Patrick (ed.). Astronomy Encyclopedia (Philip's Astronomy Encyclopedia). London: Philip's, 2002. Verbete "Ursa Major" e "Ursa Major Moving Cluster", p. 424.
- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1987. Verbetes de estrelas da Ursa Maior (Talitha, Tania Borealis, Tania Australis), p. 771-773.
- RIDPATH, Ian. Astronomia (Guia Ilustrado Zahar). 4. ed. Rio de Janeiro: Zahar. Ursa Maior, o Arado, Mizar e Alcor, p. 158-159.
- VIEIRA, Fernando. Identificação do Céu. Ursa Maior, Ursa Menor e a Via Láctea, p. 29.
- SIMBAD Astronomical Database. Centre de Données astronomiques de Strasbourg (CDS). Consulta de referência a brilhos, tipos espectrais e paralaxes, em 21 set. 2026 (algumas distâncias deste artigo ainda não foram conferidas contra o SIMBAD; ver pendências).
- HYG Database (v4.1), David Nash / Astronexus, licença CC BY-SA 4.0, usado na carta estelar; limites das constelações da IAU e linhas do d3-celestial.