setembro 21, 2026

M 60, uma elíptica gigante com uma espiral ao lado: guia completo de observação e astrofotografia

Imagem de referência (DSS2) de M60 — objeto ainda não capturado no observatório

Imagem de referência (DSS2). Este objeto ainda não foi capturado no Observatório.

Crédito: Digitized Sky Survey 2 (DSS2) — STScI/NASA. Palomar Observatory / Caltech (POSS-II). Créditos

M 60 é a mais brilhante das galáxias do trio central do Aglomerado de Virgem — mais brilhante até que suas vizinhas M 58 e M 59 — e tem um truque a mais: bem ao seu lado, quase tocando o seu halo, fica NGC 4647, uma espiral bem mais fraca. A dupla é um dos poucos exemplos, no aglomerado, de duas galáxias tão próximas no mesmo campo de baixo aumento, uma elíptica gigante ao lado de uma espiral pequena. Este guia mostra como achar M 60, o que esperar dela ao telescópio e como enquadrar o par com a vizinha.

Texto em revisão. Este guia segue o novo formato de guia de objeto. As fontes estão listadas no final.

Imagem de referência (DSS2) de M60 — objeto ainda não capturado no observatório
Digitized Sky Survey 2 (DSS2) — STScI/NASA. Palomar Observatory / Caltech (POSS-II). Imagem de referência: este objeto ainda não foi fotografado no Observatório. Créditos

Ficha técnica e designações

Visão geral: a mais brilhante do trio central

O Aglomerado de Virgem reúne mais de mil galáxias nas constelações de Virgem e Cabeleira de Berenice, e domina gravitacionalmente a vizinhança da Via Láctea; Messier catalogou 16 objetos dentro dele. M 60 (NGC 4649) é, junto com M 49 e M 87, uma das elípticas gigantes mais brilhantes do conjunto. O SIMBAD a classifica como "S0" (lenticular, sem os braços espirais claros de uma galáxia como M 61, mas com alguma estrutura de disco), com magnitude e dimensões dadas pelos livros em 8,8 e 7,1′ × 6,1′ (Bakich); o SIMBAD traz 6,43′ × 5,05′.

Uma galáxia maciça. Kambič descreve M 60 como uma elíptica gigante, com diâmetro de cerca de 120.000 anos-luz — próximo do de M 87 — e massa da ordem de mil bilhões de sóis. É comparável, em porte, às outras duas gigantes do aglomerado, M 49 e M 87, embora bem menos estudada na literatura de observação amadora.

A companheira NGC 4647. Bakich descreve M 60 formando um par com NGC 4647, cerca de três magnitudes mais fraca, visível já em 150 mm. A dupla é um exemplo clássico do que os astrônomos do século XIX chamavam de "nebulosas duplas": Smyth, observador britânico do início do XIX, já especulava — segundo Bakich — se pares assim seriam sistemas físicos girando um em torno do outro, uma ideia adiante do seu tempo, quando ainda não se sabia que "nebulosas" como essas eram galáxias.

Sem distância confiável. O SIMBAD não traz paralaxe para M 60; a velocidade de recessão, cerca de 1.015 km/s, é próxima da média do aglomerado. O texto usa a mesma faixa de 50 a 65 milhões de anos-luz adotada nos demais guias do Aglomerado de Virgem.

Descoberta. M 60 foi descoberta por Johann Gottfried Koehler em 1779, poucos dias antes de Messier catalogá-la de forma independente (conhecimento geral, fora dos livros consultados).

Estruturas notáveis

  • O núcleo e o halo. Brilhante e razoavelmente concentrado, com um halo mais tênue ao redor — a estrutura típica de uma elíptica gigante madura.
  • NGC 4647, a companheira. A cerca de 2,5′ a noroeste (posição relativa da literatura de catálogo geral), aparece como uma mancha bem mais fraca, visível já em telescópios de 150 mm (Bakich).
  • A vizinhança. M 59 fica cerca de 24′ a oeste (Monks); as duas galáxias e a companheira de M 60 cabem no mesmo campo de baixo aumento.

Como localizar

Mollise sugere partir do "Y" de Rô Virginis (ρ Vir), próximo a Épsilon Virginis (Vindemiatrix): cerca de 45′ a noroeste chega-se a M 60; um erro comum, segundo o autor, é apontar cedo demais e cair em M 59. Kambič indica um caminho semelhante, a partir de Rô, 27, 33 e 34 Virginis. Machholz descreve M 60 a 1°14′ de 27 Virginis. Uma vez em M 60, M 59 fica cerca de 24′ a oeste, no mesmo campo (Monks), e M 58 mais um pouco além, a cerca de 1° a oeste (calculado a partir do SIMBAD).

Orientação vista do Rio. Olhando para o norte, alto no céu, o norte celeste fica para baixo e o leste para a direita no ocular. As cartas do hemisfério norte, com norte para cima, aparecem giradas de 180°.

Carta de localização de M60: as estrelas-guia nomeadas, setas tracejadas com a distância em graus até o alvo, escala em graus e indicação de norte e leste.
Carta de localização (star-hopping), no mesmo estilo das cartas de constelação: norte e leste indicados no canto. Anéis laranja: estrelas-guia; setas tracejadas: o caminho até o alvo, com a distância em graus; anel verde: o alvo (e, com a designação, outros objetos do campo); a barra mostra a escala. As linhas são as oficiais das constelações (d3-celestial), os limites são os da IAU e as estrelas vêm do catálogo HYG.

Quando e como observar

Com declinação de +11,6°, M 60 passa a cerca de 55° de altura no Rio de Janeiro (calculado: 90° − |−23° − 11,6°|). Com ascensão reta de 12h44, ela cruza o meridiano por volta da meia-noite no fim de março e por volta das 21h em meados de maio, a mesma janela de M 58, M 59, M 49 e M 87. A temporada vai de março a junho, com pico em abril e maio.

Altura de M60 ao longo do anoAltura à meia-noite astronômica e altura máxima da noite, a cada 5 dias. Melhor época: de fevereiro a maio. O objeto chega a 56° à meia-noite em abril.0°30°60°90°JANFEVMARABRMAIJUNJULAGOSETOUTNOVDEZ1 abr · 56°hoje
Altura ao longo do ano, a cada 5 dias: linha contínua = altura no meio da noite astronômica (Sol abaixo de −18°); tracejada = maior altura durante a noite escura; faixa verde = melhor época; linhas pontilhadas em 30° e 45°. A linha vertical marca hoje. Melhor época para este local: de fevereiro a maio (objeto acima de 30° no meio da noite). Ponto mais alto: 56° em 1 de abril.

Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).

2026-10-12 · 19:20 – 04:10

Esta noite no céu

Melhores alvos da noite

Este objeto não passa de 30° de altura nesta noite (máximo: -20°). Não é um bom alvo hoje.

Melhor horário
04:00 · -21° E
Horas acima de 45°
0,0 h
Lua
Lua crescente · 6 %
Nota da noite
0 / 100
Posição no céu
0
Brilho
57 mag 8,8
Enquadramento
60 ocupa 15 % do campo

Notas para SkyWatcher Explorer 200P + ZWO ASI294MC Pro (campo de 66′ × 45′).

Caminho do objeto pelo céu nesta noite, do fim do crepúsculo civil ao amanhecer. Centro = zênite, borda = horizonte; visto olhando para cima (leste à esquerda, oeste à direita). Marcadores a cada 30 minutos.
  • Hora cheia e meia hora
  • Ponto mais alto
Valores hora a hora (tabela)
Altura e direção do objeto a cada 30 minutos
Hora Altura Direção Da Lua
19:30 -36° — 45°
20:00 -43° — 45°
20:30 -50° — 45°
21:00 -57° — 46°
21:30 -63° — 46°
22:00 -70° — 46°
22:30 -75° — 46°
23:00 -78° — 47°
23:30 -78° — 47°
00:00 -74° — 47°
00:30 -68° — 47°
01:00 -62° — 47°
01:30 -55° — 48°
02:00 -48° — 48°
02:30 -41° — 48°
03:00 -34° — 48°
03:30 -27° — 49°
04:00 -21° — 49°
Altura de M60 ao longo da noiteAltura em graus a cada 30 minutos. O ponto mais alto é às 04:00, com -21°. A tabela abaixo traz os mesmos valores.0°30°60°90°202122230001020304abaixo do horizonte04:00 · -21°
Altura em graus ao longo da noite escura (linhas em 30° e 45°). A Lua aparece tracejada.

Cálculo de baixa precisão (cerca de 0,3°), no fuso horário do local. Serve para planejar, não para apontar telescópios.

Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).

O que ver

Instrumento O que esperar
A olho nu Nada.
Binóculo (10×50) Em céu bem escuro, a mais fácil do trio central, com M 59 no mesmo campo. Sob Bortle 7, geralmente invisível.
Telescópio de 100 a 150 mm M 60 já bem definida; NGC 4647 aparece como uma manchinha fraca ao lado (Bakich).
Telescópio de 200 mm ou mais Núcleo e halo bem distintos em M 60; NGC 4647 mais fácil de confirmar.
Filtros Nenhum ajuda.

Uma expectativa realista. M 60 é a mais fácil do trio de galáxias centrais de Virgem, um bom ponto de partida para depois ir a M 59 e M 58. A vizinha NGC 4647 é o detalhe que faz o par valer o esforço.

Astrofotografia: estratégia de captura

Enquadramento

M 60 mede cerca de 6,4′ × 5,1′, e a companheira NGC 4647 fica bem próxima, a poucos minutos de arco. Com um telescópio de 1.000 mm de focal e uma câmera como a ASI294MC Pro (campo de cerca de 1,1° × 0,75°, calculado a partir do sensor e da focal), o par cabe com folga e ainda deixa espaço para incluir M 59, a 24′ a oeste, no mesmo quadro.

Desafios do alvo

  • Diferença de brilho entre o par. M 60 (mag. 8,8) é bem mais brilhante que NGC 4647; um processamento em duas camadas de exposição preserva as duas sem saturar a mais brilhante.
  • Sem estrutura própria em M 60. O interesse fotográfico está no conjunto com a companheira e com M 59, não em detalhes internos da elíptica.
  • Céu urbano. Sob Bortle 7, NGC 4647 é o elemento mais frágil da composição; um filtro de poluição luminosa de banda larga ajuda a reduzir o fundo do céu.

Equipamento e filtros

Câmera colorida de tiro único ou LRGB. Filtros de banda estreita não ajudam em galáxias sem linhas de emissão fortes.

Exemplo de sessão (ponto de partida)

Tipo de quadro Quantidade Exposição Finalidade
Light 90 a 150 120 a 180 s M 60, NGC 4647 e M 59 no mesmo quadro
Dark 30 igual aos Lights Ruído térmico
Flat 30 automática Vinheta e poeira
Bias ou dark-flat 50 mais curta possível Ruído de leitura

Esses números são um ponto de partida, e não vêm dos livros: ajuste-os ao seu equipamento e ao céu da noite.

Smart telescopes e campo de visão

Um Seestar S50 (campo de cerca de 1,3° × 0,7°) enquadra M 60, NGC 4647 e M 59 juntas, com espaço de sobra. Abra o mapa abaixo, escolha o seu modelo e veja o retângulo do campo sobre o objeto.

0°

Carrega o mapa do CDS (Estrasburgo) e imagens DSS2 direto do servidor deles; nada é carregado antes do clique.

Considerações finais

M 60 é a estrela do trio central de Virgem: a mais brilhante, com uma vizinha espiral que dá contraste à cena. É um bom segundo passo depois de M 87 ou M 49, e o ponto de partida natural para completar o conjunto com M 59 e M 58. Continue com os guias de M 59, M 58, M 49, M 87 e da constelação de Virgem.

Referências

  • BAKICH, Michael E. 1,001 Celestial Wonders to See Before You Die: The Best Sky Objects for Star Gazers. New York: Springer, 2010. Objeto nº 296 (M 60).
  • KAMBIČ, Bojan. Viewing the Constellations with Binoculars: 250+ Wonderful Sky Objects to See and Explore. New York: Springer, 2010. Virgem, M 60, p. 492-493 (a confirmar).
  • MACHHOLZ, Don. The Observing Guide to the Messier Marathon: A Handbook and Atlas. New York: Springer. M 60 a 1°14′ de 27 Virginis; página impressa a confirmar.
  • MOLLISE, Rod. The Urban Astronomer's Guide: A Walking Tour of the Cosmos for City Sky Watchers. London: Springer, 2006. Virgem, eyepiece hopping até M 60, p. 124-133.
  • MONKS, Neale. Go-To Telescopes Under Suburban Skies. London: Springer, 2010. Pares de galáxias no mesmo campo (M 59 e M 60, separação de 24′), p. 96 e 98.
  • RIDPATH, Ian. Astronomia (Guia Ilustrado Zahar). 4. ed. Rio de Janeiro: Zahar. Verbete Virgem, p. 178.
  • SIMBAD Astronomical Database. Centre de Données astronomiques de Strasbourg (CDS). Consulta a coordenadas, tipo, dimensões e velocidade de recessão de M 60, em 21 set. 2026.
  • HYG Database (v4.1), David Nash / Astronexus, licença CC BY-SA 4.0, para a carta de localização; mapa Aladin Lite e imagem DSS2 do Centre de Données astronomiques de Strasbourg.