setembro 21, 2026
M 49, a galáxia elíptica mais brilhante do Aglomerado de Virgem: guia completo de observação e astrofotografia

Imagem de referência (DSS2). Este objeto ainda não foi capturado no Observatório.
Crédito: Digitized Sky Survey 2 (DSS2) — STScI/NASA. Palomar Observatory / Caltech (POSS-II). Créditos
Virgem é famosa pelas galáxias, e M 49 é a mais brilhante entre as elípticas do aglomerado. Ela não tem os braços vistosos de M 51 nem o jato de M 87, mas é um objeto fácil de achar, alto no céu do Rio de Janeiro no outono e um bom modelo do que são as galáxias elípticas gigantes. Este guia mostra como achá-la, o que esperar dela em binóculos e telescópios e por que ela vale um enquadramento com M 87.
Texto em revisão. Este guia segue o novo formato de guia de objeto. Os livros trazem pouco sobre M 49 isolada, e o texto avisa quando o dado é geral.

Ficha técnica e designações
Visão geral: uma elíptica gigante
Uma galáxia elíptica é uma esfera ou elipsoide de estrelas velhas, sem disco nem braços, com pouco gás. M 49 (NGC 4472) é uma das maiores conhecidas (Kambič). O SIMBAD a classifica como do tipo E ou E/S0 e, curiosamente, como um núcleo de tipo Seyfert 2, e lista dimensões de cerca de 8,2′ × 6,8′, com o eixo maior a 143° do norte. Bakich dá 8,1′ × 7,1′, Kambič cerca de 8′ a 9′.
Brilho. Os livros trazem magnitude 8,4 (Bakich, Kambič); ela aparece clara em binóculos. O SIMBAD registra na banda V um valor de 12,2, que deve ser uma medida da parte central e não da galáxia toda; por isso o texto adota os valores dos livros para o brilho integrado. Philip's descreve M 49 como uma galáxia de 8ª magnitude, e M 87, de 9ª.
Distância e tamanho real. Sem paralaxe no SIMBAD, o texto usa os livros: Monks e Kambič dão cerca de 60 milhões de anos-luz, e Kier situa o centro do aglomerado nessa distância; Ridpath cita cerca de 50 milhões e Moore, 50 milhões (para M 87). O texto fala em "cerca de 60 milhões", com a ressalva. Kambič a coloca entre as maiores elípticas conhecidas, com massa parecida à de M 60, que mede 120.000 anos-luz.
A líder de um grupo. Monks explica que o Aglomerado de Virgem se divide em três regiões, chamadas subaglomerados (subclumps), e que M 49 está no centro de uma delas; as outras são lideradas por M 87 e M 86. Cada uma reúne galáxias ligadas gravitacionalmente, e as três, por sua vez, também se ligam entre si. Monks diz ainda que M 49 é o membro mais brilhante do Aglomerado de Virgem. Bakich a chama de elíptica mais brilhante de Virgem; Ridpath a inclui entre as elípticas gigantes do aglomerado, ao lado de M 60, M 86 e M 87, e Philip's a cita junto a M 87.
Fotos profundas. Monks conta que fotos de longa exposição revelam pequenas galáxias companheiras ao redor e um enxame de aglomerados globulares. Em um deles descobriu-se um buraco negro de massa estelar, com cerca de dez massas solares, o que surpreendeu os astrônomos, que esperavam que globulares expulsassem buracos negros em vez de retê-los (Monks).
História. A descoberta é atribuída a Messier, em 1771 (conhecimento geral; não vem dos livros consultados).
Estruturas notáveis
- Núcleo brilhante e envoltório tênue. Bakich descreve um objeto brilhante e levemente oval, com o núcleo ocupando dois terços centrais e um envoltório mais fraco.
- Halo externo. Como é brilhante, M 49 aguenta aumentos altos e revela o halo externo (Bakich).
- Companheiras e globulares. Só em fotografias profundas (Monks).
- A vizinhança. No mesmo campo de baixo aumento não há muita coisa: M 49 é uma ilha, e o encanto está em situá-la na região entre M 87 e M 60.
Como localizar
Kambič sugere partir de Rô Virginis (ρ Vir): M 49 fica cerca de 3,7° a oés-sudoeste dela (calculado a partir das coordenadas do SIMBAD). Outra rota parte de Ômicron Virginis (mag. 4): colocando essa estrela na borda oeste do campo de um binóculo, M 49 surge na borda leste, a cerca de 6°. Machholz indica também o salto a partir de M 60: 3,4° a oeste e 3,5° ao sul. M 87 fica a cerca de 4,4° ao norte de M 49 (calculado).
Orientação vista do Rio. Você olha para o norte, alto (cerca de 31° de zênite). O norte celeste fica para baixo e o leste para a direita. As cartas dos livros, com norte em cima, aparecem giradas de 180°.

Quando e como observar
Com declinação de +8°, M 49 passa a cerca de 59° de altura no Rio (calculado), uma altura excelente para um objeto de brilho superficial baixo. Com ascensão reta de 12h30, ela cruza o meridiano à meia-noite por volta do fim de março e às 21h em meados de maio. A janela vai de março a junho, com pico entre abril e maio. Os gráficos abaixo mostram a altura ao longo do ano e na noite de hoje.
Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).
2026-10-12 · 19:20 – 04:10
Esta noite no céu
Este objeto não passa de 30° de altura nesta noite (máximo: -16°). Não é um bom alvo hoje.
- Melhor horário
- 04:00 · -16° E
- Horas acima de 45°
- 0,0 h
- Lua
- Lua crescente · 6 %
- Nota da noite
- 0 / 100
- Posição no céu
- 0
- Brilho
- 65 mag 8,3
- Enquadramento
- 91 ocupa 23 % do campo
Notas para SkyWatcher Explorer 200P + ZWO ASI294MC Pro (campo de 66′ × 45′).
- Hora cheia e meia hora
- Ponto mais alto
Valores hora a hora (tabela)
| Hora | Altura | Direção | Da Lua |
|---|---|---|---|
| 19:30 | -38° | — | 45° |
| 20:00 | -45° | — | 45° |
| 20:30 | -52° | — | 45° |
| 21:00 | -58° | — | 46° |
| 21:30 | -64° | — | 46° |
| 22:00 | -70° | — | 46° |
| 22:30 | -74° | — | 46° |
| 23:00 | -75° | — | 47° |
| 23:30 | -73° | — | 47° |
| 00:00 | -69° | — | 47° |
| 00:30 | -63° | — | 47° |
| 01:00 | -57° | — | 48° |
| 01:30 | -50° | — | 48° |
| 02:00 | -44° | — | 48° |
| 02:30 | -37° | — | 48° |
| 03:00 | -30° | — | 49° |
| 03:30 | -23° | — | 49° |
| 04:00 | -16° | — | 49° |
Cálculo de baixa precisão (cerca de 0,3°), no fuso horário do local. Serve para planejar, não para apontar telescópios.
Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).
O que ver
| Instrumento | O que esperar |
|---|---|
| A olho nu | Nada. |
| Binóculo (7×50 a 10×50) | Em condições excelentes, uma mancha oval claramente visível (Kambič); em céu de cidade, conte com bem menos. |
| Telescópio de 100 a 150 mm | Um borrão brilhante e levemente oval, relativamente fácil de ver sob céu suburbano razoavelmente escuro (Monks). |
| Telescópio de 200 mm ou mais | Pouca estrutura: núcleo ocupando dois terços do objeto e halo mais tênue (Bakich; Monks). Aumentos altos ajudam a revelar o halo. |
| Filtros | Nenhum ajuda. |
Uma expectativa realista. M 49 não é a galáxia mais rica para o ocular: Monks a considera pouco gratificante para o telescópio comum, embora interessante. Sua graça é histórica e física, e o melhor resultado vem da fotografia.
Astrofotografia: estratégia de captura
Enquadramento
M 49 mede uns 8′ e cabe folgada em campos de 30′ a 1°. Kier não trata M 49, mas para o campo de Markarian, com M 84 e M 86 no centro, sugere que um campo de 2° estenda-se até M 87. Como M 49 fica a 4,4° de M 87, só um campo de mais de 4,5° reúne os dois (calculado: cerca de 200 mm com a ASI294MC Pro). Com 1.000 mm, o campo de 1,1° × 0,75° enquadra M 49 e o halo, com estrelas de fundo.
Desafios do alvo
- Sem estrutura marcante. O valor está no halo tênue e nas galáxias pequenas ao redor; exigem céu escuro ou exposição longa.
- Gradientes. Sob Bortle 7, o brilho do céu afoga o halo. Corrija gradientes com cuidado, sem engolir o halo real.
- Estrelas brilhantes de campo. Estrelas de primeiro plano podem gerar halos; trate-as logo após a calibração.
Equipamento e filtros
Câmera colorida de tiro único ou LRGB. Filtros de banda estreita não fazem sentido em elípticas; um filtro de poluição luminosa de banda larga pode ajudar no Rio.
Exemplo de sessão (ponto de partida)
| Tipo de quadro | Quantidade | Exposição | Finalidade |
|---|---|---|---|
| Light | 120 a 180 | 120 s | Halo e galáxias companheiras |
| Dark | 30 | igual aos Lights | Ruído térmico |
| Flat | 30 | automática | Vinheta e poeira |
| Bias ou dark-flat | 50 | mais curta possível | Ruído de leitura |
Esses números são um ponto de partida, e não vêm dos livros: ajuste-os ao seu equipamento e ao céu.
Smart telescopes e campo de visão
M 49 cabe folgada no campo de um Seestar S50 (cerca de 1,3° × 0,7°), com o halo e algumas estrelas de fundo. Abra o mapa abaixo, escolha o modelo e veja o retângulo do campo.
Carrega o mapa do CDS (Estrasburgo) e imagens DSS2 direto do servidor deles; nada é carregado antes do clique.
Considerações finais
M 49 é o ponto de partida ideal para conhecer as elípticas gigantes: brilhante, alta no céu do Rio e fácil de achar. Ela não é vistosa, mas mostra bem o que significa um grande aglomerado de galáxias. Continue com M 87, o guia de Virgem e o da Galáxia do Sombreiro.
Referências
- BAKICH, Michael E. 1,001 Celestial Wonders to See Before You Die: The Best Sky Objects for Star Gazers. New York: Springer, 2010. Objeto nº 262 (M 49).
- KAMBIČ, Bojan. Viewing the Constellations with Binoculars: 250+ Wonderful Sky Objects to See and Explore. New York: Springer, 2010. Virgem, M 49, p. 489-491.
- KIER, Ruben. The 100 Best Targets for Astrophotography. New York: Springer, 2009. "May 13: Markarian's Chain", p. 122.
- MACHHOLZ, Don. The Observing Guide to the Messier Marathon: A Handbook and Atlas. New York: Springer. Atlas de busca, M 49 (dado de salto a partir de M 60); página a conferir.
- MONKS, Neale. Go-To Telescopes Under Suburban Skies. London: Springer, 2010. NGC 4472 (M 49), p. 79.
- MOORE, Patrick (ed.). Philip's Astronomy Encyclopedia. London: Philip's, 2002. Verbete "Virgo".
- RIDPATH, Ian. Astronomia (Guia Ilustrado Zahar). 4. ed. Rio de Janeiro: Zahar. Verbete Virgem.
- SIMBAD Astronomical Database. Centre de Données astronomiques de Strasbourg (CDS). Consulta a coordenadas, tipo, dimensões e brilho de M 49, em 21 set. 2026.
- HYG Database (v4.1), David Nash / Astronexus, licença CC BY-SA 4.0, para a carta de localização; mapa Aladin Lite e imagem DSS2 do Centre de Données astronomiques de Strasbourg.