setembro 21, 2026

M 59, uma elíptica gêmea de M 60 no Aglomerado de Virgem: guia completo de observação e astrofotografia

Imagem de referência (DSS2) de M59 — objeto ainda não capturado no observatório

Imagem de referência (DSS2). Este objeto ainda não foi capturado no Observatório.

Crédito: Digitized Sky Survey 2 (DSS2) — STScI/NASA. Palomar Observatory / Caltech (POSS-II). Créditos

M 59 é a menos falada das três galáxias que formam o trio central e mais compacto do Aglomerado de Virgem, ao lado de M 58 e M 60. Sozinha, é uma elíptica sem grandes atrativos: um brilho oval e uniforme, sem estrutura para o ocular. Mas ela ganha graça em contexto, como parte de um pequeno roteiro de "hopping" que cruza o coração do aglomerado, a 25′ de M 58 e a 24′ de M 60 — as três cabem, folgadas, no mesmo campo de um binóculo. Este guia mostra como achar M 59, o que esperar dela e como fotografá-la ao lado da vizinha mais brilhante.

Texto em revisão. Este guia segue o novo formato de guia de objeto. As fontes estão listadas no final.

Imagem de referência (DSS2) de M59 — objeto ainda não capturado no observatório
Digitized Sky Survey 2 (DSS2) — STScI/NASA. Palomar Observatory / Caltech (POSS-II). Imagem de referência: este objeto ainda não foi fotografado no Observatório. Créditos

Ficha técnica e designações

Visão geral: uma elíptica no trio central do aglomerado

M 59 (NGC 4621) é uma galáxia elíptica, membro do Aglomerado de Virgem — o mesmo conjunto de mais de mil galáxias, concentrado nas constelações de Virgem e Cabeleira de Berenice, que domina gravitacionalmente a vizinhança da Via Láctea e reúne 16 objetos do catálogo de Messier. O SIMBAD a classifica como "E-E/S0" (entre elíptica pura e lenticular) e dá dimensões de 5,58′ × 3,80′; os livros, com magnitude 9,6 (Bakich), a descrevem como um brilho oval uniforme, sem indícios de estrutura interna — o retrato clássico de uma galáxia elíptica "sem história" ao ocular.

Uma vizinhança apertada. O que faz de M 59 um alvo interessante não é ela mesma, mas a companhia: Bakich observa que ela cabe no mesmo campo de baixo aumento que M 60, a menos de 0,5° a leste. Monks confirma a separação em cerca de 24′, e Mollise, buscando a partir do "Y" de Rô Virginis, situa M 59 a 25′ a oeste de M 60 — a mesma dupla, vista de direções opostas. As coordenadas do SIMBAD confirmam a distância: 24,6′.

Sem distância confiável. Nenhuma paralaxe é mensurável para uma galáxia tão distante; o SIMBAD só traz a velocidade de recessão, cerca de 431 km/s, um valor relativamente baixo para o aglomerado (a média gira em torno de 1.000 km/s), o que reflete a dispersão de velocidades interna de um aglomerado grande e não uma distância menor. O texto usa a mesma faixa de 50 a 65 milhões de anos-luz adotada para o Aglomerado de Virgem nos guias de M 49, M 58, M 60 e M 87.

Descoberta. M 59 foi descoberta por Johann Gottfried Koehler em 1779, poucos dias antes de Messier catalogá-la de forma independente (conhecimento geral, fora dos livros consultados).

Estruturas notáveis

  • O brilho oval central. Uniforme, sem núcleo destacado nem estrutura de braços — o que se espera de uma elíptica (Bakich).
  • A borda. Esmaece de forma gradual, sem uma orla nítida; o "fim" da galáxia é uma questão de quão fundo o céu de fundo permite enxergar (Bakich).
  • A vizinhança. M 60 a cerca de 24′ a leste, e M 58 a cerca de 25′ a oeste (na direção do "Y" de Rô Vir); as três cabem no mesmo campo de um binóculo de campo largo (Monks; Mollise).

Como localizar

O caminho mais direto até M 59 é primeiro achar M 60, a vizinha mais brilhante (veja o guia de M 60): a partir dela, M 59 fica cerca de 24′ a oeste, no mesmo campo de um ocular de baixa ampliação ou de um binóculo (Monks). Partindo diretamente do asterismo em "Y" de Rô Virginis (ρ Vir) e das estrelas vizinhas de magnitude 5-6, Mollise chega primeiro a M 60 e situa M 59 cerca de 25′ a oeste dela — um erro comum, segundo o autor, é confundir a direção e "pular" para M 59 achando que é M 60.

Orientação vista do Rio. Olhando para o norte, alto no céu, o norte celeste fica para baixo e o leste para a direita no seu ocular (com espelho reto). As cartas do hemisfério norte, com norte para cima, aparecem giradas de 180°.

Carta de localização de M59: as estrelas-guia nomeadas, setas tracejadas com a distância em graus até o alvo, escala em graus e indicação de norte e leste.
Carta de localização (star-hopping), no mesmo estilo das cartas de constelação: norte e leste indicados no canto. Anéis laranja: estrelas-guia; setas tracejadas: o caminho até o alvo, com a distância em graus; anel verde: o alvo (e, com a designação, outros objetos do campo); a barra mostra a escala. As linhas são as oficiais das constelações (d3-celestial), os limites são os da IAU e as estrelas vêm do catálogo HYG.

Quando e como observar

Com declinação de +11,6°, M 59 passa a cerca de 55° de altura no Rio de Janeiro (calculado: 90° − |−23° − 11,6°|). Com ascensão reta de 12h42, ela cruza o meridiano por volta da meia-noite no fim de março e por volta das 21h em meados de maio, a mesma janela de M 58, M 60, M 49 e M 87, todas a poucos graus de distância no céu. A temporada vai de março a junho, com pico em abril e maio.

Altura de M59 ao longo do anoAltura à meia-noite astronômica e altura máxima da noite, a cada 5 dias. Melhor época: de fevereiro a maio. O objeto chega a 56° à meia-noite em abril.0°30°60°90°JANFEVMARABRMAIJUNJULAGOSETOUTNOVDEZ1 abr · 56°hoje
Altura ao longo do ano, a cada 5 dias: linha contínua = altura no meio da noite astronômica (Sol abaixo de −18°); tracejada = maior altura durante a noite escura; faixa verde = melhor época; linhas pontilhadas em 30° e 45°. A linha vertical marca hoje. Melhor época para este local: de fevereiro a maio (objeto acima de 30° no meio da noite). Ponto mais alto: 56° em 1 de abril.

Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).

2026-10-12 · 19:20 – 04:10

Esta noite no céu

Melhores alvos da noite

Este objeto não passa de 30° de altura nesta noite (máximo: -20°). Não é um bom alvo hoje.

Melhor horário
04:00 · -20° E
Horas acima de 45°
0,0 h
Lua
Lua crescente · 6 %
Nota da noite
0 / 100
Posição no céu
0
Brilho
45 mag 9,6
Enquadramento
40 ocupa 10 % do campo

Notas para SkyWatcher Explorer 200P + ZWO ASI294MC Pro (campo de 66′ × 45′).

Caminho do objeto pelo céu nesta noite, do fim do crepúsculo civil ao amanhecer. Centro = zênite, borda = horizonte; visto olhando para cima (leste à esquerda, oeste à direita). Marcadores a cada 30 minutos.
  • Hora cheia e meia hora
  • Ponto mais alto
Valores hora a hora (tabela)
Altura e direção do objeto a cada 30 minutos
Hora Altura Direção Da Lua
19:30 -37° — 45°
20:00 -43° — 45°
20:30 -50° — 46°
21:00 -57° — 46°
21:30 -64° — 46°
22:00 -70° — 46°
22:30 -75° — 47°
23:00 -78° — 47°
23:30 -78° — 47°
00:00 -73° — 47°
00:30 -68° — 48°
01:00 -61° — 48°
01:30 -55° — 48°
02:00 -48° — 48°
02:30 -41° — 49°
03:00 -34° — 49°
03:30 -27° — 49°
04:00 -20° — 49°
Altura de M59 ao longo da noiteAltura em graus a cada 30 minutos. O ponto mais alto é às 04:00, com -20°. A tabela abaixo traz os mesmos valores.0°30°60°90°202122230001020304abaixo do horizonte04:00 · -20°
Altura em graus ao longo da noite escura (linhas em 30° e 45°). A Lua aparece tracejada.

Cálculo de baixa precisão (cerca de 0,3°), no fuso horário do local. Serve para planejar, não para apontar telescópios.

Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).

O que ver

Instrumento O que esperar
A olho nu Nada.
Binóculo (10×50) Em céu bem escuro, uma manchinha oval fraca, ao lado de M 60 no mesmo campo. Sob Bortle 7, geralmente invisível.
Telescópio de 100 a 200 mm Um brilho oval uniforme, fácil de confirmar ao lado de M 60 (Bakich).
Telescópio de 300 mm ou mais Pouca coisa muda: mais contraste na borda, sem estrutura nova.
Filtros Nenhum ajuda.

Uma expectativa realista. M 59 é o tipo de galáxia que existe, no roteiro do observador, para ser "riscada da lista" — um objeto Messier a mais, fácil de confirmar, mas sem grande recompensa visual isolada. Seu valor está no conjunto com M 58 e M 60.

Astrofotografia: estratégia de captura

Enquadramento

M 59 mede cerca de 5,6′ × 3,8′, pequena o bastante para caber, isolada, em qualquer campo comum. Como está a apenas 24′ de M 60, um campo de 40′ a 1° (800 a 1.400 mm de focal com uma câmera como a ASI294MC Pro, calculado a partir do sensor e da focal) enquadra as duas galáxias juntas — a composição natural para este par. Um campo maior, de 1,5° a 2°, ainda alcança M 58, a cerca de 1° de M 60.

Desafios do alvo

  • Duas galáxias de brilho parecido. M 59 (mag. 9,6) e M 60 (mag. 8,8) pedem uma calibração de histograma que não sature a mais brilhante nem esconda a mais fraca.
  • Sem estrutura própria. O interesse fotográfico de M 59 está no enquadramento com a vizinha, não em detalhes internos.
  • Céu urbano. Sob Bortle 7, o desafio é mais o fundo do céu que o alvo em si; ambas as galáxias são relativamente brilhantes para o padrão do aglomerado.

Equipamento e filtros

Câmera colorida de tiro único ou LRGB. Sem linhas de emissão fortes, filtros de banda estreita não ajudam em elípticas.

Exemplo de sessão (ponto de partida)

Tipo de quadro Quantidade Exposição Finalidade
Light 80 a 120 90 a 150 s M 59 e M 60 no mesmo quadro
Dark 30 igual aos Lights Ruído térmico
Flat 30 automática Vinheta e poeira
Bias ou dark-flat 50 mais curta possível Ruído de leitura

Esses números são um ponto de partida, e não vêm dos livros: ajuste-os ao seu equipamento e ao céu da noite.

Smart telescopes e campo de visão

Um Seestar S50 (campo de cerca de 1,3° × 0,7°) enquadra M 59 e M 60 juntas com folga, e ainda deixa espaço para estrelas de fundo. M 58, a cerca de 1° a oeste, fica fora do quadro ou bem na borda, dependendo do enquadramento exato (calculado a partir das coordenadas do SIMBAD). Abra o mapa abaixo, escolha o seu modelo e veja o retângulo do campo.

0°

Carrega o mapa do CDS (Estrasburgo) e imagens DSS2 direto do servidor deles; nada é carregado antes do clique.

Considerações finais

M 59 é uma peça de um conjunto maior: sozinha, um brilho oval discreto; ao lado de M 60, um bom exercício de enquadramento e de "achar a vizinha certa". Vale visitá-la logo depois de M 60 ou de M 58, para completar o trio central do Aglomerado de Virgem. Continue com os guias de M 58, M 60, M 49, M 87 e da constelação de Virgem.

Referências

  • BAKICH, Michael E. 1,001 Celestial Wonders to See Before You Die: The Best Sky Objects for Star Gazers. New York: Springer, 2010. Objeto nº 292 (M 59).
  • MOLLISE, Rod. The Urban Astronomer's Guide: A Walking Tour of the Cosmos for City Sky Watchers. London: Springer, 2006. Virgem, eyepiece hopping a partir do "Y" de Rô Virginis (M 59 a 25′ de M 60), p. 124-133.
  • MONKS, Neale. Go-To Telescopes Under Suburban Skies. London: Springer, 2010. Pares de galáxias no mesmo campo (M 59 e M 60, separação de 24′), p. 96 e 98.
  • RIDPATH, Ian. Astronomia (Guia Ilustrado Zahar). 4. ed. Rio de Janeiro: Zahar. Verbete Virgem, p. 178.
  • SIMBAD Astronomical Database. Centre de Données astronomiques de Strasbourg (CDS). Consulta a coordenadas, tipo, dimensões e velocidade de recessão de M 59, em 21 set. 2026.
  • HYG Database (v4.1), David Nash / Astronexus, licença CC BY-SA 4.0, para a carta de localização; mapa Aladin Lite e imagem DSS2 do Centre de Données astronomiques de Strasbourg.