setembro 22, 2026

Pégaso: guia do Grande Quadrado, o cavalo alado e o globular M 15

Carta estelar de Pégaso como aparece do Brasil, olhando para o norte: o Grande Quadrado formado por Markab, Scheat e Algenib (mais Alpheratz, de Andrômeda, no canto), Enif isolada à esquerda apontando para o Cavalo Menor e o Golfinho, e os objetos de céu profundo M 15, NGC 7331, NGC 7217, NGC 7814 e NGC 7479 marcados em verde

Poucas figuras do céu combinam tanto peso mitológico com tanta utilidade prática quanto Pégaso. É o cavalo alado nascido do sangue da Medusa, companheiro do herói Belerofonte contra a Quimera — e é também a "régua" que praticamente todo observador do Hemisfério Sul usa, sem perceber, para se orientar nas noites de primavera e verão: o Grande Quadrado, um dos poucos asterismos do céu formado por estrelas de brilho moderado que mesmo assim salta aos olhos, porque a região em volta é rara em estrelas brilhantes. Neste guia você vai aprender a achar Pégaso e o Grande Quadrado no céu do Brasil, conhecer as estrelas que desenham o cavalo, visitar o aglomerado globular M 15 e um pequeno cortejo de galáxias, e ouvir a história de 51 Pegasi, a estrela ao lado do Quadrado que mudou a astronomia em 1995.

Texto em revisão. Este é um artigo de teste, escrito a partir de fontes de referência; as fontes estão listadas no final.

Uma constelação grande, mas discreta

Pégaso (Pegasus, abreviatura Peg) é a sétima maior constelação do céu, com cerca de 1.121 graus quadrados — atrás de Hidra, Virgem, Ursa Maior, Baleia, Hércules e Eridano, e à frente de Dragão e Centauro (Moore, Observer's Year, p. 343). Apesar do tamanho, é uma região pobre em estrelas brilhantes: dentro do próprio Grande Quadrado, a área mais vazia da constelação, a estrela mais brilhente é Upsilon Pegasi, de magnitude 4,4, e o interior chega a parecer surpreendentemente vazio de estrelas a olho nu (Ridpath, p. 186).

Mourão descreve os limites oficiais da constelação entre as ascensões retas de 21h06min e 00h13min e as declinações de +02°,2 e +36°,3, fazendo fronteira com Peixes e Aquário ao sul, Cavalo Menor, Delfim, Raposa e Cisne a oeste, Lagarto e Andrômeda ao norte, e novamente Andrômeda a leste (Mourão, verbete Pegasus, p. 611). Só o quarto dianteiro do cavalo está desenhado no céu — a tradição não lhe deu patas traseiras (Ridpath, p. 186).

O Grande Quadrado. É o traço mais reconhecível da constelação: um quadrilátero de cerca de 15 por 15 graus formado por três estrelas de Pégaso — Markab, Scheat e Algenib — e uma quarta que hoje pertence oficialmente à constelação vizinha, Andrômeda: Alpheratz, também chamada Sirrah (Kambič, p. 380; Mourão, verbete Pegasus, p. 611). É uma curiosidade histórica e tanto: até o início do século XX, essa estrela era listada como Delta Pegasi, o quarto canto do cavalo; a União Astronômica Internacional, ao fixar os limites oficiais das 88 constelações em 1930, atribuiu a estrela a Andrômeda, onde ela também marca a cabeça da princesa acorrentada. Ela manteve o antigo nome árabe, Alpheratz ("o umbigo do cavalo"), mesmo tendo mudado de "dono" (Moore, Observer's Year, p. 265). Por isso, a rigor, o Grande Quadrado tem três estrelas de Pégaso e uma "emprestada".

Quando e como achar

Melhor época. O centro de Pégaso fica perto de 22h40min de ascensão reta, então a constelação culmina (fica no ponto mais alto) por volta das 21 horas locais em meados de outubro, um pouco mais tarde em novembro. Na prática, a boa temporada para observá-la do Brasil vai de agosto, quando ela já nasce cedo no fim da noite, a dezembro, quando ainda aparece bem posicionada no começo da noite — o auge é a primavera austral.

Para onde olhar. Pégaso culmina ao norte para quem observa do Brasil: é uma constelação do hemisfério celeste norte, então aparece sempre voltada para essa direção, mais alta quanto mais ao norte do país você estiver. Vieira situa o Grande Quadrado a cerca de 45 graus de altura no começo das noites de primavera, no Sul do Brasil, sem nenhum grupo igualmente notável no restante do céu alto nessa época do ano (Vieira, p. 95).

Cidade Markab (α) Scheat (β) Enif (ε)
Boa Vista (RR) 78° 65° 83°
Manaus (AM) 72° 59° 77°
Recife (PE) 67° 54° 72°
Brasília (DF) 59° 46° 64°
Rio de Janeiro (RJ) 52° 39° 57°
São Paulo (SP) 51° 38° 57°
Porto Alegre (RS) 45° 32° 50°

Altura máxima acima do horizonte ao culminar, calculada por nós com as declinações do SIMBAD e a latitude de cada cidade (altura = 90° menos a diferença entre latitude e declinação); valores arredondados. Em todo o Brasil, Pégaso fica bem alto no céu ao norte — nunca perto do zênite, mas longe da neblina do horizonte.

Carta estelar de Pégaso como aparece do Brasil, olhando para o norte: o Grande Quadrado formado por Markab, Scheat e Algenib (mais Alpheratz, de Andrômeda, no canto), Enif isolada à esquerda apontando para o Cavalo Menor e o Golfinho, e os objetos de céu profundo M 15, NGC 7331, NGC 7217, NGC 7814 e NGC 7479 marcados em verde
Carta estelar de Pégaso como ela aparece do Brasil ao olhar para o norte: o norte fica embaixo e o leste à direita. As linhas de constelação são as oficiais do d3-celestial. A linha tracejada dourada é a eclíptica, o caminho anual do Sol, e o contorno tracejado é o limite oficial da constelação. Em verde-claro, os objetos de céu profundo citados neste artigo. Estrelas: catálogo HYG v4.1 (CC BY-SA 4.0); limites de constelação: IAU. Gerada por Astronomia no Telhado com o Carina.

Passo a passo.

  1. Procure primeiro o Grande Quadrado: quatro estrelas de brilho parecido (magnitude 2 a 3) formando um quadrilátero grande e isolado, sem quase nada de brilhante dentro dele — difícil de confundir, porque não há nada parecido nessa região do céu.
  2. As três estrelas do lado de Pégaso são Markab (o canto mais a oeste, mais à direita olhando para o norte), Scheat (o canto sul) e Algenib (o canto leste). O quarto canto, ao norte, é Alpheratz, já em Andrômeda.
  3. A cerca de 30 graus a oeste de Markab, isolada, está Enif, alaranjada e nitidamente mais brilhante que as vizinhas: marca o focinho do cavalo, a ponta mais ocidental da figura, a caminho do Delfim e da Águia.
  4. Entre Enif e o Quadrado, uma linha mais fraca de estrelas (Biham, Homam, Matar) desenha o pescoço e a cabeça, unindo as duas partes da figura.
  5. Como o Quadrado é grande e vazio por dentro, é um teste clássico de céu escuro: quanto mais estrelas você contar lá dentro a olho nu, mais escuro está o céu (Ridpath, p. 186).

As estrelas de Pégaso

Estrela Posição Brilho visual (mag.) Tipo espectral Distância aproximada
Enif (épsilon) focinho, ponta oeste 2,38 K2 Ib-II (supergigante laranja) cerca de 690 anos-luz
Scheat (beta) canto sul do Quadrado 2,44 (variável) M2,5 II-III (gigante vermelha) cerca de 196 anos-luz
Markab (alfa) canto oeste do Quadrado 2,49 A0 IV (subgigante branca) cerca de 133 anos-luz
Algenib (gama) canto leste do Quadrado 2,83 (variável) B2 IV cerca de 470 anos-luz
Matar (eta) pescoço 2,93 G8 II + F0 V (binária) cerca de 196 anos-luz
Homam (zeta) pescoço/cabeça 3,41 B8,5 IV cerca de 204 anos-luz
Sadalbari (mi) pescoço 3,48 G8 III (gigante laranja) cerca de 113 anos-luz
Biham (teta) cabeça 3,55 A1 Va cerca de 89 anos-luz

Brilhos, tipos espectrais e paralaxes consultados no SIMBAD (CDS, Estrasburgo). As distâncias vêm de paralaxes de satélite, calculadas por 3.261,56 dividido pela paralaxe em milissegundos de arco; para Algenib, o valor diverge bastante dos livros (ver pendências).

Enif, a estrela isolada a oeste do Quadrado, tem nome de origem árabe que significa "o nariz" ou "o focinho" (Moore, Observer's Year, p. 266). É uma supergigante laranja, a estrela mais brilhante da constelação, com uma companheira fraca de 8ª magnitude perto o bastante para caber num telescópio pequeno (Ridpath, p. 186). O astrônomo alemão Samuel Heinrich Schwabe — o mesmo do ciclo de manchas solares — chegou a propor um período de variabilidade de 25,7 dias para Enif, hipótese que nunca foi confirmada por observações modernas (Moore, Observer's Year, p. 266).

Scheat, o canto sul do Quadrado, é uma gigante vermelha variável semirregular: seu brilho oscila entre a magnitude 2,1 e 3,0 ao longo de um período médio de cerca de 35 dias, variação grande o bastante para um observador experiente acompanhar a olho nu, comparando-a com as vizinhas do Quadrado (Kambič, p. 380-381; Vieira, p. 95). Moore chegou a propor Beta Pegasi como projeto de "curva de luz" para observadores amadores, com estimativas de brilho feitas por comparação visual (Observer's Year, p. 265-266).

Markab, o canto oeste, é a estrela mais "comum" do Quadrado: uma subgigante branca sem grandes variações conhecidas, cujo nome árabe se refere à sela ou ao carro em que se monta (Mourão). É a estrela de onde parte a maior parte dos roteiros de observação da constelação, por ficar mais alta no céu do Brasil que as outras três.

Algenib, o canto leste, também varia: é uma estrela do tipo Beta Cephei, com uma oscilação de apenas 0,01 magnitude a cada 3 horas e 38 minutos, uma variação pequena demais para o olho ou para instrumentos amadores captarem (Kambič, p. 381).

Matar, Homam, Sadalbari e Biham formam o pescoço e a cabeça do cavalo, a linha de estrelas mais fracas entre o Quadrado e Enif. Matar tem uma companheira que forma com ela um sistema binário espectroscópico; Sadalbari ("a sela retornada", em árabe) e Biham completam a curva. Nenhuma das quatro é fácil de identificar sem uma carta, mas juntas desenham o traço que faz Pégaso parecer, de fato, um cavalo em pleno voo.

51 Pegasi, a estrela que mudou a astronomia

Perto do canto do Quadrado, uma estrela de brilho modesto — magnitude 5, no limite do que se vê a olho nu em céu bem escuro — guarda um dos marcos mais importantes da astronomia recente. Em outubro de 1995, os astrônomos suíços Michel Mayor e Didier Queloz anunciaram a descoberta de um planeta orbitando 51 Pegasi, a primeira detecção confirmada de um exoplaneta em torno de uma estrela do tipo do Sol (Ridpath, p. 186; Philip's Astronomy Encyclopedia, verbete extrasolar planet, p. 139). O planeta, hoje batizado oficialmente de Dimidium, tem cerca de metade da massa de Júpiter e completa uma órbita a cada 4,23 dias — perto demais da estrela para o que se esperava de um planeta gigante, um resultado que obrigou a rever os modelos de formação planetária (Philip's Astronomy Encyclopedia, p. 139). A própria estrela, batizada Helvetios em 2015 num concurso público da União Astronômica Internacional (nome que celebra a Suíça, terra dos dois descobridores), fica a cerca de 51 anos-luz, perto o bastante para caber em binóculos de qualquer observador com céu razoavelmente escuro. Mayor e Queloz dividiram o Nobel de Física de 2019 por essa descoberta.

Objetos de céu profundo

M 15, o globular denso do focinho

O aglomerado globular M 15 (NGC 7078) fica perto de Enif, a caminho do Delfim, e é um dos globulares mais fáceis de achar do céu de primavera: no limite do olho nu em céu escuro, magnitude 6,2 a 6,3, parece uma estrela levemente desfocada em binóculos (Kambič, p. 381; Ridpath, p. 186). Foi descoberto pelo astrônomo ítalo-francês Jean-Dominique Maraldi em 1746, e Messier o catalogou como o décimo quinto item de sua lista.

M 15 está entre os globulares mais densos e concentrados que se conhece, classe IV na escala de concentração Shapley-Sawyer (que vai de I, mais concentrada, a XII, mais solta): metade de toda a sua massa está espremida nos 20 anos-luz mais centrais (Monks, p. 201-202). Essa concentração extrema é uma pista de que o núcleo pode ter passado por um colapso gravitacional, e observações em raios X sugerem a presença de um buraco negro central ou de uma população densa de pulsares e estrelas de nêutrons (Vieira, p. 95; Monks, p. 201-202). M 15 também abriga uma nebulosa planetária, Pease 1, uma das poucas conhecidas dentro de um aglomerado globular — invisível em instrumentos amadores comuns, mas um alvo célebre para astrofotografia de longa exposição (Kambič, p. 381). Está a cerca de 33.600 anos-luz, com diâmetro de 11 a 18 minutos de arco, dependendo da fonte, e resolve-se em estrelas individuais a partir de telescópios de 150 mm (Monks, p. 201-202; Allison, p. 190-192).

NGC 7331, a "gêmea" da Via Láctea — e o Quinteto de Stephan ao lado

A galáxia NGC 7331 é um dos alvos mais respeitados do Grande Quadrado, embora fique fora dele, perto do canto de Matar: uma espiral vista quase de perfil (inclinação de cerca de 70 graus), com magnitude 9,4 a 9,5, na fronteira do que um binóculo grande consegue mostrar em céu bem escuro (Kambič, p. 381-382; Mobberley, p. 85). Tem um núcleo dourado e braços azulados nas fotografias, e seu tamanho e estrutura lembram tanto a Via Láctea que os dois costumam ser comparados lado a lado — daí ser às vezes chamada de "gêmea" da nossa galáxia. Em telescópios de 25 cm, o núcleo aparece condensado e o formato oval, evidente (Mobberley, p. 85). Uma supernova do tipo II foi registrada ali em 1959, por Milton Humason (Mobberley, p. 85).

Cerca de meio grau a sudoeste de NGC 7331 fica o Quinteto de Stephan, um grupo compacto de cinco galáxias fracas (NGC 7317, 7318A, 7318B, 7319 e 7320) descoberto pelo astrônomo francês Édouard Stephan em 1877 (Moore & Rees, p. 477-478; Philip's Astronomy Encyclopedia, verbete Stephan's Quintet). É um caso célebre de "intrusa em primeiro plano": quatro das cinco galáxias estão de fato associadas, a distâncias entre 210 e 340 milhões de anos-luz, e parecem estar em rota de colisão — o telescópio espacial Spitzer chegou a detectar uma vasta onda de choque intergaláctica causada pelo impacto de uma delas contra o grupo. A quinta, NGC 7320, só parece pertencer ao grupo: está muito mais perto, a cerca de 40 milhões de anos-luz, um alinhamento de perspectiva (Moore & Rees, p. 478). É um alvo difícil, que exige telescópios de porte médio a grande e céu bem escuro; a magnitude de suas cinco componentes fica entre 13 e 14 (Mobberley, p. 85).

NGC 7814, a "pequena Sombrero" do outro canto do Quadrado

A galáxia NGC 7814, catalogada como Caldwell 43, fica perto de Algenib e é uma espiral vista exatamente de perfil, com uma faixa central de poeira que lembra, em miniatura, a famosa Galáxia do Sombrero de Virgem — daí o apelido informal de "pequena Sombrero". Tem magnitude 10,5 a 10,6 e mede cerca de 4,4 a 5,5 por 2,5 minutos de arco; Mobberley atribui a ela também o apelido "Arco Elétrico" (Electric Arc), citando o ilustrador francês Lucien Rudaux, e lembra que ela foi fotografada já em 1899, pelo astrônomo James Keeler (Mobberley, p. 111). É visível em telescópios de 20 cm ou mais, e fica a cerca de 49 milhões de anos-luz.

NGC 7479, a espiral barrada com braços em "S"

A galáxia NGC 7479, Caldwell 44, fica a cerca de 3 graus ao sul de Markab e é uma espiral barrada vista quase de frente, com dois braços em forma de "S" espelhado que ficam bem visíveis em fotografias de longa exposição (Mobberley, p. 113). Tem magnitude 10,8 a 11,1 e cerca de 3,7 a 4 minutos de arco; a barra central e o núcleo já aparecem em telescópios de 16 cm, mas o desenho em "S" dos braços pede uma câmera. Uma estrela de fundo de magnitude 13,7 chegou a ser confundida com uma supernova; a supernova de verdade, do tipo Ic, foi descoberta ali em 1990 por Carl Pennypacker e Saul Perlmutter (Mobberley, p. 113). Está a cerca de 99 milhões de anos-luz.

NGC 7217, a espiral discreta

Menos citada nos guias, a galáxia NGC 7217 é uma espiral vista de face, de magnitude 10,5 a 11,9 conforme a banda de medida, com cerca de 2,5 minutos de arco de diâmetro e um anel interno de formação estelar visível em imagens profundas. Fica a cerca de 44 milhões de anos-luz e é um alvo mais discreto, melhor aproveitado com telescópios de porte médio e boas cartas de localização.

Mitologia: o cavalo nascido do sangue da Medusa

A história de Pégaso está entrelaçada com duas das aventuras mais conhecidas da mitologia grega. Segundo Mourão, o cavalo alado nasceu do pescoço decapitado de uma das Górgonas, Medusa — a criatura cujo olhar transformava em pedra qualquer um que a encarasse — no momento em que o herói Perseu a matou, aconselhado por Atena; alguns autores o dão como filho de Medusa com o deus do mar, Poseidon (Mourão, verbete Pegasus, p. 611-612).

Voando de volta de sua vitória, montado em Pégaso, Perseu avistou, sobrevoando a Etiópia, um monstro marinho que ameaçava a jovem princesa Andrômeda, acorrentada a um penhasco pelos próprios pais, Cefeu e Cassiopeia. Salvou-a e depois se casou com ela (Mourão, p. 612) — por isso Pégaso, Andrômeda, Cassiopeia, Cefeu e a baleia Ceto aparecem vizinhos no céu, um dos grupos de constelações mais ricos em mitologia compartilhada de toda a esfera celeste.

Pégaso não é, no entanto, o cavalo de Perseu: numa aventura posterior, ele se torna a montaria do herói Belerofonte, que o usa para caçar e matar a Quimera, um monstro híbrido com corpo de leão, cabeça de cabra saindo do dorso e cauda de serpente (Moore, Observer's Year, p. 265). Belerofonte tenta depois voar até o Monte Olimpo montado em Pégaso, uma ousadia que os deuses não perdoam: Zeus envia um inseto que faz o cavalo empinar, derrubando o herói de volta à Terra. Pégaso, porém, completa a viagem sozinho e passa a puxar os raios de Zeus, sendo finalmente transformado em constelação.

Roteiro de observação

Instrumento O que ver
A olho nu O Grande Quadrado inteiro, como teste de céu escuro (conte as estrelas dentro dele); Enif isolada a oeste; Scheat variando de brilho ao longo de semanas.
Binóculo (10×50) M 15 como uma "estrela" desfocada perto de Enif; 51 Pegasi perto do Quadrado; NGC 7331 em noites muito escuras, com visão desviada.
Telescópio pequeno (70 a 100 mm) M 15 começando a resolver-se em estrelas na borda; NGC 7331 com o núcleo condensado; NGC 7814 e NGC 7479 como manchas alongadas.
Telescópio de 200 a 250 mm M 15 bem resolvido; NGC 7331 com o oval evidente; a barra de NGC 7479; NGC 7814 com a faixa de poeira; o Quinteto de Stephan, em céu muito escuro.
Astrofotografia O campo completo de NGC 7331 e o Quinteto de Stephan lado a lado; os braços em "S" de NGC 7479; a faixa de poeira de NGC 7814; a nebulosa planetária Pease 1 dentro de M 15.

Dicas de campo:

  • Escolha uma noite sem Lua entre agosto e dezembro, com o horizonte norte livre de obstáculos.
  • Comece pelo Grande Quadrado e use-o como referência de escala: cerca de 15 graus de lado, quase o tamanho de um punho fechado com o braço esticado.
  • De Enif, ande cerca de 4 graus a nordeste para alcançar M 15.
  • De Markab, ande cerca de 6,5 graus ao norte e 6 graus a oeste para alcançar NGC 7331 — e, se o céu estiver muito escuro, procure o Quinteto de Stephan meio grau a sudoeste dela.
  • De Algenib, ande cerca de 1 grau ao norte e 2,5 graus a oeste até NGC 7814; de Markab, cerca de 3 graus ao sul até NGC 7479.

Referências

  • KAMBIČ, Bojan. Viewing the Constellations with Binoculars: 250+ Wonderful Sky Objects to See and Explore. New York: Springer, 2010. Pégaso, Grande Quadrado, Enif, Scheat, 51 Pegasi, M 15 e NGC 7331, p. 380-385 (paginação impressa 376-381).
  • MOBBERLEY, Martin. The Caldwell Objects and How to Observe Them. New York: Springer, 2009. Caldwell 30 (NGC 7331 e Quinteto de Stephan), p. 85-86 (impressa 72-73); Caldwell 43 (NGC 7814) e Caldwell 44 (NGC 7479), p. 111-114 (impressa 98-101).
  • MONKS, Neale. Go-To Telescopes Under Suburban Skies. New York: Springer. M 15 e globulares, p. 141-143 e 201-202 (impressa 121-123 e 181-182).
  • MOORE, Patrick (ed.). Philip's Astronomy Encyclopedia. London: Philip's, 2002. Verbetes "Pegasus" (p. 301, quadro de estrelas principais), "extrasolar planet" (p. 139) e "Stephan's Quintet" (p. 399).
  • MOORE, Patrick. The Observer's Year: 366 Nights of the Universe. 2. ed. London: Springer, 2005. Pégaso, o Quadrado, Enif e Scheat, p. 264-266; tamanhos das constelações, p. 343.
  • MOORE, Patrick; REES, Robin. Patrick Moore's Data Book of Astronomy. Cambridge: Cambridge University Press. O Quinteto de Stephan, p. 477-478; exoplanetas e métodos de detecção, p. 321-322.
  • MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário enciclopédico de astronomia e astronáutica. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1987. Verbete "Pegasus", p. 611-612.
  • ALLISON, Mark. Star Clusters and How to Observe Them. New York: Springer, 2006. M 15 e globulares do fim de ano, p. 188-194 (impressa 180-186).
  • RIDPATH, Ian. Astronomia (Guia Ilustrado Zahar). 4. ed. Rio de Janeiro: Zahar. Pégaso, o Quadrado e 51 Pegasi, p. 186.
  • VIEIRA, Fernando. Identificação do Céu. O céu da primavera e o Quadrado de Pégaso, p. 95, 100-101.
  • SIMBAD Astronomical Database. Centre de Données astronomiques de Strasbourg (CDS). Consulta a brilhos, tipos espectrais, paralaxes e redshifts, em 21 set. 2026.
  • HYG Database (v4.1), David Nash / Astronexus, licença CC BY-SA 4.0, usado na carta estelar; limites das constelações da IAU e linhas do d3-celestial.