setembro 21, 2026
NGC 7479 (Caldwell 44), a espiral barrada de Pégaso: guia completo de observação e astrofotografia

Imagem de referência (DSS2). Este objeto ainda não foi capturado no Observatório.
Crédito: Digitized Sky Survey 2 (DSS2) — STScI/NASA. Palomar Observatory / Caltech (POSS-II). Créditos
A poucos graus ao sul de Markab, uma das quatro estrelas que desenham o Quadrado de Pégaso, gira uma galáxia espiral barrada vista quase de frente: o NGC 7479. Ao contrário da vizinha NGC 7814, de perfil, esta mostra tudo de uma vez — a barra reta cruzando o núcleo e dois braços tão curvados que a forma inteira lembra a letra S, deitada e espelhada. É o Caldwell 44, e guarda uma curiosidade rara para um objeto de catálogo: uma supernova de verdade, descoberta em 1990, bem perto de uma estrela de campo que, por coincidência, parece uma supernova falsa.
Texto em revisão. Este é um guia de teste no novo formato de objeto. As fontes estão listadas no final e as dúvidas, no campo de pendências.

Ficha técnica e designações
Visão geral: uma espiral barrada vista de frente
Uma galáxia espiral barrada tem, além do disco de braços em espiral, uma estrutura reta e alongada de estrelas e gás atravessando o núcleo — a "barra" — da qual os braços emergem em vez de saírem diretamente do centro. É uma variação comum entre as espirais: a própria Via Láctea é, hoje, classificada como barrada. O NGC 7479 é um exemplo clássico, visto quase exatamente de frente, o que expõe toda a estrutura de uma vez.
O NGC 7479 em números. A distância mais citada é de cerca de 100 a 105 milhões de anos-luz (Mobberley); a partir da velocidade radial medida pelo SIMBAD (2.122 km/s, já corrigida pelo desvio Doppler cosmológico) e de uma constante de Hubble típica de 70 km/s por megaparsec, chega-se a uma estimativa independente de cerca de 99 milhões de anos-luz — coerente com o valor do livro. Com essa distância e um tamanho aparente de 4′ a 5,6′, o diâmetro físico da galáxia fica perto de 120 mil anos-luz (Mobberley), maior que o da Via Láctea. O SIMBAD classifica o núcleo do NGC 7479 como Seyfert 2, ou seja, um núcleo ativo de baixa a moderada luminosidade, alimentado por um buraco negro supermassivo central — uma informação técnica que os livros de observação consultados não mencionam.
A forma em "S". Os dois braços espirais emergem das pontas da barra e se curvam no sentido anti-horário; o braço oeste, de raio maior, "parece quase um chicote prestes a estalar" (Mobberley). O núcleo é um nó brilhante bem no centro da barra, e imagens de boa qualidade mostram o tom dourado do núcleo e da barra contra o cinza-azulado dos braços, pontilhados de regiões HII rosadas — berçários estelares ativos (Mobberley).
A supernova de 1990. Em 27 de julho de 1990, Carlton Pennypacker e Saul Perlmutter descobriram uma supernova de tipo Ic, de magnitude 16, bem perto de uma estrela de campo da nossa própria Via Láctea, de magnitude 13,7, que fica no vão entre o braço oeste e a barra e que, de tão bem posicionada, chega a parecer, à primeira vista, uma supernova (Mobberley) — uma coincidência de alinhamento que confunde até observadores experientes.
Estruturas notáveis
- A barra norte-sul. Bem visível mesmo em telescópios de 16 cm sob céu escuro, com o núcleo brilhante no meio (Mobberley).
- O braço em forma de S. Melhor percebido em telescópios de 35 cm ou em imagens de curta exposição com o mesmo instrumento; o braço oeste tem maior raio e curvatura mais acentuada (Mobberley).
- A estrela "impostora". De magnitude 13,7, no vão entre a barra e o braço oeste — não é uma supernova, mas uma estrela da nossa própria Galáxia (Mobberley).
- Regiões HII. Pontos rosados espalhados pelos braços em imagens coloridas profundas, sinal de formação estelar ativa (Mobberley).
Como localizar
A partir de Markab (Alfa Pegasi, mag. 2,5), o vértice sudoeste do Quadrado de Pégaso: ande quase 3° para o sul (Mobberley; Bakich confirma 2,9°). É uma das rotas mais diretas deste catálogo, já que Markab é fácil de identificar e a distância é pequena.

Quando e como observar
Com declinação de cerca de +12°, o NGC 7479 culmina perto de 55° de altura no Rio de Janeiro, a maior altura máxima entre os objetos deste lote — uma posição excelente tanto para observação visual quanto para astrofotografia. A melhor época vai de agosto a novembro (Mobberley), na primavera do hemisfério sul, quando Pégaso cruza o meridiano à noite.
O primeiro gráfico mostra a altura do objeto ao longo do ano para o local do observatório; o segundo, o caminho do NGC 7479 pelo céu nesta noite (zênite no centro, cores pela altura e linha pontilhada, tracejada ou contínua conforme o crepúsculo), seguido da altura hora a hora.
Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).
2026-10-12 · 19:20 – 04:10
Esta noite no céu
- Melhor horário
- 21:30 · 55° N
- Horas acima de 45°
- 3,8 h
- Lua
- Lua crescente · 6 %
- Nota da noite
- 49 / 100
- Posição no céu
- 64
- Brilho
- 22 mag 11,1
- Enquadramento
- 32 ocupa 8 % do campo
Notas para SkyWatcher Explorer 200P + ZWO ASI294MC Pro (campo de 66′ × 45′).
- Crepúsculo civil (Sol até −12°)
- Crepúsculo náutico (−12° a −18°)
- Noite astronômica (Sol abaixo de −18°)
- Altura abaixo de 20°
- Altura abaixo de 30°
- Altura abaixo de 45°
- Hora cheia e meia hora
- Ponto mais alto
Valores hora a hora (tabela)
| Hora | Altura | Direção | Da Lua |
|---|---|---|---|
| 19:30 | 44° | NE 44° | 126° |
| 20:00 | 48° | NE 35° | 126° |
| 20:30 | 51° | NNE 25° | 126° |
| 21:00 | 54° | NNE 14° | 125° |
| 21:30 | 55° | N 1° | 125° |
| 22:00 | 54° | NNW 349° | 125° |
| 22:30 | 52° | NNW 337° | 125° |
| 23:00 | 49° | NNW 327° | 124° |
| 23:30 | 44° | NW 318° | 124° |
| 00:00 | 39° | NW 311° | 124° |
| 00:30 | 34° | NW 305° | 124° |
| 01:00 | 28° | WNW 299° | 123° |
| 01:30 | 22° | WNW 295° | 123° |
| 02:00 | 16° | WNW 291° | 123° |
| 02:30 | 9° | WNW 288° | 123° |
| 03:00 | 2° | WNW 285° | 122° |
| 03:30 | -4° | — | 122° |
| 04:00 | -11° | — | 122° |
Cálculo de baixa precisão (cerca de 0,3°), no fuso horário do local. Serve para planejar, não para apontar telescópios.
Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).
O que ver
| Instrumento | O que esperar |
|---|---|
| A olho nu | Invisível; magnitude 10,8 está bem fora do alcance, mesmo em céu excelente. |
| Binóculo (7×50 a 15×70) | Muito difícil; só binóculos grandes, sob céu escuro, podem flagrar uma mancha redonda tênue, sem detalhe de estrutura. |
| Telescópio de 150 a 200 mm | O núcleo brilhante, o bojo e a barra norte-sul aparecem com clareza sob céu escuro (Mobberley). |
| Telescópio de 350 mm ou mais | A forma em S começa a se revelar, embora "nada perto" do que um CCD com o mesmo instrumento mostra em poucos minutos (Mobberley) — um bom lembrete de como a câmera supera o olho em estruturas de baixo contraste. |
Expectativa honesta: a barra e o núcleo são um alvo respeitável mesmo em telescópios médios; o desenho em S completo, porém, é essencialmente um alvo fotográfico. Quem já observou o NGC 7814 de perfil na mesma noite tem, no NGC 7479, o contraste perfeito: a mesma constelação, duas orientações opostas de galáxia espiral.
Astrofotografia: estratégia de captura
Enquadramento
Com 4′ a 5,6′ de diâmetro aparente, um campo de 15′ a 25′ funciona bem. Um telescópio de 1.000 a 1.800 mm de focal com câmera de sensor APS-C ou menor enquadra a galáxia com boa escala, revelando a barra e os braços sem deixá-los pequenos demais no quadro.
Desafios do alvo
- Contraste entre núcleo e braços. O núcleo e a barra são bem mais brilhantes que os braços externos; é preciso um processamento de faixa dinâmica ampla para mostrar as duas coisas sem saturar o centro nem esconder as pontas dos braços.
- A estrutura em S exige boa resolução. Sob seeing médio ou more turbulência, os dois braços tendem a se misturar visualmente; foco preciso e boa quantidade de quadros ajudam.
- Distinguir a estrela impostora da posição real da supernova histórica. Vale documentar, na legenda da imagem, que a "supernova" visível no campo é uma estrela da nossa Galáxia, não o evento de 1990 (que já desapareceu).
Equipamento e filtros
Mobberley recomenda esta galáxia para "imageamento profundo monocromático". Uma câmera colorida de um disparo funciona bem para capturar o contraste de cor entre o núcleo dourado e os braços azulados com regiões HII rosadas.
Exemplo de sessão (ponto de partida)
| Tipo de quadro | Quantidade | Exposição | Finalidade |
|---|---|---|---|
| Light (luminância ou RGB) | 50 a 80 | 120 a 180 s | Barra, núcleo e braços em S |
| Dark | 30 | igual aos Lights | Calibração do ruído térmico |
| Flat | 30 | automática | Correção de vinheta e poeira |
| Bias ou dark-flat | 50 | mais curta possível | Calibração do ruído de leitura |
Esses números são um ponto de partida e não vêm dos livros.
Smart telescopes e campo de visão
O campo de um smart telescope como o Seestar S50 (cerca de 1,3° × 0,7°) enquadra o NGC 7479 com bastante folga ao redor; para um resultado mais próximo da escala ideal, vale usar o recurso de recorte digital (crop) do próprio aplicativo depois do empilhamento. Escolha o seu modelo no mapa abaixo para ver o retângulo do campo sobre o objeto.
Carrega o mapa do CDS (Estrasburgo) e imagens DSS2 direto do servidor deles; nada é carregado antes do clique.
Considerações finais
O NGC 7479 é uma vitrine de galáxia espiral barrada: barra reta, braços em S, um núcleo ativo (Seyfert) por trás da beleza visual, e até uma supernova real na história recente. Para completar a comparação de orientações na constelação, veja a vizinha NGC 7814, a galáxia Arco Elétrico de Pégaso, vista quase exatamente de perfil, poucos graus ao norte.
Referências
- BAKICH, Michael E. 1,001 Celestial Wonders to See Before You Die: The Best Sky Objects for Star Gazers. New York: Springer, 2010. Objeto nº 721 (NGC 7479).
- MOBBERLEY, Martin. The Caldwell Objects and How to Observe Them. New York: Springer, 2009. Caldwell 44, p. 100-101.
- SIMBAD Astronomical Database. Centre de Données astronomiques de Strasbourg (CDS). Consulta a coordenadas, velocidade radial, tipo de núcleo e dimensões de NGC 7479, em 21 set. 2026.
- HYG Database (v4.1), David Nash / Astronexus, licença CC BY-SA 4.0, para a carta de localização; mapa Aladin Lite e imagem DSS2 do Centre de Données astronomiques de Strasbourg.