setembro 21, 2026
M 15, o globular de Pégaso: guia completo de observação e astrofotografia

Imagem de referência (DSS2). Este objeto ainda não foi capturado no Observatório.
Crédito: Digitized Sky Survey 2 (DSS2) — STScI/NASA. Palomar Observatory / Caltech (POSS-II). Créditos
M 15 é o globular que engana pelo tamanho. No papel é pequeno, cerca de 12′, e no céu parece menor ainda, mas o núcleo é tão denso e brilhante que ele aparece com facilidade em qualquer binóculo, e é considerado um dos globulares mais bonitos para quem tem telescópio pequeno. Fica em Pégaso, o cavalo alado do outono do hemisfério norte, mas, do Rio de Janeiro, a constelação é um alvo de fim de inverno e primavera, e M 15 passa a cerca de 55° de altura, uma posição muito confortável. Este guia reúne os dados, o caminho para achar M 15 a partir de Enif, o melhor momento, o que dá para ver e como fotografá-lo, com um bônus: a planetária que mora dentro do aglomerado.
Texto em revisão. Este é um artigo de teste do novo formato de guia de objeto. Dados, mapas, gráficos de altura e estratégia de captura estão todos aqui. As fontes estão listadas no final.

Ficha técnica e designações
Visão geral: um núcleo colapsado a 33.600 anos-luz
O que é. M 15 é um aglomerado globular: uma esfera de estrelas muito antigas, em órbita ao redor do centro da Galáxia, no halo. Kambič diz que tem pelo menos meio milhão de estrelas, com um núcleo de uns 6 anos-luz de diâmetro que contém cerca de 50.000 delas (Kambič, p. 377).
Distância e tamanho. O SIMBAD traz uma paralaxe de 0,097 milissegundo de arco, o que dá cerca de 33.600 anos-luz, o mesmo valor que Allison, Mollise e Monks citam (33.600) e muito próximo do de Kambič (34.000). Kier fala genericamente em 30.000 a 40.000. O tamanho aparente do SIMBAD é 12,3′, o mesmo de Bakich e de Mollise; Allison e Kier trazem 18′, contando a periferia mais fraca. Monks e Kier dão 175 anos-luz de diâmetro total; com os 12,3′ do SIMBAD, o corpo principal fica em torno de 120 anos-luz.
Brilho. O SIMBAD não lista magnitude V para M 15. Os livros trazem 6,0 (Kier), 6,2 (Allison), 6,3 (Bakich) e 6,4 (Mollise), e o catálogo do site, 6,3. Isso é o limite da visão a olho nu: Kambič diz que M 15 está "no limite" (p. 377), e Philip's o descreve como visível em binóculo como uma estrela desfocada de 6ª magnitude (Philip's, "Pegasus", p. 301). Bakich afirma que é visível a olho nu em céu escuro.
Um núcleo extraordinário. Monks lembra que metade da massa está nos 20 anos-luz centrais e que o núcleo abriga possivelmente um buraco negro (Monks, p. 181-182; Mollise, p. 170-171). O núcleo é tão brilhante que Mollise o vê até com um telescópio de 60 mm. Na escala de Shapley e Sawyer, M 15 é classe IV, quer dizer, muito concentrado.
A planetária escondida. M 15 contém a nebulosa planetária Pease 1, a primeira planetária identificada em um globular (Francis Pease, 1928, com o telescópio Hooker de 100 polegadas, segundo Bakich); Kambič a chama de K 648 e diz que é invisível em binóculos. (Que os dois nomes designam a mesma nebulosa é conhecimento geral.)
Movimento. O SIMBAD indica velocidade radial de cerca de −106 km/s: M 15 se aproxima do Sol.
Estruturas notáveis
- O núcleo colapsado. Uma condensação brilhantíssima, que Mollise vê até com 60 mm e que faz de M 15 um alvo fácil em qualquer instrumento.
- A gradação suave. O brilho cai devagar do núcleo para as bordas, sem limite nítido, e o halo cresce com a abertura.
- As correntes de estrelas. Com 100 mm, Bakich vê dezenas de estrelas e cadeias em volta do núcleo; a 166 aumentos, Mollise diz que o aglomerado fica "bem resolvido" com 8″.
- Pease 1. A cerca de 1′ a nordeste do núcleo, visível só com 250 mm, cerca de 200 aumentos e um filtro de nebulosa (Bakich).
- Cuidado com a estrela vizinha. Bakich alerta para não confundir M 15 com uma estrela de magnitude 6,1 a cerca de 17′ a leste.
Como localizar
M 15 fica a pouco mais de 4° a noroeste de Enif (ε Pegasi, magnitude 2,4, laranja), na "boca" do cavalo (Tonkin, p. 136; Kambič; Mollise; Allison). Bakich sugere partir da linha θ Peg até ε Peg e prolongá-la por cerca de 4° (Mollise: Theta Peg, Enif e mais uns 4°). Allison propõe começar em α Peg, passar por ζ e θ Peg e subir 7° até Enif. Tonkin traz um detalhe simpático: Enif é uma dupla de binóculo, com uma companheira de magnitude 8,6 a 2,4′, na direção de M 15, um bom sinal de que você está no caminho.
Do Rio, Pégaso fica ao norte, e o céu aparece invertido em relação a um mapa com o norte em cima. Olhando para o norte, o leste está à direita: M 15 aparece abaixo e à esquerda de Enif, mais perto do horizonte que ela.

Quando e como observar
Com declinação de +12°, M 15 cruza o meridiano a cerca de 55° de altura no Rio e fica pouco mais de 11 horas acima do horizonte por dia. A oposição ao Sol cai por volta de meados de agosto (calculado pelas coordenadas); de agosto a novembro, ele está bem posicionado no início da noite. Bakich indica agosto como mês sugerido, e Kier o coloca no fim de setembro, olhando do hemisfério norte.
A altura de 55° é boa, mas M 15 fica na direção norte, e o brilho urbano perto do horizonte pesa mais que no zênite: procure um local com bom horizonte norte e espere M 15 cruzar o meridiano. O núcleo compacto ajuda: ele resiste bem ao céu Bortle 7.
O primeiro gráfico mostra a altura ao longo do ano; o segundo, a noite de hoje.
Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).
2026-10-13 · 19:20 – 04:10
Esta noite no céu
- Melhor horário
- 19:50 · 55° N
- Horas acima de 45°
- 2,5 h
- Lua
- Lua crescente · 12 %
- Nota da noite
- 74 / 100
- Posição no céu
- 59
- Brilho
- 95 mag 6,3
- Enquadramento
- 99 ocupa 25 % do campo
Notas para SkyWatcher Explorer 200P + ZWO ASI294MC Pro (campo de 66′ × 45′).
- Crepúsculo civil (Sol até −12°)
- Crepúsculo náutico (−12° a −18°)
- Noite astronômica (Sol abaixo de −18°)
- Altura abaixo de 20°
- Altura abaixo de 30°
- Altura abaixo de 45°
- Hora cheia e meia hora
- Ponto mais alto
Valores hora a hora (tabela)
| Hora | Altura | Direção | Da Lua |
|---|---|---|---|
| 19:30 | 54° | N 10° | 93° |
| 20:00 | 55° | N 358° | 93° |
| 20:30 | 54° | NNW 345° | 92° |
| 21:00 | 51° | NNW 334° | 92° |
| 21:30 | 48° | NW 324° | 92° |
| 22:00 | 43° | NW 316° | 92° |
| 22:30 | 38° | NW 309° | 92° |
| 23:00 | 32° | WNW 303° | 91° |
| 23:30 | 26° | WNW 298° | 91° |
| 00:00 | 20° | WNW 294° | 91° |
| 00:30 | 14° | WNW 290° | 91° |
| 01:00 | 7° | WNW 287° | 90° |
| 01:30 | 0° | WNW 284° | 90° |
| 02:00 | -6° | — | 90° |
| 02:30 | -13° | — | 90° |
| 03:00 | -20° | — | 89° |
| 03:30 | -27° | — | 89° |
| 04:00 | -34° | — | 89° |
Cálculo de baixa precisão (cerca de 0,3°), no fuso horário do local. Serve para planejar, não para apontar telescópios.
Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).
O que ver
| Instrumento | O que esperar |
|---|---|
| A olho nu | No limite, com céu escuro (Bakich; Kambič). Em Bortle 7, não. |
| Binóculo (10×50) | Uma estrela desfocada de 6ª magnitude (Philip's), pequena e bem brilhante: Tonkin diz que é um dos melhores globulares para binóculos pequenos, com metade do tamanho aparente de M 13. |
| Telescópio de 60 a 100 mm | O núcleo aparece com nitidez mesmo em 60 mm (Mollise); com 100 mm, dezenas de estrelas e cadeias em volta do núcleo (Bakich). |
| Telescópio de 150 a 200 mm | Monks diz que M 15 se resolve a partir de 150 mm; Allison e Mollise falam em cerca de 8″ (200 mm), a 166 aumentos, para um resultado "bem resolvido". |
| Telescópio de 250 mm | Com 250 mm, cerca de 200 aumentos e filtro de nebulosa (UHC ou OIII), Bakich indica a planetária Pease 1, a 1′ a nordeste do núcleo. É um desafio: exige céu razoável e paciência. |
Vale a pena comparar com M 2, na mesma época: M 2 é mais frouxa e granulada; M 15, menor e com núcleo muito brilhante. Mollise usa justamente essa dupla para mostrar que globulares são diferentes entre si, e Monks explica isso com concentração, distância e população. Allison, curiosamente, confessa preferir M 13 a M 15.
Astrofotografia: estratégia de captura
Enquadramento
Kier considera M 2 e M 15 alvos excelentes para quem começa: o aglomerado pode ser enquadrado num campo médio, de 30′ a 40′, ou num campo apertado, para resolver o núcleo (Kier, p. 226). Com um telescópio de 1.000 mm e uma ASI294MC Pro, o campo é de cerca de 1,1° × 0,75° (calculado), com 0,95″/pixel: o aglomerado ocupa uma parte agradável do quadro. Para o núcleo, uma escala abaixo de 1″/pixel e boa noite de seeing (Kier, p. 150, sobre M 3).
Desafios do alvo
- Núcleo denso e muito brilhante. É o mais difícil de tratar: reduza a exposição por quadro e considere combinar séries curtas e longas.
- Deconvolução. Pode gerar padrão de "mosaico" no centro; deixe a nitidez para o fim (Kier, M 5, p. 159).
- Direção norte urbana. O fundo do céu é mais claro para o norte; use subtração de gradiente.
- Planetária Pease 1. É fraca e pequena demais para ser um alvo de imagem comum; exige foco muito preciso e exposições longas de banda estreita: só para os aventureiros (avaliação geral, não vem dos livros).
Equipamento e filtros
Kier diz que M 2 e M 15 são brilhantes o bastante para câmera colorida de tiro único, RGB ou LRGB, e que exposições mais longas revelam mais estrelas da periferia, fazendo o aglomerado parecer maior na imagem final (p. 226). O ajuste com curvas e níveis funciona melhor que o "digital development" (Kier, p. 159). Em câmera monocromática, use luminância sintética para evitar ruído de cor.
Exemplo de sessão (ponto de partida)
| Tipo de quadro | Quantidade | Exposição | Finalidade |
|---|---|---|---|
| Light curto (núcleo) | 40 | 5 a 15 s | Preservar o núcleo denso |
| Light longo (halo) | 60 | 60 a 90 s | Estrelas fracas da periferia |
| Dark | 30 | igual aos Lights | Calibração térmica |
| Flat | 30 | automática | Vinheta e poeira |
| Bias ou dark-flat | 50 | mais curta possível | Ruído de leitura |
Esses números são um ponto de partida e não vêm dos livros: ajuste-os ao seu sensor, ao telescópio e ao céu.
Smart telescopes e campo de visão
M 15 é um alvo fácil para smart telescopes. Com um Seestar S50 (campo de cerca de 1,3° × 0,7°), o aglomerado é um ponto brilhante no centro do quadro, e Enif fica perto o bastante para ajudar na verificação do apontamento. O empilhamento de quadros curtos ajuda a não saturar o núcleo. Abra o mapa e escolha o seu modelo para ver o retângulo do campo sobre o aglomerado.
Carrega o mapa do CDS (Estrasburgo) e imagens DSS2 direto do servidor deles; nada é carregado antes do clique.
Considerações finais
M 15 é um dos globulares mais recompensadores para quem tem pouco instrumento: com um binóculo ou telescópio pequeno, mostra um núcleo extraordinário, e com um telescópio maior revela cadeias de estrelas e, para os obstinados, uma planetária escondida. Do Rio, ele fica bem posicionado, embora ao norte. Depois de M 15 e M 2, o passo seguinte natural é comparar com os globulares do inverno, como M 5, M 13 e, na virada para o sul, M 22 e Ômega Centauri.
Referências
- ALLISON, Mark. Star Clusters and How to Observe Them. London: Springer (Astronomers' Observing Guides), 2006. Globulares de Pégaso, Aquário e Golfinho, p. 180-186 (M 15, p. 182-184).
- BAKICH, Michael E. 1,001 Celestial Wonders to See Before You Die: The Best Sky Objects for Star Gazers. New York: Springer, 2010. Objeto nº 669 (M 15).
- KAMBIČ, Bojan. Viewing the Constellations with Binoculars: 250+ Wonderful Sky Objects to See and Explore. New York: Springer, 2010. Pégaso e M 15, p. 376-381.
- KIER, Ruben. The 100 Best Targets for Astrophotography. New York: Springer, 2009. "Globular Clusters M15 and M2" (28 e 29 de setembro), p. 226; M 3, p. 150; M 5, p. 159.
- MOLLISE, Rod. The Urban Astronomer's Guide: A Walking Tour of the Cosmos for City Sky Watchers. London: Springer, 2006. "M15, M2 e M56", p. 169-176 (M 15, p. 169-171).
- MONKS, Neale. Go-To Telescopes Under Suburban Skies. London: Springer, 2010. M 92, M 13 e M 15, p. 121-123 e 181-182.
- MOORE, Patrick (ed.). Philip's Astronomy Encyclopedia. London: Philip's, 2002. Verbete "Pegasus" (p. 301).
- TONKIN, Stephen. Binocular Astronomy. London: Springer, 2007. M 15, p. 136.
- SIMBAD Astronomical Database. Centre de Données astronomiques de Strasbourg (CDS). Consulta a coordenadas, tipo, paralaxe, tamanho e velocidade radial de M 15, em 21 set. 2026.
- HYG Database (v4.1), David Nash / Astronexus, licença CC BY-SA 4.0, para a carta de localização; mapa Aladin Lite e imagem DSS2 do Centre de Données astronomiques de Strasbourg.