setembro 21, 2026
NGC 2867 (Caldwell 90), a planetária de Carina: guia completo de observação e astrofotografia

Imagem de referência (DSS2). Este objeto ainda não foi capturado no Observatório.
Crédito: Digitized Sky Survey 2 (DSS2) — STScI/NASA. UK Schmidt Telescope (UKST) / AAO–ROE. Créditos
Se você quiser um exemplo de objeto que é fácil de achar e difícil de "ver", NGC 2867 é um bom candidato. Ela é uma planetária brilhante, na constelação de Carina, a um grau da estrela Iota Carinae, mas tão pequena que em telescópios comuns parece uma estrela. Mobberley diz, com humor, que ela é fácil de observar e quase impossível de ver pelo que realmente é. Mesmo assim, para quem faz observação com ampliações altas, é um teste interessante, e para quem faz imagens é uma boa oportunidade de treinar foco e guiagem em um objeto do céu sul. É a Caldwell 90.
Texto em revisão. Este é um artigo de teste do novo formato de guia de objeto. Ele substitui o guia de astrofotografia e a página de exploração do objeto. As fontes estão listadas no final.

Ficha técnica e designações
Visão geral: o que é uma nebulosa planetária
Apesar do nome, uma nebulosa planetária não tem nada de planeta. Trata-se do envoltório de gás que uma estrela de massa parecida com a do Sol expele nos últimos milhares de anos de vida, e que a estrela central, agora uma anã branca muito quente, ilumina. Para outros exemplos do tipo, veja a Nebulosa da Hélice, a Nebulosa Borboleta (NGC 6302) e o Anel Sul.
NGC 2867 em números. É uma planetária pequena e de brilho superficial alto: o SIMBAD lista cerca de 15″ de diâmetro (Mobberley e Bakich dão 11″) e magnitude V de cerca de 10,3 (os livros dão 9,7). A estrela central é de 15ª magnitude, imersa na nebulosidade, e nenhum telescópio de amador a mostra (Mobberley). Análises profissionais indicam que a nebulosa tem alto teor de nitrogênio e carbono (Mobberley).
Distância. As fontes discordam: Mobberley adota 5.500 anos-luz, e a paralaxe do SIMBAD (0,3447 milissegundos de arco) dá cerca de 9.500 anos-luz, que é o valor adotado neste guia. A esse valor, os 15″ de diâmetro correspondem a menos de 1 ano-luz (cerca de 0,7 ano-luz), o que é pequeno, para uma planetária. Com a distância de Mobberley, o tamanho seria de cerca de 15 semanas-luz e a idade da nebulosa, de cerca de 5.000 anos; os dois números dependem da distância adotada e devem ser lidos como estimativas.
Estruturas notáveis
- O disco compacto. Em ampliação muito alta, pode parecer "inchado" em relação a uma estrela (Mobberley).
- A borda brilhante e o centro mais escuro. Com 300 mm a 300 aumentos, Bakich descreve uma borda mais luminosa e um centro levemente mais fraco.
- A cor azulada. Bakich a descreve como "ovo de tordo" em azul-claro para a maioria dos observadores; Mobberley diz que alguns relatam um tom azulado.
- Uma estrela de campo. Uma estrela de 10ª magnitude (10,2), a cerca de 20″ a leste, ajuda a confirmar que você está no lugar certo (Bakich).
- A textura interna. Nas imagens do Hubble, o interior parece "um biscoito molhado com a primeira mordida" (Mobberley). Isso só se vê no espaço ou com óptica adaptativa.
Como localizar
O ponto de partida é Iota Carinae (Turais ou Aspidiske), de magnitude 2,2. A planetária fica cerca de 1° ao norte e meio grau a leste dela (Mobberley), ou 1,1° a nor-nordeste (Bakich). É uma estrela fácil de reconhecer, na região sul de Carina, e por isso o achado é simples. Ao norte-nordeste, a cerca de 80′, fica o aglomerado aberto IC 2488 (Mobberley). Mais a leste, na mesma constelação, está a Nebulosa de Carina. Como se trata de um ponto quase estelar, confirme o campo com a carta e com um aumento alto: a estrela de campo a leste é uma referência.

Quando e como observar
Com declinação de cerca de −58°, NGC 2867 culmina a cerca de 55° de altura no Rio de Janeiro, olhando para o sul. Ela nasce e se põe (não é circumpolar em 23°S), mas passa muitas horas no céu, e a melhor época vai de janeiro a abril (Mobberley). Como o seeing decide o resultado de um objeto tão pequeno, escolha uma noite estável e observe perto da culminação.
Olhando para o sul, o sul celeste fica para baixo e o leste à esquerda. Os gráficos abaixo mostram a altura ao longo do ano e o caminho no céu nesta noite.
Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).
2026-10-12 · 19:20 – 04:10
Esta noite no céu
- Melhor horário
- 04:00 · 37° SSE
- Horas acima de 45°
- 0,0 h
- Lua
- Lua crescente · 6 %
- Nota da noite
- 27 / 100
- Posição no céu
- 30
- Brilho
- 43 mag 9,7
- Enquadramento
- 2 ocupa 1 % do campo
Notas para SkyWatcher Explorer 200P + ZWO ASI294MC Pro (campo de 66′ × 45′).
- Crepúsculo civil (Sol até −12°)
- Crepúsculo náutico (−12° a −18°)
- Noite astronômica (Sol abaixo de −18°)
- Altura abaixo de 20°
- Altura abaixo de 30°
- Altura abaixo de 45°
- Hora cheia e meia hora
- Ponto mais alto
Valores hora a hora (tabela)
| Hora | Altura | Direção | Da Lua |
|---|---|---|---|
| 19:30 | -9° | — | 68° |
| 20:00 | -9° | — | 68° |
| 20:30 | -8° | — | 68° |
| 21:00 | -7° | — | 68° |
| 21:30 | -6° | — | 68° |
| 22:00 | -4° | — | 68° |
| 22:30 | -2° | — | 68° |
| 23:00 | 1° | SSE 157° | 68° |
| 23:30 | 3° | SSE 154° | 68° |
| 00:00 | 6° | SSE 152° | 68° |
| 00:30 | 10° | SSE 150° | 68° |
| 01:00 | 13° | SSE 148° | 68° |
| 01:30 | 17° | SSE 147° | 68° |
| 02:00 | 21° | SE 146° | 69° |
| 02:30 | 25° | SE 145° | 69° |
| 03:00 | 29° | SE 145° | 69° |
| 03:30 | 33° | SE 146° | 69° |
| 04:00 | 37° | SSE 147° | 69° |
Cálculo de baixa precisão (cerca de 0,3°), no fuso horário do local. Serve para planejar, não para apontar telescópios.
Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).
O que ver
| Instrumento | O que esperar |
|---|---|
| A olho nu | Fora de alcance. |
| Binóculo (10×50) | Uma estrela de brilho médio, sem qualquer forma. A nebulosa só se destaca se você souber onde ela está. |
| Telescópio de 100 a 150 mm | Bakich diz que 100 mm ou mais já mostra a cor azulada. Em baixo e médio aumento, ainda parece uma estrela (Mobberley). Em alto aumento, se você souber que é uma planetária, pode notar a estrela "inchada" (Mobberley). |
| Telescópio de 250 a 300 mm | Mobberley recomenda 25 cm ou mais e filtro OIII ou UHC. Com 300 mm e 300 aumentos, Bakich vê uma borda brilhante e o centro levemente mais escuro. |
Expectativa honesta: é um alvo de ampliação alta e de bom seeing, e o resultado depende muito da noite. Sem ampliação, você só terá uma estrela azulada. Em Bortle 7, o céu de fundo importa pouco, porque a nebulosa é pequena e brilhante; o filtro OIII ajuda a distingui-la das estrelas do campo.
Astrofotografia: estratégia de captura
Enquadramento
Com 15″ de diâmetro, é um alvo minúsculo. Numa configuração de 1.000 mm de focal com uma câmera como a ASI294MC Pro, a escala é de cerca de 0,95″ por pixel (calculada); a nebulosa ocupa de 15 a 20 pixels e aparece como um pequeno disco azulado. Com 2.000 mm ou mais, a escala de cerca de 0,5″ por pixel mostra um pouco mais da forma, mas o seeing e a guiagem passam a limitar. Mobberley o descreve como minúsculo, estelar e difícil de fotografar.
Desafios do alvo
- Tamanho. Foco, guiagem e seeing valem mais que o tempo total de exposição.
- Brilho concentrado. É fácil de registrar, mas o núcleo pode estourar; use exposições curtas e muitos quadros.
- Poucos detalhes. Mesmo com o Hubble, a estrutura é "felpuda" e em escala minúscula (Mobberley). Não espere ver mais do que um disco e uma borda.
Equipamento e filtros
Uma câmera colorida de um disparo já basta. Uma monocromática com OIII e H-alfa em cores falsas destaca a diferença entre o centro e a borda. Fotografe perto do meridiano, quando o objeto está mais alto, para reduzir a perda de resolução.
Exemplo de sessão (ponto de partida)
| Tipo de quadro | Quantidade | Exposição | Finalidade |
|---|---|---|---|
| Light (dual-band ou RGB) | 80 a 150 | 20 a 60 s | Muitos quadros curtos para selecionar os de melhor seeing |
| Dark | 30 | igual aos Lights | Calibração do ruído térmico |
| Flat | 30 | automática | Correção de vinheta e poeira |
| Bias ou dark-flat | 50 | mais curta possível | Calibração do ruído de leitura |
Esses números são um ponto de partida do autor do guia, e não vêm dos livros.
Smart telescopes e campo de visão
Num smart telescope como o Seestar S50 (campo de cerca de 1,3° × 0,7° e escala de cerca de 2,4″ por pixel, calculada), NGC 2867 ocupa uns 6 pixels e parece uma estrela azulada. Vale como teste de empilhamento e de cor. Escolha o seu modelo no mapa abaixo para ver o retângulo do campo sobre o objeto.
Carrega o mapa do CDS (Estrasburgo) e imagens DSS2 direto do servidor deles; nada é carregado antes do clique.
Considerações finais
NGC 2867 mostra que nem todo objeto brilhante é espetacular: ela é fácil de achar e difícil de "ver". Ainda assim, para quem já dominou as grandes nebulosas de Carina, ela é um exercício de precisão: achar o ponto certo, usar a ampliação alta e o filtro OIII e ver a diferença entre uma estrela e uma pequena planetária. Combine-a com a Nebulosa de Carina e com o Anel Sul para comparar planetárias do céu sul.
Referências
- BAKICH, Michael E. 1,001 Celestial Wonders to See Before You Die: The Best Sky Objects for Star Gazers. New York: Springer, 2010. Objeto nº 115 (NGC 2867).
- MOBBERLEY, Martin. The Caldwell Objects and How to Observe Them. New York: Springer, 2009. Caldwell 90, p. 188-189.
- SIMBAD Astronomical Database. Centre de Données astronomiques de Strasbourg (CDS). Consulta a coordenadas, paralaxe, dimensões e fotometria de NGC 2867, em 21 set. 2026.
- HYG Database (v4.1), David Nash / Astronexus, licença CC BY-SA 4.0, para a carta de localização; mapa Aladin Lite e imagem DSS2 do Centre de Données astronomiques de Strasbourg.