setembro 21, 2026
NGC 2362 (Caldwell 64), o aglomerado de Tau do Cão Maior: guia completo de observação e astrofotografia

Imagem de referência (DSS2). Este objeto ainda não foi capturado no Observatório.
Crédito: Digitized Sky Survey 2 (DSS2) — STScI/NASA. UK Schmidt Telescope (UKST) / AAO–ROE. Créditos
O Cão Maior tem duas estrelas de primeira grandeza e um monte de aglomerados que a gente costuma ignorar. Entre eles, NGC 2362 é o mais fácil de reconhecer: uma estrela de magnitude 4,4, Tau do Cão Maior, cercada por um punhado de estrelas mais fracas, como um alfinete de joia sobre veludo. Ele é o Caldwell 64 e, do Rio de Janeiro, passa quase exatamente sobre nossa cabeça. Este guia reúne os dados, o mapa e as estratégias para observar e fotografar.
Texto em revisão. Este guia segue o novo formato de artigo de objeto. As fontes estão listadas no final.

Ficha técnica e designações
Visão geral: um aglomerado jovem
Um aglomerado aberto é um grupo de estrelas nascidas juntas na mesma nuvem. NGC 2362 é um caso extremo: com cerca de 25 milhões de anos (Mobberley), é um dos aglomerados mais jovens do céu, e ainda mantém estrelas quentes e azuladas que, em aglomerados mais velhos, já teriam morrido. Para comparação, o guia de NGC 2516 e o de IC 2602 tratam de aglomerados também jovens, mas mais próximos de nós.
NGC 2362 em números. A paralaxe do aglomerado no SIMBAD dá cerca de 4.400 anos-luz, o valor adotado; Mobberley traz 5.000. O núcleo visível tem cerca de 6′ a 8′ (Mobberley; Bakich; o SIMBAD lista 104′, provavelmente incluindo a extensão dos membros), o que corresponde a cerca de 9 anos-luz de diâmetro (Mobberley). A magnitude integrada é de cerca de 4, o que faz dele o 9º aglomerado aberto mais brilhante do céu, segundo o Bakich.
A estrela central. Tau do Cão Maior (magnitude 4,4) é uma supergigante quente, com magnitude absoluta de cerca de −7, ou seja, cerca de 50.000 vezes mais luminosa que o Sol (Bakich). Nenhuma outra estrela do aglomerado brilha a menos de três magnitudes de Tau. Ela é um sistema quíntuplo, com quatro companheiras não visíveis em telescópios amadores (Mobberley). É a estrela que faz o aglomerado parecer um alfinete: sem ela, o grupo seria um agrupamento de estrelas de magnitude 9 e 10.
Apelidos. O Mobberley chama-o de "Northern Jewel Box" (a Caixa de Joias do Norte), e lembra que a verdadeira é o Caldwell 94 (NGC 4755). O Bakich registra o apelido "Mexican Jumping Star" (estrela saltadora mexicana), pela cintilação intensa que a estrela apresenta quando vista baixa no horizonte a partir do hemisfério norte, onde ela alcança só 25° a 40° de altura.
Estruturas notáveis
- Tau do Cão Maior. A "joia principal", de magnitude 4,4, visível a olho nu.
- As estrelas de fundo. Cerca de 20 estrelas de magnitudes 9 e 10 e duas de magnitude 8 formam o aglomerado propriamente dito (Mobberley). Em binóculos de 100 mm, o Tonkin também conta cerca de 20 estrelas.
- NGC 2354. Um aglomerado de magnitude 6, a cerca de 80′ a sudoeste, é uma armadilha de identificação (Mobberley): quem vem de Wezen (delta do Cão Maior) passa por ele antes de chegar a NGC 2362.
Como localizar
Comece em Sirius. NGC 2362 fica 8¼° ao sul e 8° a leste dela (Mobberley). Um caminho mais fácil: de Sirius, vá cerca de 10° ao sul-sudeste até Wezen (delta do Cão Maior, magnitude 1,8); de lá, o aglomerado fica 3° a nordeste (Mobberley), e o Bakich dá 2,7° a leste-nordeste. Não confunda Wezen com Adara (épsilon do Cão Maior), que fica cerca de 3° ao sudeste de Wezen e é um pouco mais brilhante. Do Rio, o aglomerado passa 2° ao sul do zênite: olhando para o sul, o leste fica à esquerda.

Quando e como observar
Com declinação de cerca de −25°, NGC 2362 culmina a apenas 2° do zênite do Rio, uma posição de altura ideal, com o mínimo de atmosfera. A melhor época vai de dezembro a março (Mobberley), com o aglomerado alto ao anoitecer de janeiro e fevereiro. Como fica alto, a cintilação de Tau é muito menor do que a descrita pelo apelido "Mexican Jumping Star": ela pisca pouco por aqui.
O primeiro gráfico mostra a altura do aglomerado ao longo do ano para o local do observatório; o segundo, o caminho dele pelo céu nesta noite, seguido da altura hora a hora.
Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).
2026-10-12 · 19:20 – 04:10
Esta noite no céu
- Melhor horário
- 04:00 · 66° E
- Horas acima de 45°
- 1,7 h
- Lua
- Lua crescente · 6 %
- Nota da noite
- 69 / 100
- Posição no céu
- 60
- Brilho
- 100 mag 4,1
- Enquadramento
- 64 ocupa 16 % do campo
Notas para SkyWatcher Explorer 200P + ZWO ASI294MC Pro (campo de 66′ × 45′).
- Crepúsculo civil (Sol até −12°)
- Crepúsculo náutico (−12° a −18°)
- Noite astronômica (Sol abaixo de −18°)
- Altura abaixo de 20°
- Altura abaixo de 30°
- Altura abaixo de 45°
- Hora cheia e meia hora
- Ponto mais alto
Valores hora a hora (tabela)
| Hora | Altura | Direção | Da Lua |
|---|---|---|---|
| 19:30 | -36° | — | 100° |
| 20:00 | -32° | — | 100° |
| 20:30 | -28° | — | 100° |
| 21:00 | -23° | — | 100° |
| 21:30 | -18° | — | 100° |
| 22:00 | -12° | — | 100° |
| 22:30 | -6° | — | 101° |
| 23:00 | 0° | — | 101° |
| 23:30 | 6° | ESE 115° | 101° |
| 00:00 | 13° | ESE 112° | 101° |
| 00:30 | 19° | ESE 110° | 101° |
| 01:00 | 26° | ESE 108° | 101° |
| 01:30 | 32° | ESE 106° | 102° |
| 02:00 | 39° | ESE 104° | 102° |
| 02:30 | 46° | ESE 103° | 102° |
| 03:00 | 52° | ESE 102° | 102° |
| 03:30 | 59° | E 101° | 102° |
| 04:00 | 66° | E 100° | 102° |
Cálculo de baixa precisão (cerca de 0,3°), no fuso horário do local. Serve para planejar, não para apontar telescópios.
Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).
O que ver
| Instrumento | O que esperar |
|---|---|
| A olho nu | Tau do Cão Maior como uma estrela de 4ª magnitude sem nada de especial em volta; em Bortle 7, ela é visível, mas o aglomerado não (Bakich sugere a olho nu para o aglomerado em céu escuro). |
| Binóculo (7×50 a 10×50) | Tau com um punhado de estrelas fracas ao redor; o Bakich diz que binóculos mostram muitas estrelas na Via Láctea do fundo. Em 15×70, o efeito de "joia" fica mais claro. |
| Telescópio de 100 mm | Suficiente (Mobberley): cerca de 20 estrelas de 9ª e 10ª magnitude e duas de 8ª em volta de Tau, como uma caixinha de joias. |
| Telescópio grande | Sem ganho grande: o aglomerado é pequeno e sem estrutura; use aumento moderado para manter o campo de estrelas. |
Uma dica de contagem. O Bakich sugere contar as estrelas do aglomerado tirando Tau do campo: primeiro ao norte, depois nas demais direções, e somando as contagens, para evitar que o brilho da estrela central atrapalhe.
Expectativa honesta: o aglomerado é bonito, mas modesto. O Mobberley diz que não é espetacular, embora lembre uma caixa de joias em telescópios pequenos. O melhor momento é quando está no zênite.
Astrofotografia: estratégia de captura
Enquadramento
Com 6′ a 8′ de núcleo, o aglomerado pede uma distância focal média. Com 1.000 mm e uma câmera com sensor de 23,5 mm × 15,7 mm, o campo é de cerca de 1,35° × 0,9° (calculado), o que deixa o aglomerado pequeno no quadro, mas rodeado de Via Láctea. Com 2.000 mm, o campo é de cerca de 0,67° × 0,45°, mais apertado.
Desafios do alvo
- A estrela brilhante. Tau (magnitude 4,4) é muito mais brilhante que o resto e forma halos ou espículas. Use exposições curtas e cuide do foco.
- Fundo denso de estrelas. O aglomerado está sobre a Via Láctea; a imagem mostra um campo rico, com o aglomerado sutil no meio.
- Alvo fácil. Mobberley diz que se fotografa com telescópios modestos.
Equipamento e filtros
Câmera colorida de um disparo, sem filtros de banda estreita, porque não há nebulosa. Um filtro de banda larga que reduza a luz do céu urbano ajuda a manter o fundo escuro. Como o alvo passa no zênite, os melhores quadros são feitos por volta do meridiano.
Exemplo de sessão (ponto de partida)
| Tipo de quadro | Quantidade | Exposição | Finalidade |
|---|---|---|---|
| Light (RGB) | 60 | 30 a 60 s | Cores das estrelas sem estourar Tau |
| Dark | 20 | igual aos Lights | Calibração do ruído térmico |
| Flat | 30 | automática | Correção de vinheta e poeira |
| Bias ou dark-flat | 50 | mais curta possível | Calibração do ruído de leitura |
Esses números são um ponto de partida, e não vêm dos livros.
Smart telescopes e campo de visão
O Seestar S50, com cerca de 1,3° × 0,7°, enquadra o aglomerado sem problemas, com Tau perto do centro. O aglomerado aparece rápido, com poucos minutos de empilhamento. Escolha o seu modelo no mapa abaixo para ver o retângulo do campo sobre o objeto.
Carrega o mapa do CDS (Estrasburgo) e imagens DSS2 direto do servidor deles; nada é carregado antes do clique.
Considerações finais
NGC 2362 é um bom exemplo de como uma única estrela brilhante pode definir um aglomerado. É fácil de achar, alto no céu do Rio e agradável em qualquer instrumento pequeno. O próximo passo é ligá-lo ao aglomerado M 41 e a NGC 2360, no mesmo roteiro pelo Cão Maior.
Referências
- BAKICH, Michael E. 1,001 Celestial Wonders to See Before You Die: The Best Sky Objects for Star Gazers. New York: Springer, 2010. Objeto nº 32 (NGC 2362).
- MOBBERLEY, Martin. The Caldwell Objects and How to Observe Them. New York: Springer, 2009. Caldwell 64, p. 136-137.
- TONKIN, Stephen. Binocular Astronomy. Springer (Practical Astronomy Series), edição e ano a conferir. Aglomerados abertos do sul para binóculos de 100 mm (NGC 2362), página impressa a conferir.
- SIMBAD Astronomical Database. Centre de Données astronomiques de Strasbourg (CDS). Consulta a coordenadas, paralaxe e dimensões de NGC 2362, em 21 set. 2026.
- HYG Database (v4.1), David Nash / Astronexus, licença CC BY-SA 4.0, para a carta de localização; mapa Aladin Lite e imagem DSS2 do Centre de Données astronomiques de Strasbourg.