setembro 21, 2026

NGC 2360 (Caldwell 58), o aglomerado de Cão Maior: guia completo de observação e astrofotografia

Imagem de referência (DSS2) de NGC 2360 — Caroline’s Cluster — objeto ainda não capturado no observatório

Imagem de referência (DSS2). Este objeto ainda não foi capturado no Observatório.

Crédito: Digitized Sky Survey 2 (DSS2) — STScI/NASA. UK Schmidt Telescope (UKST) / AAO–ROE. Créditos

Sirius é a estrela mais brilhante do céu, e esse brilho engana: quem a usa como ponto de partida para o Cão Maior tende a olhar só para ela. Mas, a poucos graus de distância, a Via Láctea de verão está cheia de aglomerados abertos, e um deles, NGC 2360, é um dos mais gratificantes para quem tem um binóculo grande ou um telescópio pequeno. Ele é o Caldwell 58, escolha de Patrick Moore entre tantos aglomerados da região, e fica quase sobre a cabeça de quem observa do Rio de Janeiro. Este guia reúne os dados, o mapa e as estratégias para observar e fotografar.

Texto em revisão. Este guia segue o novo formato de artigo de objeto. As fontes estão listadas no final.

Imagem de referência (DSS2) de NGC 2360 — Caroline’s Cluster — objeto ainda não capturado no observatório
Digitized Sky Survey 2 (DSS2) — STScI/NASA. UK Schmidt Telescope (UKST) / AAO–ROE. Imagem de referência: este objeto ainda não foi fotografado no Observatório. Créditos

Ficha técnica e designações

Visão geral: o que é um aglomerado aberto

Um aglomerado aberto é um conjunto de estrelas nascidas juntas na mesma nuvem de gás. Elas ficam ligadas por pouco tempo: à medida que o aglomerado envelhece, as estrelas mais fracas escapam e o grupo se dispersa. Por isso a idade de um aglomerado aberto diz muito sobre ele. Os jovens ainda têm estrelas azuis brilhantes e, às vezes, restos da nebulosa; os velhos, como NGC 2360, guardam sobretudo estrelas amarelas e laranja.

NGC 2360 em números. A paralaxe do aglomerado no SIMBAD dá cerca de 3.600 anos-luz, valor que este guia adota; o Mobberley traz 3.700 anos-luz, mas o Allison traz 6.151, o que mostra como a distância a esses aglomerados foi refinada. O tamanho aparente no SIMBAD é de 18,5′, e o Mobberley dá 14′ e o Allison 13′, o que é razoável: o aglomerado está sobre uma parte densa da Via Láctea, onde é difícil dizer onde ele termina. O centro, de 6′ a 7′, é bem evidente (Mobberley). A magnitude integrada é de cerca de 7,2. A idade é de cerca de 2 bilhões de anos (Mobberley), o que faz dele um aglomerado antigo.

O céu visto de dentro. Mobberley faz um exercício que ajuda a entender a escala: o aglomerado tem cerca de 90 estrelas em um diâmetro de 15 anos-luz, com uma separação média entre elas de pouco mais de 3 anos-luz. Não é tão apertado quanto um globular, mas, visto de dentro, o céu teria uma dúzia de estrelas do brilho de Vênus e várias dezenas do brilho de Júpiter, algo em torno de magnitude −4 a −2.

Estruturas notáveis

  • O centro do aglomerado. Uma concentração evidente de 6′ a 7′ de diâmetro, o que dá a forma de "barra estelar" de leste a oeste descrita no Bakich.
  • A estrela mais brilhante. No Bakich, o membro mais brilhante é SAO 152691, de magnitude 8,9, na ponta leste do aglomerado. Mobberley diz que, ao telescópio, as estrelas mais brilhantes são de magnitude 10 e as demais de 11 a 12.
  • A estrela de quinta magnitude a oeste. Uma estrela de magnitude 5 (GSC 5965 363, no Mobberley) fica a 20′ a oeste e chama a atenção quando você chega ao campo vindo de Muliphen.
  • O limite leste. O fundo denso da Via Láctea faz o aglomerado parecer se fundir com o campo (Bakich).

Como localizar

Comece por Sirius. NGC 2360 fica 1° a norte e 8° a leste dela (Mobberley). Como Sirius tem duas vizinhas a cerca de 5° de cada lado, Mirzam (Murzim, magnitude 2,0) a oeste e Muliphen (gama do Cão Maior, magnitude 4,1) a leste, o caminho é seguir de Sirius até Muliphen e continuar cerca de 3½° para leste. O Bakich dá 3,3° a leste de Muliphen. O aglomerado fica também a cerca de 9° a nordeste (aproximadamente) de M 41, que pode ser usada como segundo ponto de referência (Mobberley) — veja o guia do aglomerado M 41. Ao olhar para o norte, o leste fica à direita: o aglomerado está à direita de Sirius (a leste dela).

Carta de localização de NGC 2360: as estrelas-guia nomeadas, setas tracejadas com a distância em graus até o alvo, escala em graus e indicação de norte e leste.
Carta de localização (star-hopping), no mesmo estilo das cartas de constelação: norte e leste indicados no canto. Anéis laranja: estrelas-guia; setas tracejadas: o caminho até o alvo, com a distância em graus; anel verde: o alvo (e, com a designação, outros objetos do campo); a barra mostra a escala. As linhas são as oficiais das constelações (d3-celestial), os limites são os da IAU e as estrelas vêm do catálogo HYG.

Quando e como observar

NGC 2360 tem declinação de −15,6°, então culmina a cerca de 82° de altura no Rio, a menos de 8° do zênite. É uma das melhores posições possíveis, porque o brilho é baixo e, no zênite, a luz atravessa pouca atmosfera. A melhor época vai de dezembro a fevereiro (Mobberley), com o aglomerado alto ao anoitecer entre janeiro e março, aproximadamente.

O primeiro gráfico mostra a altura do aglomerado ao longo do ano para o local do observatório; o segundo, o caminho dele pelo céu nesta noite, seguido da altura hora a hora.

Altura de Caroline’s Cluster ao longo do anoAltura à meia-noite astronômica e altura máxima da noite, a cada 5 dias. Melhor época: de novembro a março. O objeto chega a 82° à meia-noite em janeiro.0°30°60°90°JANFEVMARABRMAIJUNJULAGOSETOUTNOVDEZ6 jan · 82°hoje
Altura ao longo do ano, a cada 5 dias: linha contínua = altura no meio da noite astronômica (Sol abaixo de −18°); tracejada = maior altura durante a noite escura; faixa verde = melhor época; linhas pontilhadas em 30° e 45°. A linha vertical marca hoje. Melhor época para este local: de novembro a março (objeto acima de 30° no meio da noite). Ponto mais alto: 82° em 6 de janeiro.

Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).

2026-10-12 · 19:20 – 04:10

Esta noite no céu

Melhores alvos da noite
Melhor horário
04:00 · 64° ENE
Horas acima de 45°
1,5 h
Lua
Lua crescente · 6 %
Nota da noite
68 / 100
Posição no céu
59
Brilho
82 mag 7,2
Enquadramento
80 ocupa 20 % do campo

Notas para SkyWatcher Explorer 200P + ZWO ASI294MC Pro (campo de 66′ × 45′).

Trajetória de NGC 2360 — Caroline’s Cluster pelo céu nesta noiteCéu visto de baixo, zênite no centro e horizonte na borda. O objeto fica acima do horizonte entre 23:20 e 04:50 durante a noite; o ponto mais alto é às 04:00, com 64°. A tabela ao lado traz os mesmos valores.15°30°45°60°75°NNELSESSOONO00:0001:0002:0003:0004:00
Caminho do objeto pelo céu nesta noite, do fim do crepúsculo civil ao amanhecer. Centro = zênite, borda = horizonte; visto olhando para cima (leste à esquerda, oeste à direita). Marcadores a cada 30 minutos.
  • Crepúsculo civil (Sol até −12°)
  • Crepúsculo náutico (−12° a −18°)
  • Noite astronômica (Sol abaixo de −18°)
  • Altura abaixo de 20°
  • Altura abaixo de 30°
  • Altura abaixo de 45°
  • Hora cheia e meia hora
  • Ponto mais alto
Valores hora a hora (tabela)
Altura e direção do objeto a cada 30 minutos
Hora Altura Direção Da Lua
19:30 -44° — 104°
20:00 -39° — 104°
20:30 -34° — 105°
21:00 -29° — 105°
21:30 -23° — 105°
22:00 -17° — 105°
22:30 -10° — 105°
23:00 -4° — 106°
23:30 3° ESE 106° 106°
00:00 9° ESE 103° 106°
00:30 16° E 101° 106°
01:00 23° E 98° 106°
01:30 30° E 96° 107°
02:00 37° E 93° 107°
02:30 44° E 90° 107°
03:00 51° E 87° 107°
03:30 58° E 83° 107°
04:00 64° ENE 78° 107°
Altura de NGC 2360 — Caroline’s Cluster ao longo da noiteAltura em graus a cada 30 minutos. O ponto mais alto é às 04:00, com 64°. A tabela abaixo traz os mesmos valores.0°30°60°90°202122230001020304abaixo do horizonte04:00 · 64°
Altura em graus ao longo da noite escura (linhas em 30° e 45°). A Lua aparece tracejada.

Cálculo de baixa precisão (cerca de 0,3°), no fuso horário do local. Serve para planejar, não para apontar telescópios.

Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).

O que ver

Instrumento O que esperar
A olho nu Não visível; a magnitude 7 fica abaixo do que se enxerga em Bortle 7. A estrela de magnitude 5 a oeste é o único ponto para achar o campo.
Binóculo (7×50 a 10×50) Difícil; o Mobberley recomenda binóculos grandes. Aparece como uma mancha pequena de brilho baixo, com uma ou outra estrela.
Telescópio de 100 mm Com 100 aumentos, aparece a "barra" leste-oeste com o grupo de estrelas em torno da SAO 152691 (Bakich).
Telescópio de 200 mm Mais de 50 estrelas (Bakich). Em 250 a 400 mm, a maioria das estrelas pode ser mantida sem visão desviada (Mobberley).

Expectativa honesta: Mobberley diz que o aglomerado "não vai explodir a sua cabeça", mas vale uma olhada se você estiver na região. Em Bortle 7, é uma noite de telescópio, não de binóculo.

Astrofotografia: estratégia de captura

Enquadramento

O aglomerado tem 13′ a 18′ de diâmetro. Com um telescópio de 800 mm de focal e uma câmera com sensor de 23,5 mm × 15,7 mm, o campo é de cerca de 1,7° × 1,1° (calculado), muito acima do necessário; com 1.200 mm, cerca de 1,1° × 0,75°. O aglomerado cabe folgado, e o campo ainda mostra a Via Láctea de fundo.

Desafios do alvo

  • Campo denso de estrelas. A Via Láctea de fundo faz do alvo um campo de estrelas, e o recorte do aglomerado depende do enquadramento.
  • Pouca cor. O aglomerado é antigo e sem nebulosidade; a cor das estrelas (amarelas e laranja) precisa ser preservada com boa calibração e sem saturar.
  • Alvo fácil. Mobberley considera fácil com qualquer sistema.

Equipamento e filtros

Uma câmera colorida com filtro de banda larga para reduzir a poluição luminosa já resolve; filtros de banda estreita não fazem sentido, porque não há nebulosa. Como o alvo passa quase no zênite, fotografar em torno do meridiano dá a melhor qualidade de imagem.

Exemplo de sessão (ponto de partida)

Tipo de quadro Quantidade Exposição Finalidade
Light (RGB) 60 60 a 90 s Cores e campo de estrelas
Dark 20 igual aos Lights Calibração do ruído térmico
Flat 30 automática Correção de vinheta e poeira
Bias ou dark-flat 50 mais curta possível Calibração do ruído de leitura

Esses números são um ponto de partida, e não vêm dos livros.

Smart telescopes e campo de visão

Um smart telescope como o Seestar S50 (cerca de 1,3° × 0,7°) cobre o aglomerado com folga, e é um bom alvo para uma primeira sessão: brilhante o suficiente para aparecer com poucos minutos de empilhamento. Escolha o seu modelo no mapa abaixo para ver o retângulo do campo sobre o objeto.

0°

Carrega o mapa do CDS (Estrasburgo) e imagens DSS2 direto do servidor deles; nada é carregado antes do clique.

Considerações finais

NGC 2360 não é o mais espetacular dos aglomerados de Cão Maior, mas é um alvo agradável, quase no zênite do Rio, e serve como ponto de partida para um roteiro pela região: M 41, NGC 2362 e, mais ao norte, NGC 2506. O contraste entre eles, jovens e antigos, é a melhor lição que a região oferece.

Referências

  • ALLISON, Mark. Star Clusters and How to Observe Them. London: Springer, 2006. Aglomerados de Monoceros, Cão Maior e Popa (NGC 2360), p. 141.
  • BAKICH, Michael E. 1,001 Celestial Wonders to See Before You Die: The Best Sky Objects for Star Gazers. New York: Springer, 2010. Objeto nº 31 (NGC 2360).
  • MOBBERLEY, Martin. The Caldwell Objects and How to Observe Them. New York: Springer, 2009. Caldwell 58, p. 126-127.
  • SIMBAD Astronomical Database. Centre de Données astronomiques de Strasbourg (CDS). Consulta a coordenadas, paralaxe e dimensões de NGC 2360, em 21 set. 2026.
  • HYG Database (v4.1), David Nash / Astronexus, licença CC BY-SA 4.0, para a carta de localização; mapa Aladin Lite e imagem DSS2 do Centre de Données astronomiques de Strasbourg.