setembro 21, 2026
M 30 (NGC 7099), o globular de Capricórnio: guia completo de observação e astrofotografia

Imagem de referência (DSS2). Este objeto ainda não foi capturado no Observatório.
Crédito: Digitized Sky Survey 2 (DSS2) — STScI/NASA. UK Schmidt Telescope (UKST) / AAO–ROE. Créditos
M 30 é um alvo que os observadores do norte quase nunca veem bem. Monks lembra que, no sul da Inglaterra, ele mal passa de 15° de altura (p. 149). Nós o temos no melhor lugar possível: ele culmina a cerca de 90° de altura no Rio de Janeiro, praticamente no zênite, no fim do inverno e início da primavera. É um globular brilhante, com uma forma um pouco torta e um núcleo que os astrônomos consideram em "colapso". E tem uma fama peculiar: é o objeto que fecha a Maratona Messier, encontrado na luz da aurora.
Texto em revisão. Artigo do novo formato de guia de objeto, com dados, mapas e gráficos de altura reunidos aqui. Os livros trazem pouco sobre este globular; o texto marca o que vem de conhecimento geral.

Ficha técnica e designações
Visão geral: um globular de núcleo em colapso a cerca de 24.000 anos-luz
Um aglomerado globular é uma esfera de centenas de milhares de estrelas muito antigas, presas por gravidade. M 30 é o mais brilhante de Capricórnio: o Data Book o chama de o que "redime" uma constelação, em outros pontos pobre (p. 397), e Mollise diz que é a única fama da região além de fazer parte do Zodíaco (p. 199).
Distância e tamanho. O SIMBAD dá 11,0′ de diâmetro e uma paralaxe de 0,136 mas, o que coloca M 30 a cerca de 24.000 anos-luz e dá um diâmetro real de cerca de 77 anos-luz (calculado). Livros mais antigos trazem distâncias de 26.000 a 41.000 anos-luz (Monks, p. 149; Mollise, p. 200; Moore, The Observer's Year), e Mollise avisa que esse valor provavelmente não é preciso.
Brilho. O SIMBAD dá magnitude visual 7,1. Bakich traz 7,3 (nº 679); Mollise, 7,5 (p. 199). Moore fala de brilho integrado de 8,5 e diz que está no limite do binóculo: quem o vê assim "está indo muito bem" (p. 251). Mollise diz que as estrelas mais brilhantes do aglomerado, gigantes vermelhas, têm magnitude 12,0, e por isso um telescópio pequeno já as separa mesmo sob luzes de rua (p. 200).
Concentração. Monks o classifica como Classe V de Shapley-Sawyer, difícil de resolver (p. 149). Mollise conta que uma luneta de 6 polegadas o resolve "de certo modo" mesmo na cidade (p. 199).
O núcleo em colapso. Mollise diz que M 30 é um dos aglomerados que teriam passado por "colapso de núcleo": ao menos metade da massa estaria concentrada numa região de cerca de 20 anos-luz, embora, visualmente, o centro seja normal comparado ao de M 15 (p. 200). Allison acrescenta que já foram achados pulsares de milissegundo em binária em M 30, um deles de 11 milissegundos, em órbita de 4 horas, com eclipses (p. 30).
História. Mollise e Moore contam que Messier o descobriu em 1764. Moore registra a descrição de Messier: "redondo; não contém nenhuma estrela" (p. 251). Isso revela o poder do instrumento da época e o caráter compacto do núcleo.
O último da Maratona. Monks lembra que M 30 costuma ser o último objeto de uma Maratona Messier, e que a busca acontece contra um céu já clareando (p. 149). Borgia diz que, na madrugada, o objeto mal ganha altura antes do amanhecer (p. 269).
Estruturas notáveis
- As três faixas. O que dá a M 30 um aspecto "torto" é uma sequência de três cadeias de estrelas no lado norte, que criam um contorno meio semicircular, com ar desequilibrado (Mollise, p. 200).
- O núcleo compacto. Pequeno e brilhante (Moore, p. 251), com formato levemente elíptico (Cooke, Make Time for the Stars, p. 252).
- Estrelas de campo. Bakich cita uma estrela de magnitude 8,6 a menos de 6′ a oés-sudoeste; 41 Cap, de magnitude 5,2, fica a 23′ a leste do aglomerado.
Como localizar
Use ζ Cap, de magnitude 3,7, na ponta leste do "triângulo" do Bode. Bakich diz que M 30 fica cerca de 3,2° a lés-sudeste dela; Mollise, a 3°20′ para leste e ligeiramente ao norte (p. 199). Uma referência ainda melhor é 41 Cap, de magnitude 5,2, 23′ a leste de M 30 (Bakich; Moore diz que ambas cabem no mesmo campo de binóculo). Veja o guia da constelação de Capricórnio e o de Aquário, a vizinha ao norte.

Quando e como observar
M 30 está em AR 21h40m e Dec −23,2°. Pela AR, cruza o meridiano à meia-noite em meados de agosto, e a melhor época vai de julho a outubro; em meados de outubro, passa pelo alto por volta das 20h, uma boa hora para quem observa cedo. No Rio de Janeiro (latitude −23°), a declinação do objeto quase coincide com a latitude: ele passa praticamente sobre a cabeça, a cerca de 90° de altura. Esta é uma das situações mais favoráveis possíveis. Na Maratona Messier, ao contrário, a busca acontece quando o objeto nasce, um pouco antes do fim da noite, o que exige um horizonte leste desimpedido.
O gráfico anual mostra a época; o da noite, a hora.
Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).
2026-10-12 · 19:20 – 04:10
Esta noite no céu
- Melhor horário
- 20:10 · 90° WSW
- Horas acima de 45°
- 4,2 h
- Lua
- Lua crescente · 6 %
- Nota da noite
- 88 / 100
- Posição no céu
- 92
- Brilho
- 83 mag 7,1
- Enquadramento
- 80 ocupa 20 % do campo
Notas para SkyWatcher Explorer 200P + ZWO ASI294MC Pro (campo de 66′ × 45′).
- Crepúsculo civil (Sol até −12°)
- Crepúsculo náutico (−12° a −18°)
- Noite astronômica (Sol abaixo de −18°)
- Altura abaixo de 20°
- Altura abaixo de 30°
- Altura abaixo de 45°
- Hora cheia e meia hora
- Ponto mais alto
Valores hora a hora (tabela)
| Hora | Altura | Direção | Da Lua |
|---|---|---|---|
| 19:30 | 81° | E 93° | 93° |
| 20:00 | 88° | E 95° | 93° |
| 20:30 | 85° | W 267° | 92° |
| 21:00 | 78° | W 267° | 92° |
| 21:30 | 71° | W 266° | 92° |
| 22:00 | 64° | W 264° | 92° |
| 22:30 | 57° | W 263° | 91° |
| 23:00 | 51° | W 261° | 91° |
| 23:30 | 44° | W 259° | 91° |
| 00:00 | 37° | WSW 258° | 91° |
| 00:30 | 30° | WSW 256° | 90° |
| 01:00 | 24° | WSW 254° | 90° |
| 01:30 | 17° | WSW 252° | 90° |
| 02:00 | 10° | WSW 249° | 90° |
| 02:30 | 4° | WSW 247° | 89° |
| 03:00 | -2° | — | 89° |
| 03:30 | -8° | — | 89° |
| 04:00 | -14° | — | 89° |
Cálculo de baixa precisão (cerca de 0,3°), no fuso horário do local. Serve para planejar, não para apontar telescópios.
Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).
O que ver
| Instrumento | O que esperar |
|---|---|
| A olho nu | Não é visível. Bakich não o viu a olho nu, no céu baixo em que tentou. |
| Binóculo | No limite: se aparecer, é uma mancha pequena e fraca (Moore). Use 41 Cap como guia. |
| Telescópio de 100 mm | Núcleo brilhante e estrelas em volta (Bakich); fácil e agradável (Moore). |
| Telescópio de 150 mm | Estrelas soltas resolvidas, mesmo sob luz de cidade (Mollise). As três cadeias do lado norte aparecem. |
| Telescópio de 300 mm | Com 300× ou mais, o núcleo mostra detalhes (Bakich). |
| Filtros | Não há filtro útil. |
Sob Bortle 7 o brilho do fundo cai sobre um aglomerado de contraste moderado, mas M 30, alto no céu, resiste bem: Mollise o acha "um grande prazer" mesmo na cidade (p. 199).
Astrofotografia: estratégia de captura
Enquadramento
Com 11′, M 30 é pequeno. Num telescópio de 1.000 mm e uma câmera como a ASI294MC Pro (campo de cerca de 1,1° × 0,75°, calculado a partir do sensor e da focal), ele ocupa um quarto do lado curto do quadro. Uma focal maior (1.500 a 2.000 mm) aproveita melhor o sensor. O campo em volta é pobre, ao contrário do bule de Sagitário: M 30 aparece isolado, com poucas estrelas brilhantes, e 41 Cap entra no quadro.
Desafios do alvo
- Núcleo saturado. O centro é denso; use exposições curtas e HDR.
- Estrela brilhante próxima. 41 Cap, de magnitude 5,2, deixa halos e reflexos; cuidado com o reflexo de câmera e filtro.
- Foco. Objeto pequeno e de estrelas puntuais: o foco define a imagem.
Equipamento e filtros
Câmera colorida de tiro único basta. Nenhum filtro de banda estreita ajuda em globular; um filtro anti-poluição de banda larga pode reduzir um pouco o brilho urbano. Aproveite que o objeto passa no zênite e faça a sessão em torno da passagem pelo meridiano.
Exemplo de sessão (ponto de partida)
| Tipo de quadro | Quantidade | Exposição | Finalidade |
|---|---|---|---|
| Light curto (núcleo) | 40 | 10 a 20 s | Preservar o núcleo |
| Light longo (halo) | 60 | 60 a 90 s | Estrelas do halo e do campo |
| Dark | 30 | igual aos Lights | Calibração do ruído térmico |
| Flat | 30 | automática | Correção de vinheta e poeira |
| Bias ou dark-flat | 50 | mais curta possível | Calibração do ruído de leitura |
Esses números são um ponto de partida, e não vêm dos livros: ajuste-os ao seu sensor, ao seu telescópio e ao céu da noite.
Smart telescopes e campo de visão
Num smart telescope como o Seestar S50 (campo de cerca de 1,3° × 0,7°), M 30 aparece pequeno, no centro, com 41 Cap perto. Para um retrato, empilhe muitos quadros curtos. Abra o mapa abaixo e escolha o seu modelo para ver o retângulo do campo sobre o objeto.
Carrega o mapa do CDS (Estrasburgo) e imagens DSS2 direto do servidor deles; nada é carregado antes do clique.
Considerações finais
M 30 é um globular discreto, mas cheio de personalidade: cadeias de estrelas de um lado, um núcleo em colapso, e o posto de último objeto da Maratona Messier. Do Rio, tem a melhor posição possível, no zênite. É uma boa companhia para uma noite de agosto ou setembro, depois de percorrer os globulares de Sagitário, como M 22.
Referências
- ALLISON, Mark. Star Clusters and How to Observe Them. London: Springer, 2006. Pulsares de milissegundo em M 30, p. 30.
- BAKICH, Michael E. 1,001 Celestial Wonders to See Before You Die: The Best Sky Objects for Star Gazers. New York: Springer, 2010. Objeto nº 679 (M 30).
- BORGIA, Michael P. Human Vision and the Night Sky: How to Improve Your Observing Skills. New York: Springer, 2006. Maratona Messier, M 30 ao amanhecer, p. 269.
- COOKE, Antony. Make Time for the Stars: Fitting Astronomy into Your Busy Life. Springer, 2009. Tabela de objetos, NGC 7099 (M 30), p. 252.
- COOKE, Antony. Visual Astronomy in the Suburbs: A Guide to Spectacular Viewing. Springer (ano e edição a conferir). Lista de globulares, NGC 7099 (M 30); valores de brilho e tamanho não usados.
- MOLLISE, Rod. The Urban Astronomer's Guide: A Walking Tour of the Cosmos for City Sky Watchers. London: Springer, 2006. M 30, p. 199-200.
- MONKS, Neale. Go-To Telescopes Under Suburban Skies. New York: Springer, 2010. NGC 7099 (M 30), p. 149.
- MOORE, Patrick. The Observer's Year: 366 Nights of the Universe. 2. ed. London: Springer, 2005. 15 de setembro, "Messier 30", p. 251.
- MOORE, Patrick; REES, Robin. Patrick Moore's Data Book of Astronomy. Cambridge: Cambridge University Press, 2011. Capricórnio, p. 397.
- SIMBAD Astronomical Database. Centre de Données astronomiques de Strasbourg (CDS). Consulta a M 30, em 21 set. 2026.
- HYG Database (v4.1), David Nash / Astronexus, licença CC BY-SA 4.0, para a carta de localização; mapa Aladin Lite e imagem DSS2 do Centre de Données astronomiques de Strasbourg.