setembro 22, 2026
Programa Apollo: todas as missões, os locais de pouso e os foguetes Saturn
Entre 1968 e 1972, doze pessoas caminharam sobre outro mundo. O programa Apollo, da NASA, foi a resposta dos Estados Unidos ao desafio lançado pelo presidente John F. Kennedy em 1961 — pousar um homem na Lua e trazê-lo de volta em segurança antes do fim da década — e continua sendo, até hoje, a única vez em que seres humanos pisaram em um corpo celeste além da Terra. Este guia reúne as dez missões tripuladas da Apollo, os seis pousos, os foguetes Saturn que as levaram ao espaço e o que aconteceu depois, com o programa Artemis mirando um retorno à Lua.
Texto em revisão. Este é um artigo de teste, escrito a partir de fontes de referência; as fontes estão listadas no final.
Por que a Apollo importa
Em plena Guerra Fria, com a União Soviética à frente na corrida espacial — o primeiro satélite (Sputnik 1, 1957) e o primeiro homem no espaço (Yuri Gagarin, 1961) foram soviéticos —, o discurso de Kennedy em 25 de maio de 1961 deu ao programa espacial americano um objetivo claro e um prazo. O esforço mobilizou algo como 400 mil pessoas no auge, entre funcionários da NASA e de empresas contratadas, e custou cerca de US$ 25 bilhões em dólares da época — algo em torno de US$ 250 bilhões em valores corrigidos para hoje (RIDPATH; MOORE, verbete Apollo). Foi, até então, o maior empreendimento de engenharia já realizado em tempos de paz.
Linha do tempo das missões tripuladas
Apollo 1 (27 de janeiro de 1967). Um incêndio no módulo de comando, durante um teste em solo na plataforma de lançamento, matou os três tripulantes — Virgil "Gus" Grissom, Ed White e Roger Chaffee — antes mesmo do primeiro voo. A tragédia levou a uma revisão completa do projeto da cápsula e atrasou o programa em quase dois anos (RIDPATH; MOORE, verbete Apollo).
Apollo 7 (11 a 22 de outubro de 1968). Primeiro voo tripulado da Apollo, em órbita da Terra, testando o módulo de comando revisado sobre um foguete Saturn IB. A tripulação — Walter Schirra, Donn Eisele e Walter Cunningham — fez a primeira transmissão de TV ao vivo dos EUA a partir do espaço.
Apollo 8 (21 a 27 de dezembro de 1968). Frank Borman, James Lovell e William Anders se tornaram os primeiros seres humanos a deixar a órbita da Terra e a orbitar outro corpo celeste: dez voltas ao redor da Lua, transmitidas por televisão. Foi nessa missão que Anders fotografou a célebre imagem "Earthrise", a Terra nascendo sobre o horizonte lunar (MOURÃO, verbete Apollo 8).
Apollo 9 (3 a 13 de março de 1969). Teste do módulo lunar em órbita da Terra, sem se afastar do planeta, com James McDivitt, David Scott e Russell Schweickart.
Apollo 10 (18 a 26 de maio de 1969). Ensaio geral completo em órbita lunar, com Thomas Stafford, John Young e Eugene Cernan descendo o módulo lunar a poucos quilômetros da superfície, sem pousar — 31 revoluções ao redor da Lua (MOURÃO, verbete Apollo 10).
Apollo 11 (16 a 24 de julho de 1969). A missão histórica. Neil Armstrong e Buzz Aldrin pousaram o módulo lunar Eagle no Mare Tranquillitatis (Mar da Tranquilidade) em 20 de julho de 1969, às 20h17min43s TU, enquanto Michael Collins permanecia em órbita no módulo de comando Columbia. Armstrong pisou no solo lunar poucas horas depois, tornando-se a primeira pessoa a caminhar em outro mundo. A dupla passou cerca de duas horas e meia na superfície, caminhou por volta de 250 metros e recolheu cerca de 21,7 kg de amostras (MOURÃO, verbete Apollo 11; RIDPATH).
Apollo 12 (14 a 24 de novembro de 1969). Charles "Pete" Conrad e Alan Bean pousaram no Oceanus Procellarum (Oceano das Tempestades), a pouca distância da sonda não tripulada Surveyor 3, pousada ali em 1967. Trouxeram partes da sonda de volta para análise, junto com cerca de 34 kg de amostras, enquanto Richard Gordon orbitava a Lua (MOURÃO, verbete Apollo 12; RIDPATH).
Apollo 13 (11 a 17 de abril de 1970). A explosão de um tanque de oxigênio no módulo de serviço, a caminho da Lua, obrigou a tripulação — James Lovell, Jack Swigert e Fred Haise — a abortar o pouso e usar o módulo lunar Aquarius como "bote salva-vidas" para voltar em segurança à Terra. É considerada um dos maiores exemplos de improviso e trabalho em equipe da história da exploração espacial (MOURÃO, verbete Apollo 13; RIDPATH).
Apollo 14 (31 de janeiro a 9 de fevereiro de 1971). Alan Shepard, o primeiro astronauta americano a ir ao espaço em 1961, comandou o pouso na região de Fra Mauro — o alvo original da Apollo 13 — com Edgar Mitchell, no módulo lunar Antares. Trouxeram cerca de 43 kg de amostras, enquanto Stuart Roosa orbitava a Lua (MOURÃO, verbete Apollo 14; RIDPATH).
Apollo 15 (26 de julho a 7 de agosto de 1971). David Scott e James Irwin pousaram perto da cratera Hadley e da cordilheira dos Apeninos lunares, com o módulo Falcon, e usaram pela primeira vez o veículo lunar elétrico (Lunar Roving Vehicle), o que permitiu explorar uma área muito maior — cerca de 28 km percorridos — e trazer aproximadamente 77 kg de amostras. Alfred Worden ficou em órbita no módulo de comando (MOURÃO, verbete Apollo 15; RIDPATH). O sítio de pouso da Apollo 15 é revisitado com detalhes no guia de observação telescópica deste site.
Apollo 16 (16 a 27 de abril de 1972). John Young e Charles Duke pousaram na região da cratera Descartes, nas terras altas lunares — a única das seis missões a explorar esse tipo de terreno, em vez dos mares de lava basáltica. Coletaram cerca de 96 kg de amostras, com Thomas Mattingly em órbita (RIDPATH; MOORE, verbete Apollo).
Apollo 17 (7 a 19 de dezembro de 1972). A última missão tripulada à Lua. Eugene Cernan e Harrison "Jack" Schmitt — o único geólogo profissional a pisar na Lua — pousaram no vale Taurus-Littrow, percorreram cerca de 36 km com o rover e trouxeram cerca de 110 kg de amostras, a maior coleta de todas as missões. Cernan foi o último ser humano a deixar pegadas na Lua, em 14 de dezembro de 1972, ao reentrar no módulo lunar Challenger, com Ronald Evans em órbita (MOURÃO, verbete Apollo 17; RIDPATH).
Números e recordes
| Missão | Pouso | Local | Tripulação na superfície | Amostras |
|---|---|---|---|---|
| Apollo 11 | 20 jul. 1969 | Mare Tranquillitatis | Armstrong, Aldrin | ~21,7 kg |
| Apollo 12 | 19 nov. 1969 | Oceanus Procellarum | Conrad, Bean | ~34 kg |
| Apollo 14 | 5 fev. 1971 | Fra Mauro | Shepard, Mitchell | ~43 kg |
| Apollo 15 | 30 jul. 1971 | Hadley-Apeninos | Scott, Irwin | ~77 kg |
| Apollo 16 | 20 abr. 1972 | Descartes | Young, Duke | ~96 kg |
| Apollo 17 | 11 dez. 1972 | Taurus-Littrow | Cernan, Schmitt | ~110 kg |
Ao todo, as seis missões trouxeram cerca de 382 kg de rochas e solo lunar, um acervo que os cientistas ainda estudam hoje, com técnicas que não existiam nos anos 1970 — em 2019, a NASA chegou a abrir amostras da Apollo 17 que haviam sido lacradas desde a coleta, justamente para preservá-las para análises futuras. Cada módulo lunar recebeu um nome próprio, escolhido pela tripulação: Eagle (Apollo 11), Intrepid (Apollo 12), Aquarius (Apollo 13), Antares (Apollo 14), Falcon (Apollo 15), Orion (Apollo 16) e Challenger (Apollo 17). Algumas crateras da face oculta da Lua homenageiam astronautas da Apollo, como a cratera Anders (MOURÃO, verbete Anders).
Os foguetes Saturn: I, IB e V
Nenhuma dessas missões teria sido possível sem a família de foguetes Saturn, desenvolvida pela equipe de Wernher von Braun em Huntsville, Alabama, a partir de projetos anteriores como o Juno V.
Saturn I. O primeiro da família, com o nome "Saturn" adotado em 1959; fez seu primeiro voo de teste em 27 de outubro de 1961. Tinha cerca de 55 metros de altura e nunca lançou astronautas — serviu para testar o conceito de agrupar vários motores em um só estágio e para colocar em órbita os primeiros satélites da série Pegasus, que estudavam o risco de micrometeoritos (MOURÃO, verbete Saturno I).
Saturn IB. Uma versão fortalecida do Saturn I, com cerca de 68 metros de altura, que lançou a Apollo 7 em outubro de 1968 — o primeiro voo tripulado da Apollo. Depois do fim do programa lunar, o Saturn IB voltou a ser usado para levar tripulações à estação Skylab (1973-1974) e para a missão Apollo-Soyuz de 1975, o primeiro encontro em órbita entre astronautas americanos e cosmonautas soviéticos (MOURÃO, verbete Saturno IB).
Saturn V. O gigante que levou a humanidade à Lua: cerca de 111 metros de altura, 10 metros de diâmetro na base e algo entre 2,8 e 3 milhões de quilos na decolagem, totalmente abastecido. Tinha três estágios — o primeiro com cinco motores F-1, o segundo com cinco motores J-2 e o terceiro com um único J-2 — capazes de colocar cerca de 140 toneladas em órbita baixa da Terra ou de enviar cerca de 45 a 50 toneladas rumo à Lua. Fez seu primeiro voo de teste sem tripulação em 9 de novembro de 1967 (a missão Apollo 4) e levou ao espaço todas as missões tripuladas da Apollo 8 em diante (MOURÃO, verbete Saturno V). Até hoje, o Saturn V é o único foguete que já levou seres humanos além da órbita baixa da Terra, embora o SLS da NASA, usado no programa Artemis, tenha sido projetado com empuxo comparável.
O que veio depois
Os livros que embasam este artigo foram escritos décadas atrás, quando a Apollo era vista como um capítulo fechado da história espacial. Hoje sabemos que não é bem assim. Em novembro de 2022, a NASA lançou a Artemis I, um voo não tripulado que enviou a cápsula Orion em torno da Lua e de volta à Terra, testando o foguete SLS (Space Launch System) e servindo de primeiro passo do programa Artemis — batizado com o nome da irmã gêmea de Apollo na mitologia grega —, que pretende devolver astronautas à superfície lunar, incluindo a primeira mulher e a primeira pessoa negra a pisar na Lua. Nos anos seguintes ao lançamento de Artemis I, o cronograma de Artemis II (sobrevoo tripulado da Lua) e Artemis III (o próximo pouso tripulado, previsto para a região polar sul lunar) sofreu diversos adiamentos; até a data deste texto, o primeiro pouso tripulado do século ainda não havia ocorrido. A China também anunciou um programa lunar tripulado próprio, com meta declarada de pousar astronautas na Lua até o fim desta década, usando o futuro foguete Long March 10. Esse é um dado que muda rapidamente — vale conferir o status mais atual antes de publicar.
Considerações finais
A Apollo continua sendo o padrão-ouro da exploração espacial tripulada: seis pousos bem-sucedidos, um resgate dramático na Apollo 13 e uma tragédia que não foi esquecida na Apollo 1. Para quem quer ver, com telescópio, onde essas missões pousaram, o guia de observação do sítio da Apollo 15 explica como localizar a região de Hadley a partir do Brasil. E para conhecer o lado soviético da corrida à Lua, que chegou antes com sondas não tripuladas, veja os artigos sobre o programa Luna e o Lunokhod e sobre as sondas que vieram antes da Apollo, como a Ranger, a Surveyor e a Lunar Orbiter, que escolheram e testaram os locais de pouso.
Referências
- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário enciclopédico de astronomia e astronáutica. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1987. Verbetes "Anders", "Apollo 8", "Apollo 10", "Apollo 11", "Apollo 12", "Apollo 13", "Apollo 14", "Apollo 15", "Apollo 17", "Saturno I", "Saturno IB" e "Saturno V".
- MOORE, Patrick (ed.). Philip's Astronomy Encyclopedia. London: Philip's, 2002. Verbete "Apollo".
- RIDPATH, Ian. Astronomia (Guia Ilustrado Zahar). 4. ed. Rio de Janeiro: Zahar. Tradução de Maria Luiza X. de A. Borges; revisão técnica de Alexandre Cherman. [Seção sobre o programa Apollo; página impressa a confirmar.]