setembro 21, 2026
NGC 752 (Caldwell 28), o aglomerado antigo de Andrômeda: guia completo de observação e astrofotografia

Imagem de referência (DSS2). Este objeto ainda não foi capturado no Observatório.
Crédito: Digitized Sky Survey 2 (DSS2) — STScI/NASA. Palomar Observatory / Caltech (POSS-II). Créditos
NGC 752 é um dos aglomerados abertos mais grandes do céu de outono do hemisfério norte, e um dos mais antigos que se pode ver em binóculos. Ele fica em Andrômeda, longe da faixa da Via Láctea, o que já é estranho para um aglomerado aberto, e mede quase 1° de ponta a ponta. É frouxo, discreto e feito para campos largos. Diferente dos objetos de Cassiopeia, ele fica em declinação +38° e chega a cerca de 29° de altura do Rio de Janeiro, o que o coloca no limite do possível para nós. Este guia é escrito para quem observa do hemisfério norte, com uma seção sobre o que o Rio permite.

Ficha técnica e designações
O objeto é o NGC 752 e o Caldwell 28 (Mobberley, p. 68; Bakich, objeto nº 813).
Visão geral: um aglomerado velho e espalhado
NGC 752 é um aglomerado aberto, mas de um tipo especial: é muito velho. Mobberley estima cerca de 2 bilhões de anos, uma idade rara entre os aglomerados abertos, a maioria dos quais se dispersa em algumas centenas de milhões de anos (isto último é conhecimento geral, não vem dos livros). Por isso ele é frouxo, sem núcleo definido, e lembra mais um campo estelar rico que um aglomerado clássico (Mobberley, p. 68).
Distância e tamanho. O SIMBAD dá uma paralaxe de 2,23 milissegundos de arco, o que corresponde a cerca de 1.460 anos-luz; Mobberley fala em 1.200. O tamanho aparente no SIMBAD é de 58′, um pouco menos de 1°, o que dá uns 25 anos-luz de extensão real (Mobberley traz 20). O SIMBAD não lista magnitude para o conjunto; os livros dão 5,7 (Mobberley e Bakich), o que o torna apenas visível a olho nu em céu muito escuro, com brilho semelhante ao da Galáxia do Triângulo, M 33, que fica a uns 7° ao sul-sudoeste e tem tamanho aparente parecido (Mobberley, p. 68).
Uma vizinhança de galáxias. Bakich lembra que o aglomerado de galáxias Abell 262, com dezenas de objetos de magnitude 13 ou mais fracos, encosta na extremidade sul do aglomerado (objeto nº 813). São alvos só para telescópios grandes e céus escuros.
Estruturas notáveis
- Um triângulo minúsculo. Dentro do aglomerado, a estrela mais brilhante, de magnitude 7 (GSC 2816111), forma com duas estrelas de magnitude 9 mais ao sul um triângulo pequeno e óbvio (Mobberley, p. 68).
- Um par de estrelas de magnitude 6. Duas estrelas de magnitude 6 flanqueiam o campo, meio grau a su-sudoeste do centro, logo fora do limite visual do aglomerado (Mobberley).
- A linha torta de quatro estrelas. Bakich descreve uma linha inclinada de quatro estrelas de magnitude 7 a 8 no sentido leste-oeste e um par de magnitude 6 ao sul.
- 56 Andromedae. Uma bela dupla de estrelas amarelo-profundas, de magnitude 6, separadas por cerca de 3′, fica logo a sudeste do aglomerado (Tonkin, p. 158).
- A maioria das estrelas. Dezenas de estrelas de magnitude 10 e 11 compõem o corpo do aglomerado (Mobberley).
Como localizar
A partir de Almaak (Gama Andromedae), ande 4,5° para o sul e 1° para oeste (Mobberley, p. 68). Bakich diz que o aglomerado está 3,7° a noroeste de Beta Trianguli, e Tonkin descreve uma rota a partir dela: 3° ao norte até 58 Andromedae e 2° a oeste, com a dupla 56 Andromedae logo a sudeste do aglomerado. Na direção oposta, a Galáxia do Triângulo, M 33, fica a uns 7° ao sul-sudoeste, e a Galáxia de Andrômeda, M 31, está no mesmo trecho do céu, o que permite uma noite de passeio por esses três objetos.

Quando e como observar
O aglomerado está mais bem posicionado à noite de setembro a janeiro no hemisfério norte (Mobberley, p. 68); a melhor época é o outono do norte, quando ele culmina à meia-noite em meados de outubro. As alturas máximas, calculadas por 90° menos a diferença entre a latitude e a declinação (Dec +37,8°), são:
- 50° N: cerca de 78°.
- 40° N: cerca de 88°, quase no zênite. Não é circumpolar: Mobberley diz que só acima de 53° N ele nunca se põe.
- Rio de Janeiro (−23°): cerca de 29°, ao norte.
E do Rio de Janeiro?
É possível, mas no limite. Do Rio, o aglomerado culmina a uns 29° de altura, no céu do norte, entre novembro e janeiro (verão austral), e passa o meridiano por volta das 22h em começos de dezembro (estimativa a partir da ascensão reta, não de fonte externa). Bakich o marca como visível "em parte" do Brasil. Como o brilho é espalhado por quase 1° e o céu de Bortle 7 vale mais que a altura, a olho nu a chance é mínima; binóculos 10×50 ou maiores sob céu escuro, com o aglomerado no ponto mais alto, oferecem uma tentativa razoável, e num céu de cidade ele será só um leve adensamento de estrelas. Uma dica útil: ao olhar para o norte a partir do sul, o céu aparece de ponta-cabeça em relação aos mapas do hemisfério norte, com o norte celeste para baixo, e os gráficos abaixo mostram o local do observatório do site, no Rio.
Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).
2026-10-12 · 19:20 – 04:10
Esta noite no céu
Este objeto não passa de 30° de altura nesta noite (máximo: 29°). Não é um bom alvo hoje.
- Melhor horário
- 00:30 · 29° N
- Horas acima de 45°
- 0,0 h
- Lua
- Lua crescente · 6 %
- Nota da noite
- 0 / 100
- Posição no céu
- 0
- Brilho
- 100 mag 5,7
- Enquadramento
- 100 ocupa 87 % do campo
Notas para SkyWatcher Explorer 200P + ZWO ASI294MC Pro (campo de 66′ × 45′).
- Crepúsculo civil (Sol até −12°)
- Crepúsculo náutico (−12° a −18°)
- Noite astronômica (Sol abaixo de −18°)
- Altura abaixo de 20°
- Altura abaixo de 30°
- Hora cheia e meia hora
- Ponto mais alto
Valores hora a hora (tabela)
| Hora | Altura | Direção | Da Lua |
|---|---|---|---|
| 19:30 | -2° | — | 160° |
| 20:00 | 3° | NE 46° | 160° |
| 20:30 | 8° | NE 43° | 160° |
| 21:00 | 12° | NE 39° | 160° |
| 21:30 | 17° | NE 35° | 160° |
| 22:00 | 20° | NNE 30° | 160° |
| 22:30 | 23° | NNE 25° | 160° |
| 23:00 | 26° | NNE 19° | 160° |
| 23:30 | 28° | NNE 12° | 160° |
| 00:00 | 29° | N 6° | 160° |
| 00:30 | 29° | N 359° | 160° |
| 01:00 | 29° | N 352° | 159° |
| 01:30 | 27° | NNW 346° | 159° |
| 02:00 | 25° | NNW 339° | 159° |
| 02:30 | 22° | NNW 334° | 159° |
| 03:00 | 19° | NNW 329° | 159° |
| 03:30 | 15° | NW 324° | 159° |
| 04:00 | 11° | NW 320° | 159° |
Cálculo de baixa precisão (cerca de 0,3°), no fuso horário do local. Serve para planejar, não para apontar telescópios.
Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).
O que ver
| Instrumento | O que esperar |
|---|---|
| A olho nu | Possível "de local escuro", segundo Bakich; no Rio, improvável. |
| Binóculo (10×50) | Um agrupamento agradável (Mobberley, p. 68). Com 10×70, cerca de três dúzias de estrelas de magnitude 10 (Bakich). |
| Binóculo grande (37×100) | Várias dezenas de estrelas, conforme a noite; Tonkin acha o aglomerado bem melhor em binóculos grandes (p. 158). |
| Telescópio de 200 mm | Mais de 100 estrelas, em aumento baixo, abaixo de 50x (Bakich). |
| Filtros | Não são necessários (Mobberley). |
Em aumentos altos o aglomerado perde a borda e parece só um campo estelar rico (Mobberley, p. 68); o melhor é usar potência baixa e campo largo.
Astrofotografia: estratégia de captura
Enquadramento
Mobberley classifica NGC 752 como um objeto "insípido" que fica melhor com campos largos, acima de 1° (p. 68). Como o aglomerado mede quase 1°, um campo de 1,5° a 2° o enquadra com folga; uma focal de 300 a 400 mm com sensor de 1 polegada dá algo nessa faixa (cálculo próprio). Com M 33 a 7° dali, não há como incluí-la no mesmo campo.
Desafios do alvo
- Objeto sem gás nem núcleo. Não há estrutura para fazer o contraste; a imagem depende da variedade de cores das estrelas.
- Campo largo. O aglomerado precisa de um campo maior que o seu tamanho para mostrar o contexto.
- Céu escuro. Um fundo escuro faz diferença para as estrelas fracas.
Equipamento e filtros
Câmera colorida de tiro único ou RGB comum bastam. Não há gás a realçar, então filtros de banda estreita não ajudam.
Exemplo de sessão (ponto de partida)
| Tipo de quadro | Quantidade | Exposição | Finalidade |
|---|---|---|---|
| Light | 60 a 90 | 30 a 60 s | Cor e profundidade do campo |
| Dark | 30 | igual aos Lights | Calibração do ruído térmico |
| Flat | 30 | automática | Correção de vinheta e poeira |
| Bias ou dark-flat | 50 | mais curta possível | Calibração do ruído de leitura |
Esses números são um ponto de partida, e não vêm dos livros: ajuste-os ao seu sensor, ao seu telescópio e ao céu da noite.
Smart telescopes e campo de visão
O aglomerado tem quase 1°, e o campo do Seestar S50 (cerca de 1,3° × 0,7°) o cobre só em parte no sentido norte-sul; um mosaico de dois painéis pega tudo. O resultado é um campo estelar rico, sem grande contraste. Abra o mapa abaixo e escolha o seu modelo para ver o retângulo do campo sobre o objeto.
Carrega o mapa do CDS (Estrasburgo) e imagens DSS2 direto do servidor deles; nada é carregado antes do clique.
Considerações finais
NGC 752 não tem o apelo visual dos aglomerados jovens e brilhantes, mas tem uma história longa: são 2 bilhões de anos de vida, contra os poucos milhões de outros vizinhos de Cassiopeia. Para o observador do Rio, é um dos poucos objetos do céu de outono do norte que se pode tentar, em uma noite escura de verão, com binóculos e um horizonte norte livre. Veja também as galáxias M 31 e M 33, o aglomerado da Coruja e o céu de verão no hemisfério sul.
Referências
- BAKICH, Michael E. 1,001 Celestial Wonders to See Before You Die: The Best Sky Objects for Star Gazers. New York: Springer, 2010. Objeto nº 813 (NGC 752).
- MOBBERLEY, Martin. The Caldwell Objects and How to Observe Them. New York: Springer, 2009. Caldwell 28, p. 68-69.
- TONKIN, Stephen. Binocular Astronomy. London: Springer, 2007. NGC 752 e 56 Andromedae, p. 158.
- SIMBAD Astronomical Database. Centre de Données astronomiques de Strasbourg (CDS). Consulta a coordenadas, tipo, paralaxe e tamanho de NGC 752, em 21 set. 2026.
- HYG Database (v4.1), David Nash / Astronexus, licença CC BY-SA 4.0, para a carta de localização; mapa Aladin Lite e imagem DSS2 do Centre de Données astronomiques de Strasbourg.