setembro 21, 2026

NGC 6188, a Nebulosa Dragão de Fogo (Rim Nebula): guia completo de observação e astrofotografia

Imagem de referência (DSS2) de NGC 6188 — Rim Nebula — objeto ainda não capturado no observatório

Imagem de referência (DSS2). Este objeto ainda não foi capturado no Observatório.

Crédito: Digitized Sky Survey 2 (DSS2) — STScI/NASA. UK Schmidt Telescope (UKST) / AAO–ROE. Créditos

Poucas nebulosas do céu sul têm um contraste tão grande entre o que o olho vê e o que a câmera revela quanto NGC 6188. Ao telescópio, é uma névoa fraca ao redor de um aglomerado brilhante de estrelas jovens, no fundo da Via Láctea, na constelação do Altar (Ara). Numa fotografia de longa exposição, a mesma região vira uma paisagem de cavernas e "trombas de elefante" de poeira, com bordas vermelhas em chamas: daí o apelido Dragão de Fogo. É um dos melhores alvos do hemisfério sul para quem fotografa em banda estreita, e um bom teste de paciência para quem observa.

Texto em revisão. Este é um artigo de teste do novo formato de guia de objeto. Ele substitui o guia de astrofotografia e a página de exploração do objeto: dados, mapas, gráficos de altura e estratégia de captura estão todos aqui. As fontes estão listadas no final.

Imagem de referência (DSS2) de NGC 6188 — Rim Nebula — objeto ainda não capturado no observatório
Digitized Sky Survey 2 (DSS2) — STScI/NASA. UK Schmidt Telescope (UKST) / AAO–ROE. Imagem de referência: este objeto ainda não foi fotografado no Observatório. Créditos

Ficha técnica e designações

Ficha técnica e designações
Designação principalNGC 6188
Outras designaçõesNGC NGC 6188
Tipo de objetoNebulosa de emissão (região H II)
ConstelaçãoAra
Coordenadas (J2000)RA 16h 40m 06s | Dec −48° 39′ 44″
Distância da Terra—
Magnitude aparente—
Tamanho aparente20′
Melhor época (BR)Junho, Julho, Agosto

Visão geral: o aglomerado que acende uma caverna de gás

NGC 6188 é uma nebulosa de emissão, com um componente de reflexão (Coe a classifica como emissão mais reflexão). A luz vem de uma estrela do aglomerado NGC 6193, vizinho e mais fácil de ver: a estrela HD 150136, de tipo O, brilha a magnitude 5,6 e ilumina o gás (Mobberley, p. 172). O SIMBAD a descreve como um sistema binário de tipo O, o que explica tanta energia ultravioleta empurrando a nebulosa.

O aglomerado e a associação. Mobberley explica que NGC 6193, o Caldwell 82, forma o núcleo da vasta associação Ara OB1, um grupo de estrelas quentes e jovens que ocupa cerca de um grau quadrado de céu. O aglomerado tem uns 6 milhões de anos e cerca de 20 anos-luz de diâmetro físico (Mobberley); é uma criança em termos estelares. NGC 6193 fica imerso numa região de nuvens densas de gás e faixas de poeira (Mobberley), e Bakich acrescenta que uma nebulosa escura corta o lado oeste do aglomerado.

Distância e tamanho. As paralaxes do SIMBAD colocam NGC 6193 a cerca de 4.000 anos-luz e a estrela HD 150136 a cerca de 4.700; Mobberley dá 4.300. Este guia adota a faixa de 4.000 a 4.700 anos-luz. Para o tamanho, Bakich e a tabela do apêndice de Coe dão 20′ × 12′, valor que cobre a parte visualmente perceptível; nas fotografias, o gás se espalha por uma região bem mais extensa. Não há magnitude integrada em nenhum livro (Coe: "none"), e o SIMBAD só registra a nebulosa como matéria interestelar.

Onde fica no céu. Ara é uma constelação pequena, ao sul de Escorpião e Sagitário, cortada pela Via Láctea. NGC 6188 fica no noroeste da constelação, perto da fronteira com Norma (Mobberley). O guia do Escorpião descreve o trecho vizinho da Via Láctea, e o aglomerado NGC 6231 é o alvo mais próximo já com guia completo.

O nome. O SIMBAD registra "Rim Nebula" (Nebulosa da Borda), e catálogos de astrofotografia usam "Fire Dragon" (Dragão de Fogo). Nenhum desses apelidos vem dos livros consultados. Coe descreve, em vez disso, as "trombas de elefante" escuras que "serpenteiam para fora, por todos os lados, no meio da Via Láctea", visíveis apenas como uma sugestão, com visão desviada, em um SCT de 14 polegadas.

Estruturas notáveis

  • O aglomerado NGC 6193. Um aglomerado em forma de cunha, de cerca de um quarto de grau (Bakich), com magnitude 5,0 a 5,2. É visível a olho nu em céu escuro (Bakich).
  • HD 150136. A estrela do centro do aglomerado, de tipo O, magnitude 5,6, com uma companheira de magnitude 6,8 a apenas 8″ para oeste (Mobberley).
  • A dupla DUN 206. Duas estrelas branco-azuladas separadas por 10″ (Bakich); Coe também vê uma dupla branca pura no aglomerado em um SCT de 14″.
  • A faixa escura. Uma linha entre o gás claro e a poeira escura que separa a parte leste da oeste da nebulosa (Coe; Bakich), o traço que vira a "borda" (rim) e a "caverna" das fotos.
  • As trombas de elefante. Colunas de poeira escura apontando para o aglomerado, em Coe apenas insinuadas com visão desviada e 14 polegadas de abertura.

Como localizar

Bakich indica NGC 6188 a 2,7° a lés-sudeste de Epsilon Normae (magnitude 4,8). Mobberley oferece outro caminho: partindo de Alpha Arae, ande cerca de 1° para o norte e 8° e um quarto para o oeste. Em ambos os casos, procure primeiro o aglomerado NGC 6193, que é o ponto de referência visual; a nebulosa está ao seu redor. Ele é o mais brilhante do campo, mas há outros quatro aglomerados mais fracos num raio de 2°, então confira com um mapa (Mobberley). Do Rio, a região é sempre baixa em comparação com as do Escorpião, mas fica bem acima do horizonte sul.

Carta de localização de NGC 6188: as estrelas-guia nomeadas, setas tracejadas com a distância em graus até o alvo, escala em graus e indicação de norte e leste.
Carta de localização (star-hopping), no mesmo estilo das cartas de constelação: norte e leste indicados no canto. Anéis laranja: estrelas-guia; setas tracejadas: o caminho até o alvo, com a distância em graus; anel verde: o alvo (e, com a designação, outros objetos do campo); a barra mostra a escala. As linhas são as oficiais das constelações (d3-celestial), os limites são os da IAU e as estrelas vêm do catálogo HYG.

Quando e como observar

Com declinação de cerca de −48,6°, NGC 6188 culmina a uns 64° de altura no Rio de Janeiro; não é circumpolar (Mobberley cita o limite de 42° sul para o aglomerado). Mobberley indica de maio a agosto como melhor período; a passagem meridiana acontece perto da meia-noite no início de junho, e em julho ela já está bem posicionada no começo da noite. Olhando para o sul, o norte celeste fica para cima e o leste à esquerda; a nebulosa fica abaixo do Escorpião.

O gráfico abaixo mostra a altura do objeto ao longo do ano para o local do observatório, e o seguinte, a noite de hoje. Use o primeiro para escolher a época e o segundo para escolher a hora.

Altura de Rim Nebula ao longo do anoAltura à meia-noite astronômica e altura máxima da noite, a cada 5 dias. Melhor época: de março a agosto. O objeto chega a 64° à meia-noite em maio.0°30°60°90°JANFEVMARABRMAIJUNJULAGOSETOUTNOVDEZ31 maio · 64°hoje
Altura ao longo do ano, a cada 5 dias: linha contínua = altura no meio da noite astronômica (Sol abaixo de −18°); tracejada = maior altura durante a noite escura; faixa verde = melhor época; linhas pontilhadas em 30° e 45°. A linha vertical marca hoje. Melhor época para este local: de março a agosto (objeto acima de 30° no meio da noite). Ponto mais alto: 64° em 31 de maio.

Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).

2026-10-12 · 19:20 – 04:10

Esta noite no céu

Melhores alvos da noite
Melhor horário
19:20 · 35° SW
Horas acima de 45°
0,0 h
Lua
Lua crescente · 6 %
Nota da noite
46 / 100
Posição no céu
27
Brilho
50 (sem magnitude cadastrada)
Enquadramento
100 ocupa 44 % do campo

Notas para SkyWatcher Explorer 200P + ZWO ASI294MC Pro (campo de 66′ × 45′).

Trajetória de NGC 6188 — Rim Nebula pelo céu nesta noiteCéu visto de baixo, zênite no centro e horizonte na borda. O objeto fica acima do horizonte entre 18:20 e 23:00 durante a noite; o ponto mais alto é às 19:20, com 35°. A tabela ao lado traz os mesmos valores.15°30°45°60°75°NNELSESSOONO19:0020:0021:0022:0023:00
Caminho do objeto pelo céu nesta noite, do fim do crepúsculo civil ao amanhecer. Centro = zênite, borda = horizonte; visto olhando para cima (leste à esquerda, oeste à direita). Marcadores a cada 30 minutos.
  • Crepúsculo civil (Sol até −12°)
  • Crepúsculo náutico (−12° a −18°)
  • Noite astronômica (Sol abaixo de −18°)
  • Altura abaixo de 20°
  • Altura abaixo de 30°
  • Altura abaixo de 45°
  • Hora cheia e meia hora
  • Ponto mais alto
Valores hora a hora (tabela)
Altura e direção do objeto a cada 30 minutos
Hora Altura Direção Da Lua
19:30 33° SW 226° 35°
20:00 28° SW 226° 35°
20:30 23° SW 225° 35°
21:00 18° SW 224° 35°
21:30 14° SW 223° 34°
22:00 9° SW 221° 34°
22:30 5° SW 218° 34°
23:00 0° SW 216° 34°
23:30 -3° — 34°
00:00 -7° — 33°
00:30 -10° — 33°
01:00 -13° — 33°
01:30 -15° — 33°
02:00 -17° — 33°
02:30 -18° — 33°
03:00 -18° — 32°
03:30 -18° — 32°
04:00 -17° — 32°
Altura de NGC 6188 — Rim Nebula ao longo da noiteAltura em graus a cada 30 minutos. O ponto mais alto é às 19:20, com 35°. A tabela abaixo traz os mesmos valores.0°30°60°90°202122230001020304abaixo do horizonte
Altura em graus ao longo da noite escura (linhas em 30° e 45°). A Lua aparece tracejada.

Cálculo de baixa precisão (cerca de 0,3°), no fuso horário do local. Serve para planejar, não para apontar telescópios.

Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).

O que ver

Instrumento O que esperar
A olho nu O aglomerado NGC 6193, em céu escuro (Bakich). A nebulosa não é visível.
Binóculo grande (15×70 ou 100 mm) O aglomerado com as estrelas mais brilhantes. Mobberley indica binóculos grandes e instrumentos maiores como a melhor abertura visual.
Telescópio de 100 a 130 mm Em céu escuro, uma névoa muito fraca ao redor do aglomerado (Bakich: 4 pol. a 150×). Coe, com refrator de 120 mm, viu no aglomerado oito estrelas e uma dupla, e a nebulosa muito fraca; com visão desviada notou uma linha entre a nebulosidade difícil e a nebulosa escura.
Telescópio de 250 a 350 mm 12 estrelas no aglomerado, com uma dupla branca (Coe, SCT de 14 pol., ocular de 40 mm). Bakich diz que a partir de 10 polegadas se percebe a região escura separando leste e oeste, com a borda irregular. O UHC ajuda pouco (Coe).

Filtros. Mobberley diz que o aglomerado não pede filtro; para a nebulosa, Coe conclui que o UHC ajuda "um pouco", mas que não é um objeto brilhante em nenhum caso. Seja realista com o Rio: as observações de Coe são da Austrália, sob céus escuros. Sob Bortle 7, o aglomerado é o prêmio visual; a nebulosa é tarefa da câmera. Coe resume bem: é uma daquelas áreas que aparecem melhor na fotografia que ao olho.

Astrofotografia: estratégia de captura

Enquadramento

Com 20′ × 12′ nos livros e mais extensão nas fotos, NGC 6188 cabe em campos moderados. Com um telescópio de 1.000 mm e uma câmera como a ASI294MC Pro, o campo é de cerca de 1,1° × 0,75° (calculado a partir do sensor e da focal): o conjunto de aglomerado e nebulosa cabe com folga, e é possível fazer um enquadramento apertado, focado nas "trombas". Com uma focal de 300 a 500 mm, é possível incluir o entorno da Via Láctea. Mobberley observa que o aglomerado é fácil, mas que "só uma imagem CCD profunda revela o esplendor da nebulosa".

Desafios do alvo

  • Brilho superficial baixo. O gás é fraco; exige muitas horas de dados e céu tão escuro quanto possível.
  • Estrelas brilhantes. HD 150136 e as estrelas do aglomerado saturam; combine exposições curtas para elas.
  • Céu urbano. O filtro dual-band ou de banda estreita é praticamente obrigatório sob Bortle 7.
  • Altura. A ~64° no meridiano, a altura é boa; fotografe perto da passagem meridiana.
  • Contraste da poeira. As "trombas" precisam de contraste local cuidadoso; sem exagerar, para não gerar artefatos.

Equipamento e filtros

A emissão é dominada por H-alfa, com OIII; uma câmera colorida com dual-band já mostra a estrutura. Uma câmera monocromática com banda estreita (H-alfa, OIII e S II, paleta SHO ou bicolor) rende o efeito "dragão de fogo" que dá o apelido. Uma componente azul de reflexão pode aparecer em imagens de banda larga.

Exemplo de sessão (ponto de partida)

Tipo de quadro Quantidade Exposição Finalidade
Light curto (aglomerado) 30 20 a 40 s Preservar NGC 6193 e as estrelas
Light longo (gás) 80 a 120 180 a 300 s Capturar o gás fraco e as trombas
Dark 30 igual aos Lights Calibração do ruído térmico
Flat 30 automática Correção de vinheta e poeira
Bias ou dark-flat 50 mais curta possível Calibração do ruído de leitura

Esses números são um ponto de partida, e não vêm dos livros: ajuste-os ao seu sensor, ao seu telescópio e ao céu da noite. Várias horas de integração fazem diferença.

Smart telescopes e campo de visão

Com campo de cerca de 1,3° × 0,7°, um smart telescope como o Seestar S50 pega o aglomerado e o gás mais brilhante. O filtro dual-band do aparelho ajuda a realçar o gás sob céu urbano, e várias noites de empilhamento fazem diferença num alvo tão fraco; espere resultados modestos e, ainda assim, agradáveis. Abra o mapa abaixo e escolha o seu modelo para ver o retângulo do campo sobre o objeto.

0°

Carrega o mapa do CDS (Estrasburgo) e imagens DSS2 direto do servidor deles; nada é carregado antes do clique.

Considerações finais

NGC 6188 é uma nebulosa para a câmera, e NGC 6193 é o prêmio visual do trecho, uma das lições do céu sul: o aglomerado mostra a estrela que acende a nebulosa, e a foto revela o que o olho não vê. Vale marcá-la para o inverno, sobretudo se você tiver uma viagem a um céu escuro. Se gosta de regiões de formação estelar, junte-a às nebulosas do Escorpião: a Guerra e Paz, a Pata de Gato e a Nebulosa do Camarão.

Referências

  • BAKICH, Michael E. 1,001 Celestial Wonders to See Before You Die: The Best Sky Objects for Star Gazers. New York: Springer, 2010. Objetos nº 438 (NGC 6188) e nº 439 (NGC 6193).
  • COE, Steven R. Nebulae and How to Observe Them. London: Springer, 2007. NGC 6188 e NGC 6193, p. 102; tabela do apêndice, p. 145.
  • MOBBERLEY, Martin. The Caldwell Objects and How to Observe Them. New York: Springer, 2009. Caldwell 82 (NGC 6193), p. 172-173.
  • SIMBAD Astronomical Database. Centre de Données astronomiques de Strasbourg (CDS). Consulta a NGC 6188, NGC 6193 e HD 150136, em 21 set. 2026.
  • HYG Database (v4.1), David Nash / Astronexus, licença CC BY-SA 4.0, para a carta de localização; mapa Aladin Lite e imagem DSS2 do Centre de Données astronomiques de Strasbourg.