setembro 21, 2026
NGC 6231 (Caldwell 76), o aglomerado do Escorpião: guia completo de observação e astrofotografia

Imagem de referência (DSS2). Este objeto ainda não foi capturado no Observatório.
Crédito: Digitized Sky Survey 2 (DSS2) — STScI/NASA. UK Schmidt Telescope (UKST) / AAO–ROE. Créditos
Quando o Escorpião está alto, no inverno brasileiro, a cauda dele arrasta uma manchinha que muita gente confunde com um cometa. É o conjunto de NGC 6231 com o aglomerado Trumpler 24, e Mobberley conta que, em 1986, ao ver o Escorpião pela primeira vez durante uma viagem para observar o cometa Halley, não soube dizer qual das manchas com cauda era o cometa de verdade. O NGC 6231, Caldwell 76, é a "cabeça" do falso cometa: um aglomerado de estrelas jovens e brilhantes, com magnitude integrada de 2,6, que se vê a olho nu. Este guia reúne os números, o mapa, a altura no Rio de Janeiro, o que ver com cada instrumento e a estratégia de captura.
Texto em revisão. Este é um dos guias de teste do novo formato de guia de objeto. As fontes estão listadas no final.

Ficha técnica e designações
Visão geral: um aglomerado aberto de estrelas azuis e quentes
Um aglomerado aberto é um grupo de estrelas que nasceram juntas da mesma nuvem de gás. O NGC 6231 tem cerca de 7 milhões de anos, o que é muito jovem (Mobberley), e faz parte da associação Scorpius OB1, um conjunto de estrelas jovens e quentes (Bakich). Vinte de seus membros são mais brilhantes que a magnitude 9, e as mais brilhantes superam o Sol em cerca de 60.000 vezes (Bakich).
O NGC 6231 em números. A magnitude integrada é de 2,6 (dos livros; o SIMBAD não traz magnitude V). O SIMBAD lista 120′ para o conjunto com a associação; o núcleo do aglomerado tem cerca de 14′ (Mobberley; Bakich). A paralaxe do SIMBAD (0,589 milissegundos de arco) dá uma distância de cerca de 5.500 anos-luz (Mobberley traz 6.000), e o núcleo tem então cerca de 23 anos-luz (calculado). O Mobberley conta mais de uma dúzia de estrelas de quinta a sétima magnitude, mais uma dúzia de oitava a décima, e dezenas de estrelas de 11ª a 13ª formam um brilho de fundo até cerca de 7′ do centro.
Descoberta e nome. O Bakich atribui a descoberta a Hodierna, que a incluiu em uma lista de 40 objetos nebulosos impressa em 1654. O químico australiano Ernst Hartung comparou o aglomerado a diamantes sobre veludo negro, em 1968 (Bakich). O nome "Falso Cometa" vem do aspecto a olho nu, com NGC 6231 como cabeça e o Trumpler 24, um aglomerado jovem que também faz parte de Scorpius OB1, como cauda, a nor-nordeste (Mobberley).
Estruturas notáveis
- O triângulo de estrelas. Mobberley descreve o aglomerado como um triângulo de estrelas brilhantes, com a ponta para sudoeste, que lembra bolas de bilhar dentro do triângulo, no início de uma partida.
- O nó central. Com 100 mm, uma meia dúzia de estrelas no centro e as bordas leste e sudoeste bem definidas (Bakich).
- A cauda: Trumpler 24. O aglomerado a nor-nordeste, que forma o "falso cometa" (Mobberley). Segundo Kambič, tem cerca de 190 estrelas até a magnitude 11.
- O vizinho NGC 6124. O Caldwell 75, um aglomerado fácil que forma um triângulo com Zeta e as estrelas Mu 1 e Mu 2 do Escorpião (Moore, Observer's Year).
Como localizar
A rota mais fácil é a partir de Zeta Scorpii, a estrela dupla no começo da curva para leste da cauda do Escorpião: ande um pouco mais de meio grau para o norte (Mobberley; Moore; Allison). Mobberley dá também a rota a partir de Épsilon Scorpii, 7½° ao sul e ¾° a leste. A região toda é chamativa a olho nu. Para ver o contexto da constelação, veja o guia do Escorpião e, na mesma região, o M 7 e o M 4.

Quando e como observar
Com declinação de cerca de −42°, o NGC 6231 culmina a cerca de 71° de altura no Rio de Janeiro, uma altura excelente que reduz a atmosfera no caminho da luz. Ele não é circumpolar, e fica cerca de 15 horas por dia acima do horizonte (calculado). A melhor época, segundo Mobberley, é de maio a agosto, com a culminação à meia-noite por volta do início de junho. Assim, no inverno o Escorpião está alto logo depois do crepúsculo.
Olhando para o sul, o norte fica para baixo e o leste, à esquerda; em maio o Escorpião aparece a leste e sobe pela noite. A orientação no ocular depende do instrumento.
O primeiro gráfico mostra a altura do objeto ao longo do ano para o local do observatório; o segundo, o caminho do NGC 6231 pelo céu nesta noite (zênite no centro, cores pela altura e linha pontilhada, tracejada ou contínua conforme o crepúsculo), seguido da altura hora a hora.
Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).
2026-10-12 · 19:20 – 04:10
Esta noite no céu
- Melhor horário
- 19:20 · 38° SW
- Horas acima de 45°
- 0,0 h
- Lua
- Lua crescente · 6 %
- Nota da noite
- 57 / 100
- Posição no céu
- 29
- Brilho
- 100 mag 2,6
- Enquadramento
- 100 ocupa 31 % do campo
Notas para SkyWatcher Explorer 200P + ZWO ASI294MC Pro (campo de 66′ × 45′).
- Crepúsculo civil (Sol até −12°)
- Crepúsculo náutico (−12° a −18°)
- Noite astronômica (Sol abaixo de −18°)
- Altura abaixo de 20°
- Altura abaixo de 30°
- Altura abaixo de 45°
- Hora cheia e meia hora
- Ponto mais alto
Valores hora a hora (tabela)
| Hora | Altura | Direção | Da Lua |
|---|---|---|---|
| 19:30 | 36° | SW 234° | 33° |
| 20:00 | 30° | SW 234° | 33° |
| 20:30 | 25° | SW 233° | 33° |
| 21:00 | 19° | SW 232° | 33° |
| 21:30 | 14° | SW 230° | 33° |
| 22:00 | 9° | SW 228° | 32° |
| 22:30 | 3° | SW 226° | 32° |
| 23:00 | -1° | — | 32° |
| 23:30 | -6° | — | 32° |
| 00:00 | -10° | — | 31° |
| 00:30 | -14° | — | 31° |
| 01:00 | -17° | — | 31° |
| 01:30 | -20° | — | 31° |
| 02:00 | -23° | — | 30° |
| 02:30 | -24° | — | 30° |
| 03:00 | -25° | — | 30° |
| 03:30 | -25° | — | 30° |
| 04:00 | -25° | — | 30° |
Cálculo de baixa precisão (cerca de 0,3°), no fuso horário do local. Serve para planejar, não para apontar telescópios.
Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).
O que ver
| Instrumento | O que esperar |
|---|---|
| A olho nu | Uma manchinha brilhante, a cabeça do falso cometa, com Trumpler 24 como cauda; a região toda é chamativa a olho nu (Mobberley). Em Bortle 7, deve ser mais fraca (estimativa). |
| Binóculo (7×50 a 15×70) | Cerca de 10 estrelas entre a 5ª e a 6ª magnitude (Allison); Mobberley diz que binóculos grandes funcionam bem. |
| Telescópio de 100 a 150 mm | Bakich: com 100 mm, mais de 100 estrelas, o nó central e as bordas leste e sudoeste bem definidas; o aglomerado se destaca até da Via Láctea. Allison: 15 ou mais membros em 4″, numa cor azulada como as Plêiades. |
| Telescópio de 200 a 350 mm | Mais estrelas de fundo, de 11ª a 13ª, preenchendo o brilho em volta do triângulo (Mobberley). Sem filtro. |
Expectativa honesta: o NGC 6231 é um dos melhores aglomerados abertos para o Rio: é brilhante, compacto, muito alto e não exige filtro. O céu urbano tira as estrelas mais fracas do fundo, mas o triângulo de estrelas brilhantes continua evidente.
Astrofotografia: estratégia de captura
Enquadramento
Com 14′ de diâmetro, o aglomerado cabe bem num campo moderado. Com um telescópio de 1.000 mm e uma câmera de 19,1 × 13,0 mm, o campo é de cerca de 1,1° × 0,75° (calculado): o NGC 6231 fica no centro, com espaço em volta; para incluir Trumpler 24, a nor-nordeste, uma focal menor ou um mosaico é melhor. O Mobberley diz que é um alvo fácil.
Desafios do alvo
- Estrelas brilhantes e azuis. Evite estourar as mais brilhantes; exposições curtas mantêm a cor.
- Campo estelar denso. A região está na Via Láctea, rica em estrelas.
- Cor. O azul das estrelas jovens pede balanço de cor cuidadoso.
Equipamento e filtros
O Mobberley recomenda o objeto como um alvo fácil, sem indicar filtro. Uma câmera colorida de um disparo já basta, e o filtro de banda estreita é dispensável, porque o alvo é estelar.
Exemplo de sessão (ponto de partida)
| Tipo de quadro | Quantidade | Exposição | Finalidade |
|---|---|---|---|
| Light (RGB ou câmera colorida) | 40 a 60 | 30 a 60 s | Estrelas com cor e campo de fundo |
| Dark | 30 | igual aos Lights | Calibração do ruído térmico |
| Flat | 30 | automática | Correção de vinheta e poeira |
| Bias ou dark-flat | 50 | mais curta possível | Calibração do ruído de leitura |
Esses números são um ponto de partida, e não vêm dos livros. Como referência, a imagem de Josef Pöpsel e Stefan Binnewies no Mobberley usou um telescópio de 60 cm a f/3 e câmera CCD, em uma noite na Namíbia.
Smart telescopes e campo de visão
O aglomerado cabe com folga no campo de um smart telescope como o Seestar S50 (cerca de 1,3° × 0,7°); como é brilhante, aparece com poucos minutos de empilhamento. Escolha o seu modelo no mapa abaixo para ver o retângulo do campo sobre o objeto.
Carrega o mapa do CDS (Estrasburgo) e imagens DSS2 direto do servidor deles; nada é carregado antes do clique.
Considerações finais
O NGC 6231 é o aglomerado que o Rio recebe de presente no inverno: alto, brilhante e fácil, ao lado de M 4, M 6 e M 7. Ele funciona bem para quem começa com binóculo e para quem quer uma foto colorida sem filtro. O próximo passo é o vizinho M 7 e, para o outro lado do céu, a Caixa de Joias.
Referências
- ALLISON, Mark. Star Clusters and How to Observe Them. London: Springer, 2006. NGC 6231, p. 157.
- BAKICH, Michael E. 1,001 Celestial Wonders to See Before You Die: The Best Sky Objects for Star Gazers. New York: Springer, 2010. Objeto nº 451 (NGC 6231).
- KAMBIČ, Bojan. Viewing the Constellations with Binoculars: 250+ Wonderful Sky Objects to See and Explore. New York: Springer, 2010. Escorpião, p. 434.
- MOBBERLEY, Martin. The Caldwell Objects and How to Observe Them. New York: Springer, 2009. Caldwell 76, p. 160-161.
- MOORE, Patrick. The Observer's Year: 366 Nights of the Universe. 2. ed. London: Springer, 2005. Escorpião, p. 176.
- SIMBAD Astronomical Database. Centre de Données astronomiques de Strasbourg (CDS). Consulta a coordenadas e paralaxe de NGC 6231, em 21 set. 2026.
- HYG Database (v4.1), David Nash / Astronexus, licença CC BY-SA 4.0, para a carta de localização; mapa Aladin Lite e imagem DSS2 do Centre de Données astronomiques de Strasbourg.