setembro 21, 2026

NGC 2506 (Caldwell 54), o aglomerado antigo de Unicórnio: guia completo de observação e astrofotografia

Imagem de referência (DSS2) de NGC 2506 — objeto ainda não capturado no observatório

Imagem de referência (DSS2). Este objeto ainda não foi capturado no Observatório.

Crédito: Digitized Sky Survey 2 (DSS2) — STScI/NASA. UK Schmidt Telescope (UKST) / AAO–ROE. Créditos

Entre os aglomerados abertos, a idade é quase tudo. NGC 2506 é um dos mais antigos que um observador de quintal consegue ver: cerca de 3,5 bilhões de anos, o que dá um aglomerado sem estrelas azuis brilhantes e com um aspecto de "veludo com diamantes" em telescópios de 300 mm. Ele é o Caldwell 54, no sul de Unicórnio, e ganha quem tem paciência e um telescópio de pelo menos 100 mm. Do Rio de Janeiro, está alto no céu entre dezembro e março. Este guia reúne os dados, o mapa e as estratégias para observar e fotografar.

Texto em revisão. Este guia segue o novo formato de artigo de objeto. As fontes estão listadas no final.

Imagem de referência (DSS2) de NGC 2506 — objeto ainda não capturado no observatório
Digitized Sky Survey 2 (DSS2) — STScI/NASA. UK Schmidt Telescope (UKST) / AAO–ROE. Imagem de referência: este objeto ainda não foi fotografado no Observatório. Créditos

Ficha técnica e designações

Visão geral: aglomerados jovens e velhos

Um aglomerado aberto vai perdendo estrelas com o tempo; os mais velhos, portanto, são mais raros. Um aglomerado com bilhões de anos precisa ter sobrevivido a encontros com nuvens de gás e às marés da Galáxia, e por isso costuma ficar longe do plano da Via Láctea. NGC 2506 é um exemplo, e serve de contraponto ao guia de NGC 2362, que tem só 25 milhões de anos.

NGC 2506 em números. A paralaxe do aglomerado no SIMBAD dá cerca de 11.200 anos-luz, valor adotado; Mobberley traz 10.000 e Allison, 11.279. O tamanho aparente é de cerca de 10′ a 12′ (SIMBAD: 10,6′), o que dá cerca de 30 anos-luz de diâmetro (Mobberley). A magnitude integrada é de 7,6. A idade, segundo o Mobberley, é de cerca de 3,5 bilhões de anos. O Allison conta cerca de 150 estrelas.

Onde ele está. O aglomerado fica na região de Unicórnio, no sul da constelação, perto da divisa com Popa e Hidra. O Mobberley lembra que o sul de Unicórnio, o nordeste do Cão Maior e sobretudo Popa são cheios de aglomerados abertos, muitos tão brilhantes quanto NGC 2506. Os mais famosos da região são M 48 e M 50, quase duas magnitudes mais brilhantes e bem maiores. Se você imaginar um triângulo retângulo com Sirius e Procyon nos dois ângulos agudos, NGC 2506 fica no ângulo reto.

Estruturas notáveis

  • O núcleo denso. Só os 5′ centrais têm densidade real (Mobberley). Em 300 mm, esse núcleo tem a forma de um "T" invertido (com o sul no topo), com um triângulo de estrelas de 11ª e 12ª magnitude na borda leste e duas estrelas de 11ª na base do T.
  • O mar de estrelas fracas. Fora as mais brilhantes, dezenas de estrelas de 13ª a 14ª magnitude formam o restante do aglomerado; em um Dobsonian grande, elas se resolvem em pontos e não em névoa (Mobberley).
  • Padrões. Em 100 mm e 150 aumentos, o Bakich descreve um centro grumoso, com fios, braços e até letras desenhados pelas estrelas; em 300 mm e 200 aumentos, de 30 a 40 estrelas sobre um brilho de fundo "como veludo com diamantes".
  • NGC 2525. Uma galáxia de magnitude 12 cerca de 1½° a sudeste do aglomerado, alvo para quem tem abertura grande (Mobberley).

Como localizar

O ponto de partida é Alfa Monocerotis, uma estrela surpreendentemente fraca (magnitude 3,9): daí, desça 1¼° ao sul e ande 4¾° a leste (Mobberley). O Bakich dá 4,8° para leste-sudeste a partir dela. Outra forma é lembrar o triângulo retângulo com Sirius e Procyon. O aglomerado M 48 fica a cerca de 5° a nordeste (Mobberley), e é um bom alvo de comparação para observar na mesma noite. Ao olhar para o norte do Rio, o leste fica à direita.

Carta de localização de NGC 2506: as estrelas-guia nomeadas, setas tracejadas com a distância em graus até o alvo, escala em graus e indicação de norte e leste.
Carta de localização (star-hopping), no mesmo estilo das cartas de constelação: norte e leste indicados no canto. Anéis laranja: estrelas-guia; setas tracejadas: o caminho até o alvo, com a distância em graus; anel verde: o alvo (e, com a designação, outros objetos do campo); a barra mostra a escala. As linhas são as oficiais das constelações (d3-celestial), os limites são os da IAU e as estrelas vêm do catálogo HYG.

Quando e como observar

Com declinação de −10,8°, NGC 2506 culmina a cerca de 77° de altura no Rio, ao norte do zênite. A melhor época vai de dezembro a fevereiro (Mobberley), e ele fica alto ao anoitecer de fevereiro e março, aproximadamente. Com magnitude 7,6, o aglomerado exige pelo menos 100 mm (Mobberley) e um céu razoável; em Bortle 7, o fundo do céu apaga as estrelas mais fracas, e a diferença entre 100 mm e 300 mm é enorme.

O primeiro gráfico mostra a altura do aglomerado ao longo do ano para o local do observatório; o segundo, o caminho dele pelo céu nesta noite, seguido da altura hora a hora.

Altura de NGC 2506 ao longo do anoAltura à meia-noite astronômica e altura máxima da noite, a cada 5 dias. Melhor época: de novembro a março. O objeto chega a 78° à meia-noite em janeiro.0°30°60°90°JANFEVMARABRMAIJUNJULAGOSETOUTNOVDEZ16 jan · 78°hoje
Altura ao longo do ano, a cada 5 dias: linha contínua = altura no meio da noite astronômica (Sol abaixo de −18°); tracejada = maior altura durante a noite escura; faixa verde = melhor época; linhas pontilhadas em 30° e 45°. A linha vertical marca hoje. Melhor época para este local: de novembro a março (objeto acima de 30° no meio da noite). Ponto mais alto: 78° em 16 de janeiro.

Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).

2026-10-13 · 19:20 – 04:10

Esta noite no céu

Melhores alvos da noite
Melhor horário
04:00 · 54° ENE
Horas acima de 45°
0,7 h
Lua
Lua crescente · 12 %
Nota da noite
62 / 100
Posição no céu
46
Brilho
75 mag 7,6
Enquadramento
96 ocupa 24 % do campo

Notas para SkyWatcher Explorer 200P + ZWO ASI294MC Pro (campo de 66′ × 45′).

Trajetória de NGC 2506 pelo céu nesta noiteCéu visto de baixo, zênite no centro e horizonte na borda. O objeto fica acima do horizonte entre 00:10 e 04:50 durante a noite; o ponto mais alto é às 04:00, com 54°. A tabela ao lado traz os mesmos valores.15°30°45°60°75°NNELSESSOONO01:0002:0003:0004:00
Caminho do objeto pelo céu nesta noite, do fim do crepúsculo civil ao amanhecer. Centro = zênite, borda = horizonte; visto olhando para cima (leste à esquerda, oeste à direita). Marcadores a cada 30 minutos.
  • Crepúsculo civil (Sol até −12°)
  • Crepúsculo náutico (−12° a −18°)
  • Noite astronômica (Sol abaixo de −18°)
  • Altura abaixo de 20°
  • Altura abaixo de 30°
  • Altura abaixo de 45°
  • Hora cheia e meia hora
  • Ponto mais alto
Valores hora a hora (tabela)
Altura e direção do objeto a cada 30 minutos
Hora Altura Direção Da Lua
19:30 -53° — 107°
20:00 -49° — 108°
20:30 -44° — 108°
21:00 -39° — 108°
21:30 -33° — 108°
22:00 -27° — 108°
22:30 -21° — 109°
23:00 -14° — 109°
23:30 -8° — 109°
00:00 -1° — 109°
00:30 6° E 99° 109°
01:00 13° E 97° 110°
01:30 20° E 94° 110°
02:00 26° E 91° 110°
02:30 33° E 88° 110°
03:00 40° E 85° 110°
03:30 47° E 81° 111°
04:00 54° ENE 77° 111°
Altura de NGC 2506 ao longo da noiteAltura em graus a cada 30 minutos. O ponto mais alto é às 04:00, com 54°. A tabela abaixo traz os mesmos valores.0°30°60°90°202122230001020304abaixo do horizonte04:00 · 54°
Altura em graus ao longo da noite escura (linhas em 30° e 45°). A Lua aparece tracejada.

Cálculo de baixa precisão (cerca de 0,3°), no fuso horário do local. Serve para planejar, não para apontar telescópios.

Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).

O que ver

Instrumento O que esperar
A olho nu Invisível.
Binóculo (10×50 a 15×70) Difícil de identificar; o Mobberley sugere achar o campo em binóculo a partir de Alfa Monocerotis, mas o aglomerado é só uma mancha pequena.
Telescópio de 100 mm O Bakich diz que é pouco impressionante: estrelas de brilho parecido, com distribuição irregular; com 150 aumentos, o centro aparece grumoso, com padrões.
Telescópio de 300 mm De 30 a 40 estrelas sobre um brilho de fundo (Bakich), com o núcleo em "T" invertido e o triângulo de estrelas a leste (Mobberley). Em um Dobsonian grande, as estrelas mais fracas se resolvem em pontos.

Expectativa honesta: é um alvo que cresce com a abertura e com o céu. Em Bortle 7, o aglomerado com 100 mm decepciona; com 200 mm ou mais, é bem mais recompensador. Não é alvo para uma primeira noite.

Astrofotografia: estratégia de captura

Enquadramento

Com cerca de 10′ a 12′, o aglomerado é pequeno. Com 1.000 mm e um sensor de 23,5 mm × 15,7 mm, o campo é de cerca de 1,35° × 0,9° (calculado), e o aglomerado ocupa menos de um sexto da largura do quadro. Com uma focal de 2.000 mm, cerca de 0,67° × 0,45°, ele fica mais destacado. O Mobberley diz que se fotografa com qualquer telescópio.

Desafios do alvo

  • Aglomerado pequeno e fraco. A magnitude 7,6 exige um pouco de tempo de exposição para as estrelas do núcleo.
  • Pouca cor. Em um aglomerado de 3,5 bilhões de anos, a cor é amarela e laranja, sem estrelas azuis; a calibração de cor é importante.
  • Campo de estrelas. A Via Láctea de fundo é densa; escolha um enquadramento que deixe o aglomerado no centro.

Equipamento e filtros

Câmera colorida com um filtro de banda larga anti-poluição luminosa, sem filtros de banda estreita. Se o telescópio tiver focal curta, use uma redutora de campo para ampliar o quadro. Prefira fotografar perto do meridiano.

Exemplo de sessão (ponto de partida)

Tipo de quadro Quantidade Exposição Finalidade
Light (RGB) 60 a 90 60 a 120 s Estrelas fracas do núcleo
Dark 20 igual aos Lights Calibração do ruído térmico
Flat 30 automática Correção de vinheta e poeira
Bias ou dark-flat 50 mais curta possível Calibração do ruído de leitura

Esses números são um ponto de partida, e não vêm dos livros.

Smart telescopes e campo de visão

O Seestar S50 (cerca de 1,3° × 0,7°) enquadra o aglomerado bem, com um pequeno recorte central; o aglomerado é fraco, então convém empilhar por bastante tempo. Escolha o seu modelo no mapa abaixo para ver o retângulo do campo sobre o objeto.

0°

Carrega o mapa do CDS (Estrasburgo) e imagens DSS2 direto do servidor deles; nada é carregado antes do clique.

Considerações finais

NGC 2506 é o tipo de aglomerado que só rende com atenção: pede um telescópio médio, um céu razoável e a disposição de olhar por um tempo. Em troca, oferece uma lição sobre como envelhecem as estrelas. Compare-o com os aglomerados mais jovens da vizinhança, como NGC 2362 e NGC 2360, e com M 50, que fica na mesma região.

Referências

  • ALLISON, Mark. Star Clusters and How to Observe Them. London: Springer, 2006. Aglomerados de Monoceros, Cão Maior e Popa (NGC 2506), p. 146.
  • BAKICH, Michael E. 1,001 Celestial Wonders to See Before You Die: The Best Sky Objects for Star Gazers. New York: Springer, 2010. Objeto nº 70 (NGC 2506).
  • MOBBERLEY, Martin. The Caldwell Objects and How to Observe Them. New York: Springer, 2009. Caldwell 54, p. 118-119.
  • SIMBAD Astronomical Database. Centre de Données astronomiques de Strasbourg (CDS). Consulta a coordenadas, paralaxe e dimensões de NGC 2506, em 21 set. 2026.
  • HYG Database (v4.1), David Nash / Astronexus, licença CC BY-SA 4.0, para a carta de localização; mapa Aladin Lite e imagem DSS2 do Centre de Données astronomiques de Strasbourg.