setembro 21, 2026
NGC 6729 (Caldwell 68), a nebulosa de R da Coroa Austral: guia completo de observação e astrofotografia

Imagem de referência (DSS2). Este objeto ainda não foi capturado no Observatório.
Crédito: Digitized Sky Survey 2 (DSS2) — STScI/NASA. UK Schmidt Telescope (UKST) / AAO–ROE. Créditos
A Coroa Austral é uma constelação minúscula, a nona menor das 88 (Mobberley), e a nebulosa NGC 6729 é um detalhe pequeno dentro dela: um cone luminoso, do tamanho de pouco mais de um minuto de arco, que sai de uma estrela variável e lembra um cometa. Sozinha, é discreta, e Mobberley admite que o objeto, por si só, é "meio sem graça". A graça está em tudo que a cerca: outras nebulosas de reflexão, uma nuvem escura muito densa e um belo aglomerado globular, todos no mesmo campo de baixa potência. É um bom destino para quem observa do Rio de Janeiro, onde o campo passa quase sobre a cabeça no inverno.
Texto em revisão. Este guia segue o novo formato de artigos de objeto e substitui o guia de astrofotografia e a página de exploração do objeto. As fontes e as dúvidas estão listadas no final.

Ficha técnica e designações
Visão geral: o que é uma nebulosa de reflexão
Uma nebulosa de reflexão é uma nuvem de poeira que apenas espalha a luz de uma estrela próxima, como a luz de um poste dispersa na neblina. Como reflete a luz da estrela sem alterá-la, tem a cor da própria estrela, geralmente azulada. Por isso, ao contrário das nebulosas de emissão, ela não responde a filtros de banda estreita: Coe observou que o filtro UHC escurece NGC 6729, o que ele diz ser o esperado em uma nebulosa de reflexão. Mobberley diz que o objeto responde bem a imagens sem filtro.
NGC 6729 em números. A estrela que ilumina a nebulosa é R Coronae Australis, uma estrela jovem e variável, e o SIMBAD a coloca a cerca de 410 anos-luz de nós (paralaxe de 7,99 milissegundos de arco). Mobberley dá 420 anos-luz; Coe, cerca de 500 anos-luz para as nebulosas do campo. O SIMBAD não traz dimensões para a nebulosa. Pelos livros, ela tem cerca de 80″ (Mobberley), e a forma é a de um cone bem mais longo que largo, de 1,5 a 5 vezes conforme a fonte (Coe; Bakich). O brilho total é de magnitude 9,5 (Mobberley), e a estrela varia, entre magnitude 9,7 e cerca de 12 (Bakich).
Uma nebulosa que muda. Mobberley compara NGC 6729 à Nebulosa Variável de Hubble (C 46), porque o aspecto também varia. A "cauda" do cometa se estende para sudeste a partir da estrela, e os livros descrevem a estrela de 12ª magnitude na ponta do cone (Coe) e uma faixa de nebulosidade que se alonga a partir de R CrA (Bakich). Esta é a nebulosa da estrela R da Coroa Austral, de onde vem o apelido deste guia.
Descoberta. Segundo Mobberley, foi Albert Marth quem a encontrou, nos anos 1860. A idade e o tamanho físico do conjunto (cerca de 200.000 anos e 2 meses-luz) aparecem no mesmo livro com ponto de interrogação, e por isso não são aqui tratados como valores firmes.
Estruturas notáveis
- NGC 6729. O cone de nebulosidade em torno de R CrA, com cauda para sudeste (Mobberley; Coe).
- NGC 6726 e 6727. Uma névoa de cerca de 8′, a 0,1° a noroeste, que envolve uma estrela de 7ª magnitude e a variável TY CrA (de 8,8 a 12,6). Coe as vê como uma "figura 8", e, com muito aumento e boa turbulência, uma faixa escura as separa (Mobberley; Coe). Mobberley sugere tratar as duas junto com NGC 6729 como um único objeto de ocular.
- NGC 6723. O globular de 7ª magnitude, no lado de Sagitário da fronteira, mais brilhante no centro e bem resolvido (Coe). Fica bem mais distante que as nebulosas e nada tem a ver com elas (Coe). Bakich o chama de Candelabro (apelido dado pela forma dos arcos de estrelas).
- Bernes 157. Uma nuvem escura enorme que bloqueia cerca de 90% das estrelas do lado sul do campo. Em um refletor de 12″ com uma ocular de 30 mm, Coe só contou 15 estrelas em um campo de 25′.
- IC 4812. Uma nebulosidade de reflexão a cerca de um quarto de grau ao sul, com uma dupla de 6ª magnitude (Mobberley).
Como localizar
A Coroa Austral fica logo ao sul de Sagitário e a leste de Escorpião. Ande cerca de 2½° ao sul e 7¾° a leste de Kaus Australis, a estrela da base do bule em Sagitário (Mobberley). No caminho você encontra o globular NGC 6723, uma boa confirmação de que está no campo certo. Para a nebulosa, comece pelo globular e siga cerca de 0,5° para leste-sudeste, onde as duas nebulosas de reflexão brilhantes aparecem juntas. A NGC 6729 é o cone que sai de R CrA, cerca de 5′ a sudeste de NGC 6726.

Quando e como observar
NGC 6729 está a cerca de −37° de declinação. Do Rio de Janeiro, ela cruza o meridiano ao sul a cerca de 76° de altura, quase sobre a cabeça: é uma das melhores posições possíveis para um alvo de brilho baixo. Mobberley indica de maio a agosto para o hemisfério sul, e Bakich, julho. No inverno brasileiro, o objeto está alto logo depois do anoitecer e cruza o meridiano por volta da meia-noite em meados de julho.
Como a nebulosa cruza ao sul do zênite, o norte fica para cima e o leste para a esquerda, como nos mapas comuns.
Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).
2026-10-12 · 19:20 – 04:10
Esta noite no céu
- Melhor horário
- 19:20 · 63° SW
- Horas acima de 45°
- 1,7 h
- Lua
- Lua crescente · 6 %
- Nota da noite
- 65 / 100
- Posição no céu
- 59
- Brilho
- 50 (sem magnitude cadastrada)
- Enquadramento
- 100 ocupa 56 % do campo
Notas para SkyWatcher Explorer 200P + ZWO ASI294MC Pro (campo de 66′ × 45′).
- Crepúsculo civil (Sol até −12°)
- Crepúsculo náutico (−12° a −18°)
- Noite astronômica (Sol abaixo de −18°)
- Altura abaixo de 20°
- Altura abaixo de 30°
- Altura abaixo de 45°
- Hora cheia e meia hora
- Ponto mais alto
Valores hora a hora (tabela)
| Hora | Altura | Direção | Da Lua |
|---|---|---|---|
| 19:30 | 61° | SW 235° | 57° |
| 20:00 | 55° | WSW 238° | 56° |
| 20:30 | 49° | WSW 240° | 56° |
| 21:00 | 43° | WSW 240° | 56° |
| 21:30 | 37° | WSW 240° | 56° |
| 22:00 | 31° | WSW 240° | 55° |
| 22:30 | 25° | WSW 239° | 55° |
| 23:00 | 19° | WSW 237° | 55° |
| 23:30 | 14° | SW 235° | 55° |
| 00:00 | 8° | SW 233° | 54° |
| 00:30 | 2° | SW 231° | 54° |
| 01:00 | -3° | — | 54° |
| 01:30 | -8° | — | 54° |
| 02:00 | -13° | — | 53° |
| 02:30 | -17° | — | 53° |
| 03:00 | -21° | — | 53° |
| 03:30 | -24° | — | 53° |
| 04:00 | -27° | — | 52° |
Cálculo de baixa precisão (cerca de 0,3°), no fuso horário do local. Serve para planejar, não para apontar telescópios.
Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).
O que ver
| Instrumento | O que esperar |
|---|---|
| A olho nu | Nada da nebulosa. Apenas as estrelas de referência (Kaus Australis e a cabeça da Coroa Austral) ajudam a apontar o campo. |
| Binóculo (10×50) | O globular NGC 6723 (7ª magnitude, Mobberley) deve aparecer como uma pequena mancha redonda; as nebulosas de reflexão são bem mais discretas. Não há relato de binóculo nos livros consultados, então isto é uma expectativa, não uma observação registrada. |
| Telescópio de 100 a 150 mm | O globular, a névoa de NGC 6726/6727 em torno da estrela e, com bom céu, um traço de NGC 6729. Mobberley recomenda 15 cm ou mais para o cone. |
| Telescópio de 250 a 350 mm | Com 300 mm e 200 aumentos, Bakich vê NGC 6729 como uma nebulosa que se estende a partir de R CrA. Com 13 polegadas a 100x, Coe vê NGC 6726 como uma estrela de 7ª magnitude com um halo fraco, e o "figura 8" das duas nebulosas. Com 12 polegadas, ele vê o cone com uma estrela de 12ª magnitude na ponta a 135x. |
Expectativa honesta: os relatos de Coe são de céu muito escuro, feitos na Austrália ou no Arizona, com 12″ e 13″. Em Bortle 7 o cone é difícil, e o UHC e os filtros de poluição luminosa não ajudam em uma nebulosa de reflexão (Coe). O que costuma sobreviver ao céu urbano é o globular, a estrela dupla de 6ª magnitude e o halo em torno da estrela de 7ª magnitude de NGC 6726. Observe com a Lua fora do céu e o alvo alto, e, se possível, com um refletor de pelo menos 200 mm.
Astrofotografia: estratégia de captura
Enquadramento
A nebulosa é pequena, mas o campo à volta é o que vale a foto. A imagem de campo largo de Mobberley (Volker Wendel e Bernd Flach-Wilken), feita com um refrator de 5″ f/6, mostra NGC 6726/6727 e IC 4812 de um lado e NGC 6723 do outro, com a pequena NGC 6729 ao lado da primeira. Com uma câmera como a ASI294MC Pro (sensor de 19,1 × 13,0 mm) e 500 a 750 mm de focal, o campo cobre de 1,5° a 2° e inclui tudo. O campo fechado dos mesmos autores, feito com um telescópio de 16″ f/8, mostra o cone e os vizinhos em detalhe.
Desafios do alvo
- Reflexão azul e nuvem escura. O contraste entre as nebulosas azuladas e a nuvem escura Bernes 157 é o grande atrativo, e o fundo do céu precisa ser bem escuro e bem calibrado para preservar a escuridão da nuvem.
- Cor. Uma nebulosa de reflexão pede câmera colorida ou RGB; os filtros de banda estreita não ajudam e reduzem o sinal (Mobberley diz que o objeto responde bem sem filtro).
- Variabilidade. Como o aspecto de NGC 6729 muda com a variável, imagens de noites diferentes podem mostrar cones distintos.
Equipamento e filtros
Câmera colorida de um disparo ou RGB sem filtro de banda estreita, com um filtro de poluição luminosa de banda larga apenas se o céu exigir, sabendo que ele tira parte do azul. Fotografe perto do meridiano, quando o campo está a 70° de altura ou mais. Isso é conhecimento geral, não vem dos livros.
Na imagem de referência de Mobberley, o campo largo empilhou 10 exposições de 300 s de luminância e 5, 3 e 4 de 300 s, 300 s e 600 s em R, G e B, com correção de brilho nas partes mais luminosas.
Exemplo de sessão (ponto de partida)
| Tipo de quadro | Quantidade | Exposição | Finalidade |
|---|---|---|---|
| Light (RGB, câmera colorida) | 60 a 90 | 120 a 180 s | Nebulosas de reflexão e nuvem escura |
| Dark | 30 | igual aos Lights | Calibração do ruído térmico |
| Flat | 30 | automática | Vinheta e poeira |
| Bias ou dark-flat | 50 | mais curta possível | Calibração do ruído de leitura |
Esses números são um ponto de partida e não vêm dos livros.
Smart telescopes e campo de visão
O campo de um smart telescope como o Seestar S50 (cerca de 1,3° × 0,7°) é suficiente para enquadrar juntos NGC 6726/6727, NGC 6729 e, com a orientação certa, o globular NGC 6723, que fica a cerca de meio grau das nebulosas (calculado pelas coordenadas). O céu poluído prejudica menos uma nebulosa de reflexão que uma de emissão, mas o brilho baixo pede muitas horas de empilhamento. Escolha o modelo no mapa abaixo para ver o retângulo do campo sobre o objeto.
Carrega o mapa do CDS (Estrasburgo) e imagens DSS2 direto do servidor deles; nada é carregado antes do clique.
Considerações finais
NGC 6729 é um daqueles alvos em que o objeto da lista é o pretexto e o campo é o presente: nebulosas de reflexão, uma nuvem escura que parece um vazio no céu e um globular de 7ª magnitude, tudo em um passeio de baixo aumento. Do Rio, o campo passa quase no zênite, em pleno inverno seco, e é muito melhor que a maioria dos alvos difíceis do céu do sul. Para continuar a viagem pela região, veja o globular NGC 6541 (Caldwell 78), também na Coroa Austral, a constelação vizinha de Escorpião e a região de Sagitário.
Referências
- BAKICH, Michael E. 1,001 Celestial Wonders to See Before You Die: The Best Sky Objects for Star Gazers. New York: Springer, 2010. Objetos nº 569 (NGC 6723) e nº 572 (NGC 6729).
- COE, Steven R. Nebulae and How to Observe Them. London: Springer, 2007. Corona Australis Nebulae (NGC 6726, 6727, 6729 e Bernes 157), p. 105-106.
- MOBBERLEY, Martin. The Caldwell Objects and How to Observe Them. New York: Springer, 2009. Caldwell 68, p. 144-145.
- SIMBAD Astronomical Database. Centre de Données astronomiques de Strasbourg (CDS). Consulta a coordenadas e à paralaxe de NGC 6729 e R CrA, em 21 set. 2026.
- HYG Database (v4.1), David Nash / Astronexus, licença CC BY-SA 4.0, para a carta de localização; mapa Aladin Lite e imagem DSS2 do Centre de Données astronomiques de Strasbourg.