setembro 21, 2026
NGC 6025 (Caldwell 95), o aglomerado do Triângulo Austral: guia completo de observação e astrofotografia

Imagem de referência (DSS2). Este objeto ainda não foi capturado no Observatório.
Crédito: Digitized Sky Survey 2 (DSS2) — STScI/NASA. UK Schmidt Telescope (UKST) / AAO–ROE. Créditos
O Triângulo Austral é uma daquelas constelações pequenas que o Sul deu ao mundo: três estrelas brilhantes formando um triângulo quase equilátero, ao lado dos Apontadores do Cruzeiro do Sul. Bem ao lado de uma delas, na divisa com Norma, mora o NGC 6025, um aglomerado aberto de estrelas brancas e diamantinas que Moore aponta provavelmente como o objeto mais interessante da constelação, no limite da visibilidade a olho nu e fácil em binóculos (Moore, The Observer's Year). É o número 95 da lista Caldwell, não tem apelido em nenhum dos livros da base, e do Rio de Janeiro sobe a mais de 50° de altura no céu de outono e inverno. Este guia reúne os dados, os mapas e a estratégia de observação e captura.
Texto em revisão. Este é um guia de teste no novo formato de objeto. As fontes estão listadas no final e as dúvidas, no campo de pendências.

Ficha técnica e designações
Visão geral: um aglomerado em X na divisa de duas constelações
Um aglomerado aberto é um grupo de estrelas nascidas juntas, ainda ligadas por uma gravidade fraca. O NGC 6025 tem cerca de 80 milhões de anos (Mobberley), uma idade intermediária, e situa-se na borda da faixa da Via Láctea, de modo que o campo ao redor é rico em estrelas de fundo. As estrelas mais brilhantes do aglomerado é que o fazem se destacar desse fundo.
O NGC 6025 em números. A magnitude integrada é de 5,1 (Mobberley e Bakich). A distância pela paralaxe do SIMBAD (1,2646 milissegundos de arco) é de cerca de 2.600 anos-luz, pouco acima dos 2.500 de Mobberley. O tamanho depende do critério: 12′ a 15′ para o núcleo visível (Bakich; Mobberley) e cerca de 35′ no SIMBAD, com as partes externas. Com o valor de 15′, o aglomerado tem uns 11 anos-luz (Mobberley); com o do SIMBAD, algo perto de 26.
Quantas estrelas. Depende do instrumento. Bakich conta cerca de 40 estrelas de magnitude 7 a 11 com um telescópio de 6 polegadas; Moore (Astronomy Encyclopedia) fala em cerca de 60, todas mais fracas que a 7ª magnitude; Tonkin conta uma dúzia ou mais em binóculos grandes.
Uma fronteira no meio do aglomerado. O centro do aglomerado fica no Triângulo Austral, mas a borda noroeste passa para Norma (Mobberley). Mobberley conta que Norma tem oito aglomerados dentro de suas fronteiras e outros três na divisa, e o NGC 6025 é um deles; o vizinho a nordeste, a cerca de 3° pelas coordenadas do SIMBAD (Mobberley diz 5°), é o Caldwell 89 (NGC 6087), o aglomerado da cefeida S Normae.
Estruturas notáveis
- A forma de X. Mobberley descreve o aglomerado como um X, com uma dúzia de estrelas de magnitude 8 a 10 que mantêm o observador interessado.
- MQ Trianguli Australis. A estrela mais brilhante do aglomerado (magnitude 7,1), no lado sudeste, com uma companheira de magnitude 8,1 a 1′ ao sul (Mobberley).
- V350 Normae. Uma estrela variável, de magnitude nominal 9,3, no lado noroeste, já em Norma, com uma estrela de 8,3 a 1′ a oeste; ela equilibra visualmente a MQ TrA, do lado oposto (Mobberley).
- Brancas como diamantes. Tonkin descreve as estrelas mais brilhantes como um brilhante diamante branco sobre um fundo de luz delicada.
- Galáxias de fundo. Algumas galáxias muito fracas ficam na direção do aglomerado, e uma delas, a PGC 56851 (mag. 15,3), aparece dentro do limite norte, na fronteira entre as duas constelações (Mobberley). Bakich cita outra, a PGC 56940 (mag. 14,6), a 20″ a sul-sudeste, com telescópio de 14 polegadas. São alvos só para CCD ou telescópios grandes.
Como localizar
Procure primeiro o triângulo de Triangulum Australe, a cerca de 10° a sudeste de Alfa Centauri (Mobberley). A estrela mais ao norte, Beta Trianguli Australis, tem magnitude 2,8; a partir dela, o aglomerado fica 3° ao norte e 1° a leste (Mobberley), ou 3,1° a nor-nordeste (Bakich). Tonkin sugere um caminho diferente: seguir a linha que liga Gama, Épsilon e Beta do Triângulo por mais 3°. Vale conferir a região com a carta do Cruzeiro do Sul, como referência geral.

Quando e como observar
Com declinação de cerca de −60,4°, o NGC 6025 culmina a cerca de 52° de altura no Rio de Janeiro. Ele não é circumpolar (Mobberley: só abaixo de 30° de latitude sul) e fica cerca de 18 horas por dia acima do horizonte (calculado). A melhor época, segundo Mobberley, é de abril a julho, com culminação à meia-noite por volta do fim de maio. Você olha para o sul, com o leste à esquerda.
O primeiro gráfico mostra a altura do objeto ao longo do ano para o local do observatório; o segundo, o caminho do NGC 6025 pelo céu nesta noite (zênite no centro, cores pela altura e linha pontilhada, tracejada ou contínua conforme o crepúsculo), seguido da altura hora a hora.
Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).
2026-10-12 · 19:20 – 04:10
Esta noite no céu
Este objeto não passa de 30° de altura nesta noite (máximo: 29°). Não é um bom alvo hoje.
- Melhor horário
- 19:20 · 29° SSW
- Horas acima de 45°
- 0,0 h
- Lua
- Lua crescente · 6 %
- Nota da noite
- 0 / 100
- Posição no céu
- 0
- Brilho
- 100 mag 5,1
- Enquadramento
- 100 ocupa 25 % do campo
Notas para SkyWatcher Explorer 200P + ZWO ASI294MC Pro (campo de 66′ × 45′).
- Crepúsculo civil (Sol até −12°)
- Crepúsculo náutico (−12° a −18°)
- Noite astronômica (Sol abaixo de −18°)
- Altura abaixo de 20°
- Altura abaixo de 30°
- Altura abaixo de 45°
- Hora cheia e meia hora
- Ponto mais alto
Valores hora a hora (tabela)
| Hora | Altura | Direção | Da Lua |
|---|---|---|---|
| 19:30 | 27° | SSW 212° | 41° |
| 20:00 | 24° | SSW 212° | 41° |
| 20:30 | 20° | SSW 212° | 41° |
| 21:00 | 17° | SSW 211° | 41° |
| 21:30 | 13° | SSW 209° | 41° |
| 22:00 | 10° | SSW 208° | 41° |
| 22:30 | 7° | SSW 206° | 40° |
| 23:00 | 4° | SSW 203° | 40° |
| 23:30 | 1° | SSW 201° | 40° |
| 00:00 | -1° | — | 40° |
| 00:30 | -3° | — | 40° |
| 01:00 | -5° | — | 40° |
| 01:30 | -6° | — | 40° |
| 02:00 | -6° | — | 40° |
| 02:30 | -7° | — | 39° |
| 03:00 | -6° | — | 39° |
| 03:30 | -6° | — | 39° |
| 04:00 | -5° | — | 39° |
Cálculo de baixa precisão (cerca de 0,3°), no fuso horário do local. Serve para planejar, não para apontar telescópios.
Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).
O que ver
| Instrumento | O que esperar |
|---|---|
| A olho nu | No limite da visibilidade em céu escuro (Bakich; Moore). Em Bortle 7, é preciso saber onde procurar e ter o objeto bem alto. |
| Binóculo (7×50 a 15×70) | O aglomerado aparece bem; em binóculos grandes, uma dúzia ou mais de estrelas se separa, as mais brilhantes num tom branco de diamante (Tonkin). Mobberley recomenda binóculos grandes ou maiores. |
| Telescópio de 100 a 150 mm | Cerca de 40 estrelas de 7ª a 11ª magnitude com 6 polegadas (Bakich); com ampliação baixa, a forma de X e a MQ TrA com sua companheira. |
| Telescópio de 300 mm ou mais | Mais estrelas, mas o aglomerado é aberto demais para ganhar muito com a abertura; o interesse extra são as galáxias de fundo, só para telescópios grandes e céu escuro (Bakich, com 14 polegadas). |
Expectativa honesta: o NGC 6025 é sutil, um "aglomerado em que o olho precisa achar o padrão". Em Bortle 7, o binóculo em uma noite limpa e sem Lua é o melhor caminho.
Astrofotografia: estratégia de captura
Enquadramento
Com 12′ a 35′, o aglomerado cabe bem num campo de 1° a 1,5°, como o de um refrator de 400 a 600 mm com sensor APS-C, e o enquadramento deve incluir as duas constelações e o campo estelar. Mobberley classifica como objeto fácil para CCD e DSLR.
Desafios do alvo
- Fundo estelar denso. Como o aglomerado está na borda da Via Láctea, é preciso cuidar para que as estrelas de fundo não afoguem o desenho em X.
- Cor das estrelas. As estrelas brancas e azuladas pedem exposições curtas e um RGB bem calibrado.
- Poluição luminosa. Como em qualquer aglomerado aberto, o problema é menor do que em nebulosas, mas o brilho do céu reduz o contraste.
Equipamento e filtros
Câmera colorida de um disparo. Filtros dual-band não servem, pois cortam as estrelas; um filtro anti-poluição leve pode ajudar em Bortle 7.
Exemplo de sessão (ponto de partida)
| Tipo de quadro | Quantidade | Exposição | Finalidade |
|---|---|---|---|
| Light (RGB) | 40 a 60 | 60 a 90 s | Cor das estrelas sem saturar |
| Dark | 20 | igual aos Lights | Calibração do ruído térmico |
| Flat | 30 | automática | Correção de vinheta e poeira |
| Bias ou dark-flat | 50 | mais curta possível | Calibração do ruído de leitura |
Esses números são um ponto de partida e não vêm dos livros.
Smart telescopes e campo de visão
O aglomerado cabe com folga no campo de um smart telescope como o Seestar S50 (cerca de 1,3° × 0,7°), e o quadro inclui o campo estelar. Aparece com poucos minutos de empilhamento. Escolha o seu modelo no mapa abaixo para ver o retângulo do campo sobre o objeto.
Carrega o mapa do CDS (Estrasburgo) e imagens DSS2 direto do servidor deles; nada é carregado antes do clique.
Considerações finais
O NGC 6025 é um objeto pequeno e agradável para aprender a ler o céu do sul: um triângulo de referência, um aglomerado em X e uma fronteira de constelações que atravessa o campo. Não é um espetáculo, mas a combinação de estrelas brancas com uma variável e galáxias fracas ao fundo o torna um bom alvo para uma noite tranquila. Como sequência, o NGC 6087, a uns 3° dali, e o NGC 6193 são as escolhas mais naturais.
Referências
- BAKICH, Michael E. 1,001 Celestial Wonders to See Before You Die: The Best Sky Objects for Star Gazers. New York: Springer, 2010. Objeto nº 407 (NGC 6025).
- MOBBERLEY, Martin. The Caldwell Objects and How to Observe Them. New York: Springer, 2009. Caldwell 95, p. 198.
- MOORE, Patrick. The Observer's Year: 366 Nights of the Universe. 2. ed. London: Springer, 2005. Triângulo Austral (página impressa a conferir).
- MOORE, Patrick (ed.). Philip's Astronomy Encyclopedia. London: Philip's. Verbete "Triangulum Australe", p. 412 (a conferir edição e ano).
- TONKIN, Stephen. Binocular Astronomy. London: Springer, 2007. "Triangulum Australe: Open Cluster: NGC 6025", p. 238.
- SIMBAD Astronomical Database. Centre de Données astronomiques de Strasbourg (CDS). Consulta a coordenadas, paralaxe e dimensões de NGC 6025, em 21 set. 2026.
- HYG Database (v4.1), David Nash / Astronexus, licença CC BY-SA 4.0, para a carta de localização; mapa Aladin Lite e imagem DSS2 do Centre de Données astronomiques de Strasbourg.