setembro 21, 2026

NGC 300 (Caldwell 70), o Cata-vento do Sul: guia completo de observação e astrofotografia

Imagem de referência (DSS2) de NGC 300 — objeto ainda não capturado no observatório

Imagem de referência (DSS2). Este objeto ainda não foi capturado no Observatório.

Crédito: Digitized Sky Survey 2 (DSS2) — STScI/NASA. UK Schmidt Telescope (UKST) / AAO–ROE. Créditos

No céu do norte, o Cata-vento é M33, em Triângulo, uma espiral grande e de baixo brilho que dá trabalho para quem não tem um céu escuro. O céu do sul tem o seu, e é quase um espelho. NGC 300, no Escultor, é o "Cata-vento do Sul" (Mobberley) e, para Bakich, talvez a espiral mais clássica do céu. O preço é o mesmo do seu equivalente do norte: o brilho por área é muito baixo, e o Rio de Janeiro, com céu Bortle 7, a esconde com facilidade. Este guia mostra como achá-la, o que esperar e como fotografá-la.

Texto em revisão. Este é um guia de teste do novo formato de objeto, do lote do catálogo Caldwell. As fontes estão listadas no final e as dúvidas, na lista de pendências.

Imagem de referência (DSS2) de NGC 300 — objeto ainda não capturado no observatório
Digitized Sky Survey 2 (DSS2) — STScI/NASA. UK Schmidt Telescope (UKST) / AAO–ROE. Imagem de referência: este objeto ainda não foi fotografado no Observatório. Créditos

Ficha técnica e designações

Visão geral: uma espiral vista de mais de 40° de inclinação

NGC 300 é uma espiral de braços abertos, e a ideia de que é irmã de M33 é de Mobberley: M33 está pelo menos 30% mais perto, e vemos a Galáxia do Triângulo quase de frente, enquanto NGC 300 aparece inclinada em cerca de 45°. Mesmo assim, em fotografias profundas as duas se parecem muito, com a mesma estrutura. Ambas têm brilho superficial médio de cerca de 23 magnitudes por segundo de arco ao quadrado (Mobberley), o que exige um céu limpo e escuro.

Bakich descreve a região central como larga, quase um terço do comprimento da galáxia, e o núcleo, pequeno e quase estelar. Os braços têm faixas escuras e nós de formação de estrelas.

NGC 300 em números. Magnitude total de 8,1 (Bakich; Mobberley), embora o catálogo do site traga 8,66. O diâmetro aparente no SIMBAD é de cerca de 21′ × 13′ (os livros trazem 20′ × 13′ a 20′ × 15′), isto é, cerca de dois terços da largura da Lua cheia, mas espalhados de modo tão tênue que o brilho real é o de uma mancha fraca. Tonkin diz que ela é "aparentemente de nona magnitude", com brilho superficial extremamente baixo.

Distância. A distância é de cerca de 4 milhões de anos-luz (valor dos livros; o SIMBAD não traz paralaxe utilizável), e Mobberley dá um tamanho real de cerca de 25.000 anos-luz. É membro do Grupo do Escultor, junto com NGC 55, NGC 247 e NGC 253 (Bakich).

Supernovas. Mobberley nota que a galáxia ainda "espera uma descoberta de supernova".

Estruturas notáveis

  • Os dois braços principais. Com 300 mm ou mais, procure faixas escuras e nós de formação estelar ao longo deles (Bakich).
  • O núcleo pequeno. Quase estelar, é a parte que se vê primeiro (Bakich).
  • As estrelas de primeiro plano. Muitas estrelas da nossa Galáxia compõem a cena (Bakich).
  • As regiões de hidrogênio ionizado, rosadas. Só as imagens profundas mostram os braços azulados pontilhados de rosa (Mobberley).

Como localizar

Mobberley parte de Ankaa (Alfa Phoenicis, estrela de magnitude 2,4): vá 4½° para o norte e 5½° para leste. Tonkin descreve outro caminho, com um triângulo formado por NGC 300 e as estrelas u e lambda-2 do Escultor: NGC 300 fica no vértice obtuso e as outras duas, na base. Ela também está na mesma linha de galáxias que sai de Diphda para o sul, junto de NGC 247 e NGC 253; NGC 55 fica mais a oeste, a cerca de 8° (Mobberley).

Carta de localização de NGC 300: as estrelas-guia nomeadas, setas tracejadas com a distância em graus até o alvo, escala em graus e indicação de norte e leste.
Carta de localização (star-hopping), no mesmo estilo das cartas de constelação: norte e leste indicados no canto. Anéis laranja: estrelas-guia; setas tracejadas: o caminho até o alvo, com a distância em graus; anel verde: o alvo (e, com a designação, outros objetos do campo); a barra mostra a escala. As linhas são as oficiais das constelações (d3-celestial), os limites são os da IAU e as estrelas vêm do catálogo HYG.

Quando e como observar

Com −37,7° de declinação, NGC 300 culmina a cerca de 75° de altura no Rio de Janeiro. A melhor época vai de agosto a dezembro (Mobberley), e Bakich a indica para outubro. Ao observá-la, o norte fica para cima e o leste, à esquerda. Como se trata de um alvo de baixo brilho por área, dê prioridade a uma noite de céu transparente, sem lua, e ao local mais escuro que você consiga alcançar. Mollise observa, a respeito de NGC 253, que a passagem de frentes frias limpa o céu, e vale o mesmo aqui. Use pouco aumento, cerca de um quarto da abertura em milímetros (Mobberley), e não espere ver mais de dois terços do diâmetro da galáxia.

Altura de NGC 300 ao longo do anoAltura à meia-noite astronômica e altura máxima da noite, a cada 5 dias. Melhor época: de julho a dezembro. O objeto chega a 75° à meia-noite em outubro.0°30°60°90°JANFEVMARABRMAIJUNJULAGOSETOUTNOVDEZ8 out · 75°hoje
Altura ao longo do ano, a cada 5 dias: linha contínua = altura no meio da noite astronômica (Sol abaixo de −18°); tracejada = maior altura durante a noite escura; faixa verde = melhor época; linhas pontilhadas em 30° e 45°. A linha vertical marca hoje. Melhor época para este local: de julho a dezembro (objeto acima de 30° no meio da noite). Ponto mais alto: 75° em 8 de outubro.

Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).

2026-10-12 · 19:20 – 04:10

Esta noite no céu

Melhores alvos da noite
Melhor horário
23:20 · 75° S
Horas acima de 45°
6,7 h
Lua
Lua crescente · 6 %
Nota da noite
85 / 100
Posição no céu
89
Brilho
59 mag 8,7
Enquadramento
100 ocupa 43 % do campo

Notas para SkyWatcher Explorer 200P + ZWO ASI294MC Pro (campo de 66′ × 45′).

Trajetória de NGC 300 pelo céu nesta noiteCéu visto de baixo, zênite no centro e horizonte na borda. O objeto fica acima do horizonte entre 18:20 e 04:50 durante a noite; o ponto mais alto é às 23:20, com 75°. A tabela ao lado traz os mesmos valores.15°30°45°60°75°NNELSESSOONO19:0020:0021:0022:0023:0000:0001:0002:0004:00
Caminho do objeto pelo céu nesta noite, do fim do crepúsculo civil ao amanhecer. Centro = zênite, borda = horizonte; visto olhando para cima (leste à esquerda, oeste à direita). Marcadores a cada 30 minutos.
  • Crepúsculo civil (Sol até −12°)
  • Crepúsculo náutico (−12° a −18°)
  • Noite astronômica (Sol abaixo de −18°)
  • Altura abaixo de 20°
  • Altura abaixo de 30°
  • Altura abaixo de 45°
  • Hora cheia e meia hora
  • Ponto mais alto
Valores hora a hora (tabela)
Altura e direção do objeto a cada 30 minutos
Hora Altura Direção Da Lua
19:30 38° ESE 121° 115°
20:00 44° ESE 121° 115°
20:30 50° ESE 122° 115°
21:00 56° SE 124° 115°
21:30 62° SE 128° 115°
22:00 67° SE 134° 114°
22:30 72° SE 145° 114°
23:00 75° SSE 163° 114°
23:30 75° S 186° 114°
00:00 73° SSW 207° 114°
00:30 69° SW 221° 113°
01:00 64° SW 230° 113°
01:30 59° SW 235° 113°
02:00 53° WSW 237° 113°
02:30 47° WSW 239° 113°
03:00 41° WSW 239° 113°
03:30 35° WSW 239° 112°
04:00 29° WSW 239° 112°
Altura de NGC 300 ao longo da noiteAltura em graus a cada 30 minutos. O ponto mais alto é às 23:20, com 75°. A tabela abaixo traz os mesmos valores.0°30°60°90°20212223000102030423:20 · 75°
Altura em graus ao longo da noite escura (linhas em 30° e 45°). A Lua aparece tracejada.

Cálculo de baixa precisão (cerca de 0,3°), no fuso horário do local. Serve para planejar, não para apontar telescópios.

Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).

O que ver

Instrumento O que esperar
A olho nu Invisível.
Binóculo (7×50 a 15×70) Tonkin a compara a um M33 em miniatura: ela está para um binóculo 37×100 como M33 está para um 10×50, e é de difícil visão em latitudes temperadas do norte. Em binóculo comum no Rio, muito fraca, se aparecer.
Telescópio de 100 a 150 mm Mobberley recomenda 15 cm ou mais. Com 200 mm já se percebe o formato de cata-vento (Bakich).
Telescópio de 300 mm ou mais Os dois braços, com faixas escuras e nós de formação de estrelas (Bakich).

Expectativa honesta: em Bortle 7 é um alvo muito difícil a olho nu ou binóculo; é um "teste de céu", e não uma galáxia de mostruário. Mobberley ainda avisa que, mesmo em deserto, as bordas externas dos braços estão apenas ligeiramente acima do céu, e que só se vê cerca de dois terços do disco.

Astrofotografia: estratégia de captura

Enquadramento

Com uns 20′ de diâmetro, NGC 300 cabe em quase qualquer campo. Mobberley diz que é de tamanho perfeito para grandes sensores em um Schmidt-Cassegrain a f/6,3. Com 1.000 mm e uma câmera como a ASI294MC Pro (cerca de 1,1° × 0,75°, cálculo geométrico), a galáxia preenche um terço do quadro, com espaço para as estrelas de campo.

Desafios do alvo

  • Brilho superficial baixo. É o desafio principal: os braços externos estão pouco acima do céu. Em Bortle 7, o tempo total de exposição e a calibração cuidadosa contam mais do que qualquer truque de processamento.
  • Gradientes do céu poluído. Modelar e remover o gradiente antes de esticar o histograma.
  • Cor. As imagens profundas trazem braços azul-claros com nós rosados (Mobberley). Cuidado para não saturar o fundo ao realçar o rosa.

Equipamento e filtros

Mobberley indica LRGB ou RGB profundo. A imagem que ele cita, de Robert Gendler, usou 11 horas de LRGB com um refletor de 37 cm em f/9. Um filtro dual-band pode realçar as regiões de hidrogênio em câmera colorida, mas não há indicação nos livros.

Exemplo de sessão (ponto de partida)

Tipo de quadro Quantidade Exposição Finalidade
Light (LRGB ou colorida) 100 ou mais 180 s O mais importante é o tempo total (muitas horas)
Dark 30 igual aos Lights Ruído térmico
Flat 30 automática Vinheta e poeira
Bias ou dark-flat 50 mais curta possível Ruído de leitura

Esses números são um ponto de partida, e não vêm dos livros. A referência de Mobberley é de 11 horas de LRGB em céu escuro.

Smart telescopes e campo de visão

NGC 300 cabe com folga no campo de um smart telescope como o Seestar S50 (cerca de 1,3° × 0,7°). Como o objeto é difuso, o resultado depende de horas de empilhamento; espere ver, no início, uma mancha fraca e, depois, os braços. Escolha o seu modelo no mapa para ver o retângulo do campo.

0°

Carrega o mapa do CDS (Estrasburgo) e imagens DSS2 direto do servidor deles; nada é carregado antes do clique.

Considerações finais

NGC 300 é uma galáxia para quem já domina o básico: precisa de céu escuro, paciência e tempo total. Para o Rio de Janeiro, é melhor tratá-la como um projeto fotográfico ou como um teste para uma viagem a um céu mais escuro. Combine-a com sua vizinha, a NGC 55, na mesma noite, e com a mais fácil das galáxias do Escultor, a NGC 253.

Referências

  • BAKICH, Michael E. 1,001 Celestial Wonders to See Before You Die: The Best Sky Objects for Star Gazers. New York: Springer, 2010. Objeto nº 777 (NGC 300).
  • MOBBERLEY, Martin. The Caldwell Objects and How to Observe Them. New York: Springer, 2009. Caldwell 70, p. 148-149.
  • MOLLISE, Rod. The Urban Astronomer's Guide: A Walking Tour of the Cosmos for City Sky Watchers. London: Springer, 2006. NGC 253 (dica sobre frentes frias), p. 195.
  • TONKIN, Stephen. Binocular Astronomy. London: Springer, 2007. "Sculptor: Galaxy: NGC 300", p. 228.
  • SIMBAD Astronomical Database. Centre de Données astronomiques de Strasbourg (CDS). Consulta a coordenadas e dimensões, em 21 set. 2026.
  • HYG Database (v4.1), David Nash / Astronexus, licença CC BY-SA 4.0, para a carta de localização; mapa Aladin Lite e imagem DSS2 do Centre de Données astronomiques de Strasbourg.