setembro 21, 2026

NGC 2261 (Caldwell 46), a Nebulosa Variável de Hubble: guia completo de observação e astrofotografia

Imagem de referência (DSS2) de NGC 2261 — Nebulosa Variável de Hubble — objeto ainda não capturado no observatório

Imagem de referência (DSS2). Este objeto ainda não foi capturado no Observatório.

Crédito: Digitized Sky Survey 2 (DSS2) — STScI/NASA. Palomar Observatory / Caltech (POSS-II). Créditos

A maioria dos objetos do céu profundo muda em escalas de milhares de anos, e por isso parece "parada" para sempre. A Nebulosa Variável de Hubble é uma exceção: seu brilho e sua forma podem mudar de semanas em semanas, e quem a fotografa ao longo de meses vê a nebulosa "piscar" como a chama de uma vela (Mobberley). Fica em Monoceros, a poucos graus da Roseta e da Árvore de Natal, a leste de Órion, e é a Caldwell 46. Muita gente já viu a imagem, mas não sabe exatamente onde ela fica ou o que é; Mobberley observa que a proximidade da Roseta e das joias de Órion tende a afastar os observadores dela, e que, na prática, ela é mais fácil do que se imagina em um telescópio modesto.

Texto em revisão. Este é um artigo de teste do novo formato de guia de objeto. Ele substitui o guia de astrofotografia e a página de exploração do objeto. As fontes estão listadas no final.

Imagem de referência (DSS2) de NGC 2261 — Nebulosa Variável de Hubble — objeto ainda não capturado no observatório
Digitized Sky Survey 2 (DSS2) — STScI/NASA. Palomar Observatory / Caltech (POSS-II). Imagem de referência: este objeto ainda não foi fotografado no Observatório. Créditos

Ficha técnica e designações

Visão geral: o que é uma nebulosa de reflexão variável

Uma nebulosa de reflexão não emite luz própria: ela reflete a luz de uma estrela próxima, e é por isso que tem um tom mais azulado e que os filtros de poluição luminosa não ajudam (Mollise). Na Variável de Hubble, a estrela é R Monocerotis, no vértice sul da nebulosa, um ponto de aparência estelar (Mobberley). Como a nebulosa e a estrela variam, a comparação é interessante: Mobberley calcula que a nebulosa tem pelo menos 30 meses-luz de comprimento, se estiver de frente para nós, de modo que as variações não podem ser simultâneas com as da estrela.

O que muda e por quê. Edwin Hubble estudou a nebulosa a partir de 1916, e o nome é dele. C. O. Lampland, no Lowell, examinou mais de mil fotografias e mostrou que as bordas claras e escuras se moviam quase à velocidade da luz (Coe). Isso descarta movimentos reais de gás e poeira e aponta para sombras: uma nuvem escura passa em volta de R Mon e projeta sombras que fazem a forma da nebulosa parecer mudar (Coe; Bakich). Um estudo de radiotelescópio encontrou uma nuvem molecular na região, e talvez seja essa a responsável (Coe). Mobberley propõe algo parecido, com nuvens de poeira perto de R Mon que às vezes se abrem e deixam a luz da estrela, de cerca de 5.500 luminosidades solares, chegar à nebulosa. Tudo isso deve ser lido como hipótese explicativa, e não como fato fechado.

Números. A nebulosa mede cerca de 3,5′ × 1,5′ (Mobberley; Bakich) e fica a 2.500 anos-luz (Mobberley) ou 2.600 (Coe), o que a coloca perto da Nebulosa do Cone (NGC 2264), de modo que parecem associadas (Coe). O SIMBAD identifica "NGC 2261" com a estrela R Mon (tipo espectral B8, magnitude visual 11,85) e não traz paralaxe nem dimensões da nebulosa. O brilho da nebulosa varia entre as magnitudes 11 e 13,8 (Mobberley), e Monks lembra que a variação é irregular e acontece em algumas semanas.

História. Bakich atribui a descoberta a William Herschel, em 1783, e diz que a nebulosa foi o primeiro objeto fotografado pelo telescópio Hale de 200 polegadas de Palomar, por Hubble, em 26 de janeiro de 1949. Mobberley acrescenta que só existem outras quatro nebulosas variáveis conhecidas: a Caldwell 68, as de Hinds, de McNeil e de Gyulbudaghian.

Estruturas notáveis

  • O vértice com R Mon. Um ponto brilhante que parece uma estrela, no extremo sul do leque (Mobberley). É a fonte de luz da nebulosa.
  • A forma de cometa. Um leque triangular, com a "cabeça" ao sul, que Mobberley compara a um cometa de décima magnitude; Bakich fala em um brilho uniforme e bordas nítidas, exceto ao norte.
  • A faixa escura. Em 200 aumentos com um telescópio de 11 polegadas, Coe vê uma faixa escura que quase corta a nebulosa ao meio, com o lado oeste mais brilhante e maior.
  • As sombras móveis. É o que faz a nebulosa "mudar": áreas claras e escuras deslocando-se de uma semana para outra.

Como localizar

O caminho tradicional parte de Betelgeuse, no canto nordeste de Órion: a nebulosa fica 1,5° ao norte e 11° a leste da estrela (Mobberley). Tenha em mente que 11° é um bom pedaço de céu. A Roseta (Caldwell 49/50, NGC 2244) fica cerca de 4° a sul-sudoeste (Mobberley), e a Nebulosa do Cone e a Árvore de Natal estão logo ao norte (cerca de 1°, calculado a partir das coordenadas), o que permite juntar os três alvos numa noite. Coe lembra ainda NGC 2245, uma pequena nebulosa em leque a 2,5° dali. Para a região em geral, veja o guia de Órion e a Nebulosa de Órion (M 42).

Carta de localização de NGC 2261: as estrelas-guia nomeadas, setas tracejadas com a distância em graus até o alvo, escala em graus e indicação de norte e leste.
Carta de localização (star-hopping), no mesmo estilo das cartas de constelação: norte e leste indicados no canto. Anéis laranja: estrelas-guia; setas tracejadas: o caminho até o alvo, com a distância em graus; anel verde: o alvo (e, com a designação, outros objetos do campo); a barra mostra a escala. As linhas são as oficiais das constelações (d3-celestial), os limites são os da IAU e as estrelas vêm do catálogo HYG.

Quando e como observar

Com declinação de cerca de +9°, NGC 2261 culmina a cerca de 58° de altura no Rio de Janeiro, ao norte do zênite. A melhor época vai de dezembro a março (Bakich sugere dezembro; Mobberley, novembro a fevereiro), quando Monoceros está bem alta no início da noite. Olhando para o norte, o norte celeste fica para baixo e o leste à direita.

Como a nebulosa muda, o melhor plano é revisitá-la: anote a forma que você vê e compare em outras noites (Mollise sugere manter um diário de desenhos, e Monks lembra que a variação leva algumas semanas). Os gráficos abaixo mostram a altura ao longo do ano e o caminho no céu nesta noite.

Altura de Nebulosa Variável de Hubble ao longo do anoAltura à meia-noite astronômica e altura máxima da noite, a cada 5 dias. Melhor época: de novembro a fevereiro. O objeto chega a 58° à meia-noite em janeiro.0°30°60°90°JANFEVMARABRMAIJUNJULAGOSETOUTNOVDEZ1 jan · 58°hoje
Altura ao longo do ano, a cada 5 dias: linha contínua = altura no meio da noite astronômica (Sol abaixo de −18°); tracejada = maior altura durante a noite escura; faixa verde = melhor época; linhas pontilhadas em 30° e 45°. A linha vertical marca hoje. Melhor época para este local: de novembro a fevereiro (objeto acima de 30° no meio da noite). Ponto mais alto: 58° em 1 de janeiro.

Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).

2026-10-12 · 19:20 – 04:10

Esta noite no céu

Melhores alvos da noite
Melhor horário
04:00 · 55° NNE
Horas acima de 45°
1,2 h
Lua
Lua crescente · 6 %
Nota da noite
37 / 100
Posição no céu
52
Brilho
10 mag 11,9
Enquadramento
18 ocupa 4 % do campo

Notas para SkyWatcher Explorer 200P + ZWO ASI294MC Pro (campo de 66′ × 45′).

Trajetória de NGC 2261 — Nebulosa Variável de Hubble pelo céu nesta noiteCéu visto de baixo, zênite no centro e horizonte na borda. O objeto fica acima do horizonte entre 23:30 e 04:50 durante a noite; o ponto mais alto é às 04:00, com 55°. A tabela ao lado traz os mesmos valores.15°30°45°60°75°NNELSESSOONO00:0001:0002:0003:0004:00
Caminho do objeto pelo céu nesta noite, do fim do crepúsculo civil ao amanhecer. Centro = zênite, borda = horizonte; visto olhando para cima (leste à esquerda, oeste à direita). Marcadores a cada 30 minutos.
  • Crepúsculo civil (Sol até −12°)
  • Crepúsculo náutico (−12° a −18°)
  • Noite astronômica (Sol abaixo de −18°)
  • Altura abaixo de 20°
  • Altura abaixo de 30°
  • Altura abaixo de 45°
  • Hora cheia e meia hora
  • Ponto mais alto
Valores hora a hora (tabela)
Altura e direção do objeto a cada 30 minutos
Hora Altura Direção Da Lua
19:30 -53° — 123°
20:00 -46° — 123°
20:30 -40° — 124°
21:00 -33° — 124°
21:30 -26° — 124°
22:00 -19° — 124°
22:30 -12° — 125°
23:00 -5° — 125°
23:30 2° E 80° 125°
00:00 9° ENE 77° 125°
00:30 15° ENE 73° 125°
01:00 22° ENE 70° 126°
01:30 28° ENE 66° 126°
02:00 35° ENE 61° 126°
02:30 40° NE 55° 126°
03:00 46° NE 48° 127°
03:30 51° NE 39° 127°
04:00 55° NNE 29° 127°
Altura de NGC 2261 — Nebulosa Variável de Hubble ao longo da noiteAltura em graus a cada 30 minutos. O ponto mais alto é às 04:00, com 55°. A tabela abaixo traz os mesmos valores.0°30°60°90°202122230001020304abaixo do horizonte04:00 · 55°
Altura em graus ao longo da noite escura (linhas em 30° e 45°). A Lua aparece tracejada.

Cálculo de baixa precisão (cerca de 0,3°), no fuso horário do local. Serve para planejar, não para apontar telescópios.

Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).

O que ver

Instrumento O que esperar
A olho nu Fora de alcance.
Binóculo (10×50) Provavelmente só a estrela R Mon; a nebulosa, se aparecer, é uma mancha muito fraca. Os livros lidos não descrevem o objeto em binóculo.
Telescópio de 100 a 150 mm Monks diz que 100 mm mostra a parte brilhante, no vértice do leque. Coe, com 150 mm e 14 mm de ocular, vê facilmente o formato de cunha das fotografias de Palomar; com 6,7 mm, uma forma triangular ou de cometa, com a estrela na ponta e o lado oeste se estendendo mais. Bakich diz que aparece até em 75 mm.
Telescópio de 250 a 300 mm Bakich pede pelo menos 300 mm e 250 aumentos para render. Em 11 polegadas (280 mm) a 200 aumentos, Coe vê um objeto "bastante brilhante e grande", a figura irregular fácil, o núcleo estelar no ápice, a faixa escura e o lado oeste mais brilhante. Visão desviada aumenta a extensão.

Expectativa honesta: Mobberley recomenda 15 cm ou mais e um filtro de céu profundo; Mollise, ao contrário, diz que filtros de poluição luminosa não ajudam, por se tratar de nebulosa de reflexão, e que a região se beneficia de campo largo e de um céu razoável. Em Bortle 7, a parte mais brilhante do leque é visível, mas o contorno e as diferenças entre noites são mais difíceis; nesse caso, vale mais o desenho ao longo das semanas do que a expectativa de uma imagem de fotografia.

Astrofotografia: estratégia de captura

Enquadramento

Com cerca de 3,5′ × 1,5′, a nebulosa é pequena. Numa configuração de 1.000 mm de focal com uma câmera como a ASI294MC Pro (cerca de 1,1° × 0,75°, calculado), ela ocupa uma fração pequena do quadro, e uma focal de 1.500 a 2.000 mm é melhor para mostrar a forma. Para uma foto de campo mais aberto, o grupo Roseta, Cone e NGC 2261 cabe em um quadro largo com uma lente de 100 a 200 mm.

Desafios do alvo

  • Variação. Mobberley sugere que o melhor uso do objeto é a animação: várias noites de fotos, alinhadas e reunidas em uma sequência que mostra o "piscar" da nebulosa. Para isso, mantenha sempre o mesmo enquadramento, a mesma exposição e o mesmo processamento.
  • Tamanho. Foco e guiagem contam mais que o tempo total.
  • Cor. É uma nebulosa de reflexão, azulada; as regiões vizinhas de emissão têm o vermelho de H-alfa (Mollise).

Equipamento e filtros

Câmera colorida de um disparo ou monocromática com LRGB. Os filtros de banda estreita não são o caminho para a parte de reflexão. Mobberley o classifica como ótimo alvo para animação. Fotografe perto do meridiano.

Exemplo de sessão (ponto de partida)

Tipo de quadro Quantidade Exposição Finalidade
Light (RGB) 40 a 80 por noite 60 a 120 s Um conjunto por noite, sempre com os mesmos parâmetros, para comparar
Dark 30 igual aos Lights Calibração do ruído térmico
Flat 30 automática Correção de vinheta e poeira
Bias ou dark-flat 50 mais curta possível Calibração do ruído de leitura

Esses números são um ponto de partida do autor do guia, e não vêm dos livros.

Smart telescopes e campo de visão

Num smart telescope como o Seestar S50 (campo de cerca de 1,3° × 0,7°), a nebulosa aparece pequena no centro do quadro, e vale a pena repetir a sessão em várias noites para comparar o formato. Escolha o seu modelo no mapa abaixo para ver o retângulo do campo sobre o objeto.

0°

Carrega o mapa do CDS (Estrasburgo) e imagens DSS2 direto do servidor deles; nada é carregado antes do clique.

Considerações finais

A Variável de Hubble é um convite a observar o céu como um projeto de longo prazo: a mesma nebulosa, vista em noites diferentes, pode ter formas distintas. Do Rio de Janeiro, em dezembro a março, ela está bem alta, e um caderno de desenhos ou uma pilha de fotos alinhadas já contam uma história. Combine-a com a Roseta, com o Cone e com Órion, na mesma noite.

Referências

  • BAKICH, Michael E. 1,001 Celestial Wonders to See Before You Die: The Best Sky Objects for Star Gazers. New York: Springer, 2010. Objeto nº 1.001 (NGC 2261).
  • COE, Steven R. Nebulae and How to Observe Them. London: Springer, 2007. NGC 2261, p. 72.
  • MOBBERLEY, Martin. The Caldwell Objects and How to Observe Them. New York: Springer, 2009. Caldwell 46, p. 104-105.
  • MOLLISE, Rod. The Urban Astronomer's Guide: A Walking Tour of the Cosmos for City Sky Watchers. London: Springer, 2006. Roseta e Variável de Hubble, p. 221-223.
  • MONKS, Neale. Go-To Telescopes Under Suburban Skies. London: Springer, 2010. NGC 2261 (Hubble's Variable Nebula), sem página confirmada.
  • SIMBAD Astronomical Database. Centre de Données astronomiques de Strasbourg (CDS). Consulta a coordenadas e fotometria de NGC 2261 (V* R Mon), em 21 set. 2026.
  • HYG Database (v4.1), David Nash / Astronexus, licença CC BY-SA 4.0, para a carta de localização; mapa Aladin Lite e imagem DSS2 do Centre de Données astronomiques de Strasbourg.