setembro 21, 2026

Mel 25 (Caldwell 41), as Híades: guia completo de observação e astrofotografia

Imagem de referência (DSS2) de Mel 25 — Híades — objeto ainda não capturado no observatório

Imagem de referência (DSS2). Este objeto ainda não foi capturado no Observatório.

Crédito: Digitized Sky Survey 2 (DSS2) — STScI/NASA. Palomar Observatory / Caltech (POSS-II). Créditos

Há aglomerados que pedem telescópio e há aglomerados que pedem só que você olhe para cima. As Híades são do segundo tipo: um V de estrelas de brilho médio, espalhado por uns 5° de céu, que tantos povos usaram como o focinho ou o rosto do Touro. É o aglomerado aberto mais próximo do Sol, a cerca de 155 anos-luz, e a proximidade tem um efeito estranho: o grupo é tão grande no céu que fica difícil enxergá-lo como um "objeto". Ele pertence à lista Caldwell (C 41) e ao catálogo Melotte (Mel 25). Do Rio de Janeiro, aparece alto ao norte no fim da primavera e no verão. Este guia reúne os dados, o mapa, os gráficos de altura e as estratégias de observação e de fotografia. O contexto da constelação, com Aldebaran, as Plêiades e a Nebulosa do Caranguejo, está no guia de Touro.

Texto em revisão. Este guia segue o novo formato de artigo de objeto. As fontes estão listadas no final.

Imagem de referência (DSS2) de Mel 25 — Híades — objeto ainda não capturado no observatório
Digitized Sky Survey 2 (DSS2) — STScI/NASA. Palomar Observatory / Caltech (POSS-II). Imagem de referência: este objeto ainda não foi fotografado no Observatório. Créditos

Ficha técnica e designações

Visão geral: o que é um aglomerado aberto

Um aglomerado aberto é um grupo de estrelas nascidas juntas, da mesma nuvem de gás, que ainda se movem em conjunto. Ao contrário dos aglomerados globulares, ele é frouxo, com centenas de membros em vez de centenas de milhares, e vive pouco: com o tempo, as estrelas se dispersam pela Galáxia. As Híades já têm entre cerca de 600 e 800 milhões de anos, dependendo da fonte (Mobberley; Kambič), e são um bom exemplo de um aglomerado de meia-idade.

As Híades em números. A paralaxe do aglomerado no SIMBAD dá cerca de 155 anos-luz, valor que este guia adota. Os livros ficam entre 147 e 151 (Allison; Mobberley; Moore e Rees). Moore e Rees o chamam de aglomerado aberto mais próximo, com 300 a 400 estrelas, núcleo de cerca de 18 anos-luz e extensão total de cerca de 65 anos-luz; o Kambič dá 75 anos-luz para o conjunto. A magnitude integrada é de cerca de 0,5, e o tamanho aparente, de 5° a 5,5° (Mobberley; Allison), mais de dez vezes o diâmetro da Lua cheia. A estrela mais brilhante do aglomerado tem magnitude 3,4 (Allison). O grupo se move a cerca de 40 km/s (Kambič).

Aldebaran não é das Híades. A estrela brilhante que parece o olho do touro está a cerca de 65 anos-luz (Mobberley; Moore e Rees), quer dizer, bem mais perto do que o aglomerado, uns 20 anos-luz antes dele: uma coincidência de perspectiva. Mobberley faz a conta de brincadeira: de um planeta em volta de Aldebaran, o Sol seria uma estrela de magnitude 6,3, e as Híades apareceriam quase duas vezes maiores do que vemos daqui. Esse mesmo raciocínio mostra que Aldebaran é uma gigante vermelha uns 150 vezes mais luminosa que o Sol, com diâmetro de quase 40 vezes o solar (Mobberley; Kambič).

Uma história de movimento próprio. Kambič lembra que uma ocultação de Aldebaran pela Lua, registrada em Atenas em 509 d.C., levou Edmond Halley a perceber que as estrelas "fixas" se movem: ao comparar as posições de Aldebaran, Sírio e Arcturo com registros antigos, ele concluiu que elas mudaram de lugar.

Estruturas notáveis

  • O V. A forma clássica do aglomerado: um V aberto, com as estrelas mais brilhantes nas duas "pernas". A olho nu, ele parece só um V vago, e é mais fácil de ver se Aldebaran ficar escondida atrás de um poste ou de um telhado (Mobberley).
  • Estrelas laranja. Épsilon (3,5) e gama (3,6) do Touro são gigantes de cor alaranjada, e mostram bem que o aglomerado tem estrelas evoluídas (dados do guia de Touro, a partir do SIMBAD).
  • Teta do Touro. Uma dupla visível a olho nu, de estrelas de magnitudes 3,4 e 3,9, separadas por 337″, uma branca e outra laranja (Kambič). Com binóculo, o contraste de cores fica evidente.
  • Sigma do Touro. Uma dupla apenas aparente, de 437,5″ (Kambič).
  • O campo de estrelas. Descontadas Aldebaran e um punhado de estrelas de 3ª a 5ª magnitude, a maioria dos membros tem magnitude 6, 7 ou 8 (Mobberley). O Kambič conta cerca de 28 estrelas a olho nu, mais de 160 em binóculo até a magnitude 9 e mais de 400 até a 11.

Como localizar

Não há muito o que procurar: encontre Aldebaran, a estrela laranja brilhante de Touro, e o V de estrelas mais fracas que a acompanha é o aglomerado (Mobberley). Como ela fica cerca de 13° a sudeste das Plêiades, é fácil de ligar ao aglomerado de M 45. Para achar Touro a partir de Órion, siga a linha do cinturão de Órion para o norte até Aldebaran. Uma boa vizinha é o aglomerado NGC 1647, de magnitude 6, cerca de 3° a nordeste de Aldebaran (Mobberley), que pode ser visto no mesmo campo de binóculo.

Carta de localização de Mel 25: as estrelas-guia nomeadas, setas tracejadas com a distância em graus até o alvo, escala em graus e indicação de norte e leste.
Carta de localização (star-hopping), no mesmo estilo das cartas de constelação: norte e leste indicados no canto. Anéis laranja: estrelas-guia; setas tracejadas: o caminho até o alvo, com a distância em graus; anel verde: o alvo (e, com a designação, outros objetos do campo); a barra mostra a escala. As linhas são as oficiais das constelações (d3-celestial), os limites são os da IAU e as estrelas vêm do catálogo HYG.

Quando e como observar

Com declinação de cerca de +16° a +17°, as Híades passam ao norte do zênite no Rio. A altura máxima é de cerca de 50°, uma posição confortável, mas não alta. A melhor época vai de novembro a fevereiro (Mobberley), quando o aglomerado passa alto no início da noite. Como estamos olhando para o norte, o V aparece invertido em relação aos mapas e às fotografias do hemisfério norte, com o norte para baixo e o leste à direita: a "cabeça de touro" fica de cabeça para baixo (Kambič sugere adaptar a descrição a esse céu).

Como o aglomerado é grande demais para a maioria dos telescópios, o melhor instrumento é o binóculo, ou um refrator de campo largo. Mobberley recomenda um refrator de 355 mm de distância focal com uma ocular de 32 mm, o que dá 11 aumentos e um campo de 4,5°, quase suficiente para o aglomerado inteiro, deixando Aldebaran de fora se você preferir.

O primeiro gráfico mostra a altura do aglomerado ao longo do ano para o local do observatório; o segundo, o caminho das Híades pelo céu nesta noite, seguido da altura hora a hora.

Altura de Híades ao longo do anoAltura à meia-noite astronômica e altura máxima da noite, a cada 5 dias. Melhor época: de outubro a janeiro. O objeto chega a 51° à meia-noite em dezembro.0°30°60°90°JANFEVMARABRMAIJUNJULAGOSETOUTNOVDEZ2 dez · 51°hoje
Altura ao longo do ano, a cada 5 dias: linha contínua = altura no meio da noite astronômica (Sol abaixo de −18°); tracejada = maior altura durante a noite escura; faixa verde = melhor época; linhas pontilhadas em 30° e 45°. A linha vertical marca hoje. Melhor época para este local: de outubro a janeiro (objeto acima de 30° no meio da noite). Ponto mais alto: 51° em 2 de dezembro.

Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).

2026-10-13 · 19:20 – 04:10

Esta noite no céu

Melhores alvos da noite
Melhor horário
02:50 · 51° N
Horas acima de 45°
2,8 h
Lua
Lua crescente · 12 %
Nota da noite
55 / 100
Posição no céu
58
Brilho
100 mag 0,5
Enquadramento
0 ocupa 733 % do campo

Notas para SkyWatcher Explorer 200P + ZWO ASI294MC Pro (campo de 66′ × 45′).

Trajetória de Mel 25 — Híades pelo céu nesta noiteCéu visto de baixo, zênite no centro e horizonte na borda. O objeto fica acima do horizonte entre 21:20 e 04:50 durante a noite; o ponto mais alto é às 02:50, com 51°. A tabela ao lado traz os mesmos valores.15°30°45°60°75°NNELSESSOONO22:0023:0000:0001:0002:0003:0004:00
Caminho do objeto pelo céu nesta noite, do fim do crepúsculo civil ao amanhecer. Centro = zênite, borda = horizonte; visto olhando para cima (leste à esquerda, oeste à direita). Marcadores a cada 30 minutos.
  • Crepúsculo civil (Sol até −12°)
  • Crepúsculo náutico (−12° a −18°)
  • Noite astronômica (Sol abaixo de −18°)
  • Altura abaixo de 20°
  • Altura abaixo de 30°
  • Altura abaixo de 45°
  • Hora cheia e meia hora
  • Ponto mais alto
Valores hora a hora (tabela)
Altura e direção do objeto a cada 30 minutos
Hora Altura Direção Da Lua
19:30 -25° — 166°
20:00 -18° — 166°
20:30 -11° — 166°
21:00 -4° — 166°
21:30 3° ENE 72° 166°
22:00 9° ENE 68° 167°
22:30 15° ENE 65° 167°
23:00 22° ENE 61° 167°
23:30 27° ENE 56° 167°
00:00 33° NE 51° 167°
00:30 38° NE 45° 167°
01:00 43° NE 37° 167°
01:30 47° NNE 29° 168°
02:00 49° NNE 19° 168°
02:30 51° N 8° 168°
03:00 51° N 356° 168°
03:30 50° NNW 345° 168°
04:00 48° NNW 335° 168°
Altura de Mel 25 — Híades ao longo da noiteAltura em graus a cada 30 minutos. O ponto mais alto é às 02:50, com 51°. A tabela abaixo traz os mesmos valores.0°30°60°90°202122230001020304abaixo do horizonte02:50 · 51°
Altura em graus ao longo da noite escura (linhas em 30° e 45°). A Lua aparece tracejada.

Cálculo de baixa precisão (cerca de 0,3°), no fuso horário do local. Serve para planejar, não para apontar telescópios.

Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).

O que ver

Instrumento O que esperar
A olho nu Um V difuso de estrelas, com Aldebaran no vértice; algumas dezenas de estrelas em céu escuro (cerca de 28 segundo Kambič) e a dupla teta do Touro separada. Em Bortle 7, contam-se bem menos.
Binóculo (7×50 a 10×50) O melhor instrumento: o aglomerado inteiro cabe no campo, com mais de 160 estrelas até a magnitude 9 (Kambič), as cores de épsilon e gama, e a dupla teta com uma estrela branca e outra laranja.
Telescópio pequeno (com ocular de campo largo) O campo de 4,5° quase abarca o aglomerado a 11 aumentos (Mobberley). Amplia demais para o resto: um telescópio comum só mostra recortes do V.
Telescópio grande Sem ganho: o aglomerado é grande demais. Use-o para as duplas e para NGC 1647, mas a graça das Híades está no campo largo.

Expectativa honesta: as Híades são um alvo para quem gosta de ver o "conjunto"; não há nebulosidade nem concentração central. Em contrapartida, são fáceis, altas o bastante no verão do Rio e rendem uma boa noite de binóculo com os vizinhos Plêiades e NGC 1647.

Astrofotografia: estratégia de captura

Enquadramento

Com 5° a 5,5°, as Híades pedem lente, não telescópio. Mobberley recomenda uma câmera DSLR com uma lente de 200 mm. Em um sensor APS-C de 23,5 mm × 15,6 mm, isso dá cerca de 6,7° × 4,5° (calculado), o que acomoda o V e ainda deixa espaço para Aldebaran. O smart telescope Seestar S50 (campo de cerca de 1,3° × 0,7°) só enquadra um pedaço do V.

Desafios do alvo

  • Aldebaran. A estrela é muito mais brilhante que as outras e tende a estourar. Vale expor menos, ou combinar exposições curtas para as estrelas brilhantes com exposições longas para o fundo.
  • Não há nebulosa. O objetivo é a cor das estrelas (laranja e azul-branco), que aparece com poucas exposições curtas, sem depender de céu escuro.
  • Campo grande. Lentes de campo largo têm vinheta e aberração nos cantos; feche um pouco o diafragma.

Equipamento e filtros

Uma câmera colorida com lente de 135 mm a 200 mm em montagem equatorial com guiagem simples é suficiente. Filtros de banda estreita não fazem sentido para este alvo; se quiser, use um filtro de redução de poluição luminosa de banda larga, só para aliviar o brilho do céu urbano. Como referência, a fotografia do livro de Mobberley foi feita com uma lente de 135 mm f/2,8 em filme, com 30 minutos de exposição e campo de 10°, e mostra NGC 1647 no canto (autor: Till Credner).

Exemplo de sessão (ponto de partida)

Tipo de quadro Quantidade Exposição Finalidade
Light (RGB, lente de 135 a 200 mm) 40 a 60 30 a 60 s Cores das estrelas
Dark 20 igual aos Lights Calibração do ruído térmico
Flat 30 automática Correção de vinheta
Bias ou dark-flat 50 mais curta possível Calibração do ruído de leitura

Esses números são um ponto de partida, e não vêm dos livros.

Smart telescopes e campo de visão

As Híades são grandes demais para os smart telescopes compactos: o Seestar S50, com cerca de 1,3° × 0,7°, mostra apenas um pedaço do V. Aponte para as estrelas duplas ou para NGC 1647 (maior, mas de brilho fraco) e use o mapa abaixo para ver o retângulo do campo sobre o objeto.

0°

Carrega o mapa do CDS (Estrasburgo) e imagens DSS2 direto do servidor deles; nada é carregado antes do clique.

Considerações finais

As Híades não têm o brilho de M 45 nem a beleza de uma nebulosa, mas têm uma história: o aglomerado aberto mais próximo, o V do focinho do Touro e o lugar onde um erro de perspectiva (Aldebaran) ensina a diferença entre o que está no mesmo ponto do céu e o que está na mesma região do espaço. Para um observador do Rio, é um alvo fácil de binóculo entre novembro e fevereiro. O próximo passo é ligar o V às Plêiades e ler o guia da constelação, Touro.

Referências

  • ALLISON, Mark. Star Clusters and How to Observe Them. London: Springer, 2006. Plêiades e Híades, p. 121-122 e 125.
  • KAMBIČ, Bojan. Viewing the Constellations with Binoculars: 250+ Wonderful Sky Objects to See and Explore. New York: Springer, 2010. Touro, Híades e Aldebaran, p. 455-457.
  • MOBBERLEY, Martin. The Caldwell Objects and How to Observe Them. New York: Springer, 2009. Caldwell 41, p. 94-95.
  • MOORE, Patrick; REES, Robin. Patrick Moore's Data Book of Astronomy. Cambridge: Cambridge University Press, 2011. Aglomerados abertos, p. 346.
  • SIMBAD Astronomical Database. Centre de Données astronomiques de Strasbourg (CDS). Consulta a coordenadas e paralaxe de Mel 25 e de Aldebaran, em 21 set. 2026.
  • HYG Database (v4.1), David Nash / Astronexus, licença CC BY-SA 4.0, para a carta de localização; mapa Aladin Lite e imagem DSS2 do Centre de Données astronomiques de Strasbourg.