setembro 20, 2026
M 45, as Plêiades: guia completo de observação e astrofotografia

Imagem de referência (DSS2). Este objeto ainda não foi capturado no Observatório.
Crédito: Digitized Sky Survey 2 (DSS2) — STScI/NASA. Palomar Observatory / Caltech (POSS-II). Créditos
As Plêiades são talvez o objeto de céu profundo mais fácil de encontrar e um dos mais difíceis de esgotar. Elas aparecem citadas na Odisseia e na Bíblia, viram um desafio de contagem a olho nu desde a Antiguidade e servem ainda hoje como teste de visão e de qualidade de céu. A olho nu a maioria das pessoas vê seis ou sete estrelas, mas quem tem um céu escuro e paciência conta bem mais. Vista com binóculo, é uma joia azul; numa fotografia longa, ganha um véu azulado de nebulosidade. Este guia reúne os dados, os mapas, a altura no céu e a estratégia de observação e de captura em um só lugar.
Texto em revisão. Este é um guia no novo formato de objeto, que substitui o guia de astrofotografia e a página de exploração. As fontes estão listadas no final.

Ficha técnica e designações
Visão geral: o que é um aglomerado aberto
Um aglomerado aberto é um grupo de estrelas nascidas juntas de uma mesma nuvem de gás, ainda frouxamente ligadas pela gravidade. Com o tempo, as estrelas se dispersam pela Galáxia. As Plêiades são um dos aglomerados abertos mais próximos e brilhantes, o que explica por que o olho nu distingue tantos membros e por que o aglomerado parece tão grande no céu.
M 45 em números. O aglomerado tem magnitude total em torno de 1,2 a 1,5 e cobre cerca de 1,3° de céu (77′ no SIMBAD), mais de duas vezes o diâmetro da Lua cheia; os livros, que contam também a periferia, trazem de 110′ a 120′ (Bakich; Kier; Allison). A distância é de cerca de 440 anos-luz: a paralaxe do SIMBAD dá 443, o Data Book usa 440, e os livros mais antigos trazem 370 a 400 (Moore e Rees; Kambič; Kier). O aglomerado tem, segundo as fontes, de 300 a mais de 500 estrelas (Tonkin; Kier; Moore), embora o Data Book fale em cerca de mil membros. Seu núcleo tem em torno de 16 anos-luz, e o conjunto todo pouco mais de 80 (Moore e Rees).
Idade. É um aglomerado jovem: Moore fala em poucos milhões de anos e Kambič em cerca de 20 milhões, sem gigantes vermelhas. Estimativas mais modernas apontam para cerca de 100 milhões de anos, o que também está "jovem" em termos galácticos. Segundo Moore e Rees, o aglomerado deve durar ainda pelo menos 25 milhões de anos antes de se dispersar.
As estrelas. As mais brilhantes recebem o nome das sete irmãs da mitologia: Alcíone (magnitude 2,8 e cerca de 700 vezes a luminosidade do Sol), Atlas, Electra, Maia, Mérope, Taígeta e Pleione, além de Celeno e Astérope (Kambič; Borgia). Pleione é uma estrela de casca que gira cerca de cem vezes mais rápido que o Sol (Moore; Allison).
A nebulosidade. As Plêiades estão envolvidas por uma tênue nebulosa de reflexão, mais evidente em torno de Mérope e de Maia. Kambič lembra que ela não é o gás do nascimento das estrelas, mas uma nuvem casual pela qual o aglomerado passa; Kier vê na diferença de velocidade radial entre o aglomerado e a nebulosa uma prova disso (Kier; Moore e Rees).
Descoberta. O aglomerado é conhecido desde a Antiguidade e foi tratado como constelação à parte (Bakich). Messier o incluiu como o 45º e último item da primeira versão de seu catálogo, em 1771, sem que saibamos por quê, já que era um objeto tão óbvio (Bakich).
Estruturas notáveis
- As sete (ou mais) irmãs. Seis estrelas nítidas e uma sétima em torno de magnitude 6 formam o "dipper" em miniatura, no centro do aglomerado (Pugh; Kier).
- Uma corrente de estrelas. Em binóculos, uma fileira curva de estrelas se estende ao longo do aglomerado (Pugh).
- Mérope e a nebulosidade. Com céu muito escuro e visão desviada, dá para perceber um brilho em torno de Mérope em binóculos; um telescópio de 125 mm mostra a nebulosidade com mais facilidade (Tonkin; Pugh).
- Membros externos. Instrumentos profissionais estendem o aglomerado a cerca de 5° (Pugh).
- NGC 1432 e NGC 1435. As designações da nebulosa em torno de Maia e Mérope (Moore).
Como localizar
Ache Aldebarã, a estrela alaranjada do V de Touro, e procure, a cerca de 13° dela (Allison), o pequeno borrão de estrelas; o Cinturão de Órion, logo ao lado, ajuda a se orientar. Como o aglomerado é muito grande, não se aproxime demais do binóculo: use pouco aumento.

Quando e como observar
As Plêiades estão a +24° de declinação. Do Rio de Janeiro (latitude −23°), o aglomerado culmina a cerca de 43° de altura, ao norte, ou seja, num ponto confortável, mas nunca alto. O melhor período vai de novembro a março: ele nasce a leste no início da noite em novembro e passa o meridiano por volta das 21 horas em dezembro. Em abril, já está baixo no oeste, ao anoitecer, e some no crepúsculo em maio. Pugh, para o norte, dá do fim de agosto à meia-noite até o início de maio, logo após o pôr do sol. No hemisfério sul a janela útil é um pouco mais curta.
O primeiro gráfico mostra a altura do objeto ao longo do ano; o segundo, o caminho das Plêiades pelo céu nesta noite (zênite no centro, cores pela altura), seguido da altura hora a hora.
Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).
2026-10-12 · 19:20 – 04:10
Esta noite no céu
- Melhor horário
- 02:10 · 43° N
- Horas acima de 45°
- 0,0 h
- Lua
- Lua crescente · 6 %
- Nota da noite
- 45 / 100
- Posição no céu
- 40
- Brilho
- 100 mag 1,2
- Enquadramento
- 7 ocupa 333 % do campo
Notas para SkyWatcher Explorer 200P + ZWO ASI294MC Pro (campo de 66′ × 45′).
- Crepúsculo civil (Sol até −12°)
- Crepúsculo náutico (−12° a −18°)
- Noite astronômica (Sol abaixo de −18°)
- Altura abaixo de 20°
- Altura abaixo de 30°
- Altura abaixo de 45°
- Hora cheia e meia hora
- Ponto mais alto
Valores hora a hora (tabela)
| Hora | Altura | Direção | Da Lua |
|---|---|---|---|
| 19:30 | -19° | — | 166° |
| 20:00 | -13° | — | 166° |
| 20:30 | -6° | — | 167° |
| 21:00 | 0° | ENE 64° | 167° |
| 21:30 | 6° | ENE 60° | 167° |
| 22:00 | 12° | ENE 57° | 167° |
| 22:30 | 18° | NE 53° | 168° |
| 23:00 | 23° | NE 48° | 168° |
| 23:30 | 28° | NE 43° | 168° |
| 00:00 | 33° | NE 37° | 168° |
| 00:30 | 37° | NNE 30° | 169° |
| 01:00 | 40° | NNE 22° | 169° |
| 01:30 | 42° | NNE 14° | 169° |
| 02:00 | 43° | N 5° | 169° |
| 02:30 | 43° | N 355° | 170° |
| 03:00 | 42° | NNW 346° | 170° |
| 03:30 | 40° | NNW 338° | 170° |
| 04:00 | 36° | NNW 330° | 170° |
Cálculo de baixa precisão (cerca de 0,3°), no fuso horário do local. Serve para planejar, não para apontar telescópios.
Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).
O que ver
| Instrumento | O que esperar |
|---|---|
| A olho nu | Uma pequena "concha" de estrelas azuladas, de seis ou sete membros para a maioria das pessoas; em céu escuro, 12, 14 ou mais (Kambič; Moore; Borgia). Se conseguir contar mais de quatro em Bortle 7, o céu está bom (Borgia). |
| Binóculo (7×50 a 10×50) | O melhor instrumento: dezenas de estrelas azuis, uma corrente de estrelas curva e, com céu muito escuro, um sinal de nebulosidade em torno de Mérope (Tonkin; Pugh). Em 8×42, cerca de 40 estrelas (Coe). |
| Telescópio de 100 a 150 mm | Cabe todo o aglomerado apenas com ocular de campo largo e baixo aumento; a nebulosidade em torno de Mérope aparece com 125 mm (Pugh; Coe). |
| Telescópio de 200 mm ou mais | A nebulosidade fica mais evidente com 133 aumentos e campos baixos (Allison), mas o aglomerado deixa de caber no campo. |
Teste de contagem. Borgia sugere um critério: mais de quatro estrelas indica boa visão e céu transparente, sete corresponde ao limite de magnitude 5,5 e Astérope está no limite do olho nu. Anote quantas você vê e repita em noites diferentes. Registros históricos: 14 para Maestlin e Denning, 13 para Dawes, 16 para von Littrow, 19 para Heis (Moore) e 23 por observadores eslovenos em 2001, sob céu excepcional (Kambič).
Astrofotografia: estratégia de captura
Enquadramento
M 45 tem cerca de 77′ (Kier fala em 110′, contando a periferia) e a nebulosidade se estende além disso. Kier usa um refrator de 3,5″ f/4,5, com campo de cerca de 100′ × 75′, e recomenda um campo largo, com lente ou refrator curto. Com um telescópio de 1.000 mm e uma câmera como a ASI294MC Pro (campo de cerca de 1,1° × 0,75°, calculado a partir do sensor e da focal), o aglomerado não cabe inteiro; uma focal de 300 a 400 mm é mais adequada.
Desafios do alvo
- Estrelas muito brilhantes e nebulosidade fraca. É a maior dificuldade: exposições longas estouram as estrelas e criam halos. Kier limita cada exposição a cerca de 2 minutos com câmeras antiblooming e 1 minuto sem, e recomenda uma dúzia ou mais de quadros por filtro.
- Halos de reflexão. Vêm de reflexões internas entre a câmera e os filtros; podem ser atenuados selecionando-os e escurecendo (Kier).
- Foco por filtro. Em lentes e refratores semiapocromáticos, reajuste o foco a cada filtro, senão a escala dos canais muda (Kier).
Equipamento e filtros
Kier recomenda RGB comum ou câmera colorida, sem luminância separada. Com uma DSLR ou câmera CMOS moderna, o tempo de sub-exposição de 1 a 2 minutos ainda funciona, mas as câmeras atuais aguentam mais; teste no histograma. Um filtro de poluição luminosa ajuda em Bortle 7, e um filtro de banda estreita não é indicado, porque a nebulosidade é de reflexão (luz azul das estrelas).
Exemplo de sessão (ponto de partida)
| Tipo de quadro | Quantidade | Exposição | Finalidade |
|---|---|---|---|
| Light (RGB ou colorida) | 40 a 60 | 60 a 120 s | Estrelas azuis e a nebulosidade de Mérope |
| Dark | 30 | igual aos Lights | Calibração do ruído térmico |
| Flat | 30 | automática | Correção de vinheta e poeira |
| Bias ou dark-flat | 50 | mais curta possível | Calibração do ruído de leitura |
Esses números são um ponto de partida, e não vêm dos livros. Como referência, Kier usou R e G com 25 quadros de 2 minutos e B com 45 quadros de 2 minutos, a 3,8″ por pixel.
Smart telescopes e campo de visão
Um smart telescope como o Seestar S50 (cerca de 1,3° × 0,7°) mostra o núcleo do aglomerado e a nebulosidade em torno de Mérope, mas corta as bordas; use um mosaico de dois painéis para incluir o aglomerado todo. As estrelas azuis brilhantes exigem exposições curtas. Escolha o seu modelo no mapa abaixo para ver o retângulo do campo sobre o objeto.
Carrega o mapa do CDS (Estrasburgo) e imagens DSS2 direto do servidor deles; nada é carregado antes do clique.
Considerações finais
As Plêiades são o melhor lugar para um iniciante se apaixonar por aglomerados: aparecem a olho nu, são lindas em binóculos e viram um bom desafio de fotografia. O próximo passo é ver como se comparam com as Híades e Aldebarã no mesmo campo, no guia de Touro, ou trocar o céu de verão pelo de outono, com o Presépio (M 44). Se estiver mais interessado em nebulosas, veja também M 42.
Referências
- ALLISON, Mark. Star Clusters and How to Observe Them. London: Springer, 2006. Plêiades e Híades, p. 17, 19, 23, 121-122 e 125.
- BAKICH, Michael E. 1,001 Celestial Wonders to See Before You Die: The Best Sky Objects for Star Gazers. New York: Springer, 2010. Objeto nº 882 (M 45).
- BORGIA, Michael P. Human Vision and the Night Sky: How to Improve Your Observing Skills. New York: Springer, 2007. Testes de acuidade, p. 10-13.
- COE, Steven R. Nebulae and How to Observe Them. London: Springer, 2007. Plêiades, p. 82.
- KAMBIČ, Bojan. Viewing the Constellations with Binoculars: 250+ Wonderful Sky Objects to See and Explore. New York: Springer, 2010. Plêiades, p. 457-459.
- KIER, Ruben. The 100 Best Targets for Astrophotography. New York: Springer, 2009. Plêiades, p. 7-9.
- MOORE, Patrick. The Observer's Year: 366 Nights of the Universe. 2. ed. London: Springer, 2005. Plêiades, p. 346-348 (a conferir).
- MOORE, Patrick; REES, Robin. Patrick Moore's Data Book of Astronomy. Cambridge: Cambridge University Press, 2011. Aglomerados abertos, p. 342-347.
- PUGH, Philip. The Science and Art of Using Telescopes. New York: Springer, 2009. Plêiades, p. 347 e 355-356.
- RIDPATH, Ian. Astronomia (Guia Ilustrado Zahar). 4. ed. Rio de Janeiro: Zahar. Seção "Plêiades" (página impressa a conferir).
- TONKIN, Stephen. Binocular Astronomy. London: Springer, 2007. Plêiades e Híades, p. 149-150.
- SIMBAD Astronomical Database. Centre de Données astronomiques de Strasbourg (CDS). Consulta a Melotte 22 (M 45), em 21 set. 2026.
- HYG Database (v4.1), David Nash / Astronexus, licença CC BY-SA 4.0, para a carta de localização; mapa Aladin Lite e imagem DSS2 do Centre de Données astronomiques de Strasbourg.