setembro 21, 2026

M 89, a galáxia mais redonda de Virgem: guia completo de observação e astrofotografia

Imagem de referência (DSS2) de M89 — objeto ainda não capturado no observatório

Imagem de referência (DSS2). Este objeto ainda não foi capturado no Observatório.

Crédito: Digitized Sky Survey 2 (DSS2) — STScI/NASA. Palomar Observatory / Caltech (POSS-II). Créditos

Nem toda galáxia do Aglomerado de Virgem precisa impressionar para ser interessante. M 89 é pequena, sem estrutura visível e quase perfeitamente redonda — tão redonda que Bakich a descreve, junto com sua vizinha M 90, como "dois Messier discretos" no meio de um campo cheio de galáxias mais chamativas. É justamente essa simplicidade geométrica que faz dela um bom alvo de comparação: ao lado de elípticas mais alongadas como M 86 e M 84, M 89 mostra como pode variar a forma aparente de uma mesma classe de galáxia. Este guia reúne o que os livros consultados trazem sobre ela — que é pouco, e o texto é honesto sobre isso — e como observá-la e fotografá-la.

Texto em revisão. Este guia segue o novo formato de guia de objeto. As fontes estão listadas no final.

Imagem de referência (DSS2) de M89 — objeto ainda não capturado no observatório
Digitized Sky Survey 2 (DSS2) — STScI/NASA. Palomar Observatory / Caltech (POSS-II). Imagem de referência: este objeto ainda não foi fotografado no Observatório. Créditos

Ficha técnica e designações

Visão geral: a mais redonda do aglomerado

M 89 (NGC 4552) é pequena para os padrões do Aglomerado de Virgem. O SIMBAD lista dimensões de 4,4′ × 3,9′, quase um círculo; Bakich vai além e dá 3,4′ × 3,4′, um círculo perfeito. As duas fontes concordam no essencial: entre as galáxias Messier de Virgem, M 89 é uma das mais simétricas, sem o alongamento visível de M 86 ou M 90.

M 89 em números. A magnitude visual, segundo Bakich, é 9,8. O SIMBAD não traz paralaxe, esperado a essa distância; nenhum dos livros consultados dá uma distância específica para M 89, e este guia usa a faixa geral do aglomerado, de 50 a 65 milhões de anos-luz (veja o guia de M 87). A velocidade radial do SIMBAD, cerca de +274 km/s, indica um afastamento discreto — nada como o desvio para o azul de M 86 ou M 90, suas vizinhas mais notáveis nesse quesito.

Uma classificação em disputa. O SIMBAD classifica M 89 como S0, lenticular; Bakich a chama de elíptica. É a mesma ambiguidade que aparece em M 86: a linha entre elípticas e lenticulares depende de quanto disco achatado resta na galáxia, algo difícil de avaliar visualmente e que os catálogos modernos, com fotometria mais precisa, resolvem de forma diferente dos livros de observação visual mais antigos.

Um envoltório tênue. Bakich menciona que, em telescópios grandes, as regiões externas de M 89 formam um anel muito tênue, que esmaece rapidamente — um detalhe que os livros consultados não explicam fisicamente, mas que pode ser rastro de uma fusão ou interação muito antiga, comum em galáxias elípticas de aglomerados densos. É conhecimento geral de estrutura de galáxias, não uma afirmação específica do livro.

Cobertura honesta. Diferente de M 85, M 86, M 87 e M 88, que aparecem em Kambič, M 89 não é coberta pelo livro (nem por Kier). A fonte principal aqui é Bakich, complementado por Mollise para a localização; por isso este guia é mais curto que os outros do lote.

Estruturas notáveis

  • O disco quase circular. Pequeno e redondo, sem alongamento perceptível mesmo em telescópios médios (Bakich).
  • O envoltório externo tênue. Só em grandes telescópios: um anel de brilho muito fraco que esmaece rápido, nas bordas da galáxia (Bakich).
  • M 90, a vizinha próxima. A cerca de 2/3 de grau ao norte, outra elíptica/espiral do aglomerado, um bom par para a mesma sessão de observação (Bakich).

Como localizar

M 89 fica no meio do Aglomerado de Virgem, perto de M 90 e do trecho mais denso do aglomerado, entre M 87 e a Cadeia de Markarian. Mollise sugere partir do "Y" formado por Rho Virginis e usar as estrelas próximas como referência: a partir desse ponto, M 89 fica a cerca de 49′ de Rho Vir. A partir de M 89, ande cerca de 2/3 de grau ao norte para chegar a M 90 (Bakich).

Como em todo o aglomerado, uma carta detalhada e aumento médio (por volta de 125x, segundo Mollise) ajudam a não confundir M 89 com as dezenas de manchas parecidas ao redor.

Carta de localização de M89: as estrelas-guia nomeadas, setas tracejadas com a distância em graus até o alvo, escala em graus e indicação de norte e leste.
Carta de localização (star-hopping), no mesmo estilo das cartas de constelação: norte e leste indicados no canto. Anéis laranja: estrelas-guia; setas tracejadas: o caminho até o alvo, com a distância em graus; anel verde: o alvo (e, com a designação, outros objetos do campo); a barra mostra a escala. As linhas são as oficiais das constelações (d3-celestial), os limites são os da IAU e as estrelas vêm do catálogo HYG.

Quando e como observar

Com declinação de +13°, M 89 passa a cerca de 54° de altura no Rio de Janeiro. Com ascensão reta de 12h36m, próxima da de M 87, ela cruza o meridiano por volta da meia-noite no fim de março e por volta das 21h em meados de maio — a mesma janela de observação de todo o núcleo do aglomerado.

Orientação vista do Rio. Você olha para o norte, com a galáxia perto do zênite. O norte celeste fica para baixo no campo e o leste para a direita; as cartas do hemisfério norte aparecem giradas 180° em relação ao que você vê no ocular.

Altura de M89 ao longo do anoAltura à meia-noite astronômica e altura máxima da noite, a cada 5 dias. Melhor época: de fevereiro a maio. O objeto chega a 55° à meia-noite em abril.0°30°60°90°JANFEVMARABRMAIJUNJULAGOSETOUTNOVDEZ1 abr · 55°hoje
Altura ao longo do ano, a cada 5 dias: linha contínua = altura no meio da noite astronômica (Sol abaixo de −18°); tracejada = maior altura durante a noite escura; faixa verde = melhor época; linhas pontilhadas em 30° e 45°. A linha vertical marca hoje. Melhor época para este local: de fevereiro a maio (objeto acima de 30° no meio da noite). Ponto mais alto: 55° em 1 de abril.

Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).

2026-10-12 · 19:20 – 04:10

Esta noite no céu

Melhores alvos da noite

Este objeto não passa de 30° de altura nesta noite (máximo: -19°). Não é um bom alvo hoje.

Melhor horário
04:00 · -19° E
Horas acima de 45°
0,0 h
Lua
Lua crescente · 6 %
Nota da noite
0 / 100
Posição no céu
0
Brilho
37 mag 10,1
Enquadramento
72 ocupa 18 % do campo

Notas para SkyWatcher Explorer 200P + ZWO ASI294MC Pro (campo de 66′ × 45′).

Caminho do objeto pelo céu nesta noite, do fim do crepúsculo civil ao amanhecer. Centro = zênite, borda = horizonte; visto olhando para cima (leste à esquerda, oeste à direita). Marcadores a cada 30 minutos.
  • Hora cheia e meia hora
  • Ponto mais alto
Valores hora a hora (tabela)
Altura e direção do objeto a cada 30 minutos
Hora Altura Direção Da Lua
19:30 -38° — 47°
20:00 -45° — 47°
20:30 -52° — 47°
21:00 -59° — 48°
21:30 -65° — 48°
22:00 -72° — 48°
22:30 -77° — 48°
23:00 -80° — 49°
23:30 -78° — 49°
00:00 -73° — 49°
00:30 -67° — 49°
01:00 -60° — 50°
01:30 -54° — 50°
02:00 -47° — 50°
02:30 -40° — 50°
03:00 -33° — 51°
03:30 -26° — 51°
04:00 -19° — 51°
Altura de M89 ao longo da noiteAltura em graus a cada 30 minutos. O ponto mais alto é às 04:00, com -19°. A tabela abaixo traz os mesmos valores.0°30°60°90°202122230001020304abaixo do horizonte04:00 · -19°
Altura em graus ao longo da noite escura (linhas em 30° e 45°). A Lua aparece tracejada.

Cálculo de baixa precisão (cerca de 0,3°), no fuso horário do local. Serve para planejar, não para apontar telescópios.

Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).

O que ver

Instrumento O que esperar
A olho nu Nada.
Binóculo (10×50 a 15×70) Uma mancha pequena e redonda, no limite da visão em céu razoável; não conferida diretamente nos livros consultados, mas coerente com a magnitude 9,8.
Telescópio de 150 a 200 mm Uma mancha pequena, uniforme e circular, sem estrutura visível.
Telescópio grande (300 mm ou mais) Só em instrumentos grandes e sob bom céu aparecem as regiões externas, como um anel tênue que esmaece rápido (Bakich).
Filtros Nenhum ajuda; sem gás emissor.

Expectativa honesta: M 89 é um objeto discreto mesmo para os padrões já modestos de uma galáxia elíptica. Não espere estrutura: o interesse aqui é encontrar o alvo certo, comparar sua forma redonda com as vizinhas mais alongadas e, com telescópio grande, tentar o desafio do envoltório externo.

Astrofotografia: estratégia de captura

Enquadramento

M 89 mede cerca de 4′, pequena para os padrões do aglomerado. Um campo de 20′ a 30′ enquadra a galáxia com espaço de sobra para estrelas de referência; para incluir M 90, a 2/3 de grau ao norte, um campo de 1° a 1,5° é necessário. Com um telescópio de 1.000 mm de focal e uma câmera como a ASI294MC Pro, o campo de cerca de 1,1° × 0,75° (calculado a partir do sensor e da focal) enquadra as duas galáxias juntas, com um leve reposicionamento.

Desafios do alvo

  • Alvo pequeno e sem estrutura. M 89 não tem braços, faixas de poeira ou cores para dar contraste; o desafio fotográfico é revelar o gradiente sutil do disco e, com sorte, o envoltório externo tênue.
  • Brilho concentrado no núcleo. Como em outras elípticas, o centro satura rápido; combine exposições curtas e longas.
  • Céu urbano. Sob Bortle 7, como no Rio de Janeiro, o envoltório externo tênue é praticamente inacessível; mesmo o disco principal exige tempo de exposição total generoso.

Equipamento e filtros

Câmera colorida de tiro único ou LRGB. Não há papel para filtros de banda estreita numa elíptica sem gás emissor. Um filtro de poluição luminosa de banda larga ajuda a controlar o fundo do céu.

Exemplo de sessão (ponto de partida)

Tipo de quadro Quantidade Exposição Finalidade
Light 60 a 90 120 a 180 s Disco e, se possível, o envoltório externo
Dark 30 igual aos Lights Calibração do ruído térmico
Flat 30 automática Correção de vinheta e poeira
Bias ou dark-flat 50 mais curta possível Calibração do ruído de leitura

Esses números são um ponto de partida, e não vêm dos livros: ajuste-os ao seu equipamento e ao céu da noite.

Smart telescopes e campo de visão

O campo de um smart telescope como o Seestar S50 (cerca de 1,3° × 0,7°) enquadra M 89 e M 90 no mesmo quadro, com um pequeno ajuste de posição — um bom par para uma única sessão. Como M 89 é pequena e discreta, um empilhamento mais longo ajuda a separar bem seu disco do fundo do céu. Escolha o seu modelo no mapa abaixo para ver o retângulo do campo sobre o objeto.

0°

Carrega o mapa do CDS (Estrasburgo) e imagens DSS2 direto do servidor deles; nada é carregado antes do clique.

Considerações finais

M 89 não é o alvo mais espetacular do Aglomerado de Virgem, mas é um bom lembrete de que nem toda galáxia Messier precisa impressionar: às vezes, o interesse está em encontrar o alvo certo entre dezenas de manchas parecidas e notar como sua forma, quase um círculo perfeito, contrasta com as vizinhas mais alongadas. Continue o passeio com o guia de M 90, sua vizinha mais próxima, ou volte ao centro do aglomerado com M 87 e o guia da constelação de Virgem.

Referências

  • BAKICH, Michael E. 1,001 Celestial Wonders to See Before You Die: The Best Sky Objects for Star Gazers. New York: Springer, 2010. Objeto nº 278 (M 89).
  • MOLLISE, Rod. The Urban Astronomer's Guide: A Walking Tour of the Cosmos for City Sky Watchers. London: Springer, 2006. Navegando por Virgem, p. 124-133.
  • RIDPATH, Ian. Astronomia (Guia Ilustrado Zahar). 4. ed. Rio de Janeiro: Zahar. Verbete Virgem, p. 178.
  • SIMBAD Astronomical Database. Centre de Données astronomiques de Strasbourg (CDS). Consulta a coordenadas, tipo morfológico, dimensões e velocidade radial de M 89, em 21 set. 2026.
  • HYG Database (v4.1), David Nash / Astronexus, licença CC BY-SA 4.0, para a carta de localização; mapa Aladin Lite e imagem DSS2 do Centre de Données astronomiques de Strasbourg.