setembro 21, 2026
M 65, a galáxia espiral do canto sudoeste do Trio do Leão: guia completo de observação e astrofotografia

Imagem de referência (DSS2). Este objeto ainda não foi capturado no Observatório.
Crédito: Digitized Sky Survey 2 (DSS2) — STScI/NASA. Palomar Observatory / Caltech (POSS-II). Créditos
M 65 é a galáxia que muita gente vê depois de M 66. Fica a cerca de 20′ dela, no canto sudoeste do Trio do Leão, e é a mais alongada e discreta das duas. Isso não a torna menos interessante: é uma espiral de braços mais fechados, que lembra a nossa própria Via Láctea, segundo Kier. Do Rio de Janeiro, o Trio passa a mais de 50° de altura no outono. Este guia trata de M 65, mas vale ler junto o de M 66, que traz o quadro geral do grupo, e o de NGC 3628.
Texto em revisão. Este guia segue o novo formato de guia de objeto. Os livros trazem pouco sobre M 65 isolada, e o texto avisa quando o dado é da vizinhança.

Ficha técnica e designações
Visão geral: uma espiral quase de perfil
M 65 (NGC 3623) é uma galáxia espiral que vemos bem inclinada: Bakich diz que ela parece quase quatro vezes mais longa que larga. O SIMBAD indica dimensões de cerca de 16′ × 4,5′ (o maior número inclui a periferia fraca), ângulo de posição de 173° (eixo maior quase norte-sul) e a classifica como espiral barrada; nos livros o tamanho fica entre 8,7′ × 2,2′ (Bakich) e 10′ × 3′ (Kier e Kambič). O SIMBAD só dá o brilho na banda azul (9,6); os livros trazem magnitude 9,3 e Mollise, 10,2. O texto adota 9,3, com essa ressalva.
Braços fechados. Kier compara os braços bem enrolados de M 65 aos da Via Láctea, e diz que os braços de M 66, ao lado, foram distorcidos, provavelmente pela interação com M 65. Bakich observa que a estrutura espiral é difícil de ver e que há manchas ao norte e ao sul do núcleo, alargado. Monks a descreve como uma espiral intermediária, mais fraca e mais oval que M 66.
Distância e tamanho real. Sem paralaxe no SIMBAD, o texto usa a distância dos livros para o Trio, cerca de 35 milhões de anos-luz (Kier, Kambič, Mollise, Monks); Parker, numa legenda, dá 24 milhões para M 65. Kambič calcula que M 65 mede cerca de 100.000 anos-luz, o mesmo tamanho aproximado da Via Láctea, e que está a uns 200.000 anos-luz de M 66.
O grupo. O SIMBAD classifica M 65 como parte de um par de galáxias, e o Trio consta do Atlas of Peculiar Galaxies como Arp 317 (Kier). Monks e Bakich apontam um encontro entre NGC 3628 e M 66 há cerca de 800 milhões de anos, e M 65 pode ter participado da dança gravitacional, segundo Kier, que fala da distorção nos braços de M 66. Conforme Kambič, um observador em M 66 veria M 65 como um objeto de 28° de extensão no céu.
Estruturas notáveis
- O bojo alargado. O núcleo de M 65 é largo e sem estrutura fina, ao ocular (Bakich).
- Manchas ao norte e ao sul do núcleo. Sinal dos braços, visto com telescópios de bom porte (Bakich).
- A poeira. Faixas de poeira no disco, visíveis em fotografias, contribuem para a forma alongada (conhecimento geral; os livros consultados não detalham).
- O vizinho. M 66, a 20′, e NGC 3628, a cerca de 35′, completam o campo (Monks).
Como localizar
Trace uma linha entre Chertan (θ Leo, mag. 3,3) e Iota Leonis (mag. 4,0) e procure o ponto médio: M 65 está ali (Bakich; confere com as coordenadas do SIMBAD). Outra rota parte de 73 Leonis (mag. 5,3): M 65 fica a 0,8° a lés-sudeste. Em binóculos, Kambič diz que as duas galáxias Messier ficam no meio do campo, entre Theta e Iota Leonis. M 66 está 0,3° a lés-sudeste de M 65 (Bakich), e NGC 3628, 0,6° a nordeste (Bakich).
Orientação vista do Rio. O Trio culmina ao norte, a cerca de 36° do zênite: o norte celeste fica para baixo e o leste para a direita. As cartas do hemisfério norte aparecem giradas de 180°. M 65 é a galáxia da esquerda; M 66 fica à direita e um pouco acima (é mais a leste e um pouco mais ao sul), e NGC 3628 fica abaixo, à direita de M 65.

Quando e como observar
Com declinação de +13°, M 65 passa a cerca de 54° de altura no Rio (calculado). Kambič faz uma observação útil sobre a diferença entre as duas Messier: em binóculos, M 66 se deixa ver quando Leão está alto, mas M 65 só aparece perto da passagem meridiana, e some quando a constelação desce para o lado poente. Isso mostra como a espessura da atmosfera atrapalha os objetos fracos: observe M 65 nas duas horas em torno do meridiano.
Melhor época. Com ascensão reta de 11h19, o Trio cruza o meridiano à meia-noite por volta de 10 de março e às 21h no fim de abril. A janela vai de fevereiro a junho, com pico entre março e maio.
Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).
2026-10-12 · 19:20 – 04:10
Esta noite no céu
Este objeto não passa de 30° de altura nesta noite (máximo: -2°). Não é um bom alvo hoje.
- Melhor horário
- 04:00 · -2° ENE
- Horas acima de 45°
- 0,0 h
- Lua
- Lua crescente · 6 %
- Nota da noite
- 0 / 100
- Posição no céu
- 0
- Brilho
- 49 mag 9,3
- Enquadramento
- 68 ocupa 17 % do campo
Notas para SkyWatcher Explorer 200P + ZWO ASI294MC Pro (campo de 66′ × 45′).
- Crepúsculo civil (Sol até −12°)
- Crepúsculo náutico (−12° a −18°)
- Altura abaixo de 20°
- Hora cheia e meia hora
- Ponto mais alto
Valores hora a hora (tabela)
| Hora | Altura | Direção | Da Lua |
|---|---|---|---|
| 19:30 | -56° | — | 62° |
| 20:00 | -63° | — | 62° |
| 20:30 | -69° | — | 62° |
| 21:00 | -75° | — | 63° |
| 21:30 | -79° | — | 63° |
| 22:00 | -80° | — | 63° |
| 22:30 | -76° | — | 63° |
| 23:00 | -70° | — | 64° |
| 23:30 | -64° | — | 64° |
| 00:00 | -57° | — | 64° |
| 00:30 | -50° | — | 64° |
| 01:00 | -43° | — | 65° |
| 01:30 | -36° | — | 65° |
| 02:00 | -29° | — | 65° |
| 02:30 | -22° | — | 65° |
| 03:00 | -15° | — | 66° |
| 03:30 | -9° | — | 66° |
| 04:00 | -2° | — | 66° |
Cálculo de baixa precisão (cerca de 0,3°), no fuso horário do local. Serve para planejar, não para apontar telescópios.
Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).
O que ver
| Instrumento | O que esperar |
|---|---|
| A olho nu | Nada. |
| Binóculo (7×50 a 10×50) | Uma mancha alongada, no limite da visibilidade, em noite clara e escura, perto da passagem meridiana (Kambič). |
| Telescópio de 100 mm | Visível até com um refletor de 4,25″ (108 mm), sob luz urbana, mais fraca que M 66 (Mollise, p. 105-107). |
| Telescópio de 150 a 200 mm | Um borrão oval um pouco mais fraco que M 66 (Monks). Uma SCT de 200 mm com ocular de 32 mm põe M 65 e M 66 no mesmo campo. |
| Telescópio de 300 mm ou mais | Manchas ao norte e ao sul do núcleo e um bojo largo (Bakich). Estrutura espiral ainda difícil. |
| Filtros | Nenhum ajuda. |
Uma expectativa realista. Ao ocular, M 65 é um borrão alongado e discreto. As fotos mostram braços e poeira que o olho não capta. Em céu urbano, a diferença entre M 65 e M 66 é sensível: M 66 é mais fácil.
Astrofotografia: estratégia de captura
Enquadramento
M 65 raramente é fotografada sozinha. Kier considera que um campo de 60′ × 40′ captura as três galáxias, e um de 40′ × 30′, só M 65 e M 66; a alta resolução de uma só, com 20′ × 15′, é um desafio para experientes. Com um telescópio de 1.000 mm e uma ASI294MC Pro, o campo é de cerca de 66′ × 45′ (calculado), suficiente para as três, com M 65 no canto do quadro.
Desafios do alvo
- Brilho superficial baixo e forma alongada. Isso exige mais tempo total que M 66.
- Gradientes. Kier recomenda fotografar perto do meridiano, quando o Trio está no ponto mais alto, para minimizar gradientes em subúrbios poluídos.
- Estrelas de fundo. Como o campo é de poucos objetos e muitas estrelas, um bom alinhamento evita halos assimétricos.
Equipamento e filtros
Kier aceita câmera colorida de um tiro, RGB ou LRGB para o campo largo do Trio; o LRGB rende mais nas bordas fracas de NGC 3628. Filtros de banda estreita não ajudam em galáxias; um filtro de poluição luminosa de banda larga pode ajudar no Rio.
Exemplo de sessão (ponto de partida)
| Tipo de quadro | Quantidade | Exposição | Finalidade |
|---|---|---|---|
| Light | 120 a 180 | 120 s | Sinal para os braços e as bordas |
| Dark | 30 | igual aos Lights | Ruído térmico |
| Flat | 30 | automática | Vinheta e poeira |
| Bias ou dark-flat | 50 | mais curta possível | Ruído de leitura |
Esses números são um ponto de partida, e não vêm dos livros: ajuste-os ao equipamento e ao céu. Parker fez um mosaico do Trio com cerca de 3,5 h totais, com um instrumento de foco curto.
Smart telescopes e campo de visão
Um Seestar S50 (campo de cerca de 1,3° × 0,7°) enquadra M 65 e M 66 com folga; para incluir NGC 3628, gire o campo ou faça um mosaico (calculado). Abra o mapa abaixo, escolha o modelo e veja o retângulo do campo.
Carrega o mapa do CDS (Estrasburgo) e imagens DSS2 direto do servidor deles; nada é carregado antes do clique.
Considerações finais
M 65 é a galáxia que mostra como a altura e o céu decidem tudo. Sob luz urbana, requer noite escura e passagem meridiana, e recompensa quem persiste. Continue com M 66, NGC 3628 e o guia de Leão.
Referências
- BAKICH, Michael E. 1,001 Celestial Wonders to See Before You Die: The Best Sky Objects for Star Gazers. New York: Springer, 2010. Objetos nº 191 (M 65), 193 (M 66) e 194 (NGC 3628).
- KAMBIČ, Bojan. Viewing the Constellations with Binoculars: 250+ Wonderful Sky Objects to See and Explore. New York: Springer, 2010. Leão, M 65 e M 66, p. 317-319.
- KIER, Ruben. The 100 Best Targets for Astrophotography. New York: Springer, 2009. "April 26: Galaxy Trio in Leo", p. 99.
- MOLLISE, Rod. The Urban Astronomer's Guide: A Walking Tour of the Cosmos for City Sky Watchers. London: Springer, 2006. Leão, p. 105-107.
- MONKS, Neale. Go-To Telescopes Under Suburban Skies. London: Springer, 2010. Trio do Leão, p. 76-78.
- PARKER, Greg. Making Beautiful Deep-Sky Images: Astrophotography with Affordable Equipment and Software. New York: Springer, 2007. Mosaico do Trio do Leão, p. 109.
- SIMBAD Astronomical Database. Centre de Données astronomiques de Strasbourg (CDS). Consulta a coordenadas, tipo, dimensões e brilho de M 65, em 21 set. 2026.
- HYG Database (v4.1), David Nash / Astronexus, licença CC BY-SA 4.0, para a carta de localização; mapa Aladin Lite e imagem DSS2 do Centre de Données astronomiques de Strasbourg.