setembro 21, 2026
M 55 (NGC 6809), o globular aberto de Sagitário: guia completo de observação e astrofotografia

Imagem de referência (DSS2). Este objeto ainda não foi capturado no Observatório.
Crédito: Digitized Sky Survey 2 (DSS2) — STScI/NASA. UK Schmidt Telescope (UKST) / AAO–ROE. Créditos
Quase todo guia de globulares de Sagitário começa por M 22 e M 28, no bule, e acaba em M 54 e M 75, os "difíceis". M 55 fica no meio, mais ao sul e leste, num trecho pobre em estrelas brilhantes, e por isso é pouco citado. É uma pena, porque Monks o chama de um dos globulares mais bonitos do catálogo de Messier (p. 144), e Bakich o descreve como "altamente resolvido". Do Rio de Janeiro, ele passa a cerca de 82° de altura no inverno.
Texto em revisão. Artigo do novo formato de guia de objeto, com dados, mapas e gráficos de altura reunidos aqui. Os livros trazem pouco sobre este globular; o texto marca o que vem de conhecimento geral.

Ficha técnica e designações
Visão geral: um globular solto a cerca de 16.000 anos-luz
Um aglomerado globular é uma esfera de centenas de milhares de estrelas muito antigas, presas por gravidade. M 55 é diferente dos mais famosos: as estrelas são pouco concentradas no centro.
Distância e tamanho. A paralaxe do SIMBAD (0,209 mas) coloca M 55 a cerca de 15.600 anos-luz. Kambič dá 17.300 e Monks, de 17.000 a 18.000, (Kambič, p. 422; Monks, p. 144). Com 19′ e 15.600 anos-luz, o diâmetro real é de cerca de 86 anos-luz (os livros trazem cerca de 100). O diâmetro aparente é de 19′ no SIMBAD, em Bakich e em Monks: um pouco mais do que a metade da Lua cheia.
Brilho. O SIMBAD dá magnitude visual 6,49; Bakich e Kambič trazem 6,3, o que faz de M 55 o mais brilhante dos quatro globulares do sul de Sagitário (M 54, M 55, M 69 e M 70), segundo Kambič (p. 422). O brilho se espalha numa área grande, então o brilho por unidade de área é baixo.
Concentração. Monks o classifica como Classe XI de Shapley-Sawyer, isto é, muito solto (p. 144). O resultado, segundo Bakich, é um globular "altamente resolvido": o núcleo não é uma bola de luz "queimada", e mesmo no centro se veem estrelas (nº 597). Cooke vê estrelas na maioria mais fracas que a magnitude 11, e chama de "grande e solto".
Idade. Monks estima cerca de 12,4 bilhões de anos (p. 144), típico de um globular: as estrelas são das mais velhas da Galáxia.
Em comparação. Bakich lembra que outro globular solto, NGC 5897 em Libra, é apelidado por Stephen O'Meara de "globular fantasma", por parecer uma imagem-fantasma de M 55 (nº 388). Para ver o contraste, compare M 55 com M 28: a Classe XI e a Classe IV de Monks (p. 129 e 144).
Posição na Maratona Messier. Borgia o inclui na sequência dos globulares de Sagitário (p. 268), na ordem M 28, M 22, M 69, M 70, M 54, M 55 e M 75.
Estruturas notáveis
- Núcleo sem "queimar". O centro é pouco concentrado, e as estrelas se resolvem até lá (Bakich).
- Aparência de aglomerado aberto rico. Com 300 mm a 300×, Bakich diz que M 55 se desfaz em centenas de estrelas de magnitude 11 a 12 e que, em campo pequeno, lembra um aglomerado aberto rico.
- Um campo "vazio". Kambič destaca que M 55 fica numa região desolada, fora da parte mais densa da Via Láctea, sem estrelas brilhantes por perto que sirvam de guia (p. 422). Isso ajuda a ver o aglomerado; atrapalha o achado.
Como localizar
M 55 fica isolado. Bakich manda partir de Ascella (ζ Sgr, magnitude 2,6) e andar cerca de 8° para leste. Kambič diz o mesmo pelo lado inverso: as estrelas brilhantes mais próximas, ζ Sgr e τ Sgr, ficam a 8° a oeste (p. 422). Em binóculo, ele é o mais fácil dos quatro globulares do sul de Sagitário (Kambič). Veja o guia da constelação de Sagitário e o de M 22, de onde vale partir para uma noite de globulares.

Quando e como observar
M 55 está em AR 19h40m e Dec −31,0°. Pela AR, cruza o meridiano à meia-noite em meados de julho, e a melhor época vai de junho a setembro; no início da noite, passa pelo alto em meados de setembro. No Rio de Janeiro (latitude −23°), passa cerca de 8° ao sul do zênite, a uns 82° de altura. Compare com o observador do sul da Inglaterra, para quem ele não passa de 7,5° (Monks, p. 144), e com Kambič, que o chama de marginal no norte e recomenda tentar em madrugadas de abril e maio (p. 422). Aqui ele é fácil.
O gráfico anual mostra a época; o da noite, a hora.
Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).
2026-10-12 · 19:20 – 04:10
Esta noite no céu
- Melhor horário
- 19:20 · 72° WSW
- Horas acima de 45°
- 2,2 h
- Lua
- Lua crescente · 6 %
- Nota da noite
- 80 / 100
- Posição no céu
- 69
- Brilho
- 92 mag 6,5
- Enquadramento
- 100 ocupa 27 % do campo
Notas para SkyWatcher Explorer 200P + ZWO ASI294MC Pro (campo de 66′ × 45′).
- Crepúsculo civil (Sol até −12°)
- Crepúsculo náutico (−12° a −18°)
- Noite astronômica (Sol abaixo de −18°)
- Altura abaixo de 20°
- Altura abaixo de 30°
- Altura abaixo de 45°
- Hora cheia e meia hora
- Ponto mais alto
Valores hora a hora (tabela)
| Hora | Altura | Direção | Da Lua |
|---|---|---|---|
| 19:30 | 70° | WSW 242° | 65° |
| 20:00 | 64° | WSW 246° | 65° |
| 20:30 | 58° | WSW 248° | 65° |
| 21:00 | 51° | WSW 249° | 64° |
| 21:30 | 45° | WSW 249° | 64° |
| 22:00 | 38° | WSW 248° | 64° |
| 22:30 | 32° | WSW 247° | 64° |
| 23:00 | 26° | WSW 245° | 63° |
| 23:30 | 19° | WSW 244° | 63° |
| 00:00 | 13° | WSW 242° | 63° |
| 00:30 | 7° | WSW 239° | 63° |
| 01:00 | 1° | WSW 237° | 62° |
| 01:30 | -5° | — | 62° |
| 02:00 | -10° | — | 62° |
| 02:30 | -15° | — | 62° |
| 03:00 | -20° | — | 61° |
| 03:30 | -24° | — | 61° |
| 04:00 | -28° | — | 61° |
Cálculo de baixa precisão (cerca de 0,3°), no fuso horário do local. Serve para planejar, não para apontar telescópios.
Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).
O que ver
| Instrumento | O que esperar |
|---|---|
| A olho nu | Bakich diz que dá para ver de um céu ultra escuro. Do Rio, esqueça. |
| Binóculo | Uma mancha pequena e fraca, em céu excelente (Kambič, p. 422). Sob Bortle 7 é um borrão no limite. |
| Telescópio de 100 a 150 mm | Fácil, e as estrelas do halo aparecem. Monks o considera visível "facilmente" em telescópios pequenos (p. 144). |
| Telescópio de 200 a 300 mm | Em altos aumentos, o aglomerado se desfaz em dezenas de estrelas; com 300 mm a 300×, são centenas (Bakich). É aqui que o objeto brilha (Monks). |
| Filtros | Nenhum. |
Um conselho prático: use aumento baixo a médio para o aglomerado inteiro e aumentos maiores para pequenas áreas, já que ele ocupa quase 20′.
Astrofotografia: estratégia de captura
Enquadramento
Com 19′, M 55 preenche bem um telescópio de 1.000 mm com uma câmera como a ASI294MC Pro (campo de cerca de 1,1° × 0,75°, calculado a partir do sensor e da focal): o aglomerado ocupa cerca de 40% do lado curto. Uma focal de 600 a 1.000 mm serve bem. O campo em volta é pobre, o que dá um fundo limpo.
Desafios do alvo
- Brilho superficial baixo. Como o brilho se espalha, o contraste com o céu urbano é pequeno. Muitos quadros e um céu escuro ajudam mais que exposições longas.
- Estrelas fracas do halo. Elas se misturam às estrelas de fundo; o processamento não deve apagá-las com redução de estrelas.
- Ausência de referências. Sem estrelas brilhantes por perto, use o mapa e o plate solving para enquadrar.
Equipamento e filtros
Câmera colorida de tiro único basta. Como M 55 tem núcleo pouco denso, não é preciso HDR. Nenhum filtro de banda estreita ajuda em globular; um filtro anti-poluição de banda larga pode reduzir um pouco o brilho urbano.
Exemplo de sessão (ponto de partida)
| Tipo de quadro | Quantidade | Exposição | Finalidade |
|---|---|---|---|
| Light | 60 a 120 | 60 a 90 s | Estrelas do halo sem saturar o centro |
| Dark | 30 | igual aos Lights | Calibração do ruído térmico |
| Flat | 30 | automática | Correção de vinheta e poeira |
| Bias ou dark-flat | 50 | mais curta possível | Calibração do ruído de leitura |
Esses números são um ponto de partida, e não vêm dos livros: ajuste-os ao seu sensor, ao seu telescópio e ao céu da noite.
Smart telescopes e campo de visão
Num smart telescope como o Seestar S50 (campo de cerca de 1,3° × 0,7°), M 55 cabe inteiro e ocupa boa parte do quadro; é um dos globulares mais gratificantes para esses aparelhos, porque as estrelas do halo se resolvem. Abra o mapa abaixo e escolha o seu modelo para ver o retângulo do campo sobre o objeto.
Carrega o mapa do CDS (Estrasburgo) e imagens DSS2 direto do servidor deles; nada é carregado antes do clique.
Considerações finais
M 55 é o globular "ao contrário": em vez de uma bola de luz, é um enxame de estrelas quase separadas, e é um dos melhores para quem quer ver resolução em vez de brilho. Do Rio, tem altura de sobra e um campo limpo. Depois de M 22 e M 28, ele completa um bom trio de globulares para uma noite de inverno.
Referências
- BAKICH, Michael E. 1,001 Celestial Wonders to See Before You Die: The Best Sky Objects for Star Gazers. New York: Springer, 2010. Objetos nº 597 (M 55) e nº 388 (NGC 5897).
- BORGIA, Michael P. Human Vision and the Night Sky: How to Improve Your Observing Skills. New York: Springer, 2006. Ordem sugerida para Sagitário na Maratona Messier, p. 268.
- COOKE, Antony. Visual Astronomy in the Suburbs: A Guide to Spectacular Viewing. Springer (ano e edição a conferir). Lista de aglomerados globulares, verbete NGC 6809 (M 55).
- KAMBIČ, Bojan. Viewing the Constellations with Binoculars: 250+ Wonderful Sky Objects to See and Explore. New York: Springer, 2010. Sagitário, globulares do sul, M 55, p. 422.
- MONKS, Neale. Go-To Telescopes Under Suburban Skies. New York: Springer, 2010. NGC 6809 (M 55), p. 144; NGC 6626 (M 28), p. 129.
- SIMBAD Astronomical Database. Centre de Données astronomiques de Strasbourg (CDS). Consulta a M 55, em 21 set. 2026.
- HYG Database (v4.1), David Nash / Astronexus, licença CC BY-SA 4.0, para a carta de localização; mapa Aladin Lite e imagem DSS2 do Centre de Données astronomiques de Strasbourg.