setembro 21, 2026
M 32, a galáxia satélite de Andrômeda: guia completo de observação e astrofotografia

Imagem de referência (DSS2). Este objeto ainda não foi capturado no Observatório.
Crédito: Digitized Sky Survey 2 (DSS2) — STScI/NASA. Palomar Observatory / Caltech (POSS-II). Créditos
Se M 31 é a grande dama de Andrômeda, M 32 é o pajem que a acompanha: uma bolinha luminosa e compacta, colada ao lado do núcleo da galáxia maior. Por ter brilho superficial alto, ela é o membro mais fácil do trio formado com M 31 e M 110. Onde a grande galáxia exige céu escuro e olho treinado, M 32 aparece como um ponto difuso mesmo com luar leve ou um pouco de poluição luminosa. Este guia foi escrito para quem observa do hemisfério norte, onde ela passa quase no zênite, e traz uma seção específica para quem está no Rio de Janeiro, onde M 32 fica baixa, mas ainda pode ser vista.
Texto em revisão. Novo formato de guia de objeto, escrito a partir de livros de observação e de consultas ao SIMBAD. As fontes estão listadas no final e as dúvidas, nas pendências.

Ficha técnica e designações
Visão geral: o que é uma galáxia elíptica satélite
Galáxias raramente andam sozinhas. A Via Láctea tem as Nuvens de Magalhães; Andrômeda tem várias companheiras, das quais duas são brilhantes o bastante para aparecer em fotografias comuns e em binóculos: M 32 (NGC 221) e M 110 (NGC 205). Mourão descreve como galáxia satélite uma pequena galáxia fisicamente associada a outra maior e dá justamente Andrômeda como exemplo, com essas duas (Mourão, p. 320). Moché lembra que M 31 e suas companheiras NGC 205 e M 32 fazem parte do Grupo Local, um conjunto de galáxias numa região de cerca de 3 milhões de anos-luz, em que a maioria é de anãs e só três são espirais: a Via Láctea, M 31 e M 33 (Moché, p. 167).
M 32 é uma elíptica: sem braços, sem poeira à vista e com quase nenhuma formação de estrelas atual, é um enxame arredondado de estrelas velhas, cujo brilho cai suavemente do centro para a borda. O detalhe curioso, lembrado por Monks, é que ela é surpreendentemente massiva para o seu tamanho e provavelmente abriga um buraco negro supermassivo no centro; ela também é estranha por não ter aglomerados globulares, quando a maioria das galáxias tem ao menos alguns (Monks, p. 18).
M 32 em números. O SIMBAD dá magnitude visual de 8,08 e a classifica como galáxia (GiG). Como o SIMBAD não lista paralaxe para galáxias, a distância vem dos livros: a mesma de Andrômeda, cerca de 2,5 milhões de anos-luz (Monks, p. 18); o Data Book lista 2,2 milhões (Data Book, p. 341). O SIMBAD também registra que ela se aproxima de nós a cerca de 200 km/s, um desvio para o azul comparável ao de M 31, cuja velocidade radial de −297 km/s Mourão cita (Mourão, p. 34).
Tamanho: uma questão de onde se mede. O SIMBAD traz 3,4′ × 2,7′, mas Bakich dá 11′ × 7,3′ e o Data Book cerca de 8′ × 6′. A diferença provavelmente vem do critério: medir só o miolo brilhante ou incluir o halo fraco. Ao telescópio, o que se vê é o miolo: um disco pequeno e aceso, com um ponto central mais brilhante.
Posição e história. Ela fica cerca de 22′ ao sul do centro de M 31 (Monks, p. 18; Kambič, p. 176); Bakich arredonda para 0,4°. Foi descoberta por Guillaume Le Gentil em 1749 (conhecimento geral) e Messier a marcou no seu mapa de M 31, junto com M 110 (Machholz, p. 22, sobre M 110).
Estruturas notáveis
- O núcleo estelar. Com abertura maior e ampliação, M 32 mostra um centro nítido, quase estelar, que dá ao conjunto aspecto de "cometa redondo" sem cauda.
- A borda suave. Sem limite claro: o brilho se dissolve devagar no fundo do céu, o que é um sinal típico de elíptica.
- A sobreposição com M 31. Em fotografias longas, M 32 parece "dentro" do disco de Andrômeda, mas é uma galáxia separada e mais próxima de nós (a linha de visada só a projeta sobre o disco).
- As vizinhas. M 110, mais extensa e fraca, no lado oposto; a nuvem estelar NGC 206 no disco de M 31 só aparece em telescópios grandes e céu escuro (Monks, p. 18).
Como localizar
Localize primeiro M 31: em Andrômeda, a nordeste do Grande Quadrado de Pégaso, em céu escuro. De M 31, M 32 é a mancha arredondada a 22′ para o sul do núcleo, o suficiente para caber no mesmo campo de um ocular de baixo aumento (Monks, p. 18). Monks alerta que M 32 e M 110 podem ser confundidas, mas a regra é simples: M 32 é a redonda e brilhante e fica embaixo, ao sul do núcleo; M 110 é maior, mais oval e mais fraca, do lado norte e oeste. Bakich sugere binóculo ou telescópio pequeno, junto com M 31.

Quando e como observar
Com declinação de +40,9°, M 32 é um objeto do hemisfério norte, em Andrômeda. Sua altura máxima é de 90° − |latitude − declinação|: cerca de 89° a 40° N, isto é, quase no zênite, e cerca de 81° a 50° N, ambas muito favoráveis. A melhor época é de setembro a janeiro, com culminação por volta de 21 horas no fim de novembro; Bakich indica outubro como o mês ideal no hemisfério norte.
Os gráficos a seguir mostram a altura de M 32 para o local do observatório do site (Rio de Janeiro), com o ano inteiro e a noite atual, hora a hora.
Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).
2026-10-12 · 19:20 – 04:10
Esta noite no céu
Este objeto não passa de 30° de altura nesta noite (máximo: 26°). Não é um bom alvo hoje.
- Melhor horário
- 23:10 · 26° N
- Horas acima de 45°
- 0,0 h
- Lua
- Lua crescente · 6 %
- Nota da noite
- 0 / 100
- Posição no céu
- 0
- Brilho
- 67 mag 8,1
- Enquadramento
- 69 ocupa 17 % do campo
Notas para SkyWatcher Explorer 200P + ZWO ASI294MC Pro (campo de 66′ × 45′).
- Crepúsculo civil (Sol até −12°)
- Crepúsculo náutico (−12° a −18°)
- Noite astronômica (Sol abaixo de −18°)
- Altura abaixo de 20°
- Altura abaixo de 30°
- Hora cheia e meia hora
- Ponto mais alto
Valores hora a hora (tabela)
| Hora | Altura | Direção | Da Lua |
|---|---|---|---|
| 19:30 | 8° | NE 39° | 147° |
| 20:00 | 12° | NE 35° | 147° |
| 20:30 | 16° | NNE 30° | 147° |
| 21:00 | 19° | NNE 26° | 147° |
| 21:30 | 22° | NNE 20° | 147° |
| 22:00 | 24° | NNE 15° | 147° |
| 22:30 | 25° | N 8° | 146° |
| 23:00 | 26° | N 2° | 146° |
| 23:30 | 26° | N 356° | 146° |
| 00:00 | 25° | N 350° | 146° |
| 00:30 | 23° | NNW 344° | 146° |
| 01:00 | 21° | NNW 338° | 146° |
| 01:30 | 18° | NNW 333° | 146° |
| 02:00 | 15° | NNW 328° | 145° |
| 02:30 | 11° | NW 324° | 145° |
| 03:00 | 7° | NW 320° | 145° |
| 03:30 | 2° | NW 317° | 145° |
| 04:00 | -3° | — | 145° |
Cálculo de baixa precisão (cerca de 0,3°), no fuso horário do local. Serve para planejar, não para apontar telescópios.
Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).
E do Rio de Janeiro?
No Rio, M 32 culmina a apenas cerca de 26° de altura, ao norte, e só nas noites de outubro a janeiro. Isso é pouco: a luz atravessa uma camada espessa de ar e de poluição luminosa. Ainda assim, por ser compacta e de brilho superficial alto, ela é o melhor alvo do trio em Bortle 7. Espere um disco pequeno e sem detalhes ao lado do núcleo de M 31, sobretudo com telescópio de 100 a 150 mm em ampliação baixa, com M 31 visível apenas como uma condensação central. Ao olhar para o norte do hemisfério sul, o norte fica para baixo: M 32, ao sul do núcleo de Andrômeda, aparece acima dele, na direção do zênite. Quem está no Nordeste tem alguns graus a mais de altura, e a vista melhora. O guia de M 31 do site (M 31, a Galáxia de Andrômeda) trata a região inteira com esse mesmo ponto de vista.
O que ver
| Instrumento | O que esperar |
|---|---|
| A olho nu | Não é visível; é preciso M 31, que só se vê em céu escuro. |
| Binóculo (7×50 a 20×80) | Uma pequena mancha redonda sob o núcleo de M 31, bem visível se o céu for bom. Kambič diz que ambas as companheiras, M 32 e M 110, podem ser vistas em binóculos, e que M 110 exige condições excelentes (Kambič, p. 176). Bakich recomenda 20×80 em local escuro. |
| Telescópio de 100 a 150 mm | Quase esférica, com centro brilhante. Qualquer telescópio a mostra, e Bakich lembra que não vale muito tempo de observação, já que a galáxia é lisa. |
| Telescópio de 250 mm ou mais | Núcleo mais concentrado e borda mais regular; não aparecem estrelas individuais, mas a textura fica mais granulada em condições excelentes. |
Expectativa honesta: M 32 não tem "detalhes" a revelar. O valor está no contexto: uma companheira que orbita a maior galáxia próxima a nós, projetada sobre seu disco. Monks lembra que os filtros de banda estreita e de linha não ajudam em galáxias, e os de banda larga ajudam pouco (Monks, p. 17).
Astrofotografia: estratégia de captura
Enquadramento
M 32 raramente é fotografada sozinha. Kier recomenda M 31 como um dos primeiros alvos do iniciante, com M 32 e M 110 no mesmo campo, e sugere lente fotográfica de cerca de 2° de campo. Com um telescópio de 1.000 mm e uma câmera como a ASI294MC Pro (campo de 1,1° × 0,75°, calculado a partir do sensor), M 32 cabe com folga, mas só com o núcleo de M 31; para a galáxia inteira, use focal mais curta ou um mosaico.
Desafios do alvo
- Alto contraste. O núcleo de M 32 é brilhante e o halo, fraco. Para não estourar o centro, use exposições curtas e empilhe muitos quadros, ou combine exposições curtas e longas.
- Baixa altura no Brasil. A 26° de altura, a atmosfera ainda borra as estrelas e a poluição luminosa é maior no horizonte; fotografe perto do meridiano.
- A galáxia maior. Se o objetivo é M 32, evite o excesso de contraste em M 31, que vai ofuscá-la; se quiser as duas, prefira exposições longas e uma curva de tons suave.
Equipamento e filtros
Câmera colorida de um disparo é suficiente para o objeto principal. Filtros de banda estreita não têm papel aqui, e um filtro anti-poluição de banda larga só é útil se ajudar a controlar o brilho do céu; teste antes de usar. Com câmera monocromática, uma luminância bem calibrada, mais cor, dá o melhor resultado.
Exemplo de sessão (ponto de partida)
| Tipo de quadro | Quantidade | Exposição | Finalidade |
|---|---|---|---|
| Light (RGB) | 60 a 100 | 60 a 120 s | Núcleo de M 32 sem estourar; o halo pede tempo total |
| Dark | 30 | igual aos Lights | Calibração do ruído térmico |
| Flat | 30 | automática | Correção de vinheta e poeira |
| Bias ou dark-flat | 50 | mais curta possível | Calibração do ruído de leitura |
Esses números são um ponto de partida, e não vêm dos livros.
Smart telescopes e campo de visão
Um smart telescope como o Seestar S50 (cerca de 1,3° × 0,7°) enquadra M 32 e o núcleo de M 31 com folga, mas não M 31 inteira. Como o alvo é brilhante, poucos minutos de empilhamento já mostram o núcleo compacto. Escolha o seu modelo no mapa abaixo para ver o retângulo do campo sobre o objeto.
Carrega o mapa do CDS (Estrasburgo) e imagens DSS2 direto do servidor deles; nada é carregado antes do clique.
Considerações finais
M 32 lembra que uma galáxia não precisa ser grande para ser interessante. É o alvo mais fácil do trio de Andrômeda e, para quem mora no Rio, o mais realista. Combine-a com M 31 numa mesma noite, e depois compare com a Galáxia do Triângulo, M 33, a outra grande espiral do Grupo Local. Para o panorama sazonal, o guia Céu de outono no hemisfério norte mostra onde Andrômeda fica nessa época.
Referências
- BAKICH, Michael E. 1,001 Celestial Wonders to See Before You Die: The Best Sky Objects for Star Gazers. New York: Springer, 2010. Objeto nº 766 (M 32) e nº 764 (NGC 205).
- KAMBIČ, Bojan. Viewing the Constellations with Binoculars: 250+ Wonderful Sky Objects to See and Explore. New York: Springer, 2010. Andrômeda, M 32 e M 110, p. 176-177.
- KIER, Ruben. The 100 Best Targets for Astrophotography. New York: Springer, 2009. Andrômeda (M 31), com M 32 e M 110 no campo. Página a conferir.
- MONKS, Neale. Go-To Telescopes Under Suburban Skies. London: Springer, 2010. Andrômeda, M 32 e M 110, p. 18.
- MOORE, Patrick; REES, Robin. Patrick Moore's Data Book of Astronomy. Cambridge: Cambridge University Press, 2011. Catálogo de Messier, p. 341.
- MACHHOLZ, Don. The Observing Guide to the Messier Marathon: A Handbook and Atlas. New York: Springer. Nota sobre M 110, p. 22 (ano a conferir).
- MOCHÉ, Dinah L. Astronomy: A Self-Teaching Guide. 7. ed. Hoboken: Wiley, 2009. Grupo Local, p. 167.
- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário enciclopédico de astronomia e astronáutica. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1987. Verbetes "Andrômeda" (p. 34) e "galáxia satélite" (p. 320).
- SIMBAD Astronomical Database. Centre de Données astronomiques de Strasbourg (CDS). Consulta a coordenadas, tipo, magnitude, dimensões e velocidade radial de M 32, em 21 set. 2026.
- HYG Database (v4.1), David Nash / Astronexus, licença CC BY-SA 4.0, para a carta de localização; mapa Aladin Lite e imagem DSS2 do Centre de Données astronomiques de Strasbourg.