setembro 21, 2026

IC 2391 (Caldwell 85), o aglomerado de Ômicron de Vela: guia completo de observação e astrofotografia

Imagem de referência (DSS2) de IC 2391 — omi Vel Cluster — objeto ainda não capturado no observatório

Imagem de referência (DSS2). Este objeto ainda não foi capturado no Observatório.

Crédito: Digitized Sky Survey 2 (DSS2) — STScI/NASA. UK Schmidt Telescope (UKST) / AAO–ROE. Créditos

Vela é uma das três partes da grande nau Argo, e do Rio de Janeiro ela passa alta ao sul no outono. Bem no ponto em que ela encontra Carina, no canto sudoeste da constelação, há um aglomerado que muita gente vê sem perceber: um punhado de estrelas de 3ª a 5ª magnitude, junto de uma estrela de magnitude 3,6, Ômicron de Vela. É o IC 2391, também Caldwell 85. Não é uma cópia das Plêiades, mas é um vizinho brilhante, sem nebulosidade, e do hemisfério sul fica em um bom lugar do céu. Este guia reúne os dados, o mapa e as estratégias de observação e de fotografia.

Texto em revisão. Este guia segue o novo formato de artigo de objeto. As fontes estão listadas no final.

Imagem de referência (DSS2) de IC 2391 — omi Vel Cluster — objeto ainda não capturado no observatório
Digitized Sky Survey 2 (DSS2) — STScI/NASA. UK Schmidt Telescope (UKST) / AAO–ROE. Imagem de referência: este objeto ainda não foi fotografado no Observatório. Créditos

Ficha técnica e designações

Visão geral: um aglomerado próximo e jovem

Um aglomerado aberto é um grupo de estrelas nascidas juntas. IC 2391 é jovem, com cerca de 50 milhões de anos (Mobberley), e próximo, o que o faz parecer grande e brilhante. Ele é vizinho de outro aglomerado jovem, IC 2602, as Plêiades do Sul, e os dois costumam ser comparados. Também vale ver NGC 2547, outro aglomerado de Vela.

IC 2391 em números. A paralaxe do aglomerado no SIMBAD dá cerca de 490 anos-luz, valor adotado; Mobberley também traz 500. O tamanho aparente no SIMBAD é de cerca de 98′ (1,6°); Mobberley dá 60′ e Bakich, 50′, o que é razoável porque os membros mais fracos se espalham. A magnitude integrada é de cerca de 2,5 (Mobberley; Bakich; Kambič), e o Bakich o coloca entre os seis aglomerados abertos mais brilhantes do céu. A estrela mais brilhante é Ômicron de Vela, de magnitude 3,6 (Mobberley; Bakich), a cerca de 500 anos-luz.

Uma nau dividida. Em 1752, o astrônomo francês Nicolas Louis de Lacaille dividiu a gigantesca constelação Argo Navis, que representava a nau de Jasão e os argonautas, em Carina (a quilha), Popa e Vela (as velas) (Mobberley). Se Argo ainda existisse, seria a maior constelação do céu, maior que Hidra. Vela herdou as letras gregas da constelação original: por isso a estrela mais brilhante de Vela é Gama, e não Alfa (Kambič).

Uma versão modesta das Plêiades. Mobberley descreve o aglomerado como uma versão fraca das Plêiades, sem o padrão inconfundível e sem a nebulosidade azul, e a expressão em inglês é "poor man's Pleiades". É um aglomerado dominado por meia dúzia de estrelas brilhantes, que, sem elas, seria "bem sem graça" (Mobberley).

Estruturas notáveis

  • Ômicron de Vela. A estrela mais brilhante, de magnitude 3,6, dá nome ao aglomerado.
  • A "perna dobrada". À primeira vista, em binóculos, você vê três estrelas formando uma perna dobrada: Ômicron, uma estrela de 5,5 ao sul e NZ Velorum, de 5,2 (Mobberley).
  • O par HY e KT Velorum. Uma dupla de estrelas de 4,8 e 5,5, a sudeste (Mobberley); o Bakich fala em um par no lado leste, com 75′ de separação.
  • As estrelas de 7ª magnitude. Além das mais brilhantes e de uma de magnitude 6, há só quatro estrelas de 7ª magnitude (que o Bakich compara com a forma da constelação do Corvo, com magnitudes de 7,4 a 8,7), algumas de 8ª e 9ª, e outras muito mais fracas, entre as quais é difícil separar os membros do fundo (Mobberley).
  • NGC 2669. Um aglomerado a menos de 1° a leste (Mobberley).

Como localizar

A estrela brilhante mais próxima é Delta de Vela (magnitude 1,9, segundo o Bakich). De lá, ande 1¾° a norte e ½° a oeste (Mobberley); o Bakich dá pouco menos de 2° a nor-noroeste. Ao olhar para o sul, o leste fica à esquerda e o norte, para baixo. Uma dica útil é partir de Canopus, cerca de 2 horas de ascensão reta a oeste do aglomerado (Mobberley), e seguir para leste até Carina encontrar Vela.

Carta de localização de IC 2391: as estrelas-guia nomeadas, setas tracejadas com a distância em graus até o alvo, escala em graus e indicação de norte e leste.
Carta de localização (star-hopping), no mesmo estilo das cartas de constelação: norte e leste indicados no canto. Anéis laranja: estrelas-guia; setas tracejadas: o caminho até o alvo, com a distância em graus; anel verde: o alvo (e, com a designação, outros objetos do campo); a barra mostra a escala. As linhas são as oficiais das constelações (d3-celestial), os limites são os da IAU e as estrelas vêm do catálogo HYG.

Quando e como observar

Com declinação de cerca de −53°, IC 2391 culmina a cerca de 60° de altura no Rio, ao sul do zênite. Ele não é circumpolar: nasce e se põe. A melhor época vai de janeiro a abril (Mobberley), e ele está alto no início da noite no outono. Nessas épocas, a Via Láctea de Vela atravessa o campo, e o Bakich considera-o um "aglomerado a olho nu que fica melhor em binóculos".

O primeiro gráfico mostra a altura do aglomerado ao longo do ano para o local do observatório; o segundo, o caminho dele pelo céu nesta noite, seguido da altura hora a hora.

Altura de omi Vel Cluster ao longo do anoAltura à meia-noite astronômica e altura máxima da noite, a cada 5 dias. Melhor época: de novembro a abril. O objeto chega a 60° à meia-noite em janeiro.0°30°60°90°JANFEVMARABRMAIJUNJULAGOSETOUTNOVDEZ26 jan · 60°hoje
Altura ao longo do ano, a cada 5 dias: linha contínua = altura no meio da noite astronômica (Sol abaixo de −18°); tracejada = maior altura durante a noite escura; faixa verde = melhor época; linhas pontilhadas em 30° e 45°. A linha vertical marca hoje. Melhor época para este local: de novembro a abril (objeto acima de 30° no meio da noite). Ponto mais alto: 60° em 26 de janeiro.

Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).

2026-10-13 · 19:20 – 04:10

Esta noite no céu

Melhores alvos da noite
Melhor horário
04:00 · 44° SE
Horas acima de 45°
0,0 h
Lua
Lua crescente · 12 %
Nota da noite
62 / 100
Posição no céu
37
Brilho
100 mag 2,5
Enquadramento
100 ocupa 65 % do campo

Notas para SkyWatcher Explorer 200P + ZWO ASI294MC Pro (campo de 66′ × 45′).

Trajetória de IC 2391 — omi Vel Cluster pelo céu nesta noiteCéu visto de baixo, zênite no centro e horizonte na borda. O objeto fica acima do horizonte entre 22:50 e 04:50 durante a noite; o ponto mais alto é às 04:00, com 44°. A tabela ao lado traz os mesmos valores.15°30°45°60°75°NNELSESSOONO23:0000:0001:0002:0003:0004:00
Caminho do objeto pelo céu nesta noite, do fim do crepúsculo civil ao amanhecer. Centro = zênite, borda = horizonte; visto olhando para cima (leste à esquerda, oeste à direita). Marcadores a cada 30 minutos.
  • Crepúsculo civil (Sol até −12°)
  • Crepúsculo náutico (−12° a −18°)
  • Noite astronômica (Sol abaixo de −18°)
  • Altura abaixo de 20°
  • Altura abaixo de 30°
  • Altura abaixo de 45°
  • Hora cheia e meia hora
  • Ponto mais alto
Valores hora a hora (tabela)
Altura e direção do objeto a cada 30 minutos
Hora Altura Direção Da Lua
19:30 -14° — 79°
20:00 -13° — 79°
20:30 -12° — 79°
21:00 -10° — 79°
21:30 -8° — 79°
22:00 -5° — 79°
22:30 -2° — 79°
23:00 2° SSE 149° 79°
23:30 5° SSE 146° 80°
00:00 9° SE 144° 80°
00:30 13° SE 142° 80°
01:00 18° SE 141° 80°
01:30 22° SE 140° 80°
02:00 27° SE 139° 80°
02:30 31° SE 139° 80°
03:00 36° SE 140° 80°
03:30 40° SE 141° 80°
04:00 44° SE 143° 80°
Altura de IC 2391 — omi Vel Cluster ao longo da noiteAltura em graus a cada 30 minutos. O ponto mais alto é às 04:00, com 44°. A tabela abaixo traz os mesmos valores.0°30°60°90°202122230001020304abaixo do horizonte04:00 · 44°
Altura em graus ao longo da noite escura (linhas em 30° e 45°). A Lua aparece tracejada.

Cálculo de baixa precisão (cerca de 0,3°), no fuso horário do local. Serve para planejar, não para apontar telescópios.

Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).

O que ver

Instrumento O que esperar
A olho nu Em céu escuro, um brilho difuso em volta de Ômicron; em Bortle 7, restam as estrelas mais brilhantes (Bakich o classifica como a olho nu em bom céu).
Binóculo (7×50 a 15×70) O melhor instrumento: a perna dobrada de Ômicron, a dupla HY e KT, uma estrela de 6ª a sudoeste. O Bakich recomenda 15x ou um telescópio de 75 mm a cerca de 30 aumentos. Mobberley recomenda binóculos grandes ou instrumentos maiores.
Telescópio pequeno (75 a 100 mm) Com 30 aumentos, mostra as estrelas mais fracas (10ª e 11ª magnitude) que, de tão numerosas, só podem ser membros do aglomerado (Mobberley).
Telescópio grande Não ajuda: o aglomerado é grande demais e tem pouca estrutura. Use baixo aumento.

Expectativa honesta: é um aglomerado de brilho, não de detalhe. O Mobberley diz que é "sem graça" sem as estrelas mais brilhantes. O melhor uso é em binóculos, no meio de um passeio pela Via Láctea de Vela e Carina.

Astrofotografia: estratégia de captura

Enquadramento

Com quase 2° de campo, IC 2391 pede uma lente ou um telescópio curto. Com uma lente de 200 mm e um sensor de 23,5 mm × 15,7 mm, o campo é de cerca de 6,7° × 4,5° (calculado), com o aglomerado ocupando um terço do quadro. Com 400 mm, cerca de 3,4° × 2,2°. Mobberley diz que é fácil, mesmo com teleobjetivas.

Desafios do alvo

  • Sem nebulosidade. Ao contrário das Plêiades, não há nebulosa de reflexão; o resultado é um campo de estrelas.
  • Contraste de brilho. As estrelas mais brilhantes dominam; convém expor pouco para não estourá-las e preservar a cor.
  • Campo rico. A Via Láctea de fundo é densa, e o quadro deve ser composto com cuidado.

Equipamento e filtros

Câmera colorida com uma lente de 135 mm a 300 mm. Filtros de banda estreita não fazem sentido, porque não há nebulosa. Um filtro de banda larga anti-poluição luminosa ajuda um pouco. Prefira fotografar com o aglomerado perto do meridiano, onde fica mais alto.

Exemplo de sessão (ponto de partida)

Tipo de quadro Quantidade Exposição Finalidade
Light (RGB, lente de 135 a 300 mm) 40 a 60 30 a 60 s Cores das estrelas
Dark 20 igual aos Lights Calibração do ruído térmico
Flat 30 automática Correção de vinheta
Bias ou dark-flat 50 mais curta possível Calibração do ruído de leitura

Esses números são um ponto de partida, e não vêm dos livros.

Smart telescopes e campo de visão

O Seestar S50, com cerca de 1,3° × 0,7°, cobre só a parte central do aglomerado, que tem quase 2°. Vale fotografar o miolo, com Ômicron e a "perna dobrada". Escolha o seu modelo no mapa abaixo para ver o retângulo do campo sobre o objeto.

0°

Carrega o mapa do CDS (Estrasburgo) e imagens DSS2 direto do servidor deles; nada é carregado antes do clique.

Considerações finais

IC 2391 é o aglomerado ideal para uma noite de binóculo no outono: brilhante, fácil de achar a partir de Delta de Vela e alto o bastante no Rio. Combine-o com IC 2602, com NGC 2547 e com NGC 2516 em um passeio pela região onde a Vela encontra a Quilha.

Referências

  • BAKICH, Michael E. 1,001 Celestial Wonders to See Before You Die: The Best Sky Objects for Star Gazers. New York: Springer, 2010. Objeto nº 89 (IC 2391).
  • KAMBIČ, Bojan. Viewing the Constellations with Binoculars: 250+ Wonderful Sky Objects to See and Explore. New York: Springer, 2010. Vela, p. 485-486.
  • MOBBERLEY, Martin. The Caldwell Objects and How to Observe Them. New York: Springer, 2009. Caldwell 85, p. 178-179.
  • SIMBAD Astronomical Database. Centre de Données astronomiques de Strasbourg (CDS). Consulta a coordenadas, paralaxe e dimensões de IC 2391, em 21 set. 2026.
  • HYG Database (v4.1), David Nash / Astronexus, licença CC BY-SA 4.0, para a carta de localização; mapa Aladin Lite e imagem DSS2 do Centre de Données astronomiques de Strasbourg.