setembro 21, 2026
NGC 1261 (Caldwell 87), o globular do Relógio: guia completo de observação e astrofotografia

Imagem de referência (DSS2). Este objeto ainda não foi capturado no Observatório.
Crédito: Digitized Sky Survey 2 (DSS2) — STScI/NASA. UK Schmidt Telescope (UKST) / AAO–ROE. Créditos
O Relógio (Horologium) é uma das constelações mais apagadas do céu, e Mobberley não poupa palavras para descrevê-la: uma constelação "pouco inspiradora", sem uma única estrela brilhante que sirva de trampolim. É ali que fica o NGC 1261, um globular de brilho respeitável, com magnitude perto de 8, mas de localização difícil: muitos observadores, sem GoTo, acham que ele é dos mais difíceis de achar do catálogo Caldwell. Do Rio de Janeiro, ele fica em um ponto alto do céu do sul na primavera, a cerca de 58° de altura. Este guia reúne os dados, os gráficos de altura e a estratégia de observação e de captura.
Texto em revisão. Este é um guia do novo formato, do segundo lote Caldwell. As fontes estão listadas no final.

Ficha técnica e designações
Visão geral: o que é um aglomerado globular
Um aglomerado globular é uma esfera de centenas de milhares de estrelas muito antigas, presas pela gravidade e distribuídas em um halo em torno da Galáxia. Os mais concentrados têm núcleos que, mesmo em telescópios grandes, parecem uma bola de luz contínua.
O NGC 1261 em números. A paralaxe do SIMBAD (0,068 milissegundo de arco, com incerteza grande) dá cerca de 48.000 anos-luz, e é esse o valor adotado; Mobberley cita 55.000. O tamanho aparente é de cerca de 7′ (SIMBAD, Bakich e Mobberley), o que corresponde a cerca de 96 anos-luz de diâmetro. A idade é de cerca de 12 bilhões de anos (Mobberley). A magnitude integrada é de 8,6 no SIMBAD (V), enquanto Mobberley e Bakich indicam 8,3. É também o Caldwell 87.
Um globular difícil de decepcionar e de achar. Mobberley observa que, depois de um globular próximo, este vem "decepcionante": mais de sete vezes mais distante e dez vezes mais fraco que o anterior da lista. Fisicamente é grande, mas a 48.000 ou 55.000 anos-luz, um globular precisaria ser um monstro para impressionar no ocular. A maioria das estrelas do aglomerado tem magnitude 16 ou 17, o que torna a resolução de estrelas individuais praticamente impossível, exceto em grandes refletores de festivais de estrelas (Mobberley). Bakich acrescenta que o núcleo é extremamente concentrado e não se resolve em nenhum telescópio, embora o halo se resolva bem com 250 mm ou mais.
Estruturas notáveis
- O núcleo muito concentrado. Uma bola de luz que não se resolve (Bakich).
- As estrelas do halo. Só telescópios de 250 mm ou mais as resolvem (Bakich); a maioria tem magnitude 16 ou 17 (Mobberley).
- As estrelas de magnitude 9. Mobberley registra uma estrela conspícua de magnitude 9 a 4′ a nordeste do núcleo, fora das bordas do aglomerado, e outra a 13′ a oeste do topo (norte) do aglomerado. Bakich a cita como GSC 8495:1472, a cerca de 3′ a nordeste do centro.
- Três galáxias fracas. Logo ao sul do globular, os astrofotógrafos podem registrar PGC 11916 (magnitude 15,3), sobreposta à ligeiramente mais brilhante e menor PGC 11918 (15,1), a sudoeste, e a PGC 145348 (16,4), a sudeste (Mobberley). São alvos só para imagem.
Como localizar
Aqui a dificuldade é real: a estrela mais brilhante em 10° é Zeta Horologii, de magnitude 5,2, e não há trampolins visíveis. Mobberley dá duas rotas: de Zeta Horologii, andar 4,5° a leste e 40′ ao sul; ou, com um telescópio com círculos de ajuste, apontar para Achernar (Alfa Eridani, magnitude zero), acertar as coordenadas dela (01h37,7m, −57°14′) e empurrar o telescópio até 03h12,3m, −55°13′. Bakich parte de outra estrela: 4,7° a nor-nordeste de Mu Horologii (magnitude 5,1). O telescópio GoTo, ou o finder do site abaixo, ajudam muito. Em binóculo, com o campo bem mapeado, ele aparece como uma mancha pequena.

Quando e como observar
Com declinação de −55,2°, o NGC 1261 passa pelo meridiano do Rio de Janeiro a cerca de 58° de altura e não é circumpolar (Mobberley: só abaixo de 35°S). Mobberley indica setembro a dezembro como melhor época, e Bakich, novembro; pela ascensão reta (03h12m), ele culmina à meia-noite por volta do início de novembro, e na primavera aparece alto e bem posicionado no fim da noite.
Olhando para o sul, o norte fica para baixo e o leste, à esquerda.
O primeiro gráfico mostra a altura do objeto ao longo do ano para o local do observatório; o segundo, o caminho dele pelo céu nesta noite (zênite no centro, cores pela altura e linha pontilhada, tracejada ou contínua conforme o crepúsculo), seguido da altura hora a hora.
Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).
2026-10-12 · 19:20 – 04:10
Esta noite no céu
- Melhor horário
- 01:40 · 58° S
- Horas acima de 45°
- 5,3 h
- Lua
- Lua crescente · 6 %
- Nota da noite
- 65 / 100
- Posição no céu
- 73
- Brilho
- 60 mag 8,6
- Enquadramento
- 45 ocupa 11 % do campo
Notas para SkyWatcher Explorer 200P + ZWO ASI294MC Pro (campo de 66′ × 45′).
- Crepúsculo civil (Sol até −12°)
- Crepúsculo náutico (−12° a −18°)
- Noite astronômica (Sol abaixo de −18°)
- Altura abaixo de 20°
- Altura abaixo de 30°
- Altura abaixo de 45°
- Hora cheia e meia hora
- Ponto mais alto
Valores hora a hora (tabela)
| Hora | Altura | Direção | Da Lua |
|---|---|---|---|
| 19:30 | 17° | SE 143° | 103° |
| 20:00 | 22° | SE 142° | 103° |
| 20:30 | 26° | SE 142° | 103° |
| 21:00 | 30° | SE 142° | 103° |
| 21:30 | 34° | SE 142° | 103° |
| 22:00 | 39° | SE 143° | 103° |
| 22:30 | 43° | SE 145° | 103° |
| 23:00 | 46° | SSE 148° | 103° |
| 23:30 | 50° | SSE 152° | 103° |
| 00:00 | 53° | SSE 157° | 103° |
| 00:30 | 55° | SSE 163° | 103° |
| 01:00 | 57° | S 170° | 102° |
| 01:30 | 58° | S 178° | 102° |
| 02:00 | 58° | S 186° | 102° |
| 02:30 | 56° | SSW 193° | 102° |
| 03:00 | 54° | SSW 200° | 102° |
| 03:30 | 52° | SSW 206° | 102° |
| 04:00 | 49° | SSW 210° | 102° |
Cálculo de baixa precisão (cerca de 0,3°), no fuso horário do local. Serve para planejar, não para apontar telescópios.
Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).
O que ver
| Instrumento | O que esperar |
|---|---|
| A olho nu | Não visível em Bortle 7. |
| Binóculo (7×50 a 15×70) | Bakich diz que se vê no buscador ou binóculo. Em Bortle 7 é uma mancha muito pequena e fraca, difícil de identificar sem carta. |
| Telescópio de 100 a 200 mm | Mobberley indica 20 cm ou mais como abertura visual ideal, sem filtro. Uma bola de luz com o centro muito mais claro, sem estrelas isoladas. |
| Telescópio de 250 a 400 mm | Bakich diz que as estrelas do halo se resolvem bem com 250 mm ou mais; o núcleo segue como uma bola de luz. |
Expectativa honesta: o NGC 1261 é um objeto para quem gosta de achar o que é difícil, e não de contemplar. Em Bortle 7 ele aparece como uma mancha redonda, pequena e mais clara no centro. O prazer está em encontrá-lo numa constelação vazia, com carta e paciência, e em imaginar a luz de 48.000 anos que chega a você.
Astrofotografia: estratégia de captura
Enquadramento
Mobberley classifica o NGC 1261 como fácil de fotografar. Com um telescópio de 1.000 mm de focal e uma câmera como a ASI294MC Pro, o campo é de cerca de 1,1° × 0,75° (calculado a partir do sensor e da focal): o globular, de cerca de 7′, ocupa uma fração pequena do quadro, com espaço de sobra para as estrelas de campo e as três galáxias a sul.
Desafios do alvo
- Núcleo compacto. Em uma exposição longa, o centro estoura facilmente; combine exposições curtas e longas para preservar o núcleo.
- Campo relativamente vazio. A constelação é pobre em estrelas brilhantes, o que facilita a calibração do fundo, mas dificulta o alinhamento se você depende de estrelas guia.
- As galáxias fracas. PGC 11916, 11918 e 145348 têm magnitudes de 15 a 16,4 (Mobberley) e só aparecem em exposição total longa e céu escuro. Em Bortle 7, elas provavelmente se perdem no fundo.
Equipamento e filtros
Como em todo globular, não há filtro que ajude. Uma câmera colorida de um disparo ou uma monocromática com LRGB funciona bem. Uma imagem de Daniel Verschatse, publicada por Mobberley, usou 50, 20, 20 e 20 minutos em L, R, G e B, com um refletor de 37 cm f/9.
Exemplo de sessão (ponto de partida)
| Tipo de quadro | Quantidade | Exposição | Finalidade |
|---|---|---|---|
| Light (RGB ou colorida) | 60 a 120 | 60 a 120 s | Estrelas do aglomerado; o mais importante é o tempo total |
| Dark | 30 | igual aos Lights | Calibração do ruído térmico |
| Flat | 30 | automática | Correção de vinheta e poeira |
| Bias ou dark-flat | 50 | mais curta possível | Calibração do ruído de leitura |
Esses números são um ponto de partida, e não vêm dos livros (a referência de Verschatse está acima).
Smart telescopes e campo de visão
O NGC 1261 cabe com folga no campo de um smart telescope como o Seestar S50 (cerca de 1,3° × 0,7°), e o aparelho resolve o problema de achar o objeto: o GoTo faz o que o Relógio, sem estrelas guia, dificulta. O brilho e a concentração do aglomerado permitem bons resultados em poucas dezenas de minutos de empilhamento. Escolha o seu modelo no mapa abaixo para ver o retângulo do campo sobre o objeto.
Carrega o mapa do CDS (Estrasburgo) e imagens DSS2 direto do servidor deles; nada é carregado antes do clique.
Considerações finais
O NGC 1261 é uma lição sobre a diferença entre brilho e visibilidade: um globular de magnitude 8,6 que quase nunca é observado porque as estrelas ao redor não ajudam a achá-lo. Para uma noite de globulares do sul, combine-o com o NGC 1851, da Pomba, mais fácil de achar e mais denso, e com o NGC 288, no Escultor, no outro extremo do céu de primavera.
Referências
- BAKICH, Michael E. 1,001 Celestial Wonders to See Before You Die: The Best Sky Objects for Star Gazers. New York: Springer, 2010. Objeto nº 854 (NGC 1261).
- MOBBERLEY, Martin. The Caldwell Objects and How to Observe Them. New York: Springer, 2009. Caldwell 87, p. 182-183.
- SIMBAD Astronomical Database. Centre de Données astronomiques de Strasbourg (CDS). Consulta a coordenadas, paralaxe, fluxo V e dimensões de NGC 1261, em 21 set. 2026.
- HYG Database (v4.1), David Nash / Astronexus, licença CC BY-SA 4.0, para a carta de localização; mapa Aladin Lite e imagem DSS2 do Centre de Données astronomiques de Strasbourg.