setembro 21, 2026
M 96, a galáxia mais brilhante do Grupo de Leão: guia completo de observação e astrofotografia

Imagem de referência (DSS2). Este objeto ainda não foi capturado no Observatório.
Crédito: Digitized Sky Survey 2 (DSS2) — STScI/NASA. Palomar Observatory / Caltech (POSS-II). Créditos
Se você for visitar só uma galáxia do Grupo de Leão, comece por esta. M 96 é a mais brilhante das três galáxias Messier do grupo que leva seu nome — o Grupo de M96, também chamado Leo I — e a mais fácil de confirmar num primeiro apontamento. É uma espiral barrada vista quase de frente, com um disco interno relativamente uniforme e um sistema de anéis mais fracos por fora, e culmina a uma altura excelente no céu do Rio de Janeiro. Este guia trata de M 96 isoladamente; leia também os guias de M 95 e M 105, as duas vizinhas que cabem no mesmo programa de observação.
Texto em revisão. Este é um dos guias do novo formato de objeto do site, feito a partir de fontes de referência e do SIMBAD. As fontes estão listadas no final.

Ficha técnica e designações
Visão geral: a galáxia mais brilhante do Grupo de M96
M 96 é a galáxia mais luminosa de um pequeno grupo de cerca de nove membros que inclui também M 95 e M 105, a uma distância média de cerca de 38 milhões de anos-luz (Bakich; Kambič; Moore). O nome do grupo — Grupo de M96 ou Leo I — não tem relação com a galáxia anã Leo I, que fica perto de Regulus e é um objeto completamente diferente, satélite da Via Láctea (Bakich, obj. #136).
Uma espiral barrada de frente. O SIMBAD classifica M 96 como SBa: uma espiral barrada com braços bem enrolados em torno do núcleo, vista quase de frente. Em fotografias de longa exposição, aparece um disco interno de tom mais amarelado — população estelar mais velha, típica do bojo — cercado por anéis mais fracos e azulados, onde a formação estelar recente é mais ativa (Kier). São cores fotográficas, que a câmera revela por acumular luz; ao olho, mesmo em telescópios grandes, a galáxia aparece cinza.
Tamanho e brilho. O SIMBAD dá 6,6′ × 4,9′ e magnitude 9,25; os livros trazem valores muito próximos (6,9′ × 4,6′ e magnitude 9,2 em Bakich), o que é raro entre os objetos deste catálogo — poucas vezes o SIMBAD e os livros concordam tão bem.
Descoberta. Méchain descobriu M 96 no mesmo dia que M 95, 20 de março de 1781; Messier incluiu as duas no catálogo quatro dias depois (Kier).
Estruturas notáveis
- O núcleo e o bojo central. Brilhante e razoavelmente concentrado; é a parte mais fácil de ver em qualquer telescópio.
- O disco interno. Uniforme e alongado, orientado de noroeste a sudeste; com 100 mm já aparece com nitidez (Bakich).
- Os anéis externos. Fracos, com regiões de formação estelar; exigem telescópios de 500 mm ou mais e céu escuro para se destacar do disco.
- A barra. Sutil no visual, mais evidente em fotografias e em telescópios muito grandes com alta ampliação.
Como localizar
M 96 fica cerca de 4,3° a nordeste da estrela Rho Leonis (mag. 3,9), no mesmo campo amplo de M 95 — que está apenas 0,7° a oeste (Bakich). M 105 fica um pouco mais adiante, cerca de 0,8° ao norte de M 96, formando com as outras duas um pequeno triângulo. Comece por M 96: é a mais brilhante e serve de âncora para localizar as vizinhas.

Quando e como observar
Com declinação de cerca de +11,8°, M 96 culmina a aproximadamente 55° de altura sobre o horizonte do Rio de Janeiro, uma das melhores alturas entre as galáxias de primavera do hemisfério norte — que, vistas do Brasil, passam bem longe do horizonte e longe da pior extinção atmosférica.
O primeiro gráfico mostra a altura do objeto ao longo do ano para o local do observatório; o segundo, o caminho de M 96 pelo céu nesta noite.
Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).
2026-10-12 · 19:20 – 04:10
Esta noite no céu
Este objeto não passa de 30° de altura nesta noite (máximo: 6°). Não é um bom alvo hoje.
- Melhor horário
- 04:00 · 6° ENE
- Horas acima de 45°
- 0,0 h
- Lua
- Lua crescente · 6 %
- Nota da noite
- 0 / 100
- Posição no céu
- 0
- Brilho
- 51 mag 9,2
- Enquadramento
- 73 ocupa 18 % do campo
Notas para SkyWatcher Explorer 200P + ZWO ASI294MC Pro (campo de 66′ × 45′).
- Crepúsculo civil (Sol até −12°)
- Crepúsculo náutico (−12° a −18°)
- Noite astronômica (Sol abaixo de −18°)
- Altura abaixo de 20°
- Hora cheia e meia hora
- Ponto mais alto
Valores hora a hora (tabela)
| Hora | Altura | Direção | Da Lua |
|---|---|---|---|
| 19:30 | -63° | — | 68° |
| 20:00 | -69° | — | 68° |
| 20:30 | -75° | — | 68° |
| 21:00 | -78° | — | 69° |
| 21:30 | -78° | — | 69° |
| 22:00 | -74° | — | 69° |
| 22:30 | -69° | — | 69° |
| 23:00 | -63° | — | 70° |
| 23:30 | -56° | — | 70° |
| 00:00 | -49° | — | 70° |
| 00:30 | -42° | — | 70° |
| 01:00 | -35° | — | 71° |
| 01:30 | -28° | — | 71° |
| 02:00 | -21° | — | 71° |
| 02:30 | -15° | — | 71° |
| 03:00 | -8° | — | 72° |
| 03:30 | -1° | — | 72° |
| 04:00 | 6° | ENE 75° | 72° |
Cálculo de baixa precisão (cerca de 0,3°), no fuso horário do local. Serve para planejar, não para apontar telescópios.
Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).
O que ver
| Instrumento | O que esperar |
|---|---|
| A olho nu | Invisível; a magnitude 9,2 está muito abaixo do limite visual mesmo em céu excelente. |
| Binóculo (10×50 ou maior) | Uma manchinha oval e fraca, a mais fácil das três galáxias do grupo, num campo que também mostra M 95 (Kambič). |
| Telescópio de 100 mm | Uma oval brilhante e uniforme, cerca de 50% mais longa que larga, orientada noroeste-sudeste, com o centro pouco mais brilhante (Bakich). |
| Telescópio de 300 mm ou mais | Detalhes de estrutura começam a aparecer com aumento, mas só telescópios de 500 mm ou maiores revelam algo além do disco uniforme (Bakich). |
Expectativa honesta: M 96 é fácil de confirmar, mas difícil de "ver estrutura": mesmo aberturas grandes mostram sobretudo um disco brilhante e uniforme. É um alvo melhor para dizer "eu vi essa galáxia" do que para caçar detalhe visual — a recompensa maior vem da fotografia.
Astrofotografia: estratégia de captura
Enquadramento
Sozinha, M 96 cabe num campo de 15′ a 20′, mas o ideal é fotografar o grupo inteiro. Kier recomenda um campo de 72′ × 48′ para M 95 e M 96 juntas, e de 90′ × 60′ para incluir também M 105 e NGC 3384 (bt-p104). Com um telescópio de 500 a 600 mm de focal e uma câmera como a ASI294MC Pro (campo de cerca de 2,2° × 1,5°), as três galáxias cabem numa única exposição.
Desafios do alvo
- Anéis externos fracos. O disco interno de M 96 é relativamente fácil, mas os anéis azulados de formação estelar pedem tempo de exposição total generoso para não se perderem no ruído.
- Contraste desigual no campo. Sendo a mais brilhante das três, M 96 pode saturar antes que M 95 e M 105 apareçam bem; um processamento em camadas ajuda a equilibrar.
- Céu urbano. Sob Bortle 7, os anéis externos são os primeiros a desaparecer; o disco interno resiste melhor.
Equipamento e filtros
Como em qualquer galáxia (luz estelar, não gás ionizado), filtros de banda estreita não ajudam aqui. Um filtro de corte de poluição de banda larga melhora o contraste sob céu urbano, e uma câmera colorida de um disparo é suficiente para capturar o grupo inteiro num único enquadramento.
Exemplo de sessão (ponto de partida)
| Tipo de quadro | Quantidade | Exposição | Finalidade |
|---|---|---|---|
| Light | 60 a 90 | 120 a 180 s | Disco interno e anéis externos das três galáxias |
| Dark | 30 | igual aos Lights | Calibração do ruído térmico |
| Flat | 30 | automática | Correção de vinheta e poeira |
| Bias ou dark-flat | 50 | mais curta possível | Calibração do ruído de leitura |
Esses números são um ponto de partida, e não vêm dos livros: ajuste-os ao seu equipamento e ao céu da noite.
Smart telescopes e campo de visão
Com um campo de cerca de 1,3° × 0,7°, um smart telescope como o Seestar S50 enquadra M 95 e M 96 juntas com folga; para incluir M 105 também, é preciso reposicionar o campo ou fazer um mosaico de dois painéis. Escolha o seu modelo no mapa abaixo para ver o retângulo do campo sobre o objeto.
Carrega o mapa do CDS (Estrasburgo) e imagens DSS2 direto do servidor deles; nada é carregado antes do clique.
Considerações finais
M 96 é o melhor ponto de entrada no Grupo de Leão: a mais brilhante, a mais fácil de confirmar e uma boa âncora para localizar M 95 e M 105 no mesmo campo. É um alvo modesto para o olho, mas generoso para a câmera, sobretudo pelos anéis externos que só a fotografia revela bem. Depois de visitá-la, siga para a barrada M 95 e a elíptica M 105; para conhecer o resto da constelação, leia o guia de Leão, a constelação da Foice e de Regulus.
Referências
- BAKICH, Michael E. 1,001 Celestial Wonders to See Before You Die: The Best Sky Objects for Star Gazers. New York: Springer, 2010. Objeto nº 163 (M 96).
- KAMBIČ, Bojan. Viewing the Constellations with Binoculars: 250+ Wonderful Sky Objects to See and Explore. New York: Springer, 2010. Leão, M 95/M 96/M 105, p. 325-326.
- KIER, Ruben. The 100 Best Targets for Astrophotography. New York: Springer, 2009. Hickson 44 e M 95/M 96, p. 104-121 (impressa 90-107).
- MOORE, Patrick. The Observer's Year: 366 Nights of the Universe. 2. ed. London: Springer, 2005. Galáxias de Leão, p. 122-123.
- COOKE, Antony. Visual Astronomy in the Suburbs: A Guide to Spectacular Viewing. London: Springer. Galáxias de Leão e Ursa Maior, p. 211-213.
- SIMBAD Astronomical Database. Centre de Données astronomiques de Strasbourg (CDS). Consulta a coordenadas, tipo morfológico, magnitude V e dimensões de M 96 (NGC 3368), em 21 set. 2026.
- HYG Database (v4.1), David Nash / Astronexus, licença CC BY-SA 4.0, para a carta de localização; mapa Aladin Lite e imagem DSS2 do Centre de Données astronomiques de Strasbourg.