setembro 21, 2026

NGC 185 (Caldwell 18), galáxia anã de Cassiopeia: guia completo de observação e astrofotografia

Imagem de referência (DSS2) de NGC 185 — objeto ainda não capturado no observatório

Imagem de referência (DSS2). Este objeto ainda não foi capturado no Observatório.

Crédito: Digitized Sky Survey 2 (DSS2) — STScI/NASA. Palomar Observatory / Caltech (POSS-II). Créditos

Das duas galáxias anãs satélites de Andrômeda que ficam no "apêndice" sul de Cassiopeia, a NGC 185 é a mais gentil com o observador. Tem magnitude e tamanho parecidos com os da vizinha NGC 147, mas um núcleo mais concentrado e uma forma mais circular, o que a torna visivelmente mais fácil ao telescópio — um bom lembrete de que a distribuição da luz de uma galáxia, e não só a magnitude total, é o que determina o quanto ela realmente se destaca contra o céu. Este guia é escrito para quem observa do hemisfério norte, onde a região de Cassiopeia é circumpolar; para o Rio de Janeiro, explica com precisão até onde ela realmente sobe.

Texto em revisão. Este guia segue o novo formato de artigo de objeto do site. As fontes estão listadas no final.

Imagem de referência (DSS2) de NGC 185 — objeto ainda não capturado no observatório
Digitized Sky Survey 2 (DSS2) — STScI/NASA. Palomar Observatory / Caltech (POSS-II). Imagem de referência: este objeto ainda não foi fotografado no Observatório. Créditos

Ficha técnica e designações

Visão geral: a mais fácil das duas anãs de Andrômeda

A NGC 185 é, como a vizinha NGC 147, uma galáxia elíptica anã esferoidal: um sistema de estrelas antigas, sem estrutura espiral e, na maior parte, sem formação estelar ativa. Mas ao contrário de quase todas as galáxias desse tipo, a NGC 185 guarda um traço raro: uma quantidade residual de gás e poeira, com sinais ocasionais de formação estelar recente — um detalhe incomum numa elíptica anã, que normalmente já "gastou" todo o seu gás disponível há bilhões de anos.

Mais fácil, apesar da magnitude parecida. Mobberley nota uma curiosidade: apesar da magnitude quase idêntica à da NGC 147 (9,2 contra 9,5) e do tamanho aparente semelhante, a NGC 185 "aparece muito mais óbvia na ocular", provavelmente porque tem um aspecto mais circular e concentra uma fração maior do brilho total perto do centro, em vez de espalhá-lo por um halo alongado como a companheira.

Parte da família de Andrômeda. A NGC 185 fica cerca de 1° a oeste da NGC 147, e as duas têm distância e tamanho muito parecidos: cerca de 2,5 milhões de anos-luz, quase a mesma distância de M 31 (Mobberley). Junto com M 32 e M 110, as duas formam um pequeno grupo de galáxias anãs sob a influência gravitacional da galáxia gigante de Andrômeda, que fica a apenas 7° ao sul no céu.

Uma "pálpebra" de poeira. Em exposições curtas, Mobberley descreve uma pequena feição em forma de "pálpebra" a noroeste do núcleo da galáxia — um detalhe que, para alguns observadores, lembra a faixa de poeira do "Olho Negro" no centro de M 64. Em exposições mais longas, esse detalhe satura com facilidade, e Mobberley recomenda técnicas de compressão de faixa dinâmica (como o esticamento gama ou a função DDP) para preservá-lo na imagem final.

Sem supernovas conhecidas. Nem a NGC 147 nem a NGC 185 já produziram uma supernova documentada, segundo Mobberley — um dado curioso, já que a própria M 31, muito maior e na mesma distância, também só teve uma supernova registrada, em 1885. Em galáxias pequenas como estas, séculos podem se passar sem que nenhuma seja observada.

Estruturas notáveis

  • O núcleo brilhante e concentrado. A região central, mais luminosa, que contém boa parte do brilho total da galáxia — o principal motivo pelo qual a NGC 185 é mais fácil de ver que a NGC 147 (Mobberley).
  • A "pálpebra" de poeira a noroeste. Uma feição sutil próxima ao núcleo, visível em exposições curtas e facilmente saturada em exposições longas — um vestígio raro de gás e poeira numa galáxia elíptica anã (Mobberley).
  • O halo mais circular. Ao contrário do alongamento visível da NGC 147, a NGC 185 tem um contorno mais arredondado, sem estrutura espiral evidente (Mobberley).
  • A companheira NGC 147. Cerca de 1° a leste, quase idêntica em distância e tamanho, mas visivelmente mais difícil — boa comparação na mesma sessão de observação.

Como localizar

Bakich sugere partir de Ómicron Cassiopeiae (magnitude 4,5): a região das duas galáxias anãs fica poucos graus a oeste-sudoeste dela. Mobberley sugere um caminho a partir de Schedar (α Cassiopeiae, magnitude 2,2): ande cerca de 8° para o sul e um quarto de grau para oeste. Como a NGC 147 fica a apenas 1° de distância, ambas cabem no mesmo campo de um buscador de baixa ampliação — bom ponto de referência para não se perder no meio delas.

Carta de localização de NGC 185: as estrelas-guia nomeadas, setas tracejadas com a distância em graus até o alvo, escala em graus e indicação de norte e leste.
Carta de localização (star-hopping), no mesmo estilo das cartas de constelação: norte e leste indicados no canto. Anéis laranja: estrelas-guia; setas tracejadas: o caminho até o alvo, com a distância em graus; anel verde: o alvo (e, com a designação, outros objetos do campo); a barra mostra a escala. As linhas são as oficiais das constelações (d3-celestial), os limites são os da IAU e as estrelas vêm do catálogo HYG.

Quando e como observar

A NGC 185 fica a uma declinação de cerca de +48,3°, o que a torna circumpolar para quem observa de latitudes acima de 42° N — ou seja, ela nunca se põe para boa parte do norte da Europa e do Canadá, e cruza o céu em altura confortável mesmo em latitudes mais baixas, como a maior parte dos Estados Unidos. A melhor época no hemisfério norte vai de agosto a dezembro (Mobberley).

O primeiro gráfico abaixo mostra a altura do objeto ao longo do ano para o local do observatório configurado no site; o segundo, o caminho da galáxia pelo céu nesta noite. Se você está lendo do hemisfério norte, ajuste a localização do site para a sua cidade para ver a janela real de observação.

Altura de NGC 185 ao longo do anoAltura à meia-noite astronômica e altura máxima da noite, a cada 5 dias. O objeto não passa de 30° à meia-noite em nenhuma época do ano.0°30°60°90°JANFEVMARABRMAIJUNJULAGOSETOUTNOVDEZhoje
Altura ao longo do ano, a cada 5 dias: linha contínua = altura no meio da noite astronômica (Sol abaixo de −18°); tracejada = maior altura durante a noite escura; faixa verde = melhor época; linhas pontilhadas em 30° e 45°. A linha vertical marca hoje. Neste local o objeto não passa de 30° de altura no meio da noite em nenhuma época do ano.

Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).

2026-10-12 · 19:20 – 04:10

Esta noite no céu

Melhores alvos da noite

Este objeto não passa de 30° de altura nesta noite (máximo: 19°). Não é um bom alvo hoje.

Melhor horário
23:10 · 19° N
Horas acima de 45°
0,0 h
Lua
Lua crescente · 6 %
Nota da noite
0 / 100
Posição no céu
0
Brilho
51 mag 9,2
Enquadramento
100 ocupa 29 % do campo

Notas para SkyWatcher Explorer 200P + ZWO ASI294MC Pro (campo de 66′ × 45′).

Trajetória de NGC 185 pelo céu nesta noiteCéu visto de baixo, zênite no centro e horizonte na borda. O objeto fica acima do horizonte entre 19:10 e 03:10 durante a noite; o ponto mais alto é às 23:10, com 19°. A tabela ao lado traz os mesmos valores.15°30°45°60°75°NNELSESSOONO20:0021:0022:0023:0000:0001:0002:0003:00
Caminho do objeto pelo céu nesta noite, do fim do crepúsculo civil ao amanhecer. Centro = zênite, borda = horizonte; visto olhando para cima (leste à esquerda, oeste à direita). Marcadores a cada 30 minutos.
  • Crepúsculo náutico (−12° a −18°)
  • Noite astronômica (Sol abaixo de −18°)
  • Altura abaixo de 20°
  • Hora cheia e meia hora
  • Ponto mais alto
Valores hora a hora (tabela)
Altura e direção do objeto a cada 30 minutos
Hora Altura Direção Da Lua
19:30 4° NNE 33° 143°
20:00 7° NNE 29° 143°
20:30 10° NNE 25° 143°
21:00 13° NNE 21° 142°
21:30 15° NNE 16° 142°
22:00 17° NNE 12° 142°
22:30 18° N 6° 142°
23:00 19° N 1° 142°
23:30 18° N 356° 142°
00:00 18° N 351° 142°
00:30 16° NNW 346° 142°
01:00 14° NNW 341° 142°
01:30 12° NNW 337° 142°
02:00 9° NNW 333° 142°
02:30 5° NNW 329° 142°
03:00 2° NW 326° 141°
03:30 -3° — 141°
04:00 -7° — 141°
Altura de NGC 185 ao longo da noiteAltura em graus a cada 30 minutos. O ponto mais alto é às 23:10, com 19°. A tabela abaixo traz os mesmos valores.0°30°60°90°202122230001020304abaixo do horizonte23:10 · 19°
Altura em graus ao longo da noite escura (linhas em 30° e 45°). A Lua aparece tracejada.

Cálculo de baixa precisão (cerca de 0,3°), no fuso horário do local. Serve para planejar, não para apontar telescópios.

Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).

E do Rio de Janeiro?

A altura máxima de um objeto ao cruzar o meridiano é 90° menos a diferença entre a latitude do observador e a declinação do objeto. No Rio de Janeiro (latitude −23°), isso dá 90° − |−23° − 48,34°| ≈ 90° − 71,34° ≈ 18,7°. Assim como a vizinha NGC 147, a NGC 185 tecnicamente cruza o horizonte no Rio, mas a uma altura baixa, sempre próxima do horizonte norte — a faixa mais turva do céu e mais afetada pela poluição luminosa da cidade. Por ser mais concentrada e ter um núcleo mais brilhante que a NGC 147, ela é, na teoria, um pouco mais acessível entre as duas, mas ainda assim um alvo no limite: vale tentar apenas em noites excepcionalmente transparentes, com o horizonte norte bem desobstruído, sem grande expectativa de sucesso a olho.

O que ver

Instrumento O que esperar
A olho nu Invisível.
Binóculo (80 mm, montado em tripé) Um brilho fraco, mas perceptível, segundo Mobberley — ao contrário da vizinha NGC 147, mais alongada e mais difícil neste instrumento.
Telescópio de 150 mm ou mais Mobberley recomenda esta abertura como mínima. Sem estrutura espiral evidente e com um diâmetro visual de cerca de 5′, mostra um núcleo mais brilhante dentro de um halo oval; um filtro de céu profundo pode ajudar um pouco em céu com poluição luminosa.

Expectativa honesta: mesmo sendo a mais fácil das duas anãs de Cassiopeia, a NGC 185 continua sendo um objeto discreto, sem detalhe estrutural chamativo ao olho — o interesse principal é encontrá-la e reconhecê-la, não um espetáculo visual.

Astrofotografia: estratégia de captura

Enquadramento

Com cerca de 11′ a 17′ de diâmetro (conforme a fonte), um campo de 20′ a 30′ enquadra bem a galáxia com espaço ao redor; se a montagem e a focal permitirem, incluir a NGC 147 no mesmo quadro amplo (a cerca de 1° de distância) rende um bom par de galáxias anãs no mesmo enquadramento.

Desafios do alvo

  • A "pálpebra" satura com facilidade. A feição de poeira a noroeste do núcleo se perde em exposições longas; Mobberley recomenda exposições médias combinadas por média, ou o uso de um esticamento gama ou da função DDP no processamento, para preservá-la.
  • Brilho de superfície ainda baixo no halo externo. Mesmo com o núcleo relativamente fácil, o halo mais fraco ao redor exige tempo de exposição maior para aparecer bem.
  • Confusão com a NGC 278. A cerca de 2° a leste-sudeste da NGC 185 fica outra galáxia, de magnitude 11, a NGC 278 — um alvo à parte, mais desafiador, para quem quiser continuar a sessão (Mobberley).

Equipamento e filtros

Assim como a NGC 147, Mobberley recomenda imagens profundas sem filtro (luminância "crua"): sem linhas de emissão fortes, um filtro de banda estreita não ajuda aqui. O cuidado principal é evitar saturar o núcleo e a feição de poeira ao mesmo tempo em que se traz à tona o halo mais fraco.

Exemplo de sessão (ponto de partida)

Tipo de quadro Quantidade Exposição Finalidade
Luminância (sem filtro), exposições médias 30 a 40 120 a 180 s Preservar a feição de poeira perto do núcleo sem saturar
RGB 10 a 15 por canal 180 a 300 s Cor da galáxia
Dark 30 igual aos Lights Calibração do ruído térmico
Flat 30 automática Correção de vinheta e poeira
Bias ou dark-flat 50 mais curta possível Calibração do ruído de leitura

Esses números são um ponto de partida e não vêm dos livros: ajuste-os ao seu sensor, ao seu telescópio e ao céu da noite.

Smart telescopes e campo de visão

O campo de um smart telescope como o Seestar S50 (cerca de 1,3° × 0,7°) cobre a NGC 185 com folga e, dependendo do enquadramento, pode incluir também a NGC 147 no mesmo quadro amplo. Como em qualquer alvo de baixo brilho de superfície, várias horas de empilhamento acumuladas em mais de uma sessão ajudam a revelar o halo mais fraco. Abra o mapa abaixo e escolha o seu modelo para ver o retângulo do campo sobre o objeto.

0°

Carrega o mapa do CDS (Estrasburgo) e imagens DSS2 direto do servidor deles; nada é carregado antes do clique.

Considerações finais

A NGC 185 mostra que, entre as galáxias anãs satélites de Andrômeda, nem todas são igualmente difíceis: com um núcleo mais concentrado e uma forma mais circular que a vizinha NGC 147, ela costuma surpreender pela facilidade relativa — e ainda guarda um detalhe raro para uma elíptica anã, a "pálpebra" de poeira perto do núcleo. Para quem observa do hemisfério norte, com Cassiopeia circumpolar, é um bom ponto de partida antes de tentar a companheira mais discreta. Vale a pena ler também o guia da Galáxia de Andrômeda (M 31), a galáxia gigante que domina gravitacionalmente todo esse pequeno grupo de satélites.

Referências

  • BAKICH, Michael E. 1,001 Celestial Wonders to See Before You Die: The Best Sky Objects for Star Gazers. New York: Springer, 2010. NGC 147/185, satélites de Andrômeda.
  • MOBBERLEY, Martin. The Caldwell Objects and How to Observe Them. New York: Springer, 2009. Caldwell 18, p. 48-49.
  • SIMBAD Astronomical Database. Centre de Données astronomiques de Strasbourg (CDS). Consulta a coordenadas e dimensões de NGC 185 (sem paralaxe disponível), em 21 set. 2026.
  • HYG Database (v4.1), David Nash / Astronexus, licença CC BY-SA 4.0, para a carta de localização; mapa Aladin Lite e imagem DSS2 do Centre de Données astronomiques de Strasbourg.