setembro 21, 2026
NGC 147 (Caldwell 17), galáxia anã de Cassiopeia: guia completo de observação e astrofotografia

Imagem de referência (DSS2). Este objeto ainda não foi capturado no Observatório.
Crédito: Digitized Sky Survey 2 (DSS2) — STScI/NASA. Palomar Observatory / Caltech (POSS-II). Créditos
Nem toda galáxia satélite de Andrômeda é fácil de ver. Enquanto M 32 e M 110 aparecem quase coladas ao disco brilhante de M 31, a NGC 147 fica bem mais afastada no céu — mas pertence à mesma família de galáxias anãs presas pela gravidade da gigante vizinha. É uma elíptica anã discreta, sem estrutura espiral, sem núcleo estelar formando ativamente novas estrelas, e mesmo tendo uma magnitude relativamente favorável, os observadores costumam achá-la mais difícil do que o número sugere. Este guia é escrito para quem observa do hemisfério norte, onde a região de Cassiopeia é circumpolar; para o Rio de Janeiro, explica com precisão até onde ela realmente sobe.
Texto em revisão. Este guia segue o novo formato de artigo de objeto do site. As fontes estão listadas no final.

Ficha técnica e designações
Visão geral: uma galáxia elíptica anã sem formação estelar ativa
A NGC 147 é uma galáxia elíptica anã esferoidal: um agrupamento de estrelas antigas, sem os braços espirais nem o gás e a poeira das galáxias em formação ativa, e sem o disco achatado típico das espirais. Mobberley observa que a formação de estrelas nela cessou há cerca de 1 bilhão de anos — hoje é um sistema estelar praticamente "adormecido", composto quase inteiramente por estrelas velhas.
Parte de uma família. A NGC 147 fica a cerca de 1° de sua "irmã" NGC 185 (Caldwell 18), e as duas têm tamanho e distância muito parecidos: cerca de 2,5 milhões de anos-luz, a mesma distância aproximada de M 31 (Mobberley). As duas galáxias, junto com a mais fraca NGC 278, ficam numa pequena extensão sul da constelação de Cassiopeia — tão ao sul que, segundo Mobberley, se não fosse por essa "anomalia" de fronteira de 2°, todas as três estariam tecnicamente dentro dos limites de Andrômeda. A galáxia gigante M 31 e seus satélites mais conhecidos, M 32 e M 110, ficam a apenas 7° ao sul: Mobberley sugere que, em muitos aspectos, NGC 147 e NGC 185 deveriam ser consideradas "irmãs" de M 32 e M 110, já que as quatro são galáxias anãs sob a influência gravitacional de M 31.
Difícil apesar da magnitude. Apesar de ter magnitude 9,5 (Mobberley) e um tamanho aparente comparável ao de NGC 185, Mobberley é categórico: "NGC 147 não é uma galáxia bonita, visualmente ou em imagens", e é "bem mais difícil de encontrar" do que a vizinha, mesmo com números parecidos no papel — um bom exemplo de como o brilho de superfície, e não só a magnitude total, determina o quanto um objeto realmente se destaca contra o céu.
Vista de lado. Em boas aberturas, a galáxia mostra um alongamento visível, e o autor observa uma semelhança de forma com a própria M 31 — as duas são vistas em ângulo oblíquo, não perfeitamente de frente nem de perfil (Mobberley).
Estrelas de primeiro plano. Um aglomerado compacto de estrelas da nossa própria Via Láctea, em primeiro plano, aparece bem no núcleo aparente da NGC 147 em qualquer exposição longa — um detalhe que pode confundir quem tenta interpretar a estrutura da galáxia numa foto (Mobberley).
Estruturas notáveis
- O halo alongado. A forma oval e alongada da galáxia, vista em ângulo oblíquo — visível em aberturas médias a grandes, mas sem contraste forte com o fundo do céu (Bakich).
- O trecho central mais brilhante. Cerca de 6′ a 7′ do comprimento total, a parte que aparece com mais facilidade mesmo em exposições sem filtro (Mobberley); o comprimento total de 18′ é muito mais difícil de captar.
- O aglomerado de estrelas de primeiro plano. Um pequeno grupo de estrelas da Via Láctea, não relacionado à galáxia, que aparece sobreposto ao núcleo em imagens longas (Mobberley).
- A companheira NGC 185. Cerca de 1° a leste, quase idêntica em distância e tamanho, mas visualmente mais fácil — as duas formam um bom par para observação na mesma sessão.
Como localizar
O ponto de partida sugerido por Bakich é Ómicron Cassiopeiae (magnitude 4,5): a NGC 147 fica cerca de 2° a oeste dela. Mobberley sugere um caminho a partir de Schedar (α Cassiopeiae, magnitude 2,2): ande cerca de 8° para o sul e cerca de 1° para oeste. Como a galáxia tem brilho de superfície baixo, um mapa detalhado e paciência ajudam mais do que a magnitude sozinha sugere.

Quando e como observar
A NGC 147 fica a uma declinação de cerca de +48,5°, o que a torna circumpolar para quem observa de latitudes acima de 42° N — ou seja, ela nunca se põe para boa parte do norte da Europa e do Canadá, embora, em latitudes um pouco mais baixas (como a maior parte dos Estados Unidos), ela ainda cruze o céu em uma altura confortável. A melhor época no hemisfério norte vai de agosto a dezembro (Mobberley).
O primeiro gráfico abaixo mostra a altura do objeto ao longo do ano para o local do observatório configurado no site; o segundo, o caminho da galáxia pelo céu nesta noite. Se você está lendo do hemisfério norte, ajuste a localização do site para a sua cidade para ver a janela real de observação.
Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).
2026-10-13 · 19:20 – 04:10
Esta noite no céu
Este objeto não passa de 30° de altura nesta noite (máximo: 18°). Não é um bom alvo hoje.
- Melhor horário
- 23:00 · 18° N
- Horas acima de 45°
- 0,0 h
- Lua
- Lua crescente · 12 %
- Nota da noite
- 0 / 100
- Posição no céu
- 0
- Brilho
- 43 mag 9,7
- Enquadramento
- 84 ocupa 21 % do campo
Notas para SkyWatcher Explorer 200P + ZWO ASI294MC Pro (campo de 66′ × 45′).
- Crepúsculo náutico (−12° a −18°)
- Noite astronômica (Sol abaixo de −18°)
- Altura abaixo de 20°
- Hora cheia e meia hora
- Ponto mais alto
Valores hora a hora (tabela)
| Hora | Altura | Direção | Da Lua |
|---|---|---|---|
| 19:30 | 5° | NNE 31° | 137° |
| 20:00 | 8° | NNE 28° | 136° |
| 20:30 | 11° | NNE 24° | 136° |
| 21:00 | 14° | NNE 20° | 136° |
| 21:30 | 16° | NNE 15° | 136° |
| 22:00 | 17° | N 10° | 136° |
| 22:30 | 18° | N 5° | 136° |
| 23:00 | 18° | N 360° | 136° |
| 23:30 | 18° | N 354° | 136° |
| 00:00 | 17° | N 349° | 135° |
| 00:30 | 16° | NNW 344° | 135° |
| 01:00 | 13° | NNW 340° | 135° |
| 01:30 | 11° | NNW 335° | 135° |
| 02:00 | 8° | NNW 331° | 135° |
| 02:30 | 4° | NNW 328° | 135° |
| 03:00 | 0° | NW 325° | 135° |
| 03:30 | -4° | — | 134° |
| 04:00 | -8° | — | 134° |
Cálculo de baixa precisão (cerca de 0,3°), no fuso horário do local. Serve para planejar, não para apontar telescópios.
Calculado para o local do observatório (Rio de Janeiro).
E do Rio de Janeiro?
A altura máxima de um objeto ao cruzar o meridiano é 90° menos a diferença entre a latitude do observador e a declinação do objeto. No Rio de Janeiro (latitude −23°), isso dá 90° − |−23° − 48,51°| ≈ 90° − 71,51° ≈ 18,5°. Diferente de outros objetos deste porte de declinação, a NGC 147 tecnicamente cruza o horizonte no Rio — mas a uma altura baixa, perto do limite prático de observação, sempre próxima do horizonte norte, na faixa mais turva e afetada pela poluição luminosa da cidade. Para uma galáxia de brilho de superfície já baixo por natureza, essa altura é baixa demais para ser um bom alvo em Bortle 7: em teoria dá para tentar em uma noite excepcionalmente transparente, com o horizonte norte bem desobstruído, mas sem expectativa de sucesso garantido.
O que ver
| Instrumento | O que esperar |
|---|---|
| A olho nu | Invisível. |
| Binóculo | Invisível ou, no máximo, uma sugestão muito fraca em binóculo grande e céu excepcional; ao contrário da companheira NGC 185, a forma mais alongada da NGC 147 é ainda mais difícil de perceber em binóculo (Mobberley). |
| Telescópio de 250 mm ou mais | Mobberley recomenda esta abertura como mínima: mostra o alongamento da galáxia, mas com pouco contraste; um filtro de céu profundo pode ajudar um pouco em céu com poluição luminosa. |
Expectativa honesta: mesmo comparada com a vizinha NGC 185, de magnitude e tamanho semelhantes, a NGC 147 costuma decepcionar quem espera algo fácil — o brilho está espalhado por uma área relativamente grande e sem um núcleo concentrado que se destaque bem.
Astrofotografia: estratégia de captura
Enquadramento
Com cerca de 12′ a 18′ de comprimento (conforme a fonte), um campo de 20′ a 30′ enquadra bem a galáxia com espaço ao redor; se a montagem e a focal permitirem, incluir a NGC 185 no mesmo quadro amplo (a cerca de 1° de distância) faz um par interessante, embora normalmente exija dois enquadramentos separados para revelar detalhe em cada uma.
Desafios do alvo
- Brilho de superfície baixo e espalhado. É o principal obstáculo: mesmo com magnitude total razoável, o brilho está diluído por uma área relativamente grande, exigindo tempo de exposição longo.
- Confusão com estrelas de primeiro plano. O aglomerado de estrelas da Via Láctea sobreposto ao núcleo pode confundir o processamento se não for identificado com cuidado (Mobberley).
- Só o trecho central é fácil. Uma exposição sem filtro já registra bem os 6′ a 7′ centrais, mas revelar o comprimento total de 18′ exige exposições muito mais profundas (Mobberley).
Equipamento e filtros
Mobberley recomenda imagens profundas sem filtro (luminância "crua"), já que filtros de banda estreita não ajudam em uma galáxia sem linhas de emissão fortes — o alvo é essencialmente estelar (luz integrada de bilhões de estrelas antigas), não gasoso.
Exemplo de sessão (ponto de partida)
| Tipo de quadro | Quantidade | Exposição | Finalidade |
|---|---|---|---|
| Luminância (sem filtro) | 30 a 40 | 300 s | Revelar o halo fraco além do núcleo central |
| RGB | 10 a 15 por canal | 180 a 300 s | Cor da galáxia |
| Dark | 30 | igual aos Lights | Calibração do ruído térmico |
| Flat | 30 | automática | Correção de vinheta e poeira |
| Bias ou dark-flat | 50 | mais curta possível | Calibração do ruído de leitura |
Esses números são um ponto de partida e não vêm dos livros: ajuste-os ao seu sensor, ao seu telescópio e ao céu da noite.
Smart telescopes e campo de visão
O campo de um smart telescope como o Seestar S50 (cerca de 1,3° × 0,7°) cobre a NGC 147 com folga e, dependendo do enquadramento, pode incluir também a NGC 185 no mesmo quadro amplo. Como em qualquer alvo de baixo brilho de superfície, várias horas de empilhamento acumuladas em mais de uma sessão ajudam bastante. Abra o mapa abaixo e escolha o seu modelo para ver o retângulo do campo sobre o objeto.
Carrega o mapa do CDS (Estrasburgo) e imagens DSS2 direto do servidor deles; nada é carregado antes do clique.
Considerações finais
A NGC 147 é um lembrete de que "satélite de Andrômeda" não significa, necessariamente, "fácil de ver": ao contrário de M 32 e M 110, coladas ao disco brilhante de M 31, esta galáxia anã fica isolada, discreta e de brilho de superfície baixo, mesmo com uma magnitude na média do catálogo Caldwell. Para quem observa do hemisfério norte, com Cassiopeia circumpolar, ela é um bom desafio para telescópios médios a grandes, sempre ao lado da companheira NGC 185. Vale a pena ler também o guia da Galáxia de Andrômeda (M 31), a galáxia gigante que domina gravitacionalmente todo esse pequeno grupo de satélites.
Referências
- BAKICH, Michael E. 1,001 Celestial Wonders to See Before You Die: The Best Sky Objects for Star Gazers. New York: Springer, 2010. Objeto nº 759 (NGC 147).
- MOBBERLEY, Martin. The Caldwell Objects and How to Observe Them. New York: Springer, 2009. Caldwell 17, p. 46-47.
- SIMBAD Astronomical Database. Centre de Données astronomiques de Strasbourg (CDS). Consulta a coordenadas e dimensões de NGC 147 (sem paralaxe disponível), em 21 set. 2026.
- HYG Database (v4.1), David Nash / Astronexus, licença CC BY-SA 4.0, para a carta de localização; mapa Aladin Lite e imagem DSS2 do Centre de Données astronomiques de Strasbourg.