setembro 22, 2026
Cinzel: guia da constelação do buril de escultor, quase invisível entre a Pomba e o Relógio

Há constelações que são pequenas e há constelações que são pequenas e fracas, sem nada que chame atenção nem para quem já sabe onde olhar. O Cinzel é a segunda categoria. Formado por só duas estrelas acima da quinta magnitude, encravado entre a Pomba, o Relógio, o Retículo, o Dourado, a Lebre e o Eridano, ele é um dos melhores exemplos de constelação "de preenchimento": Lacaille precisava cobrir o céu inteiro com 88 áreas, e o Cinzel é uma das que sobraram entre vizinhas mais interessantes.
Texto em revisão. Este é um artigo de teste, escrito a partir de fontes de referência; as fontes estão listadas no final.
Uma das constelações mais fracas do céu
O Cinzel (Caelum, abreviatura Cae) ocupa 125 graus quadrados do céu, entre o Pintor e o Dourado, ao sul, a Pomba, ao leste, a Lebre e o Eridano, ao norte, e o Relógio, a oeste (Mourão, verbete Caelum, p. 174). Mourão resume bem o que esperar: "é difícil reconhecê-la entre as constelações em virtude do brilho pouco intenso das estrelas que a compõem" (Mourão, p. 174). Não é exagero — é a descrição mais honesta possível.
O nome é uma homenagem do astrônomo francês Nicolas-Louis de Lacaille, que a instituiu em 1752, ao buril, a ferramenta pontiaguda usada por escultores e gravadores para talhar metal, pedra ou madeira (Mourão, p. 174; Moore & Rees, Data Book of Astronomy). Como quase todas as constelações de Lacaille, o Cinzel faz parte de um conjunto de nomes de instrumentos científicos e artísticos que ele espalhou pelo céu austral durante sua expedição ao Cabo da Boa Esperança, entre 1750 e 1754 — outros exemplos do mesmo projeto são o Relógio (Horologium), o Retículo (Reticulum) e o Forno (Fornax). Não há mitologia nenhuma associada a ele, e nenhum livro consultado nesta pesquisa finge que existe: o Cinzel nasceu de um catálogo de posições estelares, não de uma lenda.
Quando e como achar
Melhor época. O Cinzel está centrado perto de 4h44min de ascensão reta, então culmina (fica no ponto mais alto) por volta das 21h locais em meados de janeiro. A boa temporada de observação vai de novembro a fevereiro.
Para onde olhar. A carta abaixo mostra o céu olhando para o sul, com o norte para cima e o leste à esquerda.
| Cidade | Altura máxima (alfa Caeli) |
|---|---|
| Boa Vista (RR) | 45° |
| Manaus (AM) | 51° |
| Recife (PE) | 56° |
| Brasília (DF) | 64° |
| Rio de Janeiro (RJ) | 71° |
| São Paulo (SP) | 72° |
| Porto Alegre (RS) | 78° |
Altura máxima acima do horizonte, calculada por nós a partir da declinação de alfa Caeli (catálogo do site, base Hipparcos) e da latitude de cada cidade; valores arredondados. O Cinzel é visível do Brasil inteiro e sobe bem alto, apesar de fraco.

Passo a passo.
- Comece pela Pomba (Columba), que tem a estrela Phact, de magnitude 2,65 — bem mais fácil de achar. O Cinzel fica ao lado dela, na direção do Relógio.
- Não espere reconhecer nenhum desenho: as duas estrelas mais brilhantes do Cinzel, alfa e gama¹, têm magnitude 4,4 e 4,5, no limite do que se vê a olho nu num céu de subúrbio.
- Trate a busca como um exercício de localização por coordenadas ou por carta, não de reconhecimento de padrão.
As duas estrelas do Cinzel
| Estrela | Brilho visual (mag.) | Tipo espectral |
|---|---|---|
| Alfa (α) | 4,44 | classe F |
| Gama¹ (γ¹) | 4,55 | classe K |
Brilhos e tipos espectrais consultados no catálogo de estrelas do site (base Hipparcos/HYG). São as únicas duas estrelas do Cinzel acima da magnitude 5; nenhuma tem nome próprio aprovado pela IAU.
Não há nada de especial registrado sobre essas duas estrelas nos livros consultados para este guia — nem curiosidade histórica, nem companheira notável, nem variabilidade digna de nota. É o retrato mais simples possível de uma constelação de preenchimento: duas estrelas de magnitude 4, sem mais nada em volta que valha a pena destacar.
Sem objeto de céu profundo conhecido
O catálogo de objetos do site não lista nenhum DSO dentro dos limites do Cinzel, e não encontramos, nos livros de observação consultados nesta pesquisa, nenhuma nebulosa, aglomerado ou galáxia associada à constelação. Isso não significa necessariamente que não exista nada observável ali — apenas que, com as fontes disponíveis para este guia, não há nada digno de registro. Diferente do vizinho Relógio, que ao menos tem o globular NGC 1261, o Cinzel parece ser mesmo uma das áreas mais vazias do céu austral em termos de interesse amador.
Roteiro de observação
| Instrumento | O que ver |
|---|---|
| A olho nu | Praticamente nada; um exercício de localizar duas estrelas fracas entre vizinhas mais fáceis. |
| Binóculo (10×50) | As duas estrelas principais, alfa e gama¹, ficam bem mais fáceis de confirmar. |
| Telescópio | Sem alvo notável conhecido nesta pesquisa. |
Dicas de campo:
- Escolha uma noite sem Lua entre novembro e fevereiro, em céu bem escuro — o Cinzel não perdoa poluição luminosa.
- Use a Pomba como ponto de partida: Phact é a referência mais próxima e mais fácil.
- Trate a visita ao Cinzel como uma "caça ao tesouro vazio": o interesse está em completar o mapa do céu, não em ver algo espetacular.
Referências
- MOORE, Patrick; REES, Robin. Patrick Moore's Data Book of Astronomy. Criação do Cinzel por Lacaille em 1752 (índice, p. 574; verbete não localizado na íntegra nesta pesquisa).
- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1987. Verbete "Caelum", p. 174.
- Catálogo de estrelas do site (base Hipparcos/HYG Database v4.1, David Nash / Astronexus, licença CC BY-SA 4.0), consultado via
constellation_chart.py info Cae, em 21 set. 2026; limites de constelação da IAU.